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27. Como é?!

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-10-01 22:01:35

Mahotsukai conversou mais um pouco com Jõo sobre o que ela lhe contara em segredo de todos aqueles nobres, e sobre o que ela sabia sob a forma de pensamento boçal que alguns carregavam, assim como lord Kalel lhe mostrara.

Combinando entre os dois como fazer os planos de Jõo (que eram bem mais agradáveis ao Rei) darem certo no final das contas. Mahotsukai decidiu reunir todos no dia seguinte na sala do trono, para que juntos, todos ouvissem a opinião da princesa sobre aquele assunto... No mínimo delicado.

À tarde, enquanto Bara cuidava de Nemuru ao lado de Mom e alguns curandeiros do reino. Os Reis chamaram Acnarepse para lhe repassar o desejo de todos aqueles visitantes; o que eles planejavam para o futuro de Bara e Nemuru; e pedirem para que ela preparasse Bara para quando lhe fosse repassada a situação no dia seguinte.

Acnarepse não podia ter ficado mais consternada do que ficou ao saber da conferência que o Rei teve. E se colocou disposta como nunca para garantir a felicidade de sua menina.

Chegada a hora de se deitar (ou de viajar), Acnarepse aproveitou que a ajudava a se preparar e começou a questioná-la:

– Me diga minha querida... Você já pensou na possibilidade de se casar algum dia? – começou ela enquanto ajudava a trançar seus cabelos.

– Olha Ac, sei que nobres costumam casar cedo, mas ainda acho cedo demais para mim.

– Mas caso alguém viesse a lhe pedir a mão, você aceitaria?

– Acho... Que por enquanto... Só há uma pessoa da qual aceitaria tal pedido... – respondeu ela corada.

– Nemuru. Não é? – Bara apenas se encolheu um pouco extremamente vermelha, fazendo sua ama dar uma leve risada – Você nem consegue esconder, minha querida...

– Talvez... Mas... Acha que Jõo se importaria? Quero dizer, no caso de Nemuru vier a desejar isso.

– Depois de tudo o que você fez por ele?! Minha querida... Surpresa eu ficaria se ela dissesse “não” para esta união!

Bara acabou por rir. Como essa noite o céu estava totalmente nublado, impedindo-a de visitar Nemuru tendo lua ou não, ela se deitava para dormir de forma normal.

– Ah! Eu ia me esquecendo!

– O quê Ac?

– Amanhã o seu pai reunirá todos os que vieram conversar com ele na sala do trono, para ouvir sua opinião sobre o que eles estão pedindo para ele. Por isso não vai poder ir direto até Nemuru como tem feito nesses últimos dias.

– Está certo Ac. Amanhã, após o café-da-manhã, irei para a sala do trono falar com todos eles.

– E tome cuidado! Alguns daqueles rapazes são tão inofensivos quanto uma serpente do deserto!

– Tudo bem Ac... – Bara ria – Eu tomarei cuidado.

Ao mesmo tempo em que Acnarepse preparava Bara, Jõo alertava Nemuru. A noticia de que ele poderia ter 10 rivais e, que alguns deles podiam ser considerados animais por conta da inteligência curta que eles apresentavam, serviu como um tipo de impulso para que Nemuru se recuperasse ainda mais depressa.

Chegou a pedir à sua mãe que lhe permitisse fazer o máximo de exercícios possíveis para que ele pudesse se locomover ainda mais depressa sem o auxilio de uma bengala por exemplo.

A determinação apresentada por seu filho deixou Jõo orgulhosa. E como nem ela e nem o Rei haviam conseguido pensar em uma maneira de reduzir o número de pretendestes ainda... Não hesitou em questionar Zula e Mahotsukai se eles sabiam ou descobriram formas de assistir Nemuru com sua decisão. E Zula tinha algumas ideias...

Zula que descobrira o encantamento de transferência de vitalidade, o Ömür uurdoo, percebera que havia uma forma fácil e segura de usá-lo em beneficio de Nemuru. Sem esquecer que, quando a transferência era feita de boa vontade, desde que fosse bem pouco, não havia riscos de ninguém acabar como Nemuru havia terminado quando Dark Yami começou a lhe atacar.

Todos, Rainha Jõo e os Soamri, abriram mão de uma pequena dose de suas energias (fazendo cada um sentir-se faminto no final) para que Nemuru pudesse se reestabelecer um pouco mais depressa. E funcionou. Graças a essa doação, o príncipe já conseguia se equilibrar melhor e se mover com mais firmeza.

