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13. Espreitando

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-09-22 23:37:16

Amanhecido o dia, mal tinham se levantado e Acnarepse já cobria Bara de perguntas.

– O que aprontou ontem à noite?

– Quem?

– Ora quem. Claro que é você Bara! Anda, fala!

– Mas eu não fiz nada não!

– Bara...

– Juro por tudo o que lhe for mais sagrado Ac, eu não fiz NADA! (“ainda...”)

– E nem planeja fazê-lo? Lembre-se que amanhã pegamos a esfinge e partiremos pra casa.

– Huuumm... Garanto que não desejo prejudicar a ninguém.

Menina!... – Acnarepse estava próxima à porta.

– Relaxa, Ac! Não há com o que se preocupar.

– É o que veremos...

E saíram juntas para o salão de jantar.

Já na mesa, estavam Bara, Acnarepse, Jõo, Zula e Zuline tomando o café.

– Zul e Zunol já comeram? – perguntou Bara.

– Sim, minha querida. Os dois já comeram e foram treinar. – respondeu Jõo.

– Eles treinam tão cedo assim?

– Claro, porque não? Quando mais cedo melhor!

– Hum... Rainha Jõo!... – começou Bara tentando ver por si mesma o que a Rainha costumava falar sobre Nemuru para as outras pessoas.

– Diga...

– A senhora nunca se casou?

– Bara! Onde está o seu respeito?! – repreendia Acnarepse.

– Hi-hi! Está tudo bem! Bara querida, eu pensei que todos já soubessem que sou viúva.

– Viúva? – Bara ignorava a ama.

– Bara... – Acnarepse começa a perder a paciência.

– Sim, viúva. E já faz bastante tempo. – Jõo ainda mantinha um sorriso no rosto.

– E nunca teve um filho ou filha?

Acnarepse começava a ter dificuldades para controlar o nervoso perante a impertinência de Bara, enquanto batia as pontas dos dedos sobre a mesa, observando-a.

– O que foi Ac? É tão grave assim desejar algum amigo de minha idade no palácio de Kyuden, que não esteja proibido de falar?

– Não, não é. Mas você está sendo indelicada demais.

– Mas por quê? – continuou Bara fingindo tanta inocência quanto podia.

– Se é por conta do filho que perdi Acnarepse, não se preocupe. – intercedeu Jõo com uma expressão calma, porém triste.

– Que a senhora perdeu, majestade? – questionou Bara da forma mais suave que pode.

– Sim. – Jõo suspirou mantendo a mesma expressão – Faleceu ainda criança de uma doença desconhecida.

Percebendo Bara que não ia conseguir informações mais profundas sobre Nemuru, considerando a resposta que foi dada e a expressão da Rainha, tentou mudar de assunto.

– Entendo... Tudo bem se eu der uma volta pelos jardins hoje, Rainha Jõo?

– Mas é claro, minha querida! E se quiser posso lhe fazer companhia. – respondeu a Rainha com uma expressão um pouquinho mais alegre.

– Lhe sou muito grata, mas eu não quero atrapalhá-la. – respondeu Bara torcendo para que Jõo lhe acompanhasse mesmo assim.

– Imagine Bara, não me será incomodo algum.

– Então está bem! – para alívio e alegria de Bara (pois assim ela poderia encontrar outra forma de trabalhar com a Rainha).

Terminada a refeição, Zula e Zuline se concentraram em seus estudos e treinos, enquanto Jõo, Acnarepse e Bara se encaminharam aos jardins.

Durante o passeio, em vários momentos, Bara demostrou conhecer os jardins bem até demais, causando desconfianças tanto em Jõo quanto em Acnarepse (ambas por razões diferentes) sendo que as duas preferiram guardar suas dúvidas para outra hora. Chegando à fonte principal (a mesma da primeira visita de Bara a Nemuru) onde Bara sentou-se próxima a roseira.

– Não era dessas rosas que seu amigo lhe deu uma de presente, Bara? – comentou Acnarepse enquanto observava as rosas de perto.

– Parece que sim, Ac. – Bara percebeu a reação de incompreensão da Rainha e fingiu não saber de nada.

– Desculpe,... – intrometeu-se Jõo – ...mas do que vocês estão falando?

– Ah, é que Bara recebeu uma rosa muito parecida com as dessa roseira de presente no aniversário dela. – justificou-se Acnarepse.

– Verdade Bara? – Jõo que já estava intrigada pelo conhecimento de Bara sobre o jardim, ficou ainda mais.

– Bem, de fato a rosa que recebi era bem parecida com estas, majestade.

– E de quem a ganhou? – perguntou Jõo o mais desinteressada possível.

– De um amigo. O mesmo que estou tentando ajudar, para ser mais sincera.

– Hum... Bara! – Jõo sentou-se de frete para Bara – Parando para pensar melhor agora, você ainda não me disse como esse seu amigo se chama, qual o nome dele?

– Seu apelido é Ne! – respondeu Bara antes que Acnarepse pudesse dizer alguma coisa – Ele só me disse o seu nome uma vez e, como é um nome complicado (e ele mesmo me disse que não gosta quando o pronunciam errado), eu o chamo apenas pelo apelido, já que ele prefere assim. Perdoe-me por não poder dar a resposta que deseja.

Acnarepse que estava atrás da Rainha lançou um olhar para Bara, que ela compreendeu imediatamente o que significava: “Mais tarde você vai me explicar!”. Ao qual ela respondeu apenas com o seu sorriso de: “Confie em mim.”

– Está tudo bem. – respondeu Jõo depois de um suspiro rápido.

– Há algum problema majestade? – perguntou Bara.

