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Capítulo 2

Author: Ivy
Depois de desligar, não hesitei. Comecei a arrumar minhas coisas imediatamente. Já que eu tinha decidido ir embora, não deixaria nada para trás.

Na manhã seguinte, Alexander trouxe Elena de volta para a mansão e foi direto para o arsenal subterrâneo particular.

— Vou levar Elena ao estande de tiro. Ela precisa de uma arma para autodefesa.

Alexander me viu arrumando as malas e deu uma explicação descuidada, ainda com o tom arrogante:

— Ainda nisso? Para onde exatamente você acha que vai se mudar?

Ignorei-o e continuei dobrando minhas roupas.

Elena, no entanto, foi direto ao armário de exibição e pegou uma Beretta dourada personalizada — o presente de aniversário que Alexander me deu no ano passado. Eu costumava praticar tiro com ela.

— Uau, essa arma é linda.

Elena brincou com a arma, o cano balançando de propósito na frente da minha testa, um sorriso falso colado no rosto.

— Ops, desculpa, Ivy. Minha mão escorregou. Já que o Don vai me ensinar a atirar, posso pegar essa emprestada por um tempo, né?

Olhando para o cano preto apontado para mim, eu não fiquei com raiva; em vez disso, sorri.

No segundo seguinte, prendi o pulso dela, executei um movimento padrão de desarme para quebrar sua pegada, arranquei a pistola e a pressionei contra a testa dela.

Meus movimentos foram fluidos e assustadoramente rápidos.

Elena gritou, trocando imediatamente para uma expressão aterrorizada, e se jogou em Alexander, tremendo.

— Don! Salve-me! Ivy está tentando me matar!

O rosto de Alexander mudou drasticamente. Ele agarrou meu pulso e tomou a arma à força.

Ele protegeu a trêmula Elena atrás de si e me encarou furioso.

— Ivy! Você enlouqueceu? Ela só estava brincando com você, e você realmente quis machucá-la? Eu sei que você está com ciúmes, mas há limites!

Esfreguei o pulso dolorido e olhei para ele friamente.

— Uma arma não é um brinquedo. Já que ela não sabe segurar uma, eu ensinei uma lição.

Os olhos de Alexander ficaram sombrios; ele claramente achava que eu estava sendo irracional.

Ele se virou para um recipiente de descarte no canto, revirou e tirou um revólver enferrujado, jogando-o aos meus pés.

— Já que você gosta tanto de brincar com armas, fique com essa.

Era um Smith & Wesson M10.

Eu congelei.

Dois anos atrás, eu fui sequestrada por uma família rival. Eles apontaram exatamente esse modelo de revólver para a minha cabeça e me forçaram a jogar roleta-russa.

Esse foi o pesadelo da minha vida. Alexander sabia disso. Ele havia jurado me proteger e nunca mais me deixar ver uma arma assim.

Mas agora, para confortar sua amante assustada, ele jogou meu pesadelo aos meus pés.

— Pare de fazer drama e deixe Elena ficar com a dourada. — disse impaciente. — Ela salvou minha vida. Ela merece o melhor.

Olhei para o revólver no chão, e a última centelha de afeição no meu coração se apagou completamente.

Abaixei-me e peguei a arma.

Alexander achou que eu tinha cedido. Ele estava prestes a falar quando eu me virei e caminhei até a lareira, jogando a arma diretamente nas chamas rugentes.

— Ivy!

Alexander ficou furioso. Não era apenas uma arma; eu tinha desafiado a autoridade dele como Don.

— Você queimou a minha boa vontade por causa de uma estranha? Vou te dar mais uma chance. Pegue isso de volta!

A luz do fogo iluminava meu rosto calmo. Olhei para Alexander e pronunciei cada palavra claramente:

— Eu não pego lixo. Assim como não reciclo sentimentos estragados.

— Alexander, você me enoja.

Essa provavelmente foi a primeira vez que eu usei tais palavras para descrevê-lo.

Alexander riu de raiva, uma tempestade se formando em seus olhos azuis.

— Ótimo. Muito bom. Ivy, já que você quer ser tão durona, não me culpe por ser implacável.

— Eu te dei uma saída, e você não aceitou. Não venha implorar quando bater em um beco sem saída.

Com isso, ele se virou e saiu furioso do arsenal sem me lançar outro olhar.

Elena não o seguiu imediatamente.

Ela ficou no topo da escada, olhando para mim com um sorriso de desprezo. Sua fachada lamentável desapareceu, substituída por uma expressão distorcida de triunfo.

— Ivy, você realmente não sabe o seu lugar. — Ela acariciou a arma dourada que Alexander tinha acabado de lhe dar. — E daí se você é a esposa legítima? Todos sabemos em qual cama o Don dorme à noite.

— Como uma mulher acabada como você pode competir comigo?

Olhei para ela friamente.

— Você acha que uma secretária que subiu na vida levando um tiro pode durar para sempre?

A expressão de Elena mudou, e então ela revelou um sorriso estranho.

— Para sempre é tudo o que eu preciso.

Então, ela se inclinou para trás e se jogou escada abaixo!

— Ah—! Socorro! Don!!

Um grito arrepiante ecoou pela casa.

Alexander, que tinha acabado de chegar à porta, ouviu o barulho e correu de volta como um louco.

Ele viu Elena caída no pé da escada, com a cabeça sangrando, e seu corpo inteiro tremeu.

— Elena!

Ele a pegou no colo e olhou para mim, no topo da escada, com olhos frios como se estivesse olhando para um cadáver.

— Ivy... como você pode ser tão cruel?

— Só por ciúmes, você tentou matar a mulher que salvou minha vida?!

Eu fiquei lá em cima, observando essa atuação desajeitada, sentindo apenas o absurdo de tudo.

— Eu não a empurrei. — Eu disse indiferente.

Mas, aos olhos dele, minha calma era apenas arrogância sem arrependimento.

Elena agarrou fracamente a gola dele, chorando copiosamente.

— Não culpe Ivy... eu perdi o equilíbrio... Don, por favor, não brigue com Ivy por minha causa...

Ela torceu a faca perfeitamente.

A decepção nos olhos de Alexander se transformou em total repulsa.

— Cale a boca. Não implore por ela.

Ele carregou Elena nos braços. Ao passar por mim, anunciou friamente:

— Hoje à noite, a minha acompanhante no Baile Anual da Máfia será a Elena.

— Já que você não consegue ser uma Donna adequada, eu vou encontrar alguém que consiga.

Com isso, ele foi embora com a vencedora nos braços, sem olhar para trás.

Fiquei ali, ouvindo o som do motor desaparecer, a última ondulação no meu coração se acomodando em um silêncio sepulcral.

Não importava, Alexander.

Afinal, essa seria a última vez que eu veria você ir embora.
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