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9. Conhecendo o mago e a Rainha

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-09-15 03:32:57

Quando finalmente chegou a noite em que nem Bara era capaz de se enxergar, quanto mais Nemuru. Os dois ficaram esperando debaixo da cerejeira (com ela atrás por garantia).

– Será que isso vai dar certo mesmo? – disse Nemuru à Bara, meio nervoso e sem saber ao certo para onde olhar.

– É só você ter fé que vai Nemuru. Você lembra o que deve perguntar primeiro? – correspondeu Bara de trás da arvore.

– Mas é claro que me lembro! – respondeu ele com um sorriso e olhos fechados, e um pouco mais calmo – E com a certeza de que você está próxima de mim, fico mais tranquilo. – continuou ele, enquanto abraçava a arvore de costa o máximo que pode sem tirar as mãos do gramado.

 – Certo. – Bara ficou corada ao ouvi-lo falar isto – Eu estarei aqui o tempo todo, meu amigo.

– Obrigado Bara.

– Eu é que lhe agradeço por me permitir e ajudar a ajudá-lo.

Bara estava prestes a “tocar” nas mãos de Nemuru (já que o tronco da cerejeira não era tão grosso assim), quando a anunciação de Dark Yami a impediu.

– Se prepare Nemuru, esse será o primeiro passo para abrir o caminho de sua liberdade.

– Tudo bem. – disse ele em meio um suspiro, tomando coragem.

Assim que o raio transportando Dark Yami desceu diante de Nemuru, Nemuru fixou os olhos nos olhos de mago.

– Boa noite pequeno príncipe!... – cumprimentou Dark Yami sarcasticamente.

– Se importa se lhe perguntar uma ou duas coisas? – respondeu Nemuru com expressão zangada.

– Ora, ora, ora! Quem outrora fazias de tudo para correr de minha pessoa, agora desejas falar comigo!?! – respondeu Yami com ainda mais sarcasmo no rosto.

– Depois de todo esse tempo, decidi tentar lhe entender um pouco. – afirmou Nemuru agora neutro.

– Então faças meu jovem. – disse o mago incomodado, sem perder o sarcasmo na voz.

– Com tanta gente neste mundo, porque eu? Porque você vem roubar justo a mim e não a outra pessoa? Pois eu duvido que você esteja se rejuvenescendo às custas de mais alguém além de mim.

Dark Yami começou a afagar a longa barba branca, refletindo sobre a resposta e dando as costas à Nemuru que se mantinha sentado aos pés da arvore. De repente, ele se virou para Nemuru já lançando o feitiço de absorção, pegando o pobre rapaz de surpresa.

Terminado o processo, Dark Yami observou a própria mão rejuvenescida e observou Nemuru no chão logo em seguida dizendo:

– Teu avô, Orion A****n, junto dos antigos governantes de Oilixua, Heiwa e Megaroc; atrapalharam os meus planos! Prometi à eles que me vingarias de cada um, começando pelo mais fraco... – ele se aproximou de Nemuru – O ceticismo de tua mãe, meu caro, torna os A****n mais fracos diante mim se comparado aos outros governantes, e o sofrimento dela por tua incapacidade de ajudar o próprio filho, por mais conhecimentos que adquires ou descobertas que façais, é a minha vingança contra os A****n! E, enquanto procuro uma forma de atingir os outros três... – Dark Yami ergueu Nemuru, aproximando-lhe a boca ao ouvido, onde sussurrou – Delicio-me com o sofrimento de Jõo A****n.

Nemuru arregalou os olhos involuntariamente com o que foi sussurrado, fazendo o mago sorrir. Dark Yami soltou-o sem se importar se Nemuru se machucava ou não, desaparecendo como fumaça logo em seguida.

Quando Dark Yami finalmente terminou de sumir, Bara (que fazia de tudo para não provocar qualquer barulho que fosse) correu pra junto de Nemuru.

– Este homem é mais cruel do que imaginei...

– Bara, ... tome cuidado. Se ele ... descobrir você... Não sei o que faço! ...

– Pode deixar Nemuru, eu tomarei cuidado.

Bara atravessou a mão sobre a testa de Nemuru, gerando uma leve luminescência no local. Nemuru deu um leve sorriso e “adormeceu”. Com o derramar de uma lágrima, Bara despertou.

Amanhecido o dia novamente, Bara concluiu que a primeira coisa que deveria fazer para ajudar Nemuru, era fazer com que Jõo A****n deixasse de ser laica, pelo menos um pouco. Só que para isso, ela precisava saber mais sobre a Rainha. Decidiu que seria melhor questionar sobre a Rainha com Nemuru enquanto Dark Yami não aparecia, e quando ele chegasse, continuar com o planejado.

E assim ela o fez, no seguir dos próximos dois dias antes da lua nova, Bara e Nemuru conversavam sobre Jõo e, quando Dark Yami chegava, ouvia com atenção cada palavra dada como resposta pelo mago. Somente na véspera de lua nova que Bara precisou gritar para que Nemuru lhe ouvisse mais ou menos.

Na noite de lua nova, como a Transição não funcionava, além de não conseguir dormir ficou reavaliando toda a informação que havia juntado até aquele momento. Também aproveitou para reestudar o seu guia e descobrir o que era a luminescência gerada onde Bara tocava (ou atravessava) em Nemuru.

A cada dia que se passava, ficava mais difícil para Bara não acabar pensando em Nemuru. Não sobre como ajudar a libertá-lo, mas sim sobre estar ou não ao lado dele. E nestes pensamentos, Bara suspirava. O mesmo se passava com Nemuru, que só esquecia parte de sua vida sofrida (se é que aquilo podia ser chamado de vida) quando via ou ouvia Bara.

Durante as investigações, Bara descobriu que tudo aquilo que via de Jõo, jeito de agir, falar e ser, não passava de uma fachada para proteger à Nemuru e à ela mesma. Através de Nemuru ela descobriu que a mulher forte, inteligente e às vezes fria (como ela enxergava Jõo normalmente), era na verdade uma mãe dedicada, gentil e de espirito frágil no que se referia ao filho, deixando claro que atravessar as barreiras em volta do coração da Rainha daria trabalho. E descobriu também sobre a Zona do Silêncio e como ela funcionava (dentro do que Nemuru conseguia lhe revelar).

Já sobre o mago, a principal descoberta de Bara é que Dark Yami fazia jus ao seu nome, trevas sobre trevas. Para ela, Dark Yami mais parecia um demônio do que um mago, de tão frio e cruel que era. Descobriu que ele só não começou a vingar-se de Oilixua e Megaroc ainda, pois eles ainda se mantinham atentos ao seu retorno. E quanto à Heiwa, Dark Yami temia o poder de Mahotsukai, o Rei-Mago, e não se atrevia a atacar este sem primeiro encontrar um ponto fraco (ou superar o poder mágico de seu pai).

No seguir das investigações, Bara sofria cada vez mais por Nemuru. Isto porque para cada pergunta feita, Dark Yami respondia junto de crueldades cada fez piores. Tanto que, na quarta noite de lua nova, quando Nemuru lhe perguntou em que canto do mundo ele morava (para que Nemuru mantivesse a maior distância possível caso viesse a se libertar dele), Dark Yami o ergueu com tanta força e rapidez, que o chocar contra a arvore fez parte das folhas cair, quase lhe tirando a consciência antes da hora, e para completar, Yami deu a resposta em forma de enigma: “Resido junto ao rio ardente da terra, no trecho oculto pelo pequeno alto mar de gelo”.

Deixando tanto Bara quanto Nemuru perdidos sobre o assunto e tornando-se a gota d’agua.

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