INICIAR SESIÓN- O que eu mais temia aconteceu... – falei.
- Ele não te amar?
Olhei para Dom furiosa e num impulso tentei bater nele. Ele segurou meus braços com força, olhando nos meus olhos:
- Eu não tenho culpa. – ele disse.
Eu beijei o beijei. Estava com tanta raiva de Magnus. Quanto tempo me contive junto de Dom, sempre pensando nele e no que vivemos. Eu imaginava que era para sempre. Mas bastou ele saber que eu estava morta para voltar com Vitória. Naquele momento eu odiava Magnus mais que qualquer coisa. Eu queria feri-lo, de qualquer forma que eu conseguisse. Dom me apertou contra o corpo dele, machucando meus lábios com tanta força que ele me beijava. Havíamos esperado muito tempo por aquele encontro entre os nossos corpos. Ele tirou minha blusa com tanta habilidade que nem deu tempo de eu pensar. Logo ele estava passando os lábios quentes pelo meu pescoço, descendo até meu colo. Eu sentia cada parte do meu corpo pegando fogo. Tirei a camisa dele e senti com minha língua cada pedaço do seu pescoço, do seu peito e seu abdômen. Eu queria Dom, como da primeira vez que o beijei, num beco escuro fugindo dos guardas. Enquanto minha boca subia em direção a dele novamente, inventei de abrir meus olhos e vi a foto de Magnus no jornal em cima da mesa. Os olhos dele me diziam: “Para sempre”. Por que ele fez isso? Por que ele desistiu de mim? Por que Magnus se casaria com Vitória se nunca gostou dela? Eu levaria o nome dele para sempre no meu corpo... E ele me retribuía daquela forma: na primeira dificuldade que tivemos, ele me deixou. Esqueceu-me... Abandonou-me.
- Kat... Tudo bem? – perguntou Dom confuso, com a voz rouca e a respiração acelerada.
Eu percebi que havia virado a pedra de gelo que Kim havia me aconselhado. E não foi de propósito nem intencional. Meu corpo queria Dom... Mas meu coração e minha mente não tinham espaço para outra pessoa a não ser Magnus Chevalier. Peguei minha blusa no chão e a vesti novamente.
- Dom, me desculpe... Mas eu não consigo.
Ele chutou a jaqueta longe, quebrando o copo que estava sobre a mesa de centro da sala. Eu fui rapidamente juntar e ele me levantou, dizendo:
- Deixe tudo aí como está. Pegue suas coisas e vamos agora voltar. Acho que não podemos mais ficar juntos neste lugar.
- Tudo bem. – eu disse indo buscar meus poucos pertences. Ele tinha razão.
Organizei minhas coisas na mochila, não esquecendo do mais importante: minha arma. Quando entramos no carro, Dom já estava mais calmo.
- Me desculpe. – eu disse assim que ele ligou o carro.
- Eu só vou desistir de você quando estiver com anel no dedo, saindo da igreja com ele.
- Acho que este dia nunca mais vai acontecer, Dom. – eu falei tristemente.
- Isso quer dizer que não devo desistir?
Olhei para ele e alisei sua pequena cicatriz anti monarquia. Cada dia mais eu admirava aquele homem. Mas ele merecia alguém que o amasse, não somente uma pessoa que queria fazer amor com ele para matar a curiosidade ou para se vingar de outro homem. Eu não o amava. E o fato de eu amar Magnus impedia que eu me entregasse a Dom.
- Eu o amo... Mesmo com tudo que ele fez. – confessei. – E você merece muito mais que uma mulher que carregará um fantasma junto de si para sempre.
Dom beijou levemente meus lábios e disse:
- Hora de voltar para casa, minha Katee.
Eu o abracei:
- Dom, eu sou grata a você por tudo que fez por mim e minha família. Não poderei lhe pagar em toda uma vida...
- Tudo bem... Escolha-me na próxima vida e está pago. – ele disse rindo.
- Eu prometo... – falei rindo também.
