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26. A mão da princesa

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-10-01 21:58:25

Apesar de contrariada, Jõo permitiu que Zula adquirisse conhecimento místico se assim ela desejasse, e claro, jurando incondicionalmente não mencionar nada sobre seu filho, uma vez que ela seria liberada de seu voto de silêncio, até que ela decidisse revelar para o mundo a verdade sobre o seu filho.

Zula não só prometeu manter o segredo, como também jurou que faria tudo o que estivesse em seu alcance não só para ajudar o príncipe, como também para garantir que ninguém mais tivesse que sofrer como a Rainha. Isso alegrou e confortou o coração de Jõo.

Zul e Zunol, assim que souberam que uma de suas irmãs havia sido convidada a se tornar uma maga, mais que depressa foram questionar sobre aquilo. Ficando tão perplexos quanto aos outros após descobrirem sobre seus antepassados.

Quando chegou a noite, Bara e Jõo repetiram a viagem aos sonhos de Nemuru. Conversaram sobre as descobertas feitas nesse dia; sobre o que Nemuru sentiu ao provar do elixir que o Rei lhe preparou; sobre a possibilidade cada vez maior de terem descoberto o esconderijo de Dark Yami que, enquanto estivessem dentro da segurança de Heiwa, não teriam como o confirmar com a praga... Enfim, conversaram sobre tudo o que podiam.

Encerrada a visita, as duas simplesmente decidiram que, depois de um dia turbulento como aquele, o melhor era elas descansarem mesmo (uma observação que Jõo fez com muito cuidado, foi que a suspeita dela sobre a relação dos dois lhe parecia cada vez mais verdadeira, e iria questionar a ama de Bara, para tentar descobrir se era a única a carregar tal suspeita).

Mahotsukai esperava que Dark Yami viesse tentar atravessar a barreira mais uma vez naquela noite, para atacar Nemuru. Mas não aconteceu. E ele não soube dizer se isso era bom ou ruim.

O dia amanheceu sereno e repleto de paz em toda Heiwa. Bara praticamente amanheceu ao lado de Nemuru, e sua companhia o fez despertar mais uma vez.

Talvez fosse porque o mago perverso não estava conseguindo alcança-lo, ou então porque Bara, junto do elixir que seu pai preparou, estavam reestabelecendo a força natural do rapaz, ou até mesmo a união desses dois fatores. Mas fosse qual fosse a razão, Nemuru pode permanecer mais tempo desperto. Ele até chegou a querer segurar o copo em lhe era servido o elixir! Mas, infelizmente, ainda se encontrava muito fraco para o conseguir sozinho. Nemuru teria uma loooonga reabilitação quando voltasse a conseguir se manter desperto.

Jõo e Acnarepse haviam assistido isso quase tudo juntas, e a Rainha aproveitou para deixar o quarto acompanhada da ama de Bara discretamente.

– Há algum problema majestade? – começava Acnarepse após as duas estarem em um local reservado.

– Me diga Acnarepse, Bara tem o hábito de lhe contar tudo o que se passa com ela?

– Quase sempre sim, mas, porque a pergunta?

– Bom, é que eu andei observando o comportamento que aqueles dois tem quando estão juntos, Bara e Nemuru...

Acnarepse logo compreendeu.

– A senhora também reparou, não é?...

– Corrija-me se eu estiver errada sobre o que eu vi, mas esses dois se apaixonaram, não foi?!

– Até se beijaram. – revelou Acnarepse em tom maternal, deixando a Rainha positivamente surpresa.

– Não creio... Acho melhor eu parar de acompanhar Bara nas visitas de sonho... Reparei que os dois parecem se segurar comigo por perto. – a ama acabou rindo com a observação da Rainha – Mas me diz: o Rei também está ciente disso ou é somente nós duas?

– Até onde sei, somos as únicas a sabê-lo. E não foi lá muito fácil fazer Bara se abrir comigo sobre esse assunto. Devia ter visto o quão vermelha ela ficou só de se recordar desse beijo.

