LOGINPerto do meio dia, Bara e Acnarepse chegaram a Heiwa. A notícia do concurso já havia se espalhado por todo o reino e muitos estavam ansiosos para conhecer o prêmio que seria entregue ao gênio que soubesse a resposta.
– Não é bom ver tanta gente entusiasmada desse jeito Ac? – Bara sorria largamente.
– Sim, é sim. Sem mencionar que eles estarão dando uma grande ajuda.
– Realmente Ac. – Bara observou o horizonte longínquo com um suspiro – Será mesmo uma imensa ajuda.
Acnarepse percebia aos poucos que os suspiros de Bara ficavam cada vez mais frequentes quando Nemuru fazia parte do assunto entre elas, notando aos poucos que o quê havia entre Bara e Nemuru já não era mais só amizade, porém guardou suas suspeitas para um momento mais conveniente.
Foi o Rei quem as recebeu quando adentravam o castelo.
– Bem vindas de volta! Como foi a viagem?!
– Excelente papai!
– Esclarecedora e traquina também. – completou Acnarepse com olhar de repreensão para Bara.
– O quê ela quis dizer, Bara minha filha.
– Ham... – Bara queria evitar o assunto ao máximo, pois acreditara já ter recebido broncas suficientes até o momento – Podemos conversar isso à noite, no meu quarto? Queria mostrar a recompensa ao povo primeiro.
Mahotsukai só precisou olhar para Acnarepse por um instante para compreender a seriedade do ocorrido.
– Tudo bem minha filha. À noite... nós conversamos.
E todos entraram.
Durante o almoço, servos preparavam a esfinge para que pudesse ser apresentada ao público e logo aqueles que tinham interesse no concurso começaram a se reunir na Praça Principal onde enfim seriam anunciados os detalhes do evento.
Estava prestes a dar três horas da tarde e praticamente todo o reino se encontrava presente na praça, alguns por mera curiosidade e outros por grande interesse no desafio que Bara iria apresentar assim que desse três horas em ponto.
No centro da praça havia uma torre de relógio branca com uns vinte metros de altura e cinco fases; dezenas de sinos melodiosos tocavam toda hora cheia desde as seis da manhã até às seis da noite, deixando todos sempre bem informados da hora. Terminada a melodia das três da tarde, Bara começou a falar ao povo:
– Povo amado de Heiwa, depois que eu completei meus quinze anos, muitos acharam que eu os havia esquecido! Não é verdade... Simplesmente, estava trabalhando em um enigma... que muito me ocupava. – alguns cochichos eram ouvidos entre o público – Como vocês já sabem, viajei até Kyuden, a “Terra dos Sábios”, à procura de uma recompensa digna para aquele que conseguir desvendar este enigma que tanto me ocupou e deu trabalho. – a curiosidade do povo pelo enigma aumentava – Bem, sem mais delongas, vamos logo espalhar por este reino o enigma que presenteará o gênio com este troféu! – Bara erguia o pano que ocultava a esfinge espalhando admiração por todos – E vamos ao enigma! Como ele é meio complicado, todos podem obter uma cópia com os cavaleiros espalhados pela praça caso não o compreenda de imediato. E o enigma é: “Resido junto ao rio ardente da terra, no trecho oculto pelo pequeno alto mar de gelo. Onde habito?”.
Não teve uma só pessoa que não tivesse ficado perplexa. Alguns correram até os cavaleiros para ler o enigma (assim como eles) para ter certeza que haviam ouvido corretamente.
Acnarepse, Bara e Mahotsukai já esperavam por aquela reação já que eles próprios haviam reagido de forma semelhante.
Passados uns dez minutos após o declarar do intrigante enigma, alguém começou a rir! Forte e alto para todos ouvirem. Era um garoto plebeu de uns treze à quinze anos, no fundo da multidão. Ninguém entendeu o porquê da gargalhada já que o quê havia sido passado para todos foi um enigma desafiador e não uma piada.
– Mas do que é que você está rindo moleque? – questionou um dos cavaleiros mais próximo dele.
– Estou rindo assim porque eu já sei resposta! – respondeu o garoto com orgulho.
A multidão ficou atônita. Como é que aquela criança poderia saber a resposta certa?! O garoto foi chamado para o palco onde a corte estava. Estando ele em frente à princesa, após uma leve e respeitosa reverência a ela, que foi igualmente correspondida por ela, Bara começou a entrevistá-lo.
– Muito bem, como é que você se chama? – Bara abaixou-se para igualar sua altura à do garoto.
– Sou o Adarahc princesa Bara. – respondeu o garoto feliz.
– Certo Adarahc, sua idade é...?
– Farei catorze daqui duas semanas.
– Bom! E quem são os seus pais?
– Minha mãe é fazendeira com meus avós e meu pai é um comerciante de especiarias.
– Ok... e Adarahc! Qual você acha que é a resposta para o enigma: “Resido junto ao rio ardente, no trecho oculto pelo pequeno alto mar de gelo”?
– Fácil princesa Bara! São os Montes Kõrionenshõ! – respondeu ele com os braços atrás da cabeça com um sorriso confiante e deixando todos surpresos.
Bara desviou o olhar para o pai e sua ama que, em silêncio observavam curiosos o seu possível salvador, Bara retornou o olhar à Adarahc para voltar a conversar.
– Tudo bem. E porque você acha que a resposta certa é esse monte?
