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Capítulo 73 - Magnus e Domênico

last update Veröffentlichungsdatum: 28.06.2021 06:21:41

- Nós não fizemos nada, Magnus... E você sabe disso.

- Mas você me viu quando deitou na cama... Eu ouvi você chamando por mim...

- Mas eu achava que poderia ser um sonho... E que você pudesse não estar ali.

- Então você sonha comigo? – ele perguntou sorrindo.

- Seu bobo... Você sabe do que estou falando. Eu quero a resposta da minha pergunta.

- A resposta é sim... Eu dormi algumas vezes com Vitória. E não... Eu não gosto dela.

- De quem partiu a iniciativa?

- Dela.

- Por que acha que eu acreditaria em você?

Ele olhou nos meus olhos e disse:

- Eu sei que você acredita em mim... Assim como eu acredito em você, Katrina.

Eu tirei minha mão da dele e disse:

- Magnus... Eu não quero sofrer. Não mais do que já sofro. Minha vida não é fácil... Nunca foi.

- Eu sei disto...

- Então o que você quer de mim?

- Não está claro que eu quero você, Katrina?

Eu olhei nos olhos dele. Sim, algumas vezes ficava claro que ele me queria... Mas eu não só queria Magnus. Eu o amava.

- Quer... Que eu seja sua amante depois que casar com ela? – perguntei ansiosa e triste, temendo a resposta.

- Não... Eu jamais faria isso com você.

Eu respirei aliviada, sentindo uma imensa emoção tomando conta de mim. Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto.

- O que houve? – ele perguntou percebendo que eu estava chorando.

- Eu... Tenho medo de tudo que está acontecendo... E do que eu estou sentindo.

- Eu prometo para você que resolverei tudo... E ficaremos juntos.

Deixei as lágrimas aflorarem pelos meus olhos sem querer fingir que elas não caíam. Magnus queria ficar comigo? Aquilo não parecia real. Eu sempre sonhei em conhecer o amor e sempre acreditei nele. No entanto jamais me passou pela cabeça me apaixonar pelo príncipe de Noriah, cuja mãe eu detestava e queria destronar. Também nunca pensei que o príncipe Magnus pudesse ser como era. Sempre vi nele um homem sério, longe dos holofotes, inteligente. E bastou conhecê-lo melhor para ficar completamente apaixonada por ele. Magnus havia me amparado quando desmaiei na sua frente no castelo, me levando para a enfermaria sem sequer saber quem eu era. Também me protegeu da rainha e me levou para junto dele no terceiro andar. Ele me deu a escritura da minha casa, que meu pai havia perdido. Tomou um tiro por minha causa e mesmo estando longe de mim, ele sempre esteve comigo, como Black. Ele esteve ali o tempo todo, me protegendo e fazendo tudo por mim.

- Katrina, eu não quero ver você chorando... Parte meu coração.

Eu limpei as lágrimas e sorri:

- Não quero partir seu coração, Alteza.

- Se não quer partir meu coração não fique aí sentada me olhando desta cadeira. Tem lugar para nós dois nesta cama.

- Eu não vou deitar aí com você... Na cama de Dom.

- Dom não está aqui.

- Não...

- Eu me sentiria péssimo se você ficasse a noite toda nesta cadeira.

- Você já está péssimo.

- Mas...

Levantei e vi que estava na hora de um dos remédios. Abri uma cápsula e peguei um copo de água. Ajudei-o a beber e depois o arrumei novamente na cama.

- Agora durma, Magnus. Você precisa descansar.

- Você me chamou de Magnus? Acho que vou até sonhar com isso.

- Me desculpe.

- Não desculpo... É tudo que eu quero... Ser simplesmente Magnus para você.

- Já é. – eu falei com um sorriso.

Peguei a mão dele novamente e não demorou muito para ele pegar no sono. Eu precisava descansar, mas minha cabeça estava um turbilhão de emoções. Por mais que eu tentasse me enganar, eu estava cheia de esperanças. Eu não sabia como terminaria aquilo tudo... Mas sabia que não seria fácil ficarmos juntos. Mas eu era Katrina Lee... Desde quando as coisas foram fáceis para mim? Eu era para estar num prostíbulo na Zona K ou ser dada a um homem qualquer no baile de casamento. Mas em vez disso eu estava segurando as mãos do príncipe Magnus Chevalier, futuro rei de Noriah.

