LOGINDescendo as escadarias da entrada do palácio para a carruagem de Heiwa, Jõo e Acnarepse desciam na frente com Acnarepse agradecendo pela hospedagem dada a elas; Zunol e Zuline desciam atrás para ajudar, os outros dois irmãos cuidavam de seus estudos longe dali; e bem atrás estava Bara, com passo lento e a frase da voz de manhã cada vez mais insistente em sua mente, fazendo-a pegar discretamente o Colar da Metamorfose sem que ela mesma o percebesse.
– Ande Bara! – gritou Acnarepse à porta da carruagem para Bara que estava ainda no meio da escadaria – Venha logo!
Vendo que Jõo, Zunol e Zuline estavam juntos de sua ama parou de descer.
– Lembrei-me que não me despedi de uma pessoa em especial... – ela começou a dar meia volta, apertando o colar nas mãos – Eu já volto!
– Que pessoa, menina?! – gritou Acnarepse enquanto Bara começava a subir depressa.
– Vou me despedir de Nemuru! – respondeu Bara com o colar já no pescoço.
– QUE NEMURU!?!? – gritou a Rainha de olhos arregalados ao ouvir o nome de seu filho.
Bara já estava no alto das escadas e o efeito do colar já estava concluído por isso, quando se virou para responder a Rainha, era uma segunda Jõo que eles viam e ouviam dizendo:
– O príncipe de Kyuden, é claro.
Mediante a resposta, Acnarepse ficou boquiaberta; Jõo ficou petrificada em choque com o que via e ouvia; e Zunol e Zuline não sabiam se ajudavam a Rainha ou se iam atrás de Bara que, a passos largos, ia de encontro a Nemuru.
Quando Jõo finalmente voltou a reagir, Bara já estava na entrada da Zona do Silêncio, dando ordens para que ninguém mais passasse por hora. Chegando Bara a metade do caminho do quarto de Nemuru, Jõo chegou correndo a entrada da área, onde graças à ordem dada por Bara, precisou de uns dois movimentos em cada guarda que tentou a impedir de prosseguir imaginando que a Rainha fosse a intrusa da noite anterior.
Tendo enfim chegado ao quarto de seu filho, Jõo encontrou Bara sentada na cadeira do lado da cama de Nemuru, segurando-lhe uma das mãos e em sua forma original. Ela ficou parada na porta só observando e ouvindo, ainda lhe era inadmissível que alguém de fora do palácio soubesse sobre Nemuru, ainda mais com todo o esforço que ela dedicava para ocultá-lo até mesmo de seu próprio povo.
Bara acariciava a testa de Nemuru que sorriu ao começar a ouvir a voz dela.
– Oi Nemuru, sou eu de novo. – ela sorriu com o sorriso dele – Vim me despedir de você em Kyuden, estou de partida para Heiwa. – ela sussurrou-lhe ao ouvido de Nemuru – Me encontro com você assim que puder.
Nemuru ergueu levemente a rosa que recebera dela em sua direção, Bara percebeu e reconheceu quase imediatamente, recordando do primeiro encontro de sonho deles com um sorriso no rosto e apoiando cuidadosamente a mão na mão de Nemuru que segurava a rosa.
Jõo continuava parada, observando em absoluto silêncio. Zuline chegava com Zula que começavam a observar também.
– É melhor eu ir agora. – Bara percebera a presença de todas elas apesar de as ignorar – Até a lua Nemuru. – e deu um beijo suave e demorado na testa dele com os olhos fechados.
Por Bara ter ficado de olhos fechados, não notou que durante seu leve beijo, o mesmo lume que envolvera e aquecera Nemuru durante o beijo deles o envolvia de novo agora, deixando Jõo de olhos arregalados ao represenciar o que ela imaginara ter sonhado. E mais um golpe aguardava a Rainha.
Terminado Bara de beijar-lhe a testa, com a luminosidade se esvaindo junto do fim do beijo, vagarosamente, Nemuru abriu os olhos. Pela primeira vez em anos... Nemuru acordava. Bara sorriu de alegria e Jõo estava boquiaberta, com Zula cobrindo a boca com a cena testemunhada e Zuline se beliscando pra ter certeza que não estava sonhando.
A visão de Nemuru estava meio turva por conta do longo tempo sem utilizá-la, mas assim que se firmou e viu o rosto de Bara diante de si, um largo sorriso e uma lágrima em cada canto dos olhos lhe escapavam.
– Bara... – disse ele com a voz fraca, porém cheia de felicidade.
O despertar de Nemuru foi a gota d’agua, a Rainha não aguentou mais os choques daquele dia... e desmaiou.
Passadas algumas horas, Rainha Jõo acordava em seu quarto.
– Tive um sonho estranhíssimo!... – começou Jõo esfregando o rosto.
– Majestade? – Zuline que lhe zelava, aproximou-se.
