LOGINAmanhecido mais um dia. Assim que Nemuru abriu seus olhos, ele foi logo pedindo que o Rei fosse chamado urgente até ele. E a Rainha Jõo também, uma vez que quem lhe zelava naquele momento não era a Mom ou algum de seus filhos.
Assim que esse pedido chegou aos ouvidos de Mahotsukai que, por ventura estava acompanhado de Jõo, os dois dispararam até o encontro do rapaz.
– O que aconteceu Nemuru? Que urgência é essa para ter que nos chamar tão cedo assim? – perguntava o Rei após entrar no quarto.
– Pensei que algo de ruim estivesse lhe acontecendo! – declarou Jõo meio aflita, conferindo o filho.
– Eu estou bem. – declarava Nemuru – Mas sugiro que os dois se sentem! E assim que eu terminar de contar, irão entender porque é uma urgência.
Receosos, os Reis se sentaram. Nemuru começou a contar sobre o seu encontro de sonho para eles, sem esconder um detalhe do que tinha acontecido quando aquele servo de Dark Yami apareceu.
Os dois ficaram bastante preocupados. Ao mesmo tempo em que se animavam por conseguirem comprovar o esconderijo do inimigo, eles tinham que elaborar depressa uma forma de derrota-lo com a maior garantia possível. Sem esquecer, que se aquele homenzinho havia encontrado uma forma de penetrar em Heiwa sem ser impedido ou mesmo percebido pela barreira, talvez, o Dark Yami poderia encontrar um meio também.
Jõo não sabia se era realmente sensato confiar naquele servo que visitou Nemuru, mas Mahotsukai lhe afirmou que, graças às pesquisas que fazia junto de Zula, estava comprovado que é impossível mentir sobre as emoções dentro do mundo dos sonhos. Então, o comportamento do pequeno homem que Nemuru descreveu, era honesto. E reforçando o detalhe que se ele realmente não tivesse boas intenções, ele não teria conseguido alcançar Nemuru.
– O senhor pode me querer dar toda a garantia do mundo, mas ainda temos problemas graves a resolver! Como se já não bastasse a dor de cabeça que são esses pretendentes!... – declarava Jõo, servindo do elixir para seu filho.
– Não vou lhe negar, Jõo. – concordava o Rei – Zula e eu estamos conferindo a possibilidade da existência de algum tipo de amuleto ou coisa parecida que nos permita proteger os sonhos do rapaz. E graças às informações que ele conseguiu obter, já temos algo mais sólido com que trabalhar.
– Lembro da historia que Bara me contou, pela qual descobriu o Dark Yami – comentava Nemuru – Não seria melhor avisarmos os outros dois reinos que ele quer atacar? Oilixua e Megaroc?
– Meu filho tem razão. Não podemos negar à eles o alerta do perigo que todos nós corremos.
– Sei onde deseja chegar Rainha Jõo. Eu estava aguardando conseguir provas sobre a localização de Dark Yami para poder contata-los, pois, se formos nós os primeiros a atacar, precisamos estar preparados para o território inimigo.
– Verdade... E eu posso m****r um dos meus para alertar Montemor e ele já começar a preparar nossos combatentes. – refletia a Rainha.
– Faça isso. – aprovava o Rei – E eu vou já enviar o alerta para os nossos aliados. Err... Tenho seu consentimento em falar de seu filho, Jõo?
– É melhor sim. Diante das circunstâncias, eles podem ficar sabendo a verdade sobre meu filho antes de todo mundo.
– Agradeço-lhe. E sinto muito por não ser possível aguardarmos os 18 anos de Nemuru para revelar isto à eles. – Jõo apenas deu um sorriso triste.
– E quanto a mim!... – intervia Nemuru – Não só me dedicarei como nunca em me recuperar, como também farei de tudo para poder me defender sem problemas daquele parasita. – declarou ele já se erguendo para fazer os seus exercícios.
– Isso é realmente muito bom. – falava o Rei satisfeito – Você sim me seria um ótimo genro, rapaz.
