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31. Origens

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-10-08 20:42:50

O instinto materno é realmente algo poderoso. No mesmo momento em que Bara e Nemuru tiveram a triste surpresa de encontrarem seu pesadelo durante o encontro de sonho, tanto Jõo quanto Acnarepse despertaram de seus sonos.

As duas foram acometidas com uma profunda preocupação por suas crianças mas, como o castelo parecia permanecer em paz, e com plena confiança na segurança de Heiwa, se mantiveram em seus leitos. A noite das duas foi extremamente longa. Cheia de sonos interrompidos. Quando finalmente começaram a ouvir as aves que cantavam a evocar a aurora, desistiram de suas camas e foram atrás daqueles que tanto lhe tomavam o sono.

Acnarepse esperava surpreender Bara, estando ao seu lado quando ela acordasse. A ideia a divertia inclusive, porém, depois de adentrar discretamente no quarto de Bara, ficou espantada por não a ver na cama! E pior, a cama estava desarrumada. Uma tarefa que Bara sempre fazia questão de executar ela mesma. Uma prova de que a preocupação que sentira o tempo todo não era tão sem sentido.

Jõo, assim que entrou no quarto de seu filho, ficou chocada de encontrar Bara adormecida nos braços de Nemuru, que lhe pediu silêncio assim que a viu.

 – Mas... O quê acontece Nemuru? – perguntou ela em voz moderada.

– Ele sabe mãe. – começava a explicar ele, com Jõo sem entender – Dark Yami. Ele sabe que é Bara quem me ajuda. E ele também sabe das Filhas do Luar.

– Co-como?? – falava Acnarepse que acabava de chegar no quarto para conferir se era realmente ali que Bara estava.

– Filho. – pedia Jõo se aproximando – Nos explique direito! Que história é essa que está nos contanto?!

– É melhor chamarem o Rei também, antes de eu começar. – sugeria Nemuru.

Acnarepse “voou” ao encontro do Rei para chama-lo, ao mesmo tempo em que Jõo procurava saber o quê Bara fazia ali dentro. Após Nemuru garantir à sua mãe que nada de mais havia acontecido naquele quarto (para alívio de consciência da Rainha), Mahotsukai chegou acompanhado de Acnarepse e Zula. E quando Nemuru começou a dizer o que tinha acontecido, com Bara despertando no meio da historia, na noite anterior...

– Eu não acredito no que estou ouvindo... – acabou por dizer Acnarepse buscando apoio diante do seu estarrecimento.

– Zula, me diga que aquele bendito amuleto estará pronto hoje! Não podemos mais confiar em Kimbe!

– Terminaremos até essa tarde majestade. Uma das razões de minha demora é que estamos fazendo mais de um por segurança. – explicava Zula.

– Minha maior preocupação, é o quê que aquele sujeito pode ter de conhecimento sobre as Filhas do Luar... Tem certeza que lhe segurar o braço foi tudo o que ele fez com você, minha filha?

– Tenho papai. – declarou Bara ainda um pouco pávida pela noite anterior – E... como fiquei preocupada com Nemuru... Corri para cá assim que lhe deixei os sonhos.

– E você adormeceu aqui por causa do susto ou por outra razão? – perguntou Jõo na intenção de reforçar a honestidade de seu filho.

– Eu... – Bara corava com a insinuação – Eu não sei do que está falando Rainha Jõo! Eu estava apenas preocupada!

Aquele leve constringir que se estendeu até ao Nemuru, aliviou um pouco a tensão presente no quarto.

– É melhor nos alimentarmos agora. – sugeria o Rei – Repassarei aos nossos amigos sobre essa... “visita”, e depois verei se consigo encontrar algo mais sobre você minha filha.

– Que quer dizer papai?

– Dark Yami a reconheceu como uma Filha do Luar assim que a tocou, não é mesmo? Mahina nunca me mencionou nada sobre isso, por isso tudo o que eu sei sobre elas é o que li no guia que sua mãe lhe deixou.

– Acha que aquela peste pode saber de algo que não esteja descrito no guia? – se preocupava Nemuru.

– Não é impossível. Mas sem dúvida alguma ele já teve contato com uma. Ou do contrário não teria reconhecido minha filha como uma tão facilmente. Acho... Que também verei se é possível reforçar a barreira que guarda Heiwa.