Dom ligou o carro e partimos de volta para a Zona E em Noriah, para uma casa que eu não conhecia, num lugar que provavelmente eu nunca havia estado antes. No caminho ele me inteirou do que estava acontecendo politicamente no reino, bem como os fracassos que estavam sendo os encontros anti monarquia, cada vez mais perseguidos pelos monarcas. King e Black haviam desaparecido do movimento. Dom sabia por Kim que Dereck suspeitava que ele pudesse ter algo a ver com a morte do rei Albert, mas ele não se preocupava em tentar provar sua inocência. Dom era seguro de si e de seus atos e acho que ele nunca aprovou os príncipes nos encontros. Enfim, ele estava como queria: livre de King, Black e todo perigo que eles podiam trazer ao movimento.
A noite chegou e andamos muito até pararmos no lugar onde seria meu novo lar na Zona E. A casa que minha mãe havia comprado não era próxima da rua onde morávamos. Era uma casa maior e com um pátio mais amplo que a outra. Eu havia gostado. No fim, deixar nosso antigo lar havia sido uma decisão acertada. Antes de descer do carro, perguntei a Dom:
- Você vem?
- Não. – ele disse. – Foram seis longos meses longe daqui. Você precisa deste tempo sozinha. Mas tome cuidado. Você está morta só no papel. Ainda não pode ser reconhecida. Tente um disfarce.
- Disfarce? – eu ri ironicamente. – Isso é minha especialidade, doutor.
Ele pegou minha mão e disse:
- Boa sorte. Volto para vê-los.
Eu o beijei nos lábios.
- Estarei esperando por você.
Quando eu dizia que meu corpo não conseguia ficar longe do dele, era verdade. Naquele momento eu só tinha Dom, embora eu não mais precisasse de proteção. Ele me ensinou a atirar, mas eu já fazia isso muito melhor do que ele. Eu era uma mulher forte, desde que isso não incluísse o príncipe de Noriah e um certo líder rebelde anti monarquia. Eles me enfraqueciam. Deixavam-me emotiva e simplesmente coração e não razão.
Ele esperou eu entrar para partir. Quando entrei, senti meu coração bater mais forte. Minha mãe e Leon estavam me esperando. Eu estava louca de saudades deles. Minha família... Ou o que restou dela. Éramos somente nós três naquele momento. Abracei-os com a força de quase três meses longe.
- Venha, vou fazer seu leite. – disse minha mãe me levando para conhecer a cozinha.
Leon pegou minha mochila e levou para meu novo quarto, que eu ainda não havia ido conhecer.
- Leon não deveria estar dormindo? – eu perguntei.
- Falou certo: deveria. Quem diz que ele conseguiu dormir até vê-la?
Tomei o leite quente doce que só ela sabia fazer. A nova cozinha era ampla e muito bonita e fiquei feliz quando vi que a geladeira estava cheia.
- Gostei da casa. – eu disse.
- Sobrou um pouco de dinheiro ainda. Eu nunca esbanjei o que você mandou. Tem guardado para sua faculdade.
- Desde quando morto estuda? – eu perguntei ironicamente.
- Você vai ter que buscar sua vida de volta... De alguma forma.
- Estou tão confusa...
- Dom lhe disse sobre Magnus e o casamento?
- Sim...
- Como se sente?
- Não lembro de ter sentido uma dor tão grande...
- Aposto que ele está sendo obrigado a isso. Você a conhece...
Eu ri amargamente:
- Magnus tem 27 anos. Se ele ainda deixa a mãe dele controlá-lo, ele não pode ser o rei de Noriah, muito menos o homem que habita meu coração.
- Kat...
- O que foi? – percebi que minha mãe estava um pouco tensa.
- Estiveram aqui...
- Quem? Magnus? Dereck?
- Também...
- Também? Quem esteve aqui que você ficou tão preocupada?
- Logo que viemos morar aqui... Dom sempre vem ver se está tudo bem... Mas ele não pode morar aqui, ele tem sua vida, sua casa... Ele faz o que pode. Kim também...
- Mãe, fale logo.
- A casa foi invadida na segunda semana...
- Invadida?
- Eu sei que foram enviados pela rainha...
- O que queriam? Fizeram algo para você?
- Reviraram tudo... Não sei o que procuravam... Talvez algum vestígio da nossa mentira... Talvez para se certificarem que você realmente não estava aqui.