– Me diga Acnarepse, já que a senhora é o que a princesa tem de mais próximo de uma mãe, acha que poderia ser uma boa ideia se Kyuden e Heiwa se tornassem um só reino?

– Acaso a senhora está sugerindo... – Acnarepse confirmou o redor das duas antes de continuar sussurrando – Um casamento?

– Se Bara e Nemuru estiverem de pleno acordo... Sim! – Acnarepse ficou pasma – Mas claro, tudo no seu devido tempo! Primeiro Nemuru tem que se recuperar plenamente e temos que dar um fim naquela praga que se recusou a ficar no inferno que é onde deveria estar.

– Majestade?! Não pensei que acreditasse na existência do inferno...!

– Digamos que eu tive um tratamento de choque em meu ceticismo. Com a cortesia da princesa de Heiwa!...

As duas acabaram por rir, e concordaram em aguardar um pouco para retomar o assunto junto ao Rei e aos príncipes.

Aos poucos, os nobres que haviam enviado mensagens avisando de que queriam conversar com o Rei, chegavam ao reino de Heiwa. Como Mahotsukai avisara a cada um que chegava que eles não haviam sido os únicos a lhe enviar um aviso de visitação, pedia-lhes que aguardassem a chegada de todos, para o caso deles carregarem dúvidas em comum. Alguns dos que apareceram aceitou de bom grado, já outros... Só não haviam falado o que queriam na hora porque o Rei disse estar ocupado com assuntos bastante delicados.

Passaram-se três dias assim. E os 10 rapazes que queriam conversar com o Rei finalmente tinham terminado de chegar em Heiwa. Alguns, enquanto aguardavam a chegada dos demais, tentavam se encontrar com Bara e conversar um pouco com ela, mas Bara, que se ocupava com Nemuru, não lhes dava muita atenção usando o concurso do enigma como desculpa. Enigma este que nenhum daqueles rapazes tinha resposta cabível.

No dia em que todos haviam terminado de chegar, Nemuru já começava a tentar ficar de pé. Com muito custo. Mas ele já conseguia se manter acordado quase o dia todo. Fornecendo a todos uma imensa alegria.

Mahotsukai ainda fez com que aqueles jovens, acompanhados de pelo menos um responsável legal e um servo cada um, esperasse uma semana para conversar com ele.

O Rei estava totalmente dedicado a ensinar Zula todo o básico do mundo místico, e ainda ensinou à ela um tipo especial de pacto, para que ele pudesse aprender um pouco sobre os segredos dos Zaharras, permitindo-o assim compreender muitas coisas que antes ele não conseguia assimilar.

No dia que antecipava a “conferência” do Rei com todos aqueles condes, duques, e até príncipes, Jõo ficou sozinha com seu filho no quarto. E quis aproveitar enquanto ele ainda estava acordado.

– Nemuru, meu tesouro... Se importa se eu lhe fizer algumas perguntas... Diferentes?

– Diferentes? Diferentes como, mãe? – apesar de toda a sua recuperação até aquele ponto, sua voz ainda era um pouco fraca.

– Sim. Errr... O quê... O quê você pensa sobre a princesa Bara?

– Como assim, mãe?

– Quero saber o quê você pensa sobre ela! A acha bonita... A acha boa ou ruim... Se a companhia dela lhe agrada ou não...

– Ela é a melhor coisa que poderia ter acontecido em minha vida. – declarou ele sorrindo, o que agradou muito à Jõo.

– Mesmo?! Ao ponto de você poder querê-la ao seu lado pelo resto da vida?!

Nemuru corou de cima a baixo com a ideia de ter Bara ao seu lado por todo esse tempo. Seria um paraíso para ele!

– A-a-a senhora está me perguntando isso por quê? – falou ele meio sem jeito.

– É que eu estava pensando... Depois que você tiver terminado de se recuperar totalmente; de nos livramos daquele desprezível que lhe deixou neste estado; e de eu revelar a todos que meu precioso filho nunca morreu. Bara poderia me ser uma ótima nora, não acha?

