FAZER LOGINO Rei pediu que lhe fosse trago uma grande bola de cristal. Seja lá o que fosse que Bara desejava lhe mostrar, era algo que seria de interesse de todos os presentes.
Zula (que ficou surpresa e feliz por reconhecer Nemuru, de pé, ao lado da princesa) ajudava com a carregar da esfera. E o Rei aproveitou para explicar-lhe o que seria feito com ela, pois aquela técnica em especial podia ser útil para ela em algum momento.
Com tudo preparado. Mahotsukai se aproximou da menininha:
– Me diga pequena, como você se chama?
– Lizia, senhor Rei. – respondeu a pequena.
– Muito bem Lizia, pode por favor tocar com as duas mãozinhas nessa grande bola, pensando em tudo o que deseja nos contar, e só retirar suas mãozinhas dela quando tudo acabar?
– Posso! – declarou a pequena determinada, já confiando o brinquedo à Bara e se apresando a tocar na bola cristalina.
Mahotsukai apoiou uma das mãos sobre a cabeça da pequena e pronunciou algo com os olhos fechados citando o nome de Lizia em um determinado ponto. Anunciado o encantamento, uma... “versão fantasma” da esfera, que era de 20 à 30 vezes maior do quê a que Lizia segurava, surgiu acima da esfera original. E, dentro dessa esfera gigante, era possível ver e ouvir tudo o que havia acontecido com a pequena alguns momentos atrás.
O tomar de sua boneca por um dos nobres; a defesa que Nemuru lhe fez, e a aposta quase efetuada entre os rapazes. Acabada a visão mostrando o que aquele... crápula! Havia feito antes de deixar Lizia sozinha com Nemuru, com ele pisando na boneca. Lizia afastou-se da pequena esfera, sumindo com a imensa, e correu até Bara para reaver seu brinquedo precioso com algumas lágrimas.
– Muito bem meu pai. – Bara cortava o silêncio criado pelas cenas assistidas – Era isso que lhe desejava mostrar, e confesso que foi pior do que me disseram. Mas indo direto para o que eu desejo questionar: Quem para o senhor, seria o verdadeiro vencedor dessa aposta que quase foi feita?
O Rei, estava fervendo de raiva pelo o que vira e ouvira naquelas cenas horrorosas, mas seu rosto estava neutro. Mahotsukai encaminhou-se até o trono devagar, com alguns servos recolhendo a esfera utilizada sem precisarem ser ordenados, e se sentou no trono em posição de juiz.
– Marquês Wolfran. – ele anunciava o nome do apresentado nas imagens – O senhor tem uma, hora, para já ter terminado de atravessar os portões de meu reino.
– Como?! – questionou ele exaltado.
– O que ouviu! Quem não é capaz de dar ao maior tesouro deste reino, a princesa Bara, todo o carinho e respeito do qual ela é digna; muito menos será capaz de fazer isto ao meu povo. O senhor, marquês Wolfran, acabou de se revelar indigno não só de minha filha, como de minha coroa.
– Mas majest...
– Apresse-se! – cortou o Rei o marquês – O tempo gasto normalmente entre o castelo e os portões é de pelo menos uma hora e meia. Se deseja cumprir minha ordem com as suas próprias pernas, é melhor correr.
Mahotsukai deu um sinal de cabeça para alguns guardas que estavam presentes e os mesmos acompanharam o marquês que disparou para recolher os seus pertences e fugir de Heiwa. Apavorado com a ideia de ter que voltar para casa sob a forma de alguma criatura repugnante caso as coisas que ouvira falar do Rei-Mago fossem mesmo verdade.
Os demais pretendentes, chocados com o que viram e ouviram, não deixaram o local. E Bara aproveitou para “dar um recado” à todos eles.
– Quero deixar algo bem claro para aqueles que desejam desposar-me... Quem maltrata o meu povo, é a mim que estará maltratando. E espero que vocês fiquem bem conscientes disso!
– E há mais! – lhe completava o Rei ainda em pose de juiz – No caso de haver entre vocês mais alguém com raciocínio semelhante ao do marquês... – ele encarava lord Kalel – Sugiro que desista agora da mão de minha filha, pois, se eu souber... Que algo semelhante ao o que aconteceu com aquela pequena foi efetuado por um de vocês... Não terão a mesma clemencia que tive para com o marquês.