– Bom, é que... – Jõo voltou o olhar para a roseira – Fui eu quem desenvolveu esta roseira com estas cores a muito tempo, antes mesmo de eu ter perdido meu marido e meu filho. Era para esta roseira ser a única do seu tipo até onde eu sei.

Bara ficou um momento em silêncio observando as rosas.

– É uma roseira de flores muito belas. Pensava em alguém em especial quando as criou? – perguntou Bara.

– Em meu marido e meu filho.

– Entendo... Se importa se eu colher uma pro meu cabelo? – perguntou Bara outra vez enquanto acariciava a longa trança formada por seu cabelo.

– Um momento. – respondeu a Rainha aproximando de sua roseira.

Jõo observou as rosas com cuidado, e depois de quase um minuto, ela colheu uma grande rosa com cores bem vivas e poucos espinhos.

– Aqui está criança. – disse Jõo enquanto ajeitava a rosa no topo da trança de Bara.

– Muito obrigada majestade.

Elas continuaram o passeio e assim permaneceram até a hora do jantar. Acabada a refeição, Jõo e os irmãos Soamri saíram para os últimos estudos do dia enquanto Bara e Acnarepse foram para seu quarto de hospedes.

– Muito bem sua travessa, EXPLIQUE-SE!! E já adianto que Jõo A****n não virá nos rever hoje tão cedo! – confrontou Acnarepse fazendo com que Bara desse um passo para trás de distância.

– Ac,... – Bara juntou as mãos em oração – ...não sei se posso explicar-lhe ainda, mas é extremamente importante que a Rainha não saiba o nome de Nemuru por hora.

– O quê quer dizer? Que segredo este rapaz guarda?

– Por favor! Minha querida guardiã e preciosa ama,... – Bara só utilizava estes termos com Acnarepse quando fazia relação a um assunto especialmente delicado. – ...na hora certa irei lhe contar. Mas na hora certa! – implorava Bara.

Bara se aproximou da janela enquanto observava Acnarepse esfregando a testa com uma das mãos em reflexão.

– Tudo bem! Mas de deixo avisada: este é o último segredo que me guarda sobre este assunto! Não aceito que me esconda mais nada, fui bem clara?!

Bara assentiu com a cabeça ainda ansiosa pelo nervoso de sua ama, que deitou-se parecendo fera selvagem que se deitava sem ter comido o dia inteiro, passou a observar os jardins enquanto aguardava o luar para sua ‘visita de rotina’. Depois de alguns instantes, resolveu dar uma olhadinha em Jõo e os Soamri.

Pegou o espelho e fez como na noite anterior. Jõo estava com os Soamri e lhes passava alquimia em um laboratório longe da Zona do Silêncio, Alquimia Elemental ao que parecia, o que significava que eles gastariam um bom tempo com o assunto.

Huuum, assim eu posso tentar ver Nemuru diretamente ao invés de pelos sonhos...”

Bara procurou o colar da metamorfose na shiruku, tirou o fio de cabelo do espelho (guardando o espelho na bolsa), o enrolou na pedra do colar e com o auxílio de seu guia (pois ainda não terminara de decorar todos os encantos) pronunciou de olhos fechados: Facit me aequalis ad Jõo A****n.

Por um momento, Bara sentiu um desconforto em todo o seu corpo. Abriu um dos olhos, observou uma das mãos e, como não percebia grande diferença no corpo dirigiu-se ao espelho. Ela tampou a boca por conta surpresa. Apesar de estar simplesmente à frente de um espelho, Bara sentia que era a Rainha quem estava diante de si e não o seu reflexo.

Como Acnarepse já roncava (sinal de sono pesado), Bara não teve dificuldades em deixar o quarto despercebidamente. Ela andou pelo palácio da forma mais parecida possível que a Rainha, ela a observara bem enquanto passeavam pelo jardim, e não teve nenhum problema durante seu caminho até a Zona de Silêncio.

 Chegando na Zona, ao ver os guardas, Bara sentiu o coração palpitar mas manteve o disfarce. Ela não precisou dizer nada, apenas parou diante deles e eles logo lhe deram passagem.

Bara refez cada um dos passos que Jõo fizera enquanto a seguia pelo espelho na noite anterior até chegar ao quarto de Nemuru. Passado os guardas de Nemuru e estando fechadas as portas após a saída da ama que cuidava de Nemuru, Bara finalmente respirou aliviada. Ela começou a observar melhor a mobília simples e a decoração humilde do quarto, para depois observar o jardim da janela.

Eu sabia.” – pensou Bara consigo ao encontrar o lenço que amarrara na janela de seu quarto depois da bronca de Acnarepse. – “Pai celeste! Eu me esqueci! Como é que farei para saber quando a verdadeira Rainha estiver vindo?

Ainda na janela, o vento que soprou sob a forma de assobio lhe deu a resposta.

O apito! É isso! Obrigada meu Deus.

Sem mais delongas Bara pegou o apito na shiruku, ela ficou em dúvida sobre assoprá-lo perto da porta ou da janela e acabou optando pela janela. Citou o encantamento e soprou-o em seguida, com o som se assemelhando ao vento que lhe lembrara do apito.

Assim como com o colar, Bara não percebeu muita mudança por alguns instantes e enquanto consultava seu guia sobre o apito ohcib para ter certeza que havia feito tudo certo, quase deu um pulo pra trás ao ver se aproximar dela dois ratos negros e três pequenos camundongos pardos (ela havia acabado de reler o aviso sobre o chamado do apito).

  Ela se abaixou para perto dos roedores com a mão à boca por conta da surpresa.

– Preciso que vocês me façam um favor. – os cinco começaram a prestar atenção em Bara – Vocês podem vigiar a verdadeira Rainha Jõo e quando ela se por a caminho deste quarto, me avisar o mais rápido possível?

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