FAZER LOGINAs duas próximas semanas passaram voando. A rainha havia dado uma trégua. Eu sabia que não seria por muito tempo, ainda assim aproveitei o momento de tranquilidade e consegui organizar a festa da melhor maneira possível. Tive ajuda de Dereck e de Magnus. Tentei me manter o mais distante possível do príncipe. Eu não queria me machucar ainda mais. E ele também se manteve distante. Falávamos somente o necessário e nossa relação voltou a ser estritamente profissional. Claro que à noite, quando eu deitava na cama de princesa do castelo, eu ficava relembrando até adormecer o beijo que eu havia trocado com ele. Já havia passado tanto tempo e eu ainda tinha na memória cada detalhe, como se tivesse sido há minutos atrás.
Consegui sair novamente no sábado à noite do castelo, com permissão de Dereck. Não pedi para Magnus, pois temia que ele negasse. De alguma forma eu notava que ele não gostava muito que eu tivesse este privilégio e queria sempre me manter no castelo. Ainda assim este era um privilégio que eu não abria mão. E me aproveitava do fato de Dereck nunca me dizer não para nada.
Kim e Diana continuaram indo aos encontros anti monarquia. Nunca mais Léo foi depois que terminamos nosso relacionamento relâmpago. Eles me disseram que na faculdade também ele se afastou. No fundo eu esperava que aquilo acontecesse um dia. Acho que Léo nunca foi conosco realmente quem ele era. Tentava ser o que eu queria que ele fosse. E justamente por aquilo que eu nunca gostei dele.
Encontrar Dom naquela noite foi um pouco diferente. Havíamos tido um pouco mais de intimidade e falado um pouco sobre nossas vidas há duas semanas. No entanto quando nos encontrávamos era sempre um jogo de sedução que me deixava tonta e inebriada de desejo. Eu não tinha certeza se ele não gostava de mim o suficiente. Só sei que Dom conseguia despertar meus desejos mais profundos. E eu aproveitava cada momento com ele como se fosse o último, pois eu nunca sabia se e quando nos veríamos novamente. Acho que o fato de nos encontrarmos nos lugares mais insanos e improváveis, bem como o medo de sermos descobertos, aflorava o desejo ainda mais intenso entre nós.
Desta vez o encontro explosivo foi no quarto de uma casa na Zona D. Quando entramos no cômodo, imediatamente nos corpos se uniram num só, como se estivessem esperando desesperadamente por aquele momento.
- Quinze dias são tanto tempo demais para esperar por você... – ele disse enquanto descia os lábios quentes e úmidos pelo meu pescoço.
A cama desarrumada a alguns centímetros de nós era convidativa, embora eu não fosse deitar ali pela incerteza do que havia acontecido nela antes de chegarmos. No fim eu até concordei um pouco com Black, no sentindo que os encontros tinham sim bebidas alcoólicas, entorpecentes usados por algumas pessoas e muita luxúria. Mas isso não interferia nos nossos ideais. Lembrei que nunca mais havia visto Black nos encontros. O que teria acontecido com ele?
Eu afastei um pouco Dom e olhei nos olhos dele, cheios de desejo, perguntando:
- Algum dia vamos nos encontrar sem ser nestas circunstâncias?
- Creio que não... – ele disse. – Não é seguro.
Dom era um homem inteligente e maduro e eu sabia que de alguma forma ele tentava me proteger. E também precisava se proteger. Eu não havia falado com ele sobre a rainha ter pedido nomes e nem falaria. Não queria deixá-lo angustiado. No entanto, eu disse:
- Precisamos ter cuidado. A rainha sabe dos encontros.
- Eu não quero falar sobre a rainha, Katee. Eu quero você neste momento... Só você. Já falei muito sobre ela hoje.