– Sonhei que Bara se transmutava ficando idêntica a mim; ela sabia sobre Nemuru e ia vê-lo... – Zuline ouvia em silêncio – ...Eu corria atrás dela pela Zona do Silêncio, tendo que passar por cima dos meus próprios guardas para alcançá-la, e quando abria a porta do quarto lá estava ela, Bara, em sua forma normal e conversando com meu filho como se o conhecesse a muito tempo... – Zuline chegava a morder os lábios esperando que Jõo terminasse – ...Depois ela o beijava na testa e esse beijo fazia o corpo de Nemuru brilhar. No fim do beijo, a luz sumia e meu filho acordava, ele acordava e falava com ela como se também a conhecesse há muito tempo e... Zuline, quando foi que eu vim para a cama?
Zuline aproximou-se mais um pouco de Jõo e, olhando-a nos olhos, começou.
– Senhora... infelizmente ou não, tudo o que vossa majestade acabou de dizer ter sonhado, não foi um sonho!
– O QUÊ?!?! – Jõo ergueu-se bruscamente na cama.
Zuline que já esperava por essa reação não se abalou e continuou:
– Quando Nemuru acordou e mencionou o nome da princesa de Heiwa, a senhora desmaiou. Enquanto lhe acotia, Zula que estava comigo foi atrás de minha mãe para cuidar de Nemuru. Zunol, que lhe carregou até o quarto, foi ajudar Zul a colocar o palácio em ordem depois da confusão que a princesa Bara provocou, tanto que nem percebemos quando que ela e sua ama deixaram Kyuden. E eu fiquei aqui lhe observando até acordar.
– Entendi. – Jõo ainda estava aturdida – Mas e meu filho? Ainda está acordado? – Jõo sentou-se na cama.
– Ao que eu soube, ele já voltou a dormir.
– Compreendo... – respondeu Jõo se erguendo da cama em direção do seu filho, com um pouco de tristeza por ter desmaiado.
Enquanto isso, a caminho de Heiwa...
– Quem iria imaginar... seu Nemuru, o filho supostamente morto de Jõo...
– Aaah, chega Ac! Descanse um pouco e deixe para lembrar isto depois que chegarmos! – respondeu Bara já cansada de ouvir o mesmo assunto desde a partida de Kyuden.
– Como quer que eu esqueça uma coisa dessas, menina?
– Não sei Ac. Tente pensar em outra coisa!
– Agora sim eu entendo porque você fazia tantos segredos em relação a esse rapaz. Porque não me disse antes? – Acnarepse ainda estava surpresa com a descoberta e indignada com os segredos de Bara.
– Já lhe respondi Ac... – Bara tentava fazer o assunto acabar por ali – A própria Rainha Jõo fazia questão de mantê-lo em segredo para sua proteção. Porque é que eu iria correr riscos contanto isso por aí?
– Bastava que contasse a mim e ao seu pai! Mais ninguém precisaria saber.
– Será que podemos continuar discutindo isto em Heiwa?... – Bara esfregava os olhos fingindo exaustão.
– Tá, tudo bem! – Acnarepse ainda estava meio zangada – Tentarei dormir!
Acnarepse escorou na beira de sua janela para tentar dormir e Bara, escorada na janela do outro lado da carruagem sorria disfarçadamente, deslumbrando o céu noturno por entre as arvores.
Já de volta à Kyuden...
Jõo uniu-se a Mom, mãe dos irmãos Soamri, e Zula no quarto de Nemuru.
– Por favor... – começou a Rainha – Contem-me tudo o que aconteceu enquanto meu filho estava acordado.
Mom começou a falar em kineas: “Nemuru falou bem pouco com a princesa antes dela partir. E quando ela se foi, o príncipe nos pediu que lhe transmitíssemos um recado, majestade.”
– Que recado Mom?
“Eu não entendi bem, mas ele pediu para avisá-la de não repreender mais a Zuline. Pois ela foi a única que descobriu um pouco do que acontecia com ele.”
– ... Como assim, Mom?
– Mestra. – interviu Zula com a possível resposta – A senhora se lembra da reunião que tivemos onde minha irmã sugeriu que talvez, Nemuru estivesse recebendo visitas através dos sonhos?
– Mas é claro que me lembro Zula. Eu até a... – foi quando Jõo percebeu – ...repreendi...
– Pois então senhora. – continuou Zula enquanto Jõo observava o filho – Essa é a única ocasião que me vem à memória.
– Nessa noite, quando vim ver Nemuru, contei-lhe o que Zuline havia dito, e que tinha a repreendido por isso... Ela estava certa? – Jõo retornou o olhar para Mom e Zula – Meu filho não disse mais nada?
“Não majestade. Depois que ele terminou de nos dizer o recado que queria que lhe transmitíssemos, voltou a dormir.”
Jõo pediu a elas que a deixasse sozinha com Nemuru e sentou-se ao lado dele. Ela ficou ao lado de Nemuru segurando-lhe as mãos, refletindo sobre o mar de ideias confusas em sua mente e assim colocá-la em ordem.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.