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32. Invasão

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-10-08 20:43:43

Com o som de um forte estrondo ecoando por todo o reino de Heiwa, não houve um só morador ou visitante que não acabou despertando de seu sono (por mais pesado que ele fosse) com aquele som assustador.

Muitos foram os que deixaram suas camas para descobrir o que estava acontecendo, uma vez que o som se repetia e lembrava uma mistura de rugido com trovão.

 E alguns dos que voltaram seus olhares para Kendrada, localizaram o problema.

Um dragão negro atacava a princesa...

Bara estava em estado de choque! De onde foi que aquele dragão saiu? E como ele atravessou a barreira? Ela sempre funcionou tão bem contra esses seres!

O dragão era jovem, já que mesmo sendo maior que um cavalo, passava facilmente pelas janelas da Torre. Apesar de todos os rugidos apavorantes que ele havia dado antes, ele não parecia querer ameaçar Bara. O que tornava tudo ainda mais estranho e confuso.

Bara não sabia bem o quê fazer, mas quanto mais ela observava, mais temerosa se sentia com aquele ser. Corpo todo recoberto por escamas negras; olhos mais vermelhos e brilhantes que o próprio fogo e, escapando de suas narinas, chamas mais azuis que o céu claro.

Olha papai! (sussurrando)

Lembranças vinham à memória de Bara.

É um ninho de dragão minha filha. E para a nossa sorte, este é de um tipo dócil. Vamos continuar falando baixinho para não a acordar!

Hihihihi, certo papai.

Bara se recordava do dia em que, explorando uma floresta próxima de Heiwa com seu pai, eles acabaram se deparando com um dragão Ejderha, uma das espécies mais gentis existentes, adormecido e cuidando de seus ovos, quando ela ainda tinha uns seis ou sete anos.

Está vendo as chamas que lhe escapam das narinas enquanto dorme?

Estou sim papai.

Sabia que são elas que mostram o quão perigoso cada dragão pode ser se irritado?

Verdade!?!

Verdade! Lembra o que eu lhe ensinei sobre as estrelas?

Ham... Fala daquele negocio de que as estrelas mais vermelhas são mais geladas e as mais azuis são mais quentes?

Precisamente! A cor da chama de um dragão é igualzinha ao brilho das estrelas.

Então... deixe eu ver se eu lembro direito: Quanto mais vermelha e opaca for a chama, mais frio é. Ou seja, seu fogo é menos perigoso.

Mas ainda é perigoso!

Certo. E... quanto mais clara e azulada é a estrela, mais quente ela será. Querendo dizer que um dragão com chamas azuis é muito, muito, muito perigoso! É isso mesmo?

Eu já falei que você é a princesinha mais inteligente deste mundo?

Cada detalhe daquele dia ressurgia em sua mente, e bem aos poucos, o dragão entrava lentamente em seu quarto, fazendo pequenos resmungos.

Bara não sabia bem o que fazer. E no momento em que o dragão colocou uma das patas sobre a porta do quarto, alguém tentava abri-la distraindo o dragão da princesa.

Nisso, Bara acabou pegando na sua bolsa, a Shiruku, enviando a mão dentro sem pensar muito e lhe tirando o camafeu de Nemuru e o frasco com a Essência Vestigium nas mãos. Ela sabia que não tinha condições de encarar aquela criatura, por isso, sem perder a chance que tinha, tomou uma gota da poção (que mais parecia néctar de flor) e pronunciou o encanto: Meus vestigia per viam.

Ela mal terminara de pronuncia-lo, fechando o frasco, e sentiu seu tronco sendo agarrado. Dando um grito com a surpresa! O dragão a agarrou usando sua cauda, jogando-a em suas costas em seguida, e fazendo Bara deixar cair o frasco que ainda segurava para o chão.

Antes mesmo que Bara conseguisse perceber direito o que é que estava acontecendo. Ela precisou se segurar firme na criatura para não acabar despencando de dezenas de metros de altura. Em direção de sabe-se lá onde.

Quando chegou aos ouvidos de Mahotsukai que um dragão entrava na Torre Kendrada, ele não quis acreditar. Não sentia nenhum dos ardores que se lembrara ter sentido quando outros dois dragões tentaram inutilmente atravessar a barreira após ter assumido a coroa. Então como é que este conseguiu passar?

Ele saiu mais que depressa até a Torre, sendo seguido por vários guardas, mas antes mesmo que pudesse chegar ao quarto de sua filha, ouviu o seu grito vindo dos céus. Um dragão havia raptado sua filha amada.

Uma nuvem encobria o luar, deixando o céu totalmente escuro e impossível de acompanhar a criatura com os olhos. Decidiu continuar seu caminho até o quarto de Bara, com a esperança de adquirir alguma pista de para onde ela poderia estar sendo levada.

– O que aconteceu? Que barulho estranho foi esse? – Nemuru, acompanhado de alguns dos pretendentes, o encontrava no meio do caminho.

– Bara foi raptada. – respondeu o Rei.

– O quê?!

– Mas como?!

– Do que está falando??