A Rainha riu. Enquanto Nemuru ficou sem jeito com a aprovação recebida de Mahotsukai.
O Rei foi até Zula e repassou a ela o que acontecera. Pediu para que ela se concentrasse nas pesquisas sobre a defesa dos sonhos e ocupou-se em escrever a mensagens para os Reis de Oilixua e Megaroc.
Jõo deixou os cuidados de seu filho nas mãos de Bara, que tinha chegado quase no mesmo momento em que o Rei deixara o quarto, e foi atrás de Zuline para que ela ficasse responsável de levar a mensagem até Kyuden. Zuline partiu logo depois do almoço, determinada a alcançar Kyuden antes do ressurgir da aurora, com a ajuda de Flamejante.
– Isso é mesmo sério?! Aquele monstro tem tanto poder assim?!
– Aparentemente sim. Por isso tenho pressa em me recuperar, não quero de forma alguma que eu ou qualquer outra pessoa, venha a se tornar vítima daquele ser.
Nos jardins, após Nemuru ter convencido Bara a caminharem por eles para forçar sua recuperação, ele repassou para ela a segunda visita que recebera, assim como fez com os Reis.
– Pode me descrever novamente como é que era esse servo?
– Mais ou menos metade de seu tamanho. Lembrando uma criança de uns oito ou dez anos. Usava capa e capuz lhe ocultando por inteiro. E que aparentemente, se encontra a serviço daquele demônio por falta de escolha quando o conheceu.
– Queria poder trocar algumas palavras com ele... Mas não tenho certeza se seria seguro.
– Você estará invisível a partir de hoje, quem sabe ele não acaba aparecendo outra vez! Se isso acontecer poderá vê-lo!
– Sim, é verdade. Mas me diz: quando que todo mundo poderá conhecer o segredo da Rainha Jõo? – Bara mudava de assunto.
– No meu aniversário. Ele ocorrerá daqui mais ou menos três meses. Até lá... Espero estar bem forte e saudável. Além de já estarmos livres de todo esses problemas, é claro!
– E estaremos Nemuru... Nós estaremos... – declarou ela com um sorriso sonhador.
Logo chegou o dia de entregar a esfinge. Ninguém além de Adarahc havia conseguido encontrar uma resposta, mas, depois da confirmação que Nemuru conseguiu adquirir, Bara aguardou os dias restantes apenas por cortesia.
A criança, que recebeu a estátua junto de seus pais, foi alvo de inveja dos pretendentes ainda presentes em Heiwa. Isso porque Bara presenteou o menino com um grande e amoroso beijo em suas bochechas, deixando Adarahc todo feliz e sem jeito. E seus pais orgulhosos.
Se Nemuru já tivesse total controle de seu corpo, como bônus, ele teria dado um forte e merecido abraço naquele garoto de tão agradecido que estava por aquela senhora ajuda.
No castelo, os nobres que tentavam ter algum tempo ao lado da princesa, sempre acabavam dispensados por causa de Nemuru. E isso os desagradavam e muito. Tanto que, sempre que conseguiam encontra-lo desacompanhado da princesa (tomando o devido cuidado para não evocarem o desagrado dela), lhe questionavam quem ele era de verdade e porque ela lhe dava tanta atenção daquele jeito.
Nemuru que havia reconhecido a inveja que eles tinham (e isso porque eles nem “sonhavam” que eles estavam juntos) sempre lhes dava a mesma resposta:
– Somos amigos muuuito íntimos. E temos um certo problema em comum. Agora se me dão licença, preciso me ocupar em minha recuperação.
E os deixava se corroendo por dentro enquanto trabalhava com seu corpo.
Assim que a mensagem de Heiwa alcançou os reinos de Megaroc e Oilixua, os próprios governantes dos mesmos dispararam em direção de Heiwa para confirmar o alerta da ameaça. Hilfe Bolsatels, Rei de Oilixua e Keberanian Minorette, Rainha de Megaroc, chegaram bem dizer juntos, e à noite, em Heiwa.
