LOGIN– E então teu incompetente, conseguistes penetrar nos sonhos do príncipe?
– Ainda não meu senhor. – mentia o homenzinho para Dark Yami. – E não me sinto bem nessas tentativas.
– Não te sentes bem por culpa da barreira. E ai de tu se estiveres a me enganar!
– Estou dando o meu melhor senhor... Mas tudo que encontro é um espaço vazio e escuro.
– Se continuares a não conseguir o que desejo, vais acabar por virar refeição de Askherone!
– Oh não meu senhor! Tudo menos isso! – implorava o servo desesperado.
– Tentarás pela última vez amanhã, e se não conseguir-te... Terei de procurar um novo servo! Agora SAIAS!
E o pequeno ser saiu às presas do local que compartilhava com seu mestre.
“Agora não tem jeito...” – lamentava ele consigo – “Não posso mais continuar enganando o mestre! Terei que permitir que ele veja a princesinha...” – choramingava ele que tencionava proteger aquele casal.
Muitos dias se passaram desde a reunião secreta dos Reis. Os seis candidatos restantes ainda não tinham desistido da Bara. Nemuru não só concluíra sua fisioterapia, como já começava a aprender a se defender nos campos de treinamento de Heiwa também.
Zula, após muitas pesquisas relacionadas aos zaharras, conseguiu descobrir uma forma de impedir em 100% a invasão de Dark Yami aos sonhos de qualquer um. Era um amuleto especial que ela só iria conseguir terminar no dia seguinte. Mesmo com a ajuda do Rei e de seus melhores místicos.
Quando Nemuru não estava treinando com os Soamri e os guardas do castelo, Bara e Jõo o ajudavam com o ler e escrever. As aulas que Jõo lhe dera enquanto ainda estava “inconsciente”, auxiliaram muito em seu desenvolvimento. Ao ponto de conseguir ganhar um pouco da admiração dos pretendentes que insistiam em cortejar Bara.
Essa seria a quarta noite de lua crescente, ou seja, Bara iria poder tocar aquele homenzinho que às vezes visitava Nemuru nos sonhos, e que ela acabou enxergando como amigo, já que lhes contava tudo o que podia sobre Dark Yami (como por exemplo, as criaturas que compunham seu exército e os poderes que ele sabia possuir seu mestre). Sem esquecer que Bara teve compaixão por ele ao ficar sabendo de sua historia.
Pobre Kimbe... Ele era um aprendiz de magia em um reino muito longe dali, mas um dia, convencido que tinha conseguido aprender o bastante com seu mestre, decidiu tentar usar um feitiço complicado e perigoso. Ele que antes tinha uma estatura normal e era um jovem bem atraente (como ele mesmo conseguiu mostrar no mundo de sonhos enquanto recordava sua antiga forma), acabou fracassando! E como se não bastasse, terminou desfigurado. Seu mestre, ao descobrir aquilo, expulsou-o imediatamente. E por mais que Kimbe buscasse emprego no que fosse, graças à sua nova aparência, ninguém o admitia.
Kimbe já estava quase nas últimas quando foi encontrado, quase morto de fome, por Dark Yami em uma floresta por onde ele perambulava. O pobrezinho não esperava conseguir encontrar qualquer salvação que fosse até esse dia, mas, depois de um tempo servindo seu atual mestre... Tentou fugir dele algumas vezes, porém as tempestades de neve o forçavam a sempre voltar atrás em sua decisão. E para que Dark Yami não descobrisse suas intenções de fuga (pois o mesmo já lhe prometera que ele só o deixaria de servi-lo se estivesse morto), Kimbe sempre enchia suas mãos de ervas durante o caminho de volta, como desculpa para explicar sua ausência.
Chegada a hora de Bara visitar Nemuru em seus sonhos, e quem sabe, ver Kimbe novamente. Ela estava ansiosa para ver o que Nemuru lhe preparava.
Após ele começar a ver quadros, mapas, gravuras e sabe-se lá mais quantas imagens de diferentes coisas e lugares nas aulas que assistia de Bara e sua mãe. Nemuru sempre sonhava com um lugar diferente para receber sua amada, onde juntos se divertiam.
Nemuru devia estar com saudades de casa neste dia, pois Bara estava se vendo dentro dos jardins de Kyuden. E foi logo ao encontro de Nemuru, encontrando-o na fonte da roseira.
– De volta para casa? – aproximou-se Bara para alegria do rapaz.
– Que posso dizer? Me deu nostalgia!
– E Kimbe? Ele apareceu?
– Por hora ainda não. O que podemos fazer até ele chegar, se o fizer?
– Hum... Que tal... Jogarmos um pouco?
– Jogarmos? – ele sorria com um pouquinho de malícia – Valendo alguma coisa?
– Pode ser... – respondeu Bara um pouco corada.
– Que tal pique-esconde? Se eu acha-la e ainda conseguir pega-la, ganho um beijo seu. Você escolhe o lugar do beijo.
– Feito! Mas nada de trapaças, heim!
– Se eu trapacear, não haverá graça! – respondeu Nemuru a ela.
E assim eles fizeram, se divertindo como nunca. O amor existente entre eles dois era puro. Verdadeiro. Um tipo raro de sentimento a surgir entre duas pessoas. Um era capaz de fazer qualquer coisa pelo bem do outro.