 Quando eu despertei, estava sentada na cadeira e com a cabeça sobre a cama, ao lado Magnus. Senti uma forte dor nas costas.

- Você está bem?

Era Magnus. Ele já estava acordado.

- Sim... Estou ótima.

- Não parece. Você fez cara de dor.

- Um pouco dolorida nas costas. – tranquilizei-o.

- Me sinto péssimo em ver você assim.

- Assim como? Cuidando de você depois que recebeu um tiro por mim?

Fui até a mesa onde estavam os remédios e tomei um analgésico.

- Vou providenciar algo para você comer.

- Eu não quero comer. Não estou com fome.

- Não fale isso, você ainda não provou o meu café. Aposto que vai amar. – brinquei.

- Não duvido disso...

Eu fui até a cozinha e procurei as coisas para fazer café. Tudo era muito organizado e tinha a cara de Dom. A casa dele era ampla e ao mesmo tempo aconchegante. Ele tinha eletrodomésticos e móveis caros e de boa qualidade. Tudo parecia novo e pouco utilizado. Talvez ele passasse pouco tempo em casa. Encontrei leite na geladeira e fiz para mim quente com açúcar. Lembrei-me de minha mãe e o tradicional leite com açúcar que ela me fazia todas as manhãs. Sorri com as boas lembranças. Providenciei uma xícara com café e leite para Magnus. Estava indo para o quarto quando Dom entrou. Fiquei parada, na dúvida se entrava ou não.

- Quer... Que eu faça um café para você? – perguntei.

- Eu adoraria. – disse ele.

Levei o café para Magnus e fui providenciar outro para Dom. Quando voltei para o quarto, Dom estava colocando alguns travesseiros sob a cabeça de Magnus para que ele pudesse levantar um pouco. Depois ele viu a febre, batimentos e pressão do príncipe. Quando acabou, tomou o café que lhe fora oferecido. Nós três estávamos sozinhos ali, no mesmo ambiente, sem trocarmos nenhuma palavra até então.

- Nunca tomei um café tão bom. – disse Magnus.

- Ah, isto eu duvido, Alteza.

Dom nos olhou sem demonstrar nenhum tipo de sentimento e disse:

- Você ficará bom logo, Magnus. Então poderá voltar para o seu castelo e me deixar viver em paz.

- Eu... Preciso de um banho. – falou Magnus.

- Ainda não pode levantar da cama. Posso providenciar um banho na cama... com panos úmidos.

- Eu não quero que você me dê banho. – falou ele irritado.

- Espera que Katrina lhe dê banho? – perguntou ele sarcasticamente. – Isso não vai acontecer.

- Eu... Posso lhe dar banho. – falei solícita. – Não me importo.

- Não na minha casa. – falou Dom furioso.

- Dom... Ele ainda tem sangue no corpo. Ele precisa de um banho.

- Vou ligar para Dereck vir banhá-lo.

- Dereck? Terei que esperar por Dereck para tirar o sangue do meu corpo?

- Sim, terá que esperar por seu irmão. Katrina não lhe dará banho. – garantiu Dom.

Dom saiu e eu fui atrás dele:

- Você não está sendo prudente, Dom.

Ele riu ironicamente:

- Você quer tanto assim dar banho nele?

- Claro que não... Apenas entendo como ele se sente. Há sangue pelo corpo dele que não foi limpo. Ele não está acostumado com isso.

- E quem está, não é mesmo?

- Dom... Você tinha uma arma. E eu vi você atirando.

Ele olhou nos meus olhos:

- Acha mesmo que eu andaria desarmado num encontro anti monarquia?

- E se você tivesse ferido alguém?

- Isso poderia ter acontecido. Eu atirei para ferir.

- Eu... Não imaginei que você pudesse fazer isso.

- Não? – ele riu ironicamente. – Eu lembro quando você perguntou se eu havia matado Joana Pallucci.

- Eu não conhecia você... Aliás, acho que quanto mais convivo com você, menos o conheço.

- Eu poderia dizer o mesmo de você.

Dom estava frio comigo e eu sabia que por enquanto nada mudaria aquilo. Então era melhor não forçar. Por sorte Dereck chegou logo, quebrando a tensão entre todos nós. Dereck foi diretamente para o quarto ver o irmão. Dom disse:

- Você precisa de uma arma. O punhal pode não ser suficiente.

- Você está brincando.

- Não... Nunca falei tão sério. Aquela bala era para você.

- Estavam atirando para todos os lados.