Como os responsáveis pela guarda noturna dos portões já estavam cientes que aqueles Reis eram aguardados, e que havia uma grande chance deles chegarem àquela hora. Não tiveram dificuldades em lhes permitirem a entrada e guia-los discretamente até o Rei-Mago. Os quatro governantes se reuniram secretamente ainda nessa noite.
– Você não devia ter feito isso com seu filho Jõo. – reclamava a Keberanian – Se tivesse pedido ajuda para descobrir o mau que recaia nele ao invés de fazer tudo sozinha, muito provavelmente este problema já estaria resolvido há tempos!
– Kebera... Você ainda é jovem! Sei que só faz dois anos que assumiu o lugar de seu pai e ainda não conheceu a maternidade, mas a decisão que ela tomou, em prol de seu reino, não foi tão ruim.
– Agradeço pela sua defesa, Rei Hilfe.
– Mas eu estou realmente surpreso por... Dark Yami. Não ser mesmo uma historia para assustar crianças, como minha mãe me fazia acreditar...
– Entendo o que quer dizer Hilfe, meu caro. – cortava Mahotsukai – Mas era importante deixa-los a par disso, assim que alcançamos provas concretas.
– Se eu não tivesse aprendido a respeitar o mundo da magia desde cedo, iria achar isso tudo um grande disparate! – declarava Keberanian cada vez mais inconformada.
– Sei muito bem o que está dizendo... – declarava Jõo em meio a um suspiro – Se não fosse pela princesa Bara, eu ainda estaria penando para descobrir a cura pro meu filho, e aquele monstro continuaria se fortalecendo.
– Soube que um homem conseguiu atravessar aqueles montes com vida uma vez... E que ele só morreu porque não estava usando tudo o que levara para este desafio. Posso procurar descobrir o que ele tinha para assim sabermos o que preparar para nosso ataque.
– Isso sem dúvida seria uma grande ajuda! – declarava Hilfe.
– E assim que o descobrir, pode estar enviando mensageiros para poder compartilhar a informação, Kebera. – se animava Jõo com todos concordando com a ideia.
– Mahotsukai. – era Keberanian mais uma vez – Espero que o senhor possa me manter informada sobre tudo no que se refere a este ser enquanto preparo minha milícia para enfrenta-lo. Trouxe até mesmo um par de esferas de kyanita para comunicação. Elas vão servir, não vão?
– Serão perfeitas para lhe informar qualquer coisa que seja de forma imediata. – lhe confirmava Mahotsukai já recebendo uma das esferas, do tamanho de uvas, presa em um anel.
– Bem, eu também vou retornar a Oilixua para me preparar, mas apesar de ser mais demorado, eu prefiro receber noticias por meio de um mensageiro. Assim como fui avisado daquele bicho-papão.
– Não devemos subestimar aquela praga. – apontava Jõo – Foi culpa do meu ceticismo ele estar tão forte agora.
– Verdade. Agora Rei-Mago, tenho de me apresar tanto quanto o fiz para lhe ver, como para chegar em Megaroc. Já estamos previamente acordados sobre o que fazer com este assunto, e espero que Nemuru consiga terminar logo de se recuperar. Quando chegar o aniversário dele, vou rir até sentir dor por cauda das caras dos nobres ao saberem que ele estava vivo todo esse tempo. – Keberanian não foi a única a rir ao imaginar a cena.
– Muito bem majestades, é hora de nos despedirmos por enquanto. – concluía Mahotsukai aquela reunião – Deixei ordenado que tudo estivesse preparado caso os senhores decidissem retornar ainda essa noite para os seus respectivos reinos. Rezemos para que a vitória se mantenha nossa amiga.
– E que o mal caia por terra, que é o correto de se acontecer. – complementava Hilfe a fala do Rei de Heiwa.
Concluídas as despedidas, os portões de Heiwa foram abertos mais uma vez em segredo. Mas Dark Yami, mesmo não tendo o conhecimento desse encontro, não se encontrava parado...
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.