Ele voltou os lábios aos meus e eu me entreguei novamente ao momento que estávamos vivendo. Senti-o beijar meu corpo ardente sem pressa, me levando à loucura. Ainda assim eu me pegava imaginando ter um momento assim com Magnus. O que estava acontecendo comigo? Ele tirou minha blusa e seguiu os beijos até meu ventre, de forma lenta e envolvente. Eu o empurrei para baixo, gemendo:
- Não pare, Magnus.
Foi como um balde de gelo jogado sobre nós. Fiquei imóvel, torcendo para que ele não tivesse ouvido. Mas imediatamente ele voltou os olhos para mim, como se uma nuvem escura tivesse se apossado dele:
- Magnus? Você me chamou de Magnus?
- Eu... Não tenho certeza...
O que eu diria? Havia sido um engano... Um terrível engano. Pensei nele e falei o nome sem querer.
Dom levantou e pegou minha blusa, jogando-a sobre mim.
- Dom... Desculpe-me.
Ele estava visivelmente irritado.
- Ok, senhorita Katee. Vamos descer.
- Eu... Preciso lhe contar uma coisa.
- Precisa? – ele disse ironicamente. – Pode dizer. Estou curioso.
- Dom... Eu passei a morar no terceiro andar do castelo.
Ele riu enigmaticamente:
- Bem, está tentando me explicar de sua proximidade repentina com o príncipe? Quer justificar o fato de ter me chamado pelo nome dele num momento íntimo?
- Sim, de alguma forma eu me aproximei dele. Não da forma como você pensa, Dom. Mas eu gostaria que você soubesse o motivo que me levou ao terceiro andar e por que me aproximei de Magnus.
- Fale, Katee. Estou louco para ouvir sua história. – ele falou de forma ríspida e irônica.
- A rainha Anne colocou uma cobra venenosa na minha cama.
- Como?
- Sim, exatamente isso. Acordei no meio da noite com uma cobra junto de mim. Consegui escapar e... Tentei agredi-la.
- Está me dizendo que tentou agredir a rainha Anne Marie dentro do castelo?
- Sim... – confessei sem jeito.
- Você quer morrer? Quer ser morta em praça pública aos 19 anos? É isso que você quer para sua vida, Katrina Lee?
- Não...
Ele ficou nervoso e passou a andar de um lado para o outro, passando as mãos nos cabelos:
- E o que houve depois?
- Magnus me levou para meu quarto e impediu que eu fosse presa. E depois decidiu que era mais seguro eu dormir no terceiro andar.
- Magnus decidiu que depois de você tentar agredir a mãe dele, a rainha de Noriah, você iria para o terceiro andar, sendo promovida e não castigada pelo ocorrido?
- Ele é um bom homem... Eu sei disto, agora mais do que nunca.
- Céus, Katrina, não percebe que Magnus está gostando de você?
- Não, Dom... Ele precisa de mim. Ele quer saber sobre o reino, ele quer fazer algo pelo povo, ele tem boas ideias...
- Primeiro ele deu um tiro em você. Mas você não só o perdoou como justificou o que ele fez, como um acidente. Agora ele simplesmente a coloca mais perto dele, de onde pode vigiá-la sem nenhuma dificuldade. Ainda assim há justificativa: ele é um homem bom. Ele é um Chevalier. Magnus nunca será uma boa pessoa.
- Você está enganado.
- Eu estou enganado? Ou você está se enganando, Katrina?
Olhamo-nos demoradamente. De fato fazia sentido algumas coisas que ele dizia. Talvez eu realmente estivesse sendo muito benevolente com Magnus.
Coloquei minha blusa.
- Ela tentou matar você... Eu não acredito.
Eu assenti afirmativamente. Ele se aproximou e perguntou:
- Você teve medo?
- Muito... – confessei. – E você não sabe o pior.
- Há coisa pior que ela ter tentado matar você.
- Sim... Ela só “tentou” me matar. Mas ela matou Joana Pallucci.
- Como assim?
- Dom, ela me confessou.
