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Capítulo 59 - Magnus e Katrina

last update Data de publicação: 2021-06-28 06:10:51

Sofia estava na porta quando Magnus disse:

- Está tudo bem agora. Eu vou cuidar dela. Pode fechar a porta e acalmar todos, por favor?

- Sim, Alteza. – disse Sofia saindo com uma expressão amedrontada no rosto.

Ele me olhou:

- Você está louca?

- Foi sua mãe... Eu tenho certeza.

- Minha mãe é a rainha de Noriah.

- E isso dá o direito de ela tentar me matar?

- Por que acha que ela faria isso?

- Não sei, me diga você.

Ele sentou na cama e passou as mãos sobre os cabelos desalinhados. Parecia nervoso.

- Você... Está bem?

Antes que eu respondesse, parece que o mundo desabou sobre minha cabeça e eu comecei a chorar. Eu não costumava fazer aquilo, mas naquele momento estava nervosa e com medo. Ele me abraçou e eu me aconcheguei ao peito dele. Eu precisava de alguém. Queria me sentir segura.

- Procure se acalmar.

- Você já imaginou acordar no meio da noite com uma cobra venenosa na sua cama? Eu... Poderia ter morrido.

Ele me afastou um pouco e me disse, olhando nos meus olhos:

- Mas você está viva... E aqui.

- Fico me perguntando... Por quanto tempo?

Primeiro um tiro, agora uma cobra. Se eu continuasse ali, morreria logo. Mas sair dali também não era a solução. Ela me encontraria onde eu estivesse e eu sabia disso.

- Vou deixá-la em segurança... E garantir seu emprego.

- Eu... Não quero mais esta droga de emprego. Eu quero minha vida de volta.

- Sua vida é esta agora, Katrina.

- Eu sou forte... Mas não tanto. Vou abandonar tudo. – falei decidida.

- Eu também sou forte, mas nem tanto...

Dizendo isso ele me beijou. E desta vez não foi só encostando os lábios nos meus. Foi um beijo intenso, forte e cheio de sentimento. Eu correspondi. Eu queria Magnus. Meu coração queria Magnus. E meu corpo também. Passei meus braços sobre o pescoço dele, aproximando nossos corpos quentes. Senti as mãos dele passeando pelo meu corpo com ansiedade. Ele me deitou gentilmente, sem largar meus lábios, sem descuidar um segundo do beijo perfeito que trocávamos. E eu esqueci tudo que havia acontecido nos últimos minutos, nas últimas horas... E nos últimos dias. Só existia aquele momento e Magnus junto de mim, sentindo o peso do corpo dele sobre o meu.

Mas como nada é perfeito na minha vida, a porta se abriu e fomos interrompidos por Dereck. Ele ficou parado na porta confuso e disse:

- Pelo visto está tudo bem.

Magnus levantou imediatamente e me cobriu com o lençol, dizendo:

- Está... Tudo bem... Eu acho. – disse ele.

- Confesso que eu detesto interromper estes momentos, mas nós três precisamos conversar. – disse Dereck entrando e trancando a porta com a chave.

Eu senti medo quando ele fez aquilo. Estaria Dereck fazendo aquilo para me proteger? A rainha estava vindo atrás de mim?

- Nossa mãe acabará com ela, Magnus. – disse Dereck andando de um lado para o outro, preocupado.

- Acha mesmo que ela fez isso? – perguntou Magnus. – Por qual motivo?

- Não importa se ela fez, não importa se teve motivo... Katrina tentou agredir a rainha a minutos atrás...

- Eu... Fiz sem pensar. – falei. – Mas acho que se não tivessem me segurado, eu teria batido nela. – confessei.

- Ah, disto eu tenho certeza. – disse Dereck.

- O que vamos fazer? – perguntou Magnus.

- O que “você” vai fazer, não eu. Você sabe que eu não tenho nenhum poder aqui. – lembrou Dereck. – Não com nossa mãe.

- Acha que ela me ouviria? Não tenho tanta certeza... O que eu argumentaria?

- Eu acho que não precisam se preocupar. Talvez esteja na hora de eu partir.

- Não. – disseram os dois ao mesmo tempo. Olhei-os confusa, mas ao mesmo tempo me sentindo segura. Sim, eu havia sido impulsiva. E muitas vezes eu era assim. Não poderia nem prometer que aquilo não aconteceria novamente, pois eu não tinha certeza que se ela atentasse novamente contra minha vida de que forma eu agiria.

- Você fica. – disse Magnus. – Eu vou falar com minha mãe. – ele olhou para Dereck. – Mas depois... Agora eu gostaria de lhe falar... Em particular.

Dereck levantou as mãos e disse:

- Ok, estou sobrando aqui. E literalmente eu gosto disso. Eu sempre apostei em vocês. Mas podem me agradecer depois.

Dereck destrancou a porta e saiu. Eu fiquei no mesmo lugar, olhando Magnus, sentindo tantas sensações dentro de mim que eu não poderia descrever. Ainda estava quase sem ar do beijo intenso que trocamos.