Alguns dos rapazes engoliam seco. Mahotsukai dispensou os pretendentes da sala e chamou os três, Bara, Nemuru e Lizia para junto dele.
– Sinto muito Lizia, pelo o quê o marquês fez com você. – se desculpava o Rei para a pequena que tomava em seu colo.
– Está tudo bem senhor Rei. O moço e a princesa me ajudaram, e o senhor colocou aquele malvado pra correr daqui.
– Sim, é verdade... – comentava Nemuru – E a senhorita nos ajudou a reduzirmos os nossos problemas.
– Verdade!? – sorria a menina – Então o quê minha mãe sempre diz: “às vezes o mal vem para o bem” é mesmo certo?!
– Sim Lizia! – falava Bara com todos sorrindo – Às vezes coisas ruins nos ajudam a obter coisas boas.
– Que bom que consegui ajudar então! – declarava a pequena toda feliz – Mas acho que é melhor voltar agora, ou a mamãe vai me procurar.
– Mas é claro. Você! – falava o Rei, chamando um dos servos – Acompanhe por favor essa pequena até sua mãe. Explique tudo quando encontra-la e agradeça-a pela educação dada a esta pequena.
– Como vossa majestade desejar. – respondeu o servo sorrindo e já pegando na mão da criança. Deixando a sala juntos.
– Muito obrigado rapaz. – dizia o Rei se erguendo do trono – Graças a você podemos estar nos vendo livres de bem mais de um hóspede indesejado.
– Espero que esteja certo. – respondeu Nemuru já um pouco cansado de se manter em pé.
– Para estar andando por aí, você deve estar mesmo melhorando, mas vejo que ainda é cedo para perambular por todo o castelo.
Um riso constrangido escapou do príncipe.
– Quando o senhor menos esperar, já estarei correndo tão rápido quanto o marquês deve estar agora.
Todos riram por alguns segundos. Bara acompanhou Nemuru até o quarto novamente para que ele pudesse descansar melhor, com Jõo os encontrando no meio do caminho ao saber através de Zula onde que seu filho vagava já que não o encontrou nos jardins.
Juntos, Bara e Nemuru repassaram para o Jõo tudo o que havia acontecido. A Rainha ficou furiosa em saber que seu filho havia sido chamado de aleijado, mas ficou satisfeita em saber que o mesmo já havia sido expulso do reino (desejando que o resto da corja o acompanhasse).
O marquês atravessou os portões de Heiwa faltando apenas alguns segundos para acabar o tempo que lhe foi dado. Recebendo inúmeras broncas do responsável que o acompanhava.
O dia seguia. Os pretendentes de Bara, recordando a fúria que ela apresentou ao saber da intenção de todos eles, tiveram o bom censo de não incomodar a princesa.
No almoço, alguns dos rapazes (incluindo lord Kalel) se encontravam ausentes na mesa. Questionado sobre o não comparecimento deles à refeição, os que estavam sentados ficaram informados que eles haviam “sumido”. Kalel e mais alguns perceberam que era muito mais sensato abrir mão de Bara a continuar com aquela “competição”.
Até o terminar daquele dia, os pretendentes que antes eram 10, agora passaram a ser 6.
Essa seria uma noite de pouco luar, e também a primeira noite de quase total invisibilidade de Bara na Transição do Luar. Mas nem por isso ela ia deixar de visitar Nemuru em seu mundo de sonhos.
Não foi fácil conseguir convencer Nemuru a querer dormir. Mesmo com ele estando claramente exausto. Porém acabou cedendo ao ouvir de todos, mas de todos mesmo, que se ele não descanse não poderia se recuperar corretamente. E esse risco ele não iria correr!
Quando Bara alcançou o mundo de Nemuru, ficou espantada por se ver nos jardins do castelo de Heiwa, ao invés dos jardins palacianos de Kyuden.
– Espero que não se importe princesa. – sobressaltou-se Bara ao se virar e encontrar Nemuro (agora com sua aparência física verdadeira) – Mas eu quis aproveitar um pouco mais os seus jardins com vossa companhia. – terminou de declarar ele em meio a uma mesura.