- Você não estava com sua máscara. Eles sabiam que era você. O alvo já estava marcado.

- Isso... Não deve ser verdade. – falei confusa. Mas Dom poderia ter razão.

- Foi a mãe dele... Por ironia atirou no próprio filho. – arriscou ele.

- Mesmo que ela soubesse que atirou no próprio filho, duvido que ficasse sentimental por algum momento. Ela não tem coração, ela não tem sentimentos.

- Você está correndo perigo, Kat.

- Eu... Vou usar meu punhal. Prometo. Se isso lhe faz ficar mais tranquilo.

- Sim, me faz ficar mais tranquilo.

Eu fui até o quarto. Dereck e Magnus estavam conversando.

- Kat, o carro está esperando para levá-la ao castelo. O motorista lhe dirá por onde você deverá entrar.

- Você precisa de ajuda? – perguntei.

- Poderia pegar uma bacia com água quente? – pediu Dereck.

- Acho que você pega a água, Dereck. – disse Magnus altivamente.

Dereck olhou-o confuso e foi buscar a água, sem entender muito bem. Eu retirei o lençol e vi o corpo dele nu, somente de cueca. Tive que respirar fundo e tentar não focar na beleza do abdômen sarado e com zero gordura, bem como nas pernas torneadas e com poucos pelos. Eu ajudei-o a virar e vi que havia bastante sangue seco nas costas. Logo Dereck veio com a bacia e pegamos algumas gazes para fazer a limpeza.  Por vezes Magnus reclamava de dor conforte o movíamos.

- Precisamos trocar os lençóis. – disse Dereck.

- Sim...

- Vou pedir para Dom.

- Ele vai dizer que não... Não queria sequer que eu tomasse banho. Acho que Domênico me deixará com lençóis sujos – reclamou Magnus.

- Pare de reclamar do homem que salvou sua vida, Magnus. Ele tirou uma bala do seu braço. E você reclama que ele não quis lhe dar banho? Nem eu quereria lhe dar banho. – reclamou Dereck.

Dereck foi pedir lençóis novos e eu segui limpando o corpo dele. Deparei-me com as tatuagens, uma de crucifixo no peito, na lateral esquerda. Limpei com cuidado. Olhei para ele, que estava com os olhos fixos nos meus:

- Proteção divina. – ele explicou.

Depois desci para o símbolo de eternidade bem pequeno, um pouco abaixo, quase na barriga.

- Dereck... – ele disse. – Eterno para mim.

No flanco esquerdo, o símbolo de Noriah, perfeitamente desenhado.

- Nosso reino. – ele explicou sem precisar, aquele eu entendia.

Nas costas um dragão de asas abertas, soltando fogo:

- Posso ser assim se me tirarem do sério.

Eu ri.

- Por que está rindo?

- Você é engraçado.

- Agora você me acha engraçado? Acha que eu não posso ser um dragão?

- Espero que não.

- E se fosse preciso?

Nesse momento Dereck entrou com Dom no quarto.

- Não era para virá-lo. – disse Dom seriamente me criticando.

Dom e Dereck trocaram o lenço por um limpo e logo Magnus estava com o corpo limpo também. O cobri com um lençol mais grosso e meu trabalho estava feito.

- Estou indo... – avisei-os.

- Quando você volta? – perguntou Magnus.

- Ela está vindo escondida. Não é fácil trazê-la. – disse Dereck.

- Podemos dar conta disso... Eu, você e Kim. – disse Dom.

- E Katrina não viria mais? – perguntou Magnus.

- Sim... Ela pode vir mais uma vez. – disse Dereck. – Só uma. Espero que logo você esteja em casa.

- Acho que ela precisa trabalhar organizando o seu noivado, Alteza. – explicou Dom. – Acredito que ela consiga caso sua mãe não tente matá-la novamente.

Quando Dom falou aquilo foi como se tivesse jogado um balde de água fria sobre meu corpo quente. Ele tinha razão. Eu estava organizando a festa de noivado do príncipe com Vitória Grimaldo. E sim, a mãe de Magnus havia tentado me matar... Não tenho certeza se aquela bala que ele havia impedido de me atingir havia sido mandada por ela, mas a cobra tinha sido sim. Então Dom só me lembrou que minha vida não era tão perfeita quanto aqueles momentos que eu estava vivendo com Magnus dentro da sua casa. Em pouco tempo ele estaria de volta ao castelo. E Vitória estaria lá, bem como a rainha Anne e tudo mais.

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