Contei a ele sobre minha conversa com a rainha sobre Joana Pallucci, não mencionando a parte que ela me ameaçou sobre os nomes dos líderes do grupo rebelde. Eu sabia que ele iria imediatamente querer me tirar de dentro do castelo. E eu não podia sair de lá agora. Ainda havia muito a fazer.
- Temos que espalhar esta notícia.
- Quem acreditaria em nós? Você sabe que isso soa como loucura até para mim que ouvi da própria boca dela. Quem mata uma pessoa por um motivo tão banal?
- A rainha Anne Marie Chevalier. E por isso precisamos acabar com a monarquia, Katee. Isso nunca vai mudar. Magnus será somente um objeto nas mãos dela.
- Ele tem pensamentos próprios. Ele a enfrentou... Por mim.
Dom passou o dedo delicadamente sobre meu rosto e depois me deu um beijo leve nos lábios:
- Vamos descer. Tenho muito a fazer...
Será que ele havia me perdoado? Eu tentei lhe dar um beijo, mas ele me afastou:
- Será difícil disputar com um príncipe.
Eu me pus na frente da porta, impedindo-o de sair e disse:
- Não há disputa, Dom... Eu quero você... Eu sempre quis, desde o primeiro dia em que o vi. Mas você insiste que não passe disto. Nunca nos veremos fora daqui... Que esperanças eu posso ter?
- As mesmas que tem com o príncipe, Katee.
Dizendo isso ele me afastou e saiu. Eu fiquei próxima dele o restante do tempo que fiquei na casa, tentando entender quais as intenções dele no comando do novo grupo que havia se agregado ao nosso antigo. Quando ele conversava com mulheres eu sentia muito ciúme, mas tentava me conter. Eu não era dona dele. E eu tinha certeza de que ele havia ficado magoado com o que eu havia feito. Nada poderia ser pior que chamá-lo por outro nome, quando tudo que eu esperava era chegar o dia para ficar com ele, sentindo em suas carícias sensações que só ele me fazia sentir.
- Pelo visto você e Dom não estão muito bem hoje. – disse Kim me entregando um copo de espumante.
- E quando eu estou bem no amor, meu amigo?
- Não reclame, baby. Não reclame sem motivo. Dom é um homem lindo e inteligente.
- E eu o chamei de Magnus. – falei tomando toda a taça de uma só vez, sentindo uma pequena lágrima rolar pela minha face por causa das bolhas. – E o pior, num momento em que eu não precisava dizer nenhuma palavra...
- Querida, você tem um problema... Um grande problema: você não consegue calar a sua boca.
Começamos a rir sem parar. Kim conseguia fazer tudo ficar tranquilo.
- Você e Dereck são muito parecidos. – eu disse.
- Não me compare com esse ladrão de amigas. – disse ele fingindo estar bravo. – Dele eu só quero uma foto sem camisa se você puder me m****r.
Eu ri novamente:
- Acho mais fácil m****r do Magnus. Ele que gosta de se exibir sem roupa pelo castelo.
- Pode ser também. Mas você sabe que eu sempre preferi o príncipe mais novo. Embora eu não consiga imaginar Magnus, aquele homem enorme, sério e tímido, se exibindo para você sem roupa.
- Na verdade sem roupa nenhuma eu nunca vi... Só sem camisa e de pijama.
- Não se preocupe, da próxima vez vai ser sem nada. – ele disse piscando e saindo para pegar outro copo.
Eu fiquei ali, corada, só de imaginar ver Magnus sem roupa. Teria ele outras tatuagens além das que eu havia visto? Eu tinha fetiche por tatuagens, embora não tivesse nenhuma. Kevin tinha muitas e eu sempre admirei. Desde cedo ele tatuava o corpo com significados especiais para ele. Nos últimos tempos ele não fazia mais... Porque acho que poucas coisas realmente tinham real significado em sua vida.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