– Hora essa! – ela ria – Seria-me um imenso prazer atender-lhe tal vontade. – respondeu ela devolvendo a reverência.
Ambos riram e começaram a conversar despreocupados. Passeavam pelas flores, arvores e arbustos tranquilamente e de “mãos dadas”. Conversavam apenas sobre coisas agradáveis, pois aquele era o momento só deles.
Chegando a hora de Bara descansar de verdade, deixando o mundo de Nemuru. Eles se despediram meio tristes por não poderem se tocar de verdade dentro daquele mundo.
Ficado sozinho, Nemuru suspirava tentando encontrar uma forma de ajudar Bara a se livrar dos outros seis que haviam permanecido em Heiwa.
Ele estava quase deixando de verdade seu mundo de sonhos, para o total e profundo descanso, quando uma voz acabou por impedi-lo.
– Saudações jovem príncipe!
Nemuru praticamente pulou de onde estava para encontrar o dono da voz meio infantil.
– Por favor, não se exalte! Ou meu mestre me descobrirá!
– Quem é? De que mestre está falando? – perguntava Nemuru não gostando nem um pouco daquilo.
– Estou aqui! – declarava um homenzinho encapuzado, saindo de trás de um dos arbustos floridos – E quanto ao meu mestre... – ele suspirava – É o senhor Dark Yami...
– Você é servo daquele demônio?!
– Shiiii!!! Por favor não se exalte! – implorava o homenzinho – Se meu mestre descobre que eu consegui alcançar vossa alteza... Ai. Tremo só de imaginar!
Nemuru se sentiu confuso e questionou:
– Você está me dizendo, que aquele mago não sabe que você está aqui?
– A barreira que envolve Heiwa é poderosa. E meu mestre está furioso porque perdeu sua fonte de poder para continuar construindo o seu exército. E o pior, é que eu é que sou o responsável pelo acompanhamento de seu desenvolvimento. Não consigo ficar nem a dez passos de qualquer uma daquelas criaturas sem estar cercado de um bom campo de força!
– Eu... Eu não entendo. Qual é o seu objetivo de verdade? – Nemuru estava intrigado com aquele ser – E é impressão minha ou você não gosta de servir aquele homem?
– Sinceramente, eu nem esperava conseguir encontra-lo no lugar de meu mestre. Meu objetivo é alerta-lo contra ele que, como eu já disse, está furioso com os A****n e os Kuroshy. E sua alteza tem razão, devia ter escolhido a miséria em que eu vivia à aceitar servir aquele homem frio.
– O quão furioso ele está? – Nemuru aproveitava para obter respostas.
– O suficiente para aconselha-lo a não deixar Heiwa sem estar em plenas condições de defender-se dele.
– Entendo. E o seu exército guardado em Korionenshõ é muito grande?
– Como descobriu nosso esconderijo?! – perguntava o homenzinho atônito.
“Então aqueles montes são realmente a resposta certa.” – pensava Nemuru satisfeito em conseguir uma confirmação.
– Tive aulas de geografia com minha mãe. Pretende revelar isto ao seu mestre? E sobre esse exército? Pode me dizer alguma coisa?
– Aumentar ainda mais a fúria dele?! Céus! Não! Prefiro guardar isso para mim. – Nemuru começava a simpatizar com ele – E quanto ao exército, posso adiantá-lo que agora se compara a um de 1700 homens.
– De quantos?! – se assustava Nemuru, fazendo com que o homenzinho implora-se outra vez por sua calma. – “Os Reis precisam saber disso e depressa!” – pensava ele.
– Eu preciso ir agora. Não pergunto como vossa alteza se encontra de saúde para não ser forçado a revela-lo, caso meu mestre me descubra... Já cumpri meu objetivo, o de alertá-lo. E repito: Não deixe a proteção de Heiwa sem estar preparado. Adeus príncipe.
E o homenzinho sumiu de forma parecida ao mestre dele. Nemuru desejava com urgência repassar suas descobertas, mas estava tão cansado, física e agora mentalmente também, que acabou apagando contra a vontade.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.