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Sob o Mesmo Teto

작가: Amanda Nunes
last update 게시일: 2026-11-06 00:30:44

SOB O MESMO TETO

Visão da Fernanda

— Eles acham que eu sei alguma coisa.

Do outro lado da ligação, TH ficou em silêncio por alguns segundos.

— Nanda, você está dentro do hospital?

— Estou.

— Vai para perto de outras pessoas. Não sai daí até eu chegar.

Dessa vez, não discuti. Caminhei até a recepção, segurando o celular com a foto que tinham me enviado.

— TH?

— Oi.

Minha voz saiu mais baixa.

— Estou com medo.

A respiração dele mudou.

— O que você precisa?

A pergunta me pegou desprevenida.

— Preciso que você venha.

— Estou indo.

Júlia me encontrou pouco depois.

— Nanda, o que aconteceu? Você está branca!

Mostrei a mensagem. Ela leu e ficou séria.

— Fotografaram você na entrada do hospital?

— Hoje.

— Isso é uma ameaça. Você precisa tomar cuidado.

— Eu sei.

— Quem está vindo?

Hesitei.

— Thiago.

Ela cruzou os braços.

— O quase-homem?

Mesmo nervosa, soltei uma risada.

— Você não tem jeito.

— Só quero saber se ele está cuidando de você.

TH chegou acompanhado de ND. Seu rosto estava fechado, mas ele não fez escândalo. Aproximou-se e perguntou:

— Posso ver?

Entreguei o celular.

— A foto foi tirada depois que deixei você — observou.

ND analisou a imagem.

— Davi está chegando.

— Eu não preciso de mais...

Parei e respirei.

— Tudo bem.

Júlia se aproximou para se despedir.

— Só tira ela daqui em segurança.

TH respondeu sem prometer o impossível:

— Vou fazer o possível.

Depois que ela saiu, ND explicou que CK estava esperando para conversar conosco.

— Precisamos mostrar o que descobrimos — TH falou.

— Então vamos conversar. Mas ninguém decide nada por mim.

Ele assentiu.

— Certo.

Visão da Fernanda

No lugar reservado, CK explicou que a pessoa responsável pela mensagem sabia onde eu trabalhava e tinha conseguido registrar minha chegada naquele dia.

— Então não foi alguém que passou por acaso — concluí.

— É o que parece — ND respondeu.

TH colocou meu celular sobre a mesa.

— A pergunta também é importante. Querem saber o que você ouviu naquela noite.

— Eu já entendi isso.

— E ainda não sabemos quem está por trás — completou CK.

Pensei em Renan.

— Ele conhece minha casa.

TH ficou sério.

— Sim.

Meu estômago apertou.

— Minha mãe e Lucas estão lá.

— Pedi que verificassem se estava tudo normal — ele explicou. — Estão bem.

— Você colocou alguém na minha casa?

— Não. A verificação foi feita de longe.

Fiquei aliviada, embora não gostasse de descobrir que ele tinha tomado aquela iniciativa sem me avisar.

— Preciso falar com minha mãe.

TH concordou e me deixou conversar sozinha.

Expliquei a situação para Márcia. Contei sobre a fotografia, a mensagem e a possibilidade de alguém estar observando minha rotina.

— Quero vocês na casa da tia Rosângela por alguns dias — falei.

— E você?

Hesitei.

— Existe outra opção.

— Qual?

— A casa do Thiago.

Minha mãe ficou em silêncio.

— Você vai ficar na casa daquele homem?

— Temporariamente. É um lugar mais protegido.

— E você confia nele?

Pensei antes de responder.

— Confio.

Ela suspirou.

— Quero falar com ele.

Voltei para a sala e entreguei meu celular a TH.

— Minha mãe quer conversar com você.

ND quase sorriu.

TH pegou o aparelho.

— Dona Márcia?

Não consegui ouvir tudo, mas percebi que minha mãe estava fazendo perguntas. Ele respondeu com calma e, em determinado momento, disse:

— Ela continua trabalhando, senhora. Se precisar sair, vai sair. Não vou impedir.

Aquilo me deixou mais tranquila.

Quando terminou, devolveu o celular.

— E então? — perguntou.

— Vou ficar temporariamente.

ND abriu um sorriso.

— Sob o mesmo teto...

— Nathan, não começa.

Visão do TH

Fernanda ficaria na minha casa.

Era a opção mais segura naquele momento, mas eu sabia que precisava estabelecer limites claros. Ela estava ali porque tinha sido ameaçada, não porque havia decidido mudar de ideia sobre nós.

ND percebeu meu silêncio.

— Não esquece disso.

— Não vou.

— Ela está assustada. Não transforma proteção em oportunidade.

Olhei para ele.

— Nunca.

E falava sério.

Visão da Fernanda

Voltar para casa e arrumar uma mala foi estranho.

Minha mãe já tinha separado algumas roupas.

— Eu sei escolher minhas coisas, mãe.

— E sempre esquece alguma coisa.

Lucas apareceu com minha nécessaire.

— Coloquei sua escova e seu perfume.

— Obrigada.

Ele tentou brincar, mas logo ficou sério.

— Se o TH for chato, me liga.

Ri.

— O que você vai fazer?

— Ainda não sei. Conversar com ele.

— Com o dono da Rocinha?

