INICIAR SESIÓNAos dezenove anos, Chloe perdeu o pai e viu sua vida cair nas mãos de uma madrasta cruel. Foi em um dos momentos mais difíceis que conheceu Roger Larson, cuja gentileza tocou seu coração e fez nascer um amor que ela guardou em silêncio. Pouco tempo depois, um grave acidente colocou Roger em coma e separou seus caminhos. Três anos depois, ele abre os olhos e encontra Chloe ao seu lado. Para ele, é uma completa desconhecida. Para os outros, ela é Chloe Larson, sua esposa. Como Chloe se tornou esposa de um homem que nem sequer sabe quem ela é?
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Chloe hesitou diante da porta da UTI. Segurava a alça da bolsa com dedos trêmulos, precisou respirar fundo algumas vezes para controlar o coração, que batia descompassado desde que recebeu uma ligação avisando que Roger havia acordado. Uma das enfermeiras saiu do quarto com os olhos brilhando e abriu um sorriso assim que a viu. — Senhora Larson, ele acordou. Faz menos de uma hora. Os médicos estão chocados. Querem fazer mais exames, mas... ele está consciente. Chloe fechou os olhos com força, sentindo eles encherem de lágrimas. — Ele está mesmo acordado? — perguntou num fio de voz. — Está. Muito confuso e debilitado, mas está acordado. Abriu os olhos e uma lágrima escapou. Durante três anos, ela havia esperado por aquele momento. Ela o amava antes de tudo acontecer, embora Roger jamais tivesse sabido. O sentimento nasceu de forma silenciosa, alimentado pelas poucas vezes em que aquele homem a tratou com uma gentileza que, para ele, talvez não significasse nada, mas para ela significou muito mais do que poderia explicar. Deus, como estava feliz. Era uma felicidade que não cabia no peito. Mas também tinha medo. Enxugou as lágrimas, respirou fundo e entrou. Roger estava reclinado na cama, com a cabeça virada para a janela. Parecia perdido em pensamentos. Parou bem ali, na entrada, para admirar o homem que dormiu por um longo período. Por um instante, todo o medo desapareceu. — Roger... — sussurrou. Sorriu entre as lágrimas e caminhou até a cama sem conseguir conter a emoção. Ele virou lentamente o rosto na direção dela, e seus olhares se encontraram. Os olhos dele percorreram seu rosto com evidente confusão. Ela estava ocupada demais admirando aqueles olhos que desejou ver abertos durante três intermináveis anos. Chegou mais perto e segurou delicadamente a mão dele entre as suas. — Você voltou — sussurrou, acariciando os dedos dele com os polegares. — Graças a Deus... Você voltou. Os olhos dela ficaram vermelhos e encheram novamente, até as lágrimas escaparem e rolarem por sua bochecha. Ergueu a mão dele até o rosto, encostando a palma em sua bochecha. Fechou os olhos por um instante e sorriu emocionada. — Você não imagina há quanto tempo eu esperava por isso. Ele ficou em silêncio. Seus olhos percorreram cada detalhe do rosto dela, mas... não a reconheceu. Chloe abriu os olhos e encontrou novamente os dele. Seu sorriso diminuiu ao perceber que ele parecia perdido. — Roger? Os dedos dele se moveram contra sua pele, fazendo ela ficar imóvel e piscar, surpresa. Aquele pequeno movimento fez com que ela voltasse a sorrir. Depositou um beijo carinhoso no centro da palma antes de devolver ao colchão. Roger continuou olhando para ela. Abriu os lábios secos, mas não conseguiu emitir nenhum som. Chloe inclinou e disse, carinhosa: — Não force a voz. Você ficou muito tempo sem falar. Ele tentou falar novamente, olhando nos olhos dela. — Quem...? — franziu a testa. — Quem é você? *** Capítulo 1 Quatro anos antes... Chloe estava sentada há quase quarenta minutos em uma das cadeiras do pequeno hospital da cidade, segurando entre os dedos o medalhão preso à gargantilha. A joia antiga, marcada com o brasão da família, pertenceu ao pai e passou por algumas gerações antes de chegar às mãos dele. Desde sua morte, um mês antes, ela praticamente não tirava o pingente do pescoço. Naquela manhã, havia saído para ir atrás de alguns documentos quando passou mal dentro do banco. Uma funcionária percebeu sua palidez e insistiu para que procurasse atendimento. O médico não encontrou nada grave: pressão baixa, alimentação inadequada e poucas horas de sono. Ela sabia que tudo aquilo tinha uma única origem. Ainda não havia aprendido a viver sem o pai. — Senhor Larson? Chloe ergueu os olhos quando uma enfermeira chamou o homem sentado algumas cadeiras adiante. Ele levantou com um pano