– Posso ser uma alquimista e não uma maga, mas permita-me ajudar no que for possível. – pedia Jõo resoluta.

– Minha cara, acho... Que a guerreira Jõo, seria de grande ajuda aos meus homens... Aceitaria? – sorria Mahotsukai.

– Pode deixar meu caro Rei. – respondi Jõo com um sorriso de dar arrepios! – Enquanto ajudo meu menino a se tornar um defensor digno, colocarei alguns rapazes em forma.

– Com rapazes,... – questionava Acnarepse – ...a senhora se refere aos nossos soldados ou aos pretendentes de Bara?

– Mais aos moleques do que aos homens! – todos acabaram rindo.

– Acho que irei ajuda-la a convencê-los a treinar com a senhora. – dizia Bara já imaginando alguns deles correndo para qualquer reino em que Jõo não estivesse presente.

Com os ânimos bem mais leves, todos procuraram o desjejum para seguir com o que haviam planejado. Se não fosse pelo convite de Bara aos seis que insistiam em fazê-la aceitar um deles como marido, nunca que teriam se apresentado para “auxiliar o seu amigo nos treinos”...

Jõo deixou cada um deles, bem dizer, paralisados de cansaço no chão. Com alguns guardas (que tiveram prazer em enfrentar uma adversária tão poderosa como a Rainha Jõo) rindo da fraqueza deles, além de agora compreenderem o porquê de Zul e Zunol serem tão bons em batalha!

Isso sem mencionar o fato de que Nemuru, que mal terminara de se recuperar de anos sem movimento, conseguia ainda se manter de pé diante da Rainha. Sendo um total contraste de forças com os caídos. Essa humilhação quase fez três deles desistir da mão da princesa. Quase!...

Mahotsukai enviou um mensageiro para Oilixua primeiro, para depois contatar a Rainha Keberanian. Tendo a grata noticia de que ela conseguira a informação prometida, já tendo ela enviado mensageiros, repassando o mesmo, para Kyuden e Oilixua. O que forneceu um pequeno alívio para Jõo ao ficar sabendo.

Quanto aos amuletos de proteção, Zula e aqueles que a ajudavam os completaram logo após o almoço. Para testar suas eficácias, usando o Arman basqınşısı que ela descobrira em seu livro, Zula tentou penetrar nos sonhos da Rainha Jõo e de Acnarepse (que se ofereceram para os testes uma vez que haviam dormido mal a noite) sendo que uma estaria usando o amuleto e a outra não. Sob a supervisão do Rei!

A Rainha ficou sem, e Zula conseguiu penetrar-lhe os sonhos com grande sucesso (ficando surpresa por acabar dentro de um imenso laboratório alquímico contendo também uma área de treino e inúmeros retratos de Nemuru). Mas com Acnarepse... O amuleto se mostrou bastante eficaz, pois toda vez que ela tentava lhe penetrar os sonhos, uma... muralha dourada com luas e estrelas escavadas nela, bloqueava-lhe totalmente o acesso aos sonhos da guardiã.

Ela havia construído amuletos suficientes para todos que sabiam de Dark Yami, incluindo os Reis de Oilixua e Megaroc e que novos mensageiros lhe entregariam assim que possível.

Apesar da diversão que foi assistir todos aqueles nobres perderem feio para a Rainha nos treinos, e já estar em posse de um dos amuletos de proteção criado por Zula, Bara ainda se sentia um pouco insegura em relação ao mago perverso. Quisera ela que sua mãe ainda estivesse viva para lhe explicar tudo...

Tanto a princesa quanto Nemuru quiseram ajudar Mahotsukai a encontrar mais pistas sobre as Filhas do Luar. E Zula, que já havia concluído seu trabalho com os amuletos, agora assumia o lugar do Rei nas buscas de contramedidas para as criaturas que trabalhavam para o inimigo. O avanço de Zula no mundo da magia conseguia deixar até mesmo o mais experiente mago com o queijo no chão.

Infelizmente, ninguém conseguiu achar nada sobre as antecedentes de Bara. E olha que procuram em mais de cem livros! Fossem eles domos místicos ou não!

– Vamos encerrar as buscas por hoje Bara. – dizia seu pai à ela – Parece que entre os livros que eu não havia lido ainda, não encontraremos nada sobre você ou sua mãe.

