FAZER LOGINAcabado o beijo, um apoiou-se sobre a testa do outro de olhos ainda fechados. Seus corações ainda batiam fortes e nenhum dos dois sabia o que dizer naquele momento. Não conseguiam se olharem nos olhos diante do desnorteamento de emoções que tinham e mal respiravam direito.
– Princesa Bara, acorde! – chamou o guarda junto de Bara no jardim – A tempestade se aproxima, você precisa entrar agora!
– É... é melhor eu ir agora...
– Tem razão. ... Realmente é melhor você ir Bara.
– Sim e... preciso mesmo descansar um pouco. Depois de tudo que passei para entrar... – Bara deixou uma risada escapar – Ou sair do seu quarto!
– Verdade – Nemuru também deixou escapar um riso – E, além do mais... logo aquele demônio estará aqui. E eu... eu não quero que ele estrague este momento. – Nemuru ergueu o rosto de Bara – Pelo menos... pra você.
– Nemuru...
Os dois se olharam nos olhos por um instante, Bara chorava e sorria ao mesmo tempo enquanto Nemuru sorria e acariciava seus cabelos novamente. Ambos ainda não percebiam seus sentimentos direito, mas eles... se amavam.
– Princesa, acorde. – Augustos chamava outra vez – Temos de sair daqui!
– Te vejo amanhã à noite.
– Estarei lhe esperando Bara.
Ainda com lágrimas (de felicidade) escorrendo e sem soltar a mão de Nemuru que portava a rosa dada, Bara deixou-o devagar, ficando transparente aos poucos até desaparecer totalmente.
Instantes após Bara partir, Nemuru sentou-se na grama à sombra da roseira, admirando a rosa recebida por Bara com os pensamentos perdidos nela, e no beijo.
Quando Bara abriu os olhos depois de finalmente ter retornado, pesadas nuvens de chuva começavam a cobrir a lua. Ela ainda tinha uma lágrima nos olhos e seus pensamentos estavam mais centrados no beijo do que na sua volta.
– Está tudo bem princesa? – perguntou o guarda ao ver as lágrimas.
– Não, está tudo bem. – respondeu ela enxugando as lágrimas, sorridente. Uma trovoada a fez olhar para os céus – Parece que vai cair um temporal.
– Sim, vai sim. Por isso lhe acordei. Precisa de ajuda para entrar? – Augustos lembrava do pé machucado de Bara.
– Não é preciso, vamos? – disse Bara se erguendo e pondo-se a caminho de dentro do palácio.
Uma imensa tempestade começou a cair assim que Bara pões os pés pra dentro do palácio. O céu que antes estava sendo iluminado pela lua cheia, agora recebia a claridade dos relâmpagos que preenchiam o firmamento. Quando Bara deitou-se, nem a chuva e nem a trovoadas lhe tiravam o sorriso que mantinha até mesmo em seu sono.
Por causa do barulho criado pela tempestade (fazendo com que o mundo de sonhos de Nemuru não ficasse muito diferente do real), Nemuru que estava com seus pensamentos longe e olhos fixados na rosa de Bara, nem notou a chegada de Dark Yami.
– Boa noite, meu jovem! – saudou ele, mas Nemuru nem o ouviu e como Nemuru sorria feliz, Dark Yami estranhou. – O que aconteces rapaz? Não me ouves? – Nemuru continuava em transe, fazendo Dark Yami irritar-se.
– ACASSO A TEMPESTADE LHE DEIXASTE SURTO!? – gritou o velho puxando Nemuru pelo ombro.
– Ah! É você. – Nemuru continuava sorrindo – Pode acabar logo com isto, por favor? – respondeu Nemuru retornando seu olhar para a rosa.
Dark Yami que era um homem sádico, ficou furioso com a felicidade nítida de Nemuru, por isso ele começou a lançar seu feitiço de absorção bem aos poucos, e jogava o pobre Nemuru de um lado para o outro como uma criança maldosa que joga o seu brinquedo favorito por mera diversão. Tendo absorvido o bastante para recuperar a forma dos seus trinta anos, Dark Yami percebeu que ainda restava bastante força em Nemuru (já que o coitado ainda conseguia erguer-se com pouco esforço).
– Respondas garoto... – Dark Yami se aproximou de Nemuru – O QUE foi que acontecestes com tu HOJE?!? – questionou Dark Yami enquanto erguia Nemuru do chão com as próprias mãos.
Nemuru que ainda sorria graças à força que a lembrança do beijo com Bara lhe dava, mais forte até mesmo que o golpes sofridos, apenas olhou bem fundo nos olhos do mago por um instante e respondeu:
– Volte no tempo! Volte para ao menos uma hora antes de você chegar aqui. De mim, você não irá arrancar uma palavra que seja.
Dark Yami ficou pasmo. Soltou Nemuru de olhos arregalados e boca aberta. Não conseguia acreditar na ousadia da resposta de Nemuru!
Nemuru aproveitou o estado de perplexidade do mago para afastar-se, recuperar a rosa que soltou para que não acabasse destruída por conta dos golpes que recebera e encostou-se em uma arvore próxima, voltando a admirá-la.
Quando Dark Yami voltou a si e voltou-se para Nemuru, o viu admirando aquela rosa novamente, desconfiou do brilho no olhar de Nemuru ao ficar observando a flor.
– Escutais meu jovem,... – Nemuru se voltou de leve para o mago que falava com tom sério ao invés do tom sarcástico de sempre – ...eu ainda descobrireis o quê que aconteces aqui! – Dark Yami não desviava o olhar de Nemuru – Guarde, minhas, palavras! – e desapareceu como poeira.
O olhar e tom de voz do Dark Yami não agradaram a Nemuru, deixando-o preocupado.
Chegada a aurora em Kyuden, quase não havia mais nuvens no céu. Debaixo das copas carregadas das arvores, ainda chovia um pouco. E uma brisa fresca e suave atravessava todo o reino, carregando consigo o aroma das rosas da Rainha.
“Conte tudo minha querida.”
– Contar o quê, Ac... – respondeu Bara sonolenta à doce voz que lhe despertou imaginando pertencer à sua ama.
– O que foi... – Acnarepse bocejava – ...Bara?
– Mas não foi a senhora que falou comigo agora? – Bara ficou mais desperta.
– Não, foi você que me acordou primeiro. – Acnarepse começava a se levantar – Mas já que nós duas acordamos... – ela se espreguiçava – ...vamos nos levantar de uma vez. – e ergueu-se da cama com Bara logo atrás.
“Mas de quem terá sido aquela voz que me acordou?” – Bara pensava consigo.
Enquanto isso, no quarto de Nemuru, o som das gotas de chuva que caíam das arvores junto do perfume de rosas, despertaram suavemente a Rainha, que não teve a melhor das noites de sono.
Ela corrigiu a postura sobre a cadeira e sem deixá-la, começou a observar meticulosamente o quarto a sua volta até chegar em seu filho, onde Nemuru segurava uma das rosas de sua roseira.
“Mas como isso veio parar aqui?!”
Jõo tentou retirar a rosa de Nemuru para que pudesse examiná-la melhor, mas ele recusou-se a largar a rosa ganha por Bara. Percebendo ela que ele não ia soltar a flor, desistiu de tirá-la para que ele não se machucasse com os espinhos.
“De onde será que saiu essa rosa? Aquela mulher não levou e nem deixou nada aqui.” – refletia Jõo – “O que será que ela queria e QUEM era ela?!?”
Jõo resolveu levantar-se e ir para o seu aposento e tomar um banho para despertar de vez e pôr-se a investigar melhor os ocorridos estranhos da noite anterior.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.