enrolado na mão direita. Um homem que estava ao seu lado levantou também. — Já disse que não precisava vir comigo, Caleb. — E eu já disse que o senhor estava deixando sangue pelo estábulo inteiro. — Foi apenas um corte. A enfermeira conteve uma risada. Chloe baixou os olhos, mas não conseguiu impedir um pequeno sorriso. Haviam semanas que quase nada despertava nela vontade de sorrir. Algum tempo depois, o homem voltou com a mão direita enfaixada e sentou novamente. O amigo havia desaparecido, provavelmente para buscar o carro. Ela esfregou os braços sentindo um arrepio. O ar-condicionado estava forte e, como saiu de casa sem casaco, começava a sentir frio. Continuou esperando, distraída com o medalhão entre os dedos, até perceber uma presença diante dela. Levantou o rosto e o desconhecido lhe oferecia um copo com algo quente. Chloe olhou para a bebida e depois para ele, surpresa. — É para mim? — Você está tremendo. Ela ficou sem reação antes de aceitar o copo com as duas mãos. — Obrigada. — Cuidado. Está quente. O calor contra seus dedos era agradável. Aproximou o copo do rosto e sentiu o aroma. — É cappuccino? — Espero que sim. Foi o botão que apertei. Ela tomou um pequeno gole. — É cappuccino. E está gostoso. — Minha reputação está salva. Chloe riu baixinho. O homem sorriu também e voltou para o lugar onde estava sentado. Ela o viu sentar e ficou pensativa. Ele não perguntou por que estava sozinha, não quis saber por que parecia triste nem tentou prolongar a conversa. Apenas percebeu que ela estava com frio e lhe trouxe alguma coisa quente. Ela baixou os olhos para o cappuccino e tomou outro gole. Uma enfermeira a chamou pouco depois. — Chloe? Ela levantou rapidamente. — Sou eu. — Seus exames estão normais. O médico pediu apenas que você se alimente melhor e descanse. Sua pressão estava muito baixa quando chegou. — Vou tomar cuidado. — Tem alguém vindo te buscar? Hesitou por um instante. — Não. Vou chamar um táxi. A enfermeira assentiu depois de confirmar que ela não estava mais tonta e se afastou. Chloe terminou o cappuccino, jogou o copo no lixo e pegou a bolsa. Quando passou pelo desconhecido, ele levantou. — Quer que eu chame um táxi para você? Ela sorriu gentilmente. — Obrigada, mas não precisa se incomodar. Já estou chamando pelo celular. — Tudo bem. Ele não insistiu, e Chloe gostou daquilo também. Caminhou até a saída e parou assim que as portas automáticas abriram. A chuva havia engrossado enquanto estava no hospital, cobrindo a rua com uma cortina de água. Olhou para o celular. O táxi chegaria em alguns minutos. — Acho que vai precisar disso. Ela virou e encontrou o desconhecido atrás dela com um guarda-chuva. — E o seu amigo? — Caleb disse que vinha me buscar. — E não veio? Ele olhou para o estacionamento. — Conhecendo aquele homem, encontrou alguém para conversar e esqueceu que me deixou aqui. Ela riu. — Talvez ele esteja chegando. — Tenho essa esperança. Os dois ficaram próximos à entrada enquanto esperavam. Quando o táxi chegou, o homem abriu o guarda-chuva e a acompanhou. Ela reparou que ele mantinha a maior parte da cobertura sobre sua cabeça, enquanto o ombro dele começava a ficar molhado. — O senhor está se molhando. — Não vou derreter. Chloe sorriu e tentou inclinar o guarda-chuva para o lado dele. Seus dedos tocaram os dele por um instante. — Desculpe. — Não precisa pedir desculpas. Ele apenas ajustou o guarda-chuva entre os dois e continuou caminhando. Ao chegarem ao carro, abriu a porta para ela. Foi bem naquele momento que prestou atenção em sua aparência. Ele era consideravelmente mais velho. Alto, de ombros largos, cabelos escuros, com alguns fios grisalhos próximos às têmporas. Os traços fortes combinavam com os olhos azuis tranquilos que a observavam. Devia ter quase idade para ser seu pai. E era um homem muito bonito. Piscando, desviou os olhos se sentindo estranhamente envergonhada por ter reparado nele com tanta intensidade. Antes de entrar no carro, olhou novamente para ele: — Eu nem sei o seu nome. — Roger. Ela sorriu. — Chloe. — Eu sei. Ouvi quando a enfermeira chamou você. — É verdade. Ele manteve a porta aberta. — Cuide-se, Chloe. E coma alguma coisa. — Vou comer. Prometo. Ela entrou no carro e antes que fechasse a porta, disse: — Roger? — Sim? — Obrigada pelo cappuccino, pelo guarda-chuva e pela companhia. Ele sorriu. — Não fiz nada demais. Talvez, para ele, não tenha feito. Mas, para ela... que estava atravessando um dos piores momentos de sua vida, quase esqueceu de como era ser tratada com uma gentileza tão simples. — Mesmo assim, obrigada. Roger fechou cuidadosamente a porta. Quando o táxi começou a se afastar, ela olhou pela janela e o encontrou parado diante do hospital, com o guarda-chuva na mão esquerda e a direita enfaixada. A gentileza dele havia mexido com algo dentro dela. Ficou olhando pela janela até o perder de vista.Capítulo 32Na manhã seguinte, Ryan chegou cedo ao escritório e procurou o número de Thomas Bennett, advogado da família Larson, há quase vinte anos. Enquanto aguardava o atendimento, abriu a gaveta onde guardava os documentos mais importantes do pai.