– Não terminamos de ver todos ainda. Pode ser que um possua alguma coisa! Sem esquecer que a Ac e o Nemuru estão conferindo os livros da Biblioteca Comum.

– Não vou lhe discordar minha filha, mas... Mesmo tendo se distraído com a “surra” que a Rainha deu em seus... “aspirantes à marido”! – um riso escapou dela – Você teve uma noite difícil ontem.

– Eu sei paizinho... Se não fosse pelo carinho de Nemuru, acho que nem teria conseguido adormecer de tão assustada que fiquei...

– Pois é. E preciso lhe confessar que senti um pouco de ciúmes ao vê-la nos braços dele.

– Ciúmes?!? – Bara corava – Ai não papai. Ciúmes do Nemuru não! Aceito que o senhor me queira ver longe de qualquer outro homem, mas de Nemuru não!

O desespero da princesa fez o Rei rir, e ela corar ainda mais.

– Realmente minha filha. – falava Mahotsukai ainda rindo – Mas acontece que eu preferiria que ele fosse outra coisa ao invés de um amigo nosso.

– Outra coisa? Como assim??

– Primeiro vamos resolver nossos problemas. Depois retomamos este assunto. – declarava o Rei se erguendo – Vamos lá conferir se ele e Acnarepse tiveram mais sorte que nós?

– Vamos.

E saíram os dois para o encontro da segunda dupla de pesquisas que como já foi mencionado, também não teve grande sorte.

Acabou que todos resolveram descansar. Nenhum entre eles admitiria! Mas cada um já estava ficando de vistas embaraçadas de tantos livros estudados em um só dia.

Minha filha?

– Quem é?

Bara sonhava em sua cama. Sonhava estar diante de um imenso lago prateado sob a luz da lua cheia, que estava cercada de estrelas. Com o que parecia ser uma bela floresta rodeando o lago.

Sou eu. Já esqueceu minha Voz?

Bara pensou um instante antes de responder.

– Selena? Selena, é você?

Sim minha filha.

– Onde estamos? Porque me trouxe aqui? E porque não é possível achar nada sobre as Filhas do Luar?

Acalma-se minha querida... Estamos onde a primeira Filha nasceu.

– A primeira?! – Bara se animava.

Exatamente. Agora, observe o que está acontecendo ao redor deste lago.

– Ok.

Bara mal terminara de falar e percebeu uma mulher saindo da floresta. Se aproximando para ver melhor o que acontecia, reparou que ela era algum tipo de maga. Notou também que ela estava ferida e com uma barriga enorme, e não demorou para se esconder entre as raízes da maior arvore que rodeava o lago. Não demorou muito e ela ouviu um choro de bebê. Aquela mulher estava grávida! E o bebê adormeceu depressa.

Passou-se alguns minutos sem nada acontecer, mas Bara acabou sobressaltando ao ouvir passos. E ficou boquiaberta ao ver que eles pertenciam a uma elfa, que era tão bela quanto ouvira falar nos livros e nas historias de seu pai. Mas... ela parecia tão triste!...

Assim como a si mesma, a elfa mostrou-se curiosa com o lugar, e não demorou em dar uma olhada entre as raízes da arvore em que aquela maga se refugiara. Bara ouviu o implorar da mãe em alto e bom som, ficando triste ao perceber que ela faleceu ao ser “enterrada” pela elfa, que partia com a criança agora parecendo muito feliz.

Compreende agora um pouco sobre si mesma?

– A primeira Filha do Luar... Era uma bebê humana que foi criada por uma elfa?

Sim. A filha de uma maga das aguas, que recebeu todos os segredos dos elfos que me veneravam. Tornando-a assim uma protegida minha.

– Mas e quanto ao o quê que aconteceu com ela? Como Dark Yami descobriu sobre nós? Existem outras Filhas do Luar além de mim?

Infelizmente, nesse momento, você é a minha única protegida. Já houve um tempo em que eu cedia poder a mais de uma filha, mas... graças a aquele mago, só pode existir UMA Filha no mundo humano.

Bara acabou por engolir seco.

– E por quê? O que foi que Dark Yami fez?

O que ele fez fo...

Um enorme estrondo fez Bara despertar. Arrancando-a de seu encontro com Selena. Mas o que esperava pela princesa em seu quarto, não agradou nem um pouco os olhos da mesma.

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