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# Capítulo 7 — As cláusulas da ilusão

Penulis: sandmmoreira
last update Tanggal publikasi: 2026-09-03 04:23:02

O apartamento de Ethan no Soho não parecia o lar de um CEO, parecia o cenário de uma revista de arquitetura que alguém tinha esquecido de habitualmente povoar. Chão de cimento queimado, janelas gigantescas de vidro duplo com vista para a cidade iluminada e uma ilha na cozinha que parecia limpa demais para já ter visto um fogão aceso.

Na mesa de centro de madeira de demolição, um maço de papel com vinte páginas e dois clipes pretos separava o passado de Marina do seu futuro. Com a ajuda de Priya ela tinha escrito o contrato e ele achou melhor que eles se reunissem em seu apartamento para que ninguém no escritório desconfiasse de nada

"Isso é ridículo", Ethan disse, jogando-se no sofá de couro preto e abrindo os braços no encosto. Ele já tinha tirado o paletó e soltado os dois primeiros botões da camisa. "Uma minuta de vinte páginas? Quem escreveu isso, a Suprema Corte?"

"Eu escrevi. Com a ajuda da Priya e de duas noites mal dormidas.” Marina respondeu, sentando-se na outra ponta do sofá e puxando uma caneta esferográfica azul da bolsa. "E não é ridículo, Ethan. É a garantia de que nenhum de nós vai parar na cadeia por fraude matrimonial ou perder a sanidade mental nos próximos vinte e quatro meses."

Ele arqueou uma sobrancelha, divertido. "Cadeia? Você parece adorar um drama!"

"Três a cinco anos de prisão federal e uma multa de duzentos e cinquenta mil dólares", ela recitou de memória, apontando a caneta para ele. "É o que a imigração americana reserva para quem frauda um casamento por visto. Então, sim, o drama é plenamente justificável."

Ethan suspirou, puxando as folhas para o colo. "Tá bom. Lê aí as partes importantes para eu poder assinar e ir dormir."

Marina ajeitou os óculos — os de armação fina que só usava para ler e trabalhar — e pigarreou, adotando o tom mais profissional que conseguiu reunir.

"Seção 1: Termos e Duração. O presente acordo terá a duração estipulada de vinte e quatro meses a partir da data de emissão do registro civil. Durante este período, ambas as partes comprometem-se a manter uma residência conjunta, sob o mesmo teto, para fins de fiscalização e auditoria do Departamento de Imigração."

"Tradução: você vai morar aqui", Ethan disse.

"Tradução: eu vou ter um quarto próprio com chave na porta", Marina corrigiu firme. Eu concordo em morar na mesma casa, mas não vamos dividir a mesma cama, ficamos em quartos separados.  

“É melhor não.” disse Ethan prontamente, inclinando-se um pouco mais perto. “Minha governanta trabalha para a família há vinte anos e é mais atenta que a imigração. Se ela notar que dormimos em quartos separados, o rumor chega ao meu avô em menos de vinte e quatro horas. Vamos dividir o quarto, a cama é King Size, Marina. Tem espaço suficiente para um país inteiro entre nós dois.  

Marina apertou os lábios, sentindo o rosto esquentar ligeiramente com a proximidade dele.  

“Tudo bem. Mas haverá uma linha divisória, com certeza.” ela parou para ver a reação dele, que só acenou concordando. "Continuando", Marina passou a folha. "Cláusula da Convivência Pública e Mídia: ambas as partes devem demonstrar afeto moderado em eventos corporativos, jantares de família e locais públicos onde possa haver presença de imprensa ou membros do conselho da Whitmore Group."

"O que é 'afeto moderado' para você, Santos?" Ethan se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos e olhando-a por baixo dos cílios. "Segurar a mão? Abraço de lado? Ou aquele famoso olhar de 'sou louco por você'?"

Marina sentiu um calor incômodo subir pelo pescoço, mas recusou-se a desviar o olhar. "Mãos dadas, braços dados e beijos no rosto. Beijos na boca apenas se a situação social exigir estritamente — e sem língua."

Ethan soltou uma risada rouca. "Sem língua: anotado! Vou pedir para a área jurídica registrar essa terminologia."

"Ethan, eu tô falando sério!"

"Eu também!", ele disse, levantando as mãos em rendição, embora os olhos ainda brilhassem de deboche. "O que mais?"

"Cláusula 8: Vida Financeira. Não haverá fusão de contas bancárias particulares. Você arca com os custos da residência e dos eventos sociais a que eu for obrigada a comparecer como sua noiva, e eu continuo pagando minhas despesas pessoais com o meu salário da empresa."

"Eu posso pagar suas coisas, Marina, isso não é um problema."

"É um problema para mim", ela cortou, com o tom de voz baixinho e categórico que não dava margem para discussão. "Eu não sou sua dependente, Ethan. Sou sua parceira de negócios. Eu entro com a imagem de estabilidade que você precisa para a empresa; você entra com a petição de visto e o dinheiro fica fora da troca."

Ethan encarou-a por alguns segundos. A provocação sumiu do rosto dele, dando lugar a um respeito silencioso que ela raramente via ali. Ele concordou com um aceno lento de cabeça.

"Certo. Que mais?"

"A cláusula mais importante de todas", Marina virou para a última página, batendo o indicador no papel. "Cláusula 12: Envolvimento Emocional e Romântico. Fica estritamente proibido qualquer tipo de envolvimento afetivo real entre as partes contratantes. O relacionamento é de natureza exclusivamente utilitária. Caso uma das partes desenvolva sentimentos genuínos, o contrato deve ser reavaliado imediatamente para evitar danos morais."

Ethan encarou o parágrafo, depois olhou para Marina, que o encarava de volta como quem desafia um oponente no xadrez.

"Você realmente acha que corre o risco de se apaixonar por mim?" ele perguntou, com a voz baixinha.

"Estou garantindo que você não se apaixone por mim, Whitmore. Sou uma mulher difícil de esquecer."

Um sorriso lento e perigoso brotou nos lábios dele. Ele pegou a caneta da mão dela, riscou a margem da folha e assinou seu nome em traços largos e firmes no campo reservado para o contratante.

"Pronto", Ethan disse, devolvendo a caneta a ela. "Contrato assinado. Agora você é oficialmente a noiva do playboy."

Marina pegou a caneta, a mão estava perfeitamente firme quando ela assinou seu nome ao lado do dele.

"Não", ela disse, olhando para as duas assinaturas lado a lado. "Agora nós somos dois mentirosos profissionais com um documento de vinte páginas para provar."

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