Mahotsukai supervisionou tudo para ter certeza de que nada daria errado, e ficou impressionado no quão boa Zula iria conseguir se tornar em tão pouco tempo. E Jõo não podia se sentir mais agradecida por estar vendo seu filho cada vez melhor.

Retornada a aurora, Bara não perdeu tempo em se arrumar e preparar-se para a reunião que sua ama avisara. Sem esquecer que estava quase dando o dia de entregar a esfinge – “Tomara mesmo que Adarahc nos tenha dado a resposta correta...” – Pensava ela ao terminar de se vestir.

Chegada na mesa, alguns dos rapazes (e seus pretendentes) já estavam sentados comendo. Ela retribuiu o bom dia recebido deles, mas continuou não lhes dando muita atenção. Além de ainda desconhecer o verdadeiro interesse de cada um deles para com sua pessoa, nenhum dos que lhe fazia companhia tinha qualquer chance para com ela. Seu coração já pertencia à Nemuru...

Quando todos finalmente se reuniram na sala do trono, Bara não perdeu muito tempo.

– E então meu pai, sobre que assunto o senhor deseja a minha opinião em relação a todos estes cavalheiros? – perguntou ela em um cálido sorriso.

O Rei suspirou antes de começar.

– Bem minha filha, a razão de precisarmos de sua opinião é a seguinte: O que todos esses jovens me desejam, é que eu lhes ceda a sua mão em casamento. – o sorriso de Bara desapareceu – E como eles são muitos, me senti obrigado a questioná-la sobre isso também.

Bara que não gostou nem um pouco do que ouvia, recordando a conversa que tivera com sua ama ontem à noite, começou a observar cada um daqueles rapazes. Reparando olhares nojentos vindos de alguns deles, a irritando ainda mais.

– Meu pai, sinto-lhe dizer que não vejo em nenhum deles um varão digno de minha mão. Na verdade, há alguns que me faz querer distância! Os senhores que me perdoem, mas perderam seus tempos ao virem para Heiwa na intenção de efetuar tal pedido. – e virou as costas para se retirar da sala.

Um dos rapazes, um príncipe que fazia parte da lista negra de Jõo A****n, não gostou nem da resposta e nem da atitude de Bara, e lhe segurou um dos braços para impedi-la de sair. Ao ter seu braço agarrado, Bara o encarou com tanta frieza, desprezo e indiferença, que fez a espinha do príncipe gelar.

– Me solte. – ordenou ela nem reconhecendo a si mesma de tão dura que saiu sua voz.

O príncipe a soltou assustado. Não sendo o único a ficar com um pé atrás em relação à fúria de Bara. Até Mahotsukai ficou boquiaberto com aquela Bara totalmente desconhecida por ele.

Acnarepse a aguardava do lado de fora, aflita. E quando viu Bara saindo, tentou conversar com ela, mas Bara deixou claro que queria ficar um pouco sozinha, e por isso foi para os jardins tentar se acalmar.

Nemuru ficou concentrado em sua recuperação durante a noite toda. Graças à ideia de Zula, ele se sentia desperto como nunca! Passou a noite fazendo movimentos fisioterápicos para remover de vez a atrofiação de seus músculos, e voltar a andar de forma correta.

Quando o dia chegou, ele escondeu o fato de que passara a noite em claro. Tomou o café da manhã que lhe foi trago, junto de mais uma dose do elixir que lhe ajudava tanto. Estranhou Bara não ter aparecido, mas logo se recordou da “reunião” que sua mãe lhe avisou.

Ele estava preocupado com a possível reação de Bara, tinha medo que ela ficasse magoada e, por conta disso, não quisesse vê-lo. Quando Acnarepse apareceu para que a serva presente pudesse ir embora e Nemuru não ficasse sozinho até a chegada de Mom, ele aproveitou para saber da princesa, e quando soube que ela resolveu isolar-se para tentar reaver a calma... Mais que imediatamente ele quis ir até ela para consola-la. Assim como tantas vezes ela fez com ele.

Acnarepse não tinha certeza se podia deixa-lo sair, mas assim que Mom chegou, e percebendo as duas todo o ânimo que Nemuru demonstrava, concordaram entre si que deixa-lo caminhar pelos jardins poderia lhe fazer bem.