– Como eu disse antes, o meu pai é um comerciante de especiarias e por isso ele viaja bastante para ter mercadoria. Quando consegui idade pra viajar com meu pai (desde que não fosse pra muito longe), minha mãe me deixa viajar com ele às vezes.
– Sei, e?... – Bara estava ficando ansiosa.
– Pois é, em uma dessas viagens que fiz com ele, tivemos que dar a volta por estas montanhas. Eu perguntei pra ele se não seria mais rápido nós atravessarmos os Montes ao invés de contorná-lo e ele me respondeu que todo viajante que preze por sua vida, jamais deve entrar nos Montes Kõrionenshõ.
– E porque Adarahc?
– Meu pai explicou que aquelas montanhas vivem em tempestade. Todos que tentaram desafiá-las (com poucos que desistiram a tempo para poder sobreviver), compararam as tempestades de vento e neve com as tempestades marinhas, de tão fortes que eram. O único refúgio dentro daquelas montanhas é um conjunto de cavernas vulcânicas com alguns riachos de lava bem no meio do Kõrionenshõ.
– “O trecho do rio ardente”... – Bara começava a enxergar o enigma.
– “Guardado pelo alto mar de gelo”! – completou Adarahc – Se meu pai estivesse no reino agora, ele é quem estaria dando essa resposta princesa.
– Tudo bem, certo. Mas, como sabem que há um vulcão no meio daqueles montes?
– É... – Adarahc coçava a cabeça – Eu também perguntei isso a ele, já que tinha tido que ninguém conseguia atravessar aquelas montanhas com vida. E ele me disse que há alguns meses antes dessa nossa viagem, quando retornava pra casa, encontrou um homem aos pés dessas montanhas que falou pra ele sobre essas cavernas. Ele até tinha um pouco de lava endurecida pra provar! Só não conseguiu falar mais do que descobriu porque acabou morrendo por empo... interno...
– Hipotermia? – Acnarepse tentava ajudar o garoto.
– Isso! – Adarahc a olhou agradecido – Isso mesmo! O homem não contou mais porque morreu de hipotermia. (“E que também parecia um pouco transtornado”) – pensou Adarahc retornando para Bara.
“Deve ser esse o lugar...” – pensava Bara consigo. Ela sorriu para o garoto que já a olhava novamente com um largo sorriso, ergueu-se e começou a falar ao povo:
– Bem; daqui duas semanas será anunciado oficialmente o vencedor deste concurso. Caso alguém consiga encontrar uma resposta capaz de competir com a de Adarahc até o fim deste tempo, terá a chance de poder levar essa bela esfinge pra casa. – Bara apoiava a mão sobre a esfinge, deixando todos curiosos se a resposta do garoto era mesmo a correta ou não, enquanto Bara buscava a certeza absoluta – Agora, se até o término desses catorze dias, ninguém conseguir uma resposta compatível ao enigma... – ela sorriu para Adarahc enquanto lhe apoiava a mão sobre um de seus ombros, deixando-o corado – Creio que este jovem é quem a estará levando para casa. Enfim, desejo muita boa sorte para todos!
Dito isto, todos se dispersaram, alguns correram para as bibliotecas enquanto outros buscaram os comerciantes e trabalhadores que tinham o hábito de viajar bastante. Tudo para poder encontrar um segundo ou terceiro local que se encaixe com as mesmas características dos Montes Kõrionenshõ.
A realeza retornou para o castelo (com Bara disfarçando a grande satisfação), e o pequeno Adarahc correu para casa aos saltos de alegria (sem imaginar que se ele tivesse revelado o detalhe do estranho homem ter sido encontrado meio transtornado, estaria levando a esfinge para casa na hora).
***
Oito meses atrás.
“Eu estava realmente impressionado, não exageraram ao comparar aquelas tempestades de neve com as tempestades marinhas. Se não fosse pelas inúmeras camadas de roupa de pele, a capa de ramos de palha seca e pelo artefato semi-mágico de direcionamento, a bútula, ou seja lá como esse treco se chama, eu já estaria morto.
Também consegui racionar minha comida de forma eficiente (pelo menos até aquele momento) e eu já estava alcançando o centro dos Montes Kõrionenshõ. Uma coisa que eu notei era que quando mais se aproximava do centro daquelas montanhas, piores as tempestades ficavam.
Precisava descansar e acabei encontrando uma caverna, uma caverna que parecia brilhar.
Por todos os deuses, quem iria morar no meio de montanhas como aquelas? Encaminhei-me até a caverna na intenção de descobrir. Foi só colocar o pé para dentro dela e comecei a sentir calor, muito calor.
Comecei então a tirar aos poucos toda a minha proteção contra o frio ou eu morreria não por causa das tempestades, mas sim por causa daquele inferno de calor. E fui penetrando um pouco mais até que descobri não só o que era aquela luz como também a fonte daquele calor insuportável: rios de lava.
Ninguém iria acreditar em mim, por isso peguei algumas evidências definitivas de minha descoberta e resolvi explorar um pouco a caverna que logo percebi que na verdade eram várias. Antes tivesse ido embora naquela hora, comecei a ouvir estranhos barulhos de acordo penetrava as cavernas e foi quando eu vi, inúmeras criaturas demoníacas e assustadoras habitavam aquele lugar. Corri o mais rápido e despercebidamente possível para fora de lá. Estava com tanta pressa que nem vesti todas as peles que tinha comigo, e isso me custou caro. Mesmo tendo conseguido deixar aquelas montanhas e encontrar ajuda, não foi o bastante para continuar vivo tempo suficiente para avisar das criaturas.”
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.