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Capítulo 61 - O que você realmente quer?

Author: Roseanaautora
last update publish date: 2021-06-28 06:12:20

- Eu sou uma pobre menina falida da Zona E... O que você quer comigo?

- Quero os nomes.

- Nomes? – me fiz de desentendida.

- Me diga os nomes dos líderes do seu grupo e eu deixo você em paz para sempre. Será como se nunca tivesse entrado neste castelo uma única vez.

Eu ri ironicamente, mesmo com medo:

- Sua palavra para mim não vale de nada. Você mente o tempo todo. Você mata pessoas por puro capricho. Por que eu acreditaria em você?

- Pela sua segurança... Pela sua vida.

- Eu nunca vou fazer isso. Se sua intenção em me chamar para este emprego foi essa, esqueça. Tente outras pessoas, talvez tenha mais sucesso.

- A decisão é sua, garota.

- Eu não sou uma garota.

Ela arqueou as sobrancelhas:

- Garota... Se arrependerá do dia que entrou neste castelo pela primeira vez.

- Já estou aqui... Não há mais o que fazer. E cheguei bem rápido ao seu andar.

Ela riu:

- Aproveite a estadia, Katrina Lee. E divirta meus filhos também. Dereck já teve experiências com garotas como você. Talvez ele lhe pague mais do que mereça. Magnus, por sua vez, é mais responsável e coerente. Será a primeira experiência dele com uma garota promíscua e medíocre. Só não se apaixone... Pois no fim, ele casará com Vitória e você sabe disto. Garotas como você não atraem homens como meus filhos, muito menos viram princesas... Ele usará você e depois jogará fora de volta ao lixo do qual você nunca deveria ter saído.

Eu levantei.

- Eu não acabei. – ela disse.

- Mas eu sim, Majestade.

Eu saí dali sem olhar para trás. Nem sei como cheguei ao escritório. Magnus e Dereck já estavam lá. Quando entrei, Magnus perguntou:

- Você está bem, senhorita Lee?

- Sim... – eu disse sem ter certeza.

Sentei na minha cadeira e logo eles começaram a me passar informações sobre a festa de aniversário e noivado de Magnus. Ecoava na minha cabeça tudo que a rainha havia me falado. Sim, garotas como eu jamais seriam aceitas na realeza. Sempre foi assim, cada um no seu lugar. Casamentos arranjados por toda uma geração de Chevalier. Como eu pude pensar que pudesse sentir algo por Magnus? Eu não poderia gostar dele. Seria um sofrimento imenso para mim. Além do mais, Dom corria perigo. A rainha sabia muito mais sobre o movimento rebelde do que imaginávamos.  Não podíamos confiar em ninguém.

- Onde está... O outro secretário? – perguntei.

- O demiti. – disse Magnus.

- Por quê?

- Ele estava levando informações de dentro do escritório para a rainha. – disse Dereck.

Eu voltei meus olhos para o bloco e para a lista de convidados da festa. Os dois conversavam, mas eu não conseguia prestar atenção. De repente tudo foi ficando escuro na minha frente e eu desabei.

Quando acordei estava deitada na cama da enfermaria do castelo. Olhei para Louise, que estava ao meu lado:

- Bem vinda novamente, senhorita Lee.

- Olá, Louise.

Ela sorriu:

- Você é quem mais frequenta este lugar. Creio que nosso último paciente foi... Você. – ela brincou enquanto injetava algo no meu soro.

- O que houve?

- Uma crise de hipoglicemia atrelada a um pouco de estresse.

Ela acabou o que estava fazendo e disse:

- Vou chamá-lo.

Eu fiquei confusa com o tom que ela usou. Ela saiu e logo Magnus entrou.

- Como está se sentindo?

- Eu... Acho que estou bem.

- Você me disse isso minutos antes de desmaiar. Por que não se alimentou?

- Eu... Estava atrasada.

- Katrina, você quer me matar de preocupação?

Ele pegou na minha mão carinhosamente. Por um momento eu pensei que eu pudesse ser feliz com ele, talvez num futuro bem distante, levando em conta todos os livros de contos de fadas que eu li na infância. Mas este momento passou quando eu falei com a rainha. De tudo eu só tinha certeza de uma coisa: no final, era com Vitória que ele se casaria. E eu mesma estava preparando a festa oficial de noivado dele. Retirei minha mão da dele gentilmente e disse:

- Posso ver meu médico?

- De forma alguma. – ele disse sombrio.

Ficamos em silêncio um longo tempo. Se eu pudesse lhe falar tudo que estava na minha mente. Mas eu não podia. E sentia que ele também queria me dizer algo. Mas também não disse. Magnus andou um pouco pela enfermaria, nervosamente.

- Eu estou bem. – garanti. – Quero sair daqui e voltar ao trabalho.