Acnarepse o acompanhou devagar, e Mom ficou para o caso de Jõo aparecer e querer com certeza saber do posicionamento de seu filho.

Nemuru seguia Acnarepse satisfeito por finalmente poder voltar a caminhar no mundo real. Sua felicidade por poder voltar a fazer uma ação tão simples só não era maior porque pensava em Bara.

Alcançando finalmente os jardins, Nemuru teve de parar para descansar um pouco. Enquanto ele repousava sobre um banco, Acnarepse foi confirmar onde exatamente Bara recuperava a serenidade.

Não deu nem dez minutos do afastamento de Acnarepse e Nemuru começou a ouvir uma criança que parecia em apuros.

– Me devolve seu moço... Por favor!...

Era a voz de uma menininha, e ele viu que ela implorava pela devolução de uma boneca que um rapaz fazia questão de segurá-la bem no alto.

– Se a deseja tanto salte e pegue-a! Nanica! – ordenava ele às gargalhadas.

– Devolve... Ela é um presente que eu ganhei da mamãe! A princesa vai ficar super brava com o senhor.

– Rá! Agora que eu não devolvo mesmo! E sobre a princesa, eu ainda irei tê-la como esposa! Guarde minhas palavras.

Então era isso. Aquele estupido era um dos pretendentes. E com certeza, um dos piores. Nemuru então decidiu intervir.

– Agindo desse jeito é que você não irá conseguir. – declarou Nemuru que assustou o rapaz.

– E quem você pensa que é rapaz? Tem ideia de quem eu sou?

– Você eu não sei, mas eu sou um... amigo, muito próximo da princesa, e que sabe que se ela descobrir o que você está fazendo com essa menininha, é capaz dela exigir sua retirada deste reino ao Rei.

– Até parece. Mulher deve apenas obedecer e pronto! E ela vai ser minha. – Nemuru sentiu ânsia.

– Pois aposta quanto que o senhor não amanhecerá em Heiwa amanhã?

– E o quê um aleijado como você poderia oferecer? Sem falar... – ele sorria maldoso – Que eu já ganhei essa aposta. – terminou ele de dizer jogando a boneca no chão e pisando nela ao deixa-los.

Nemuru, após respirar fundo, se aproximou da menininha que recolhia sua boneca chorando. Nemuru tentava consola-la no banco que antes ocupava, quando Acnarepse apareceu com a localização exata de Bara. Ele e Lizia foram juntos ao encontro da princesa.

– Recuso-me! Recuso-me permanentemente a ser desposada por qualquer um deles!

Bara ainda estava nervosa com aquela historia. O único que ela conseguia imaginar vivendo ao seu lado era Nemuru. E o comportamento de alguns deles a fazia pensar em qualquer forma plausível de “elimina-los” da lista de pretendentes que tinha agora.

– Bara? – Bara se assustou ao ouvir Nemuru, e secou todas as lágrimas iradas assim que o viu – Se importa se conversarmos um pouco?

– Não. Quero disser... Hein! Você já está caminhando?! – surpreendeu-se ela ao finalmente perceber.

– Só estou começando... – sorria ele – Lizia! Você não vem?

Bara reparou na menininha tímida que Nemuru chamava e também chamou-a para conversarem. Lizia lhe falou sobre a maldade sofrida que só acabou graças à Nemuru e, enquanto a ouvia, algumas lembranças lhe deu uma ideia para conseguir se ver livre de alguns dos pretendentes.

– Lizia, você me ajuda a castigar o homem que foi mau com você? – Lizia assentiu determinada – Ótimo. Nemuru, venha junto, sim?

– Será um prazer ajuda-la.

Com um sorriso em cada um, Bara pediu para que todos que haviam se reunido na sala do trono mais cedo retornassem para lá.

Mahotsukai, ao vê-la acompanhada de Nemuru e da menininha, logo percebeu que ela havia encontrado uma forma de reduzir o número de “hospedes”. Quando todos estavam finalmente reunidos (com o causador daquela reunião suando frio ao reconhecer a criança), Bara começou a falar:

– Meu pai, o senhor se lembra daquele encantamento que usava comigo sempre que eu não conseguia lhe explicar algo que lhe desejava contar?

– Mas é claro que sim, minha filha.

– Maravilha! Pode utiliza-lo nesta menininha, por favor?

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