Ele olhou ao redor e disse:

- Este lugar é horrível.

- São as acomodações oferecidas pela realeza, Alteza. – ironizei.

- Você... Pode ficar doente aqui.

- Nunca esteve aqui antes?

- Não. – ele disse.

Eu fiquei feliz por ele não ter dormindo com nenhuma empregada... Até então. Lembrei que Dereck conhecia muito bem as acomodações dos empregados.

- Como está seu irmão? – ele perguntou de repente.

Olhei-o confusa. Magnus queria mesmo saber sobre Leon depois de tudo que aconteceu entre nós minutos antes?

- Bem. – respondi. – Tudo certo.

- E você foi para sua casa ontem... Depois do que aconteceu?

- Está falando sobre o jantar?

- Sim...

- Quer mesmo falar sobre isso? – perguntei.

- Eu queria que você entendesse que aquilo não era para ter acontecido.

- Vitória é sua noiva, alteza... Então muita coisa não pode acontecer.

- Era você que eu queria lá...

- Por que eu?

Parece que eu fazia aquela pergunta regularmente. Sinceramente eu não entendia muito bem tudo que estava acontecendo na minha vida. Nem o que os príncipes viam de tão especial em mim. Eu era uma garota normal, temperamental, brava, impulsiva e nem havia terminado a faculdade. Eu fazia parte de um grupo contra a realeza. Eu vinha de uma família falida. Eu fazia tudo errado.

- Eu não sei porque... Eu não sei. – ele disse sinceramente.

- Eu estou com medo de tudo isso. – confessei.

- Eu também. – o ouvi dizendo.

- Eu acho que foi sua mãe que tentou me matar... Ou ao menos me assustar. Eu sei que ela me quer fora daqui.

- Não saberemos a verdade nunca. Ela jamais diria.

- Eu sei.

- Eu vou proteger você.

- Por que você faria isso, alteza? Não seria mais fácil me deixar partir?

- Eu preciso de você...

- Por quê? – voltei a minha pergunta de sempre: Por que eu?

- Eu nunca pensei que eu pudesse ser um bom rei. Sempre achei que ninguém superaria minha mãe, pois ela nasceu para ser rainha. Eu fui preparado a vida toda para assumir o lugar dela. Mas eu nunca tive segurança do que eu precisava realmente para fazer a diferença entre as pessoas do reino. Você me fez ver que eu posso sim ajudar de alguma forma. Eu... Preciso que você me mostre como fazer. Daqui a três anos eu serei o rei de Noriah Sul.

Aquilo era tudo que eu precisava ouvir. Minha intuição estava correta: Magnus seria sim um bom rei. Eu agora não tinha dúvidas. E eu estava disposta a ajudá-lo. Ajudando Magnus eu ajudava todo o reino. Eu era sim um pequeno peixe num oceano, como a própria rainha Anne dissera. Mas mesmo assim eu podia fazer a diferença. Ele confiava em mim. E eu confiava nele... E em Dereck.

- Eu vou ajudá-lo, Alteza... Em tudo que precisar.

- E vai continuar indo aos encontros secretos?

Olhei-o fingindo não entender. Ele continuou:

- Está escrito na sua testa: anti monarquia.

- Não sei do que está falando, Alteza.

- Não posso manter você aqui se participa destes encontros. Entende o risco que corre? Todos nós corremos na verdade. Podem usá-la e você sabe disso.

- Eu não posso prometer que não farei isso. – confessei.

- E eu finjo que minha secretária não é uma anti monarquista?

- Uma anti monarquista ajudaria o príncipe a ser um bom rei?

- Me diga você.

Eu me calei. Se fosse para não fazer o que eu quisesse da minha vida fora do castelo, eu não poderia aceitar aquilo. E acho que ele percebeu que não havia o que fazer. Depois de um tempo, ele disse:

- Venha comigo. Você não vai ficar aqui.

- Para onde eu vou?

Larguei o lençol na cama e ele tirou o roupão que usava, colocando sobre mim.

- Vista.

Olhei-o divertidamente:

- Acho que todo mundo já viu tudo que tinha para ver.

Ele não achou engraçado. Eu coloquei o roupão como ele mandou. Ele usava uma calça larga confortável e uma camiseta.

- Vamos.

Eu o segui pelo corredor. Ou ninguém havia dormido ou já estavam levantando para o trabalho. Eu não tinha ideia de que horas eram. Quando passamos por Sofia, ele disse:

- Por favor, peça amanhã que organizem as roupas da senhorita Lee e levem para o terceiro andar.

- Sim, Alteza.

- Como assim... Terceiro andar? – perguntei.

- Você vai para lá a partir de agora.

- Eu... Não posso fazer isso.

- Só seguirá minhas ordens. Esqueceu que trabalha para mim agora?

- Mas... A rainha vai querer a minha cabeça. Não vou nem poder tomar água, pois poderá estar envenenada.

- Então tome cuidado... E não beba nada que ela lhe oferecer. – ele disse rindo divertidamente.

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