— Bom dia, Thomas. Preciso conversar com você sobre uma procuração que meu pai assinou alguns anos atrás, antes de uma viagem internacional.— Lembro perfeitamente desse documento — respondeu o advogado. — Foi uma das procurações mais abrangentes que preparei para Roger. Aconteceu alguma coisa?Ryan encontrou a pasta que procurava e começou a examinar as primeiras páginas.— Meu pai continua em coma, mas surgiu uma situação que exige uma decisão pessoal importante. Preciso saber se posso representá-lo em um casamento.Do outro lado da linha, Thomas ficou em silêncio por alguns segundos.— Casamento? Roger pretende se casar?— Digamos que existe uma mulher que ele gostaria muito de ter ao lado dele. E precisamos resolver uma situação deli
Capítulo 31Três dias depois, Chloe observava dois homens trabalhando perto dos estábulos quando Caleb se aproximou com uma prancheta debaixo do braço.— Está fiscalizando meus funcionários, senhorita?— Só estou curiosa. Aquele homem de camisa azul parece saber exatamente o que está fazendo.— E sabe. Trabalhou em fazendas antes de entrar para a segurança privada. O outro também tem experiência com cavalos. Ryan fez questão de contratar gente que não atrapalhasse o serviço.— Pelo menos você não vai precisar ensinar ninguém a segurar uma pá.— Ainda bem. Já tenho trabalho suficiente!Os dois riram. Desde a conversa no escritório, Ryan tomou todas as providências necessárias para proteger o pai. Os três profissionais chegaram à fazenda como funcionários recém-contratados. Dois trabalhavam com os peões, enquanto o terceiro ajudava no transporte de materiais e permanecia disponível para acompanhar Chloe quando necessário.Marta, naturalmente, quis saber por que Caleb precisava de tantos
Capítulo 30Chloe parou diante da porta do escritório e respirou fundo antes de bater. Precisava contar a Ryan o que aconteceu, mas não sabia como começar.— Entre! — Ryan respondeu.Ela abriu a porta e o encontrou sentado atrás da escrivaninha, examinando alguns papéis. Ele ergueu o rosto e sorriu.— Chloe? Pensei que já estivesse dormindo.— Podemos conversar?Ryan percebeu que havia algo errado pelo semblante sério dela. Deixou a caneta sobre a mesa e apontou para uma das poltronas.— Claro. Sente-se. Aconteceu alguma coisa com meu pai?— Não. Ele está bem. Pelo menos, por enquanto.A última frase fez Ryan franzir a testa.— O que quer dizer com isso?Chloe sentou, apertando o celular entre as mãos.— Hoje, depois da aula, passei naquela padaria onde costumava ir com seu pai. Quando saí, encontrei Verônica.— Minha mãe? — Ryan se surpreendeu. — Ela fez alguma coisa com você?— Fez. E preciso contar tudo, desde o começo.Relatou o encontro, as ofensas e o momento em que Verônica mos
Capítulo 29Chloe chegou à Fazenda Rei do Touro pouco depois das três da tarde. Estacionou o carro no lugar de costume e ficou alguns instantes atrás do volante, tentando recuperar a tranquilidade antes de descer.Ainda sentia o cheiro de poeira do sótão onde Verônica a manteve presa. A lembrança da arma apontada para seu corpo fazia seu estômago contrair.O pior, entretanto, não era o que a madrasta poderia fazer contra ela. Era saber que Roger estava em perigo.Chloe pegou a bolsa, verificou se o celular estava dentro e saiu do veículo. Precisava trabalhar, cumprir suas responsabilidades e, principalmente, não deixar que o medo a dominasse.Ao entrar na casa, encontrou Marta organizando algumas flores na sala.— Até que enfim, menina! Pensei que tivesse resolvido passear pela cidade inteira.Chloe tentou sorrir.— Acabei me demorando um pouco.— E comprou alguma coisa gostosa?Olhou para a sacola que ainda segurava. Os doces da padaria estavam ali, esquecidos desde o encontro com Ve












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