- Você não vai voltar ao trabalho.

- Mas alteza, você demitiu o outro secretário. Precisa de mim.

Ele me olhou nos olhos e disse:

- Sim... Eu preciso de você. Eu mesmo lhe disse isso ontem.

Eu abaixei meus olhos. Sabia do que ele estava falando.

- Droga, por que você não me diz o que realmente quer? – ele falou exaltado.

O que eu realmente queria? Como eu poderia dizer que o que eu mais queria era ele? Aquilo era impossível. Eu olhei nos olhos dele e descobri naquele momento que eu podia estar me apaixonando pelo príncipe. Por mais que eu pensasse em Dom, meu coração reagia a cada vez que Magnus falava comigo. No entanto não havia a mínima possibilidade de ficarmos juntos. Ele era o príncipe de Noriah, seria coroado rei em três anos. Eu era uma empregada no castelo, vinda da Zona E, participante de encontros anti monarquia. A rainha me odiava e inclusive tentou me matar. E acho que ela não descansaria enquanto isso não acontecesse. Eu me senti tão insegura, com tanto medo, que não consegui conter minhas lágrimas. Eu era jovem demais para perder minha vida. Mas também era tarde demais para voltar atrás.

Ele veio até mim e me abraçou. E eu chorei até minhas lágrimas secarem, sem dizer nenhuma palavra. Bastava ele estar ali. Eu não queria mais nada. Louise fez menção de entrar, mas ficou parada na porta, um pouco confusa, sem sabe se entrava ou não. Magnus se afastou um pouco de mim e disse:

- O que houve, Louise?

- Só vim verificar a pressão dela.

Assim ela fez. Verificou a pressão, que estava boa e depois se retirou.

- Parece que sempre somos interrompidos. – ele disse sorrindo.

- Acho que é melhor assim.

- Discordo... – ele disse.

- Alteza... Eu acho que preciso ir embora.

- Para o seu quarto?

- Deste castelo... Para sempre.

- Você só pode estar brincando...

- Não... Não me sinto segura aqui dentro.

- Aconteceu algo?

- Além de eu acordar com uma cobra na minha cama? – perguntei furiosa.

- Você está segura agora.

- Não estou... Nunca mais estarei.

- Katrina, tem noção de tudo que eu fiz para proteger você? Eu desafiei minha mãe, a rainha...

- Eu sei...

- Você não pode simplesmente me dizer que quer ir embora e abandonar tudo. Esta não é você... Eu sei disto. O que está acontecendo?

Como dizer a ele que agora tudo havia mudado? Como dizer que eu estava gostando dele mais do que deveria?

- Alteza... Eu sei tudo que fez por mim. E sou grata.

- Eu não quero gratidão.

- O que quer então?

Ele me olhou e não disse nada. As palavras não fluíam entre nós naquele dia. Eram tantas perguntas e diálogos aleatórios. Dereck entrou, me trazendo um certo alívio.

- Kat, como você está?

- Bem. – eu disse.

Dereck sempre conseguia me alegrar. Ele tinha uma positividade e bom humor que deixava qualquer pessoa bem.

- Acho que ninguém usou a enfermaria do castelo mais do que você. – ele brincou. – Eu poderia arriscar que já está íntima de Louise.

Eu ri:

- Lembro que teimei que eu não era doente na primeira vez que estive aqui. Acho que preciso rever meu estado de saúde.

- Viver num castelo é assim mesmo. – ele disse. – Um carrossel de emoções. Novatos podem demorar para se acostumar. Mas você é forte... Logo estará pronta para o próximo round.

- Dereck, você sempre consegue me divertir.

- Precisa acostumar, Kat. Isso é só uma amostra do que você terá pela frente quando se tornar a princesa.

Novamente um silêncio pairou no ar. Eu e Magnus evitamos nos olhar. Mas ao mesmo tempo ninguém reagiu ao comentário de Dereck. Eu estava cansada e Magnus eu não sei porque não contestou.

- Está acontecendo algo que eu não sei? – perguntou Dereck confuso nos olhando.

- Está tudo bem... Exceto pelo fato da senhorita Lee anunciar que quer deixar o castelo. – explicou Magnus.

- Por isso você está com esta cara péssima, Magnus? – ele disse. – Assuma para a nossa dama de companhia que quer que ela fique.

- Eu... Já disse isso. – ele falou confuso, respondendo obedientemente ao irmão.

- Ele já disse para você ficar porque ele quer sua presença, Kat. E sei que para meu irmão é bem difícil assumir isso. Dê uma chance para ele. Ele merece depois de tudo que fez ontem por você.

Eu sabia que Dereck tinha razão. Naquele momento ele era o mais sensato ali, tentando resolver a situação com toda sua experiência.

- Eu... Vou ficar. – falei, sabendo que aquilo poderia custar a minha vida.

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