Nemuru que já estava vermelho com a ideia de ter Bara sempre ao seu lado, chegou a arder diante da sugestão de sua mãe! Sem mencionar o sorriso largo que ele não conseguiu esconder.

– Já vi que você concorda comigo... – declarou a Rainha também sorrindo – E então? Acha essa uma boa proposta a fornecer à princesa de Heiwa?

Amanhecido o dia, o dia de entregar a esfinge ao Adarahc estava cada vez mais perto, e como não chegava nenhuma resposta diferente da que ele havia dado: Montes Korionenshõ, a certeza de que este era o esconderijo de Dark Yami era cada vez maior.

Tanto que, um dos assuntos que fez Mahotsukai colocar os que o procurava em espera, era a pesquisa de meios de penetrar aqueles montes de forma segura para poderem enfrentar o inimigo.

Estando finalmente todos reunidos na Sala do conselho, Mahotsukai estava prestes a lhes questionar o que tanto desejavam (ao ponto de terem sido tão pacientes até aquele momento), quando Jõo bateu na porta.

– Desculpem. Majestade, se importa se eu participar de sua conferência? E que tenho um assunto a tratar com o senhor, se não se importa.

– À vontade Rainha Jõo! Assim que terminar com estes jovens, lhe serei todo ouvidos.

– Agradecida. – declarou Jõo já se sentando em uma cadeira, ignorando os olhares inconformados que vinham de alguns.

– Muito bem. Duque Anthony, você foi o primeiro a chegar neste castelo, então permitirei que seja o primeiro a falar.

– Eu lhe agradeço majestade. – falava ele se erguendo – O motivo de eu ter vindo para Heiwa, é que eu gostaria de estar pedindo a mão da princesa Bara. – Jõo o encarou quase com pavor – Gostaria que ela se tornasse minha esposa se o Rei puder me consentir esse pedido. – e quase todos os outros rapazes presentes o via como um inimigo.

Surpreso diante de tal pedido e, lembrando-se das historias que Jõo contara sobre alguns deles, resolveu perguntar:

– Há mais alguém cujo objetivo de estar em Heiwa ainda, seja a mão de minha filha?

Todos eles ergueram a mão, desagradando ainda mais a Rainha Jõo.

– Mahotsukai. Será que antes de continuar ouvindo estes senhores poderia me ceder dois minutos de prosa? – pediu a Rainha que recebia olhares desconfiados daqueles “meninos”.

– Não vejo problemas.

E a acompanhou até o fundo da sala, longe dos pretendentes, onde Jõo lhe sussurrava algo que fez o Rei ficar extremamente surpreso e sem saber direito o que fazer.

Após refletir alguns minutos, Mahotsukai retornou para junto de todos eles, acompanhado da Rainha, e começou.

– Senhores. Eu realmente não esperava que tantos jovens desejassem minha filha em casamento. E... Por causa disso, gostaria que me dessem um tempo para pensar. Sem mencionar que eu preciso consultar minha única filha antes de poder tomar uma decisão.

– Majestade, sem ofender... – declarava lord Kalel, aquele que menos tinha o apreço de Jõo A****n – Mas a princesa não precisa ser consultada em nada sobre esse assunto. O que o senhor decidir, é o que estará decido.

– Acontece que Bara é MINHA FILHA! – declarava o Rei claramente nervoso com a insinuação daquele insolente – Não irei prometê-la a alguém que a fará sofrer e nem que não cuidará direito deste reino. Ela é quem será a próxima a governar Heiwa, então meu caro, a menos que deseje ser excluído agora mesmo dessa lista de pretendentes... NUNCA MAIS! Se atreva a fazer tal argumento. Fui suficientemente claro para com todos?

Todos assentiram. Alguns temerosos, pois tinham pensamentos semelhantes ao de lord Kalel. E outros constrangidos diante de tal pensamento que ele apresentou.

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