— Pensando bem, resolve sozinha.

Abracei meu irmão.

Minha mãe também se aproximou.

— Você não precisa ficar lá se não se sentir confortável.

— Eu sei.

— E não confunda medo com sentimento.

Meu rosto esquentou.

— Mãe...

— Só estou avisando. Situações difíceis aproximam as pessoas.

Abracei-a.

— Te amo.

— Também te amo. E me liga todos os dias.

Quando cheguei à casa de TH, ND estava na porta.

— Bem-vinda.

— Se me chamar de senhora TH, vou embora.

Ele começou a rir.

TH apareceu no corredor e olhou para minha mala.

— Oi.

— Oi.

ND se ofereceu para levar minhas coisas. Depois me mostraram o quarto. Era confortável, tinha banheiro e uma chave própria.

— Ninguém entra sem bater — falei.

— Certo — TH respondeu.

— Nem você.

— Principalmente eu.

— Continuo trabalhando e posso falar com minha família quando quiser.

— Sim.

— E qualquer mudança na minha rotina precisa ser conversada comigo.

— Combinado.

Ele também pediu que eu avisasse quando saísse e mostrasse qualquer mensagem suspeita.

— Isso é razoável — concordei.

ND apareceu no corredor.

— Minha única regra é que vocês não se matem.

— Sai daqui, Nathan — TH respondeu.

Quando finalmente ficamos sozinhos, TH me olhou.

— Você está segura aqui.

— Não promete o que não pode garantir.

Ele assentiu.

— Então vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para manter você segura.

— Obrigada.

Entrei no quarto e fechei a porta.

Olhei para minha mala e depois para a cama.

Eu estava temporariamente na casa do homem que quase tinha beijado.

Aquilo seria complicado.

Visão do TH

Naquela noite, encontrei Fernanda na cozinha, procurando água.

— Não conseguiu dormir? — perguntei.

— Lugar diferente.

— Justo.

Ela abriu a geladeira e fez uma careta.

— Sua geladeira é uma tristeza.

— Tem comida.

— Tem água, ovos e alguma coisa que não sei identificar.

— Queijo.

Ela riu.

Conversamos por alguns minutos. Quando perguntei se queria falar sobre o que estava sentindo, ela recusou.

— Tá — respondi, sem insistir.

Antes de subir, ela perguntou se eu tinha tomado o remédio e cuidado do curativo.

— Tomei, técnica.

— Ótimo. Boa noite, Thiago.

— Boa noite, Nanda.

Na manhã seguinte, encontrei-a na cozinha. Eu ainda estava sem camisa quando ela apareceu.

Ela parou na porta.

— Cadê sua camisa?

Olhei para mim mesmo.

— No quarto.

— E por que não está no seu corpo?

Sorri.

— Eu moro aqui.

— Agora eu também moro temporariamente.

Peguei uma camiseta e vesti.

Ela pediu café, e conversamos enquanto comíamos. Era estranho descobrir pequenos detalhes da convivência: Fernanda gostava de café sem açúcar, reclamava da minha geladeira e não tinha paciência para minhas provocações.

Por alguns minutos, quase esqueci a razão de ela estar ali.

Então meu celular tocou.

Era CK.

— Encontramos a origem técnica do número que mandou a foto, mas era descartável — explicou. — Ainda estamos cruzando as imagens.

— E Renan?

— Sumiu do padrão normal desde ontem. O telefone principal dele também está desligado.

Fernanda ficou pálida.

— Ele fugiu? — perguntou.

— Não podemos afirmar — CK respondeu.

— E a mensagem? — ela insistiu.

— Não parece ter sido enviada pelo mesmo aparelho das anteriores. Pode ser outra pessoa ou alguém usando outro telefone.

Desliguei depois de combinar que CK me avisaria quando tivesse novidades.

Fernanda me encarou.

— Você ia me contar depois?

— Por hábito.

— TH...

— Desculpa. Devia ter falado desde o começo.

Ela assentiu.

— Pelo menos você corrigiu.

Quase sorri.

Eu ainda tinha muito a aprender.

Visão da Fernanda

Naquela noite, voltei do trabalho e encontrei TH no corredor.

— Descobriram alguma coisa?

— Ainda não. Renan continua sem aparecer.

Contei que tinha falado com minha mãe três vezes.

— Dona Márcia perguntou se estou te alimentando — ele comentou.

— Você falou com ela?

— Ela me ligou.

Fechei os olhos.

— Vou trocar de mãe.

Ele riu.

Depois perguntou se eu tinha comido.

— Comi. E você?

— Também.

— Remédio?

— Tomei.

— Curativo?

— Limpo.

— Ótimo.

Ele me observou por alguns segundos.

— Você está se acostumando?

Olhei para o corredor, para a porta do meu quarto e depois para ele.

— Ainda é estranho.

— Eu sei.

— Mas estou tentando.

TH assentiu.

— Eu também.

Entrei no quarto e fechei a porta.

A convivência estava tornando tudo mais complicado. Eu começava a conhecer o homem por trás da postura séria, das decisões difíceis e da vida perigosa.

E precisava tomar cuidado para não esquecer por que tinha ido parar ali.

Eu estava naquela casa por segurança.

Mas, a cada dia sob o mesmo teto, ficava mais difícil distinguir onde terminava o medo e onde começava o sentimento.

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