Bara acabou sendo pega quatro vezes. Sendo que na primeira, a recompensa foi dada na mão de Nemuru. A segunda, na testa. A terceira, foi na bochecha. E a quarta... onde eles acabaram rolando juntos no gramado... foi entregue nos lábios.
O último prêmio foi o mais demorado de terminar. Tanto que os dois se sentiam sem fôlego quando se afastaram. E ao se afastarem... Ficaram lá, deitados no chão, trocando olhares de ternura.
– Me perdoem...
Os dois reconheceram a voz de Kimbe na hora, encontrando-o bem próximo deles.
– Kimbe! Você veio! – declarou Bara contente, erguendo-se do chão com o auxilio de Nemuru (que por sinal foi o primeiro a perceber que havia alguma coisa de errado com seu pequeno amigo).
– De verdade, me perdoem. Eu sinto muito mesmo.
– Qual o problema Kimbe? Está nos pedindo perdão pelo quê? – perguntou Nemuru se aproximando dele com cautela.
– MIL VEZES EU LHES IMPLORO O PERDÃO!! PERDÃO! PERDÃO! PERDÃO! – berrou o homenzinho caindo de joelhos no chão e derramando um rio de lágrimas em cada um dos olhos.
Tanto Bara quanto Nemuru se assustaram com o comportamento de Kimbe, afinal, o que ele teria feito para se arrepender tanto assim? Sem mencionar que ele sempre pedia para que nunca se exaltassem para que Dark Yami não descobrisse que ele havia conseguido entrar nos sonhos de Nemuru.
Bara estava prestes a lhe abraçar em compaixão para acalma-lo, quando teve seu braço agarrado e erguido por alguém.
– Uma Filha do Luar?! – era Dark Yami que segurava o braço de Bara – Agora estais explicado como o pirralho reavias a própria força!
Kimbe não parava de suplicar por perdão e Nemuru, cheio de temor por Bara, aplicou um dos golpes que aprendera com a guarda libertando Bara das mãos de Dark Yami.
– Moleque desprezível! – praguejava o mago com a dor.
– Bara, fuja daqui! Depressa!
– Oh Kimbe... O que foi fazer?... – declarou Bara antes de desaparecer do sonho.
– Kimbe?? Teu pequeno traidor... – enfurecia-se ainda mais Dark Yami.
Mas antes que o perverso pudesse tentar qualquer coisa, Kimbe acabou soltando um grito extremamente forte. Chamando a atenção de ambos.
Antes de Kimbe entrar no lugar em que o Dark Yami iria coloca-lo para penetrar nos sonhos de Nemuru por ele, o homenzinho tirou proveito das longas mangas de sua túnica e escondeu uma lâmina bastante afiada em uma das mãos. Lâmina esta que agora apertava com tanta força, que a dor forçou o seu despertar. Arrancando Dark Yami dos sonhos de Nemuru junto dele.
Nemuru despertou assim que desejou, e Bara, que disparou da Torre Kendrada até o seu quarto assim que se viu no quarto, entrou uns dois minutos depois preocupada com Nemuru.
– Nemuru você está bem? Ele não lhe fez nada? O que aconteceu depois que eu saí? – perguntava ela entre lágrimas.
– Eu estou bem. Não sei ao certo o que foi que Kimbe fez mas, ele deixou os meus sonhos carregando aquela praga consigo antes que pudesse tentar qualquer coisa. Ao que eu entendi, Kimbe escondia seus encontros com a gente. Tanto que foi chamado de traidor por aquele monstro.
– Ele deve ter o ameaçado, ou não teria feito isso! Você viu, não viu? O tanto que ele nos implorava perdão...
– Sim. Eu vi. – respondia Nemuru abraçando Bara.
Como Nemuru tinha se recuperado consideravelmente bem, ele já não tinha mais companhia em seu quarto durante a noite. Por isso, estavam apenas os dois dentro daquele quarto. O casal achou melhor esperar pelo amanhecer para repassar o ocorrido aos demais. Sem esquecer que um não queria deixar o outro!
Nemuru decidiu passar o resto da noite em claro, por segurança. E Bara, que ainda sentia-se aflita, adormeceu junto ao peito de Nemuru. Entre lágrimas e tendo os longos cachos afagados por Nemuru.
– AAAIIII!!!!! ... – um chicote estalava – AAAAIIIII!!!... – outro estalo – AAAIII-Ii-ii... – lágrimas escorriam dos olhos de Kimbe.
– Fiques contente de teu castigo ser apenas 30 chibatadas de ferro quente!
– Perdão... perdão... – continuava suplicando Kimbe baixinho (mas para Bara e Nemuru).
– Retirates de minhas vistas rápido! Eu devias era matar-te por tentares me enganar, mas... Uma Filha do Luar?! Ahhh... esta sim sois uma boa noticia... – declarava Dark Yami com um sorriso que assustaria até o seu dragão.
Kimbe, assim que se viu livre das amarras que o impedia de fugir daquele castigo, afastou-se quase rastejando de lá. Ele foi até o seu quartinho para tratar dos ferimentos causados pelo chicote com pontas incandescentes. Rezando para que, seja qual fossem os próximos passos de seu mestre, que não tivessem o êxito desejado.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.