- Dom sabe disto? Por que ele não me contou?
- Eu não deixei... Não queria preocupá-la. E tínhamos que seguir com o plano.
- E... O que houve? O que fizeram?
- Quebraram o que conseguiram... E me mandaram ficar longe do castelo ou dos príncipes...
- Caso contrário...
- Leon morrerá.
Eu senti uma raiva apossar-se de mim. Senti vontade de levantar e ir até o castelo de Noriah e atirar com minha arma em cada um que se pusesse na minha frente, até encará-la e perguntar por quê? Ela já havia acabado comigo, destruído minha vida, acabado com o nosso amor... Agora ameaçaria minha família para sempre. Quando isso iria acabar? Nunca?
- Mãe, eu não vou deixar nada acontecer a Leon. – eu garanti.
- Eu não quero que você volte ao castelo, Kat. Esqueça Magnus, esqueça Dereck... E principalmente: esqueça a rainha.
- Você falou que Magnus... Esteve aqui?
- Sim... Depois do ocorrido.
- Então ele soube o que aconteceu?
- Eu disse como foi... Ele acha que pode ter sido ataque rebelde... Alguém que pudesse duvidar que você estava morta e quisesse a recompensa. Ou mesmo simpatizantes da monarquia, querendo justiça ao pai.
Eu olhei-a incrédula:
- Justiça ao pai? Eles não foram capazes de dizer que eu não matei o pai deles, mesmo sabendo a verdade.
- Querida... Magnus a amou... Eu não tenho dúvidas disso. Mas para ele você está morta.
- E isso fez com que em pouco tempo ele encontrasse uma substituta para o amor que ele tinha por mim... – falei tristemente.
- Esqueça a realeza. Vamos viver nossa vida. Domênico é louco por você...
- Como eu queria gostar de Dom como ele gosta de mim, mamãe. Mas não consigo... Magnus entrou em mim como a tinta na minha pele que tatuou seu nome... Nunca vai sair.
- Ele garantiu que protegeria eu e seu irmão...
Eu ri:
- Como ele faria isso? Casando com Vitória?
- Depois que ele se foi, ninguém mais rondou a casa. Parece que ficamos realmente livres. Então esperamos um pouco e Dom achou que você já podia voltar.
- Estavam... Espionando nossa casa?
- Sim... De alguma forma acho que alguém pode ter duvidado da nossa história.
- E... Kevin?
Ela suspirou:
- Kevin sabe tudo que aconteceu.
- Você contou a ele? Não devia ter feito isso. Quanto mais pessoas souberem, pior é. Ele pode correr perigo, pode abrir a boca para qualquer um... Kevin não é confiável.
- Ele é meu filho... Seu irmão.
- Que chantageou Magnus no dia do enterro do meu pai. – falei amargamente.
- Ele quer vê-la... E você irá vê-lo assim que for seguro.
- Eu não quero ver Kevin.
- Você vai ver seu irmão. – ele disse levantando e saindo.
Eu respirei fundo e tentei não chorar. Mas não consegui. Tudo estava desabando na minha cabeça. E de alguma forma, eu estava próxima de Magnus agora, perto do castelo. Eu saberia tudo sobre ele se ligasse a televisão ou pegasse um jornal na banca. Fora as redes sociais, que eu nunca mais havia visto. Sequer meu celular eu havia pego nos últimos meses.
Fui conhecer minha nova casa. Leon me mostrou tudo com muita empolgação. Ele estava tão feliz que meu coração se aqueceu e por alguns minutos eu esqueci que estava morta.
Naquela noite eu não dormi no meu quarto que só tinha uma cama. Tudo para não levantar suspeitas que eu poderia estar viva. Então era como se fosse um quarto de hóspedes. Eu não tinha mais nada... Eu tinha perdido tudo. Mas eu tinha minha família. E eu dormi na pequena cama de Leon, abraçada a ele, recebendo todo o carinho que eu merecia por tudo que passei nos últimos meses. Mas todos pagariam: por cada lágrima derramada, por cada palavra profanada, por cada acusação infundada. Katrina Lee estava de volta. E ela tinha uma arma... E sabia atirar com perfeição.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







