Mag-log inNemuru não estava certo se poderia mesmo ou não conseguir fazer aquele encantamento funcionar (Dark Yami falhou em corromper a pureza do coração de Nemuru com todas as suas maldades?), mas respirou fundo, leu o encantamento em voz alta com toda a esperança do mundo e, após mais um suspiro com término do pronunciamento, encarou os céus.
Nemuru chorou... De a-le-gri-a!!! Dark Yami falhara sim em corromper o coração do príncipe! E a prova, era que Nemuru, assim que olhou para o firmamento, viu o que parecia ser uma trilha de estrelas douradas marcando o céu abaixo das nuvens.
Restaurada a confiança com esta descoberta, correu para se preparar e assim poder acompanhar o Rei (que se tornaria seu futuro sogro se tudo dêsse certo).
Bara não conseguia saber qual era o caminho que eles faziam. Aquela criatura era tão rápida que, se não fosse pelo corpo quente dele, ela estaria congelando por causa do vento provocado.
Isso sem mencionar que quando ela conseguia olhar para baixo, tudo que enxergava era um borrão que mudava de cor muito depressa. Deixando-a cada vez mais agoniada.
Mas o que a preocupou mesmo, foi quando o frio quase dobrou de tamanho e mundo lá embaixo passou a ser branco. – “Por favor, todas as divindades existentes capazes de me ouvir, que o que está me acontecendo não seja o que estou pensando agora.” – rezava ela, já adivinhando onde que ela iria descer.
Mahotsukai não perdeu tempo em contatar Keberanian, Rainha de Megaroc e repassar-lhe o ocorrido ficando ela igualmente pasma com a situação. Como Megaroc fica muito mais próximo de Oilixua do que Heiwa, o Rei lhe pediu para que avisasse Hilfe em seu lugar. O que ela aceitou de muito bom grato. Keberanian também lhe avisou que seus guerreiros estavam quase prontos para enfrentar a ameaça em comum. Agradando em muito o Rei.
Ela pediu para que Mahotsukai a mantivesse informada sobre sua posição, para que pudessem se encontrar no caminho se viesse a ser necessário, além de lhe desejar toda a sorte do mundo para conseguir alcançar a princesa antes que ela chegasse em seu destino cruel.
Diante dos portões de Heiwa, o Rei foi o último a chegar, pois preferiu conferir quem havia decidido participar de sua busca por sua filha. Não ficando nenhum dos visitantes (exceto Mom que aguardaria junto de Acnarepse) no castelo. Reunindo-se com todos, deu falta de algumas pessoas.
– Onde estão os outros que desejavam a mão de minha filha? – perguntou para os presentes.
– Parece que fugiram... – respondia Jõo animada – Parece que nem todos tem a coragem de proteger quem ama.
Dos seis pretendentes que existiam em Heiwa, só dois, estavam dispostos a enfrentar o que fosse pela mão da princesa (ao menos por enquanto).
– Lembrem-me de poupar a vida daquele dragão quando o encontrarmos. – pedia o Rei inconformado, porém sorridente – Não irei confiar minha filha às mãos de um covarde. O que dirá minha coroa!
– E eu posso estar mostrando o caminho para todos nós majestade! – declarou Nemuru se aproximando dele.
– Pode? Mas com... – o príncipe lhe mostrava o frasco de Bara, fazendo-o compreender o que dizia – Louvadas sejam todas as divindades existentes neste mundo rapaz! E tomara que eu seja capaz de ter o mesmo privilégio que você!
– Sinta-se a vontade para tentar. – respondia Jõo já lhe entregando o guia – Estou com as coisas dela. Quem sabe não nos será útil?
– Muito obrigado Rainha Jõo. – recebia ele o guia já aberto na página correta.
O Rei fez a sua tentativa, e ficou igualmente maravilhado ao poder visualizar aquele rio estelar celeste.
Todos partiram sem mais delongas.
Bara já não estava mais se aguentado. Ela já havia mordido os próprios lábios até eles sangrarem para não acabar adormecendo e assim caído por causa do frio. Mais um pouco e ela acabaria se soltando do dragão.
Porém, antes mesmo que ela começasse a ceder, o dragão reduziu a velocidade do seu voo. Reduzindo assim o vento que só não feriu a pele de Bara, porque suas roupas e longos cabelos a protegeram. Mas mesmo assim, os ventos gélidos que aos poucos paravam desgastaram muito o corpo da princesa.
Quando finalmente Bara sentiu que o dragão havia pousado, alguém a tirava com cuidado de suas costas, mas ela mal estava conseguindo manter seus olhos abertos.
– Sejas bem vinda princesa!
Bara reconheceu a voz na hora. E de tão fadigada, acabou desmaiando.
Quando Bara acordou, ela estava sozinha. Estava em uma espécie de quarto onde tinha um veio de lava incandescente correndo de um lado e um grande buraco para fora cheio de estalactites de gelo tão grossas e próximas entre si, que acabavam servindo de grade.
Ela se encontrava em um colchonete bem no meio do quarto. Ao se levantar para ver se havia mais alguma coisa dentro daquele lugar, reparou que se ela se aproximasse do “rio”, sentia calor. E ao se aproximar da “janela”, tremia de frio. Ficando assim pressa em um corredor onde as temperaturas se equilibravam, e que parecia ter a mesma largura do colchonete em que estava.
Examinou a si mesma para confirmar se havia algo de errado consigo, e apenas duas coisas lhe chamara a atenção: seus lábios tinham um pequeno curativo, e seu amuleto protetor de sonhos havia sumido.
Bem a frente desse corredor invisível (que devia ter uns seis ou sete passos de comprimento) havia uma porta de madeira com uma pequena janela. Ela se aproximou para tentar descobrir se estava de fato sozinha, e não avistou ninguém do outro lado. Só o que lhe pareceu ser um corredor de caverna.
Bara se sentiu decepcionada. Se não fossem pelos ventos fortes que sopravam lá fora, ela até que tentaria dar uma olhada no céu. Sem esquecer que o colchonete era a única coisa dentro daquele lugar. Ela decidiu enrola-lo, para assim improvisar um banco.
Ela não sabia ao certo quanto tempo já se passará deste que o dragão lhe havia capturado. E estava preocupada com os outros e com o que seria dela naquelas condições. Seu estômago já começava a reclamar quando ouviu sons de chaves do outro lado da porta.
– Vejo que já estais desperta, cara princesa. – era Dark Yami – Sentes fome? – ele apresentava uma bandeja de comida e um copo de agua com uma das mãos.
– O que quer de mim. Como que aquele dragão conseguiu entrar em meu quarto. – questionava Bara mantendo a maior distância possível daquele ser.
– Ora, ora... Alimente-tes primeiro! Que lhe dareis as explicações enquanto comes. – declarou ele pousando a bandeja aos pés dela. Bara teve receio sobre o que lhe era servido. O mago percebeu – Não tens porque desconfiar-tes da comida... Não cometerei com tu o mesmo erro das outras.
– Que outras?! – Bara se preocupava.
– Comas... Que explico!
Bara se mantinha desconfiada. Pegou a bandeja e pousou sobre o colo enquanto sentada no banco improvisado. Ela não comeu de imediato. Primeiro cheirou cada coisa que tinha diante de si, provando só um pouquinho depois. Não encontrando ou percebendo nada de estranho, começou a comer normalmente.
Dark Yami começou