Perguntavam ao mesmo tempo aqueles jovens.

– Estou indo agora até a Torre Kendrada em busca de pistas. Quem quiser que me acompanhe. – declarou Mahotsukai seguindo caminho, com Nemuru e os outros atrás dele.

Bara estava desesperada. O dragão voava muito rápido! E se não se segurasse direito, podia cair. Já não conseguia mais ver sua casa e, do jeito que pode, prendeu o camafeu na camisola antes que perdesse a única coisa que ela tinha para conseguir ter contato com alguém. Se Nemuru lembrar-se de retirar o amuleto...

Entrando no quarto, Mahotsukai não encontrava nenhum estrago importante à primeira vista. Recitou então um encanto especial que lhe permitiu assistir cada detalhe do havia acontecido ali dentro.

Viu a chegada do dragão negro; o despertar assustado de sua filha; a aproximação cuidadosa dele para a sua filha; o surpreender-se da criatura quando alguns cavaleiros tentou entrar (também reparando que algo lhe soltava de uma das pernas); assistiu a forma curiosa com que Bara havia se encolhido na cama, e como o dragão a capturara e partira.

Desconfiado, ele foi até o local onde percebeu cair algo do dragão. Encontrando um pequeno pergaminho escurecido que, ao terminar de ler, deixou-o possesso!

Quem diria que o Rei-Mago eras pai de uma Filha do Luar... Espero que tu não ti importes que eu a tomais emprestada por alguns tempos. Só até... CONCLUIRDES MINHA VINGANÇA! Ficais com o pirralho de Kyuden para vós. A Filha me és cem vezes mais útil que ele. E... tomaras que os dois sejam apenas amiguinhos não concordas? Serias tão triste se eles forem amantes!... Até nunca, Dark Yami.

– Maldito miserável desprezível! Ele me paga! – bradava o Rei a plenos pulmões.

– O que aconteceu majestade? O que diz esse papel? – perguntava um dos rapazes com Nemuru o tomando para si.

– Eu já sei quem raptou minha filha e para onde ela está sendo levada.

– Me diga majestade... – Nemuru falava embuchando o papel e com algumas lágrimas no rosto – O lugar para onde ela está sendo levada, é longe o bastante para obrigar um dragão a descansar?

– Não sei ao certo rapaz. Mesmo eu não tenho pleno conhecimento das capacidades de um dragão negro, além de ser a raça mais rara e perigosa que existe. – respondeu Mahotsukai (com alguns engolindo seco).

– Então... Pode haver uma chance de a resgatarmos antes que fique realmente complicado alcança-la.

– Tem toda a razão. Vou já dar ordens para nos prepararmos. Aqueles que realmente se importam com minha filha, podem me acompanhar.

Declarou o Rei já saindo. Todos, menos Nemuru o seguiam. Nemuru sentia uma dor corroer-lhe o coração. Sentia-se responsável pelo o que acontecia com a mulher que amava. Jõo e Acnarepse entraram no quarto após se encontrarem com o Rei e os outros jovens e por não acharem Nemuru entre eles.

– Filho? – Jõo se aproxima delicadamente – Filho... Por favor, não me diga que está se achando responsável por tudo isso.

– E eu não sou mãe!? – declarava ele entre lágrimas.

– Mas de jeito nenhum rapaz! – bronqueava Acnarepse – E é bom você se controlar! A menos que queira acabar decepcionando a minha menina!

– De que jeito Acnarepse... – Nemuru ainda se lamentava – Olha só o quê o dragão deixou para trás e me diga se... O que é isso?

Enquanto Nemuru estendia a mensagem embuchada que tinha nas mãos, com a ajuda do luar que voltava a iluminar o quarto, Nemuru encontrou algo no chão. Era o frasco com a poção que Bara recebera de herança. E uma vez que Nemuru o reconheceu, correu para começar a apalpar a cama de Bara.

– Mas o quê é isso Nemuru!? Cadê a educação que eu lhe dei?! – alarma-se a Rainha.

– O que foi que você encontrou Nemuru? – perguntou Acnarepse.

– Isto. – respondeu ele mostrando o frasco sem deixar de fazer o que fazia.

Acnarepse que também reconheceu o frasco, logo entendeu o quê que Nemuru fazia e começou a ajuda-lo às presas. Jõo que estava cada vez mais sem entender, uma vez que não se lembrou que frasco era aquele, resolveu aguardar.

– Achei! – declarava Acnarepse.

– Ótimo! Despeje tudo sobre a cama! Ainda me lembro de tudo que ela disse sempre carregar consigo.

– E eu também rapaz. – respondeu Ac já derrubando tudo de dentro da bolsa, fazendo com que Jõo arregalasse os olhos ao finalmente compreender o que eles faziam.

– Parece que além do frasco que encontrei, tudo o que falta aqui é o camafeu que me pertenceu. – comentava Nemuru.

– Tem razão. Acha que ela teve tempo de tomar a poção e citar o encanto? – observava Acnarepse.

– Só há um jeito de descobrirmos... – declarou Nemuru já folheando o pequeno guia e se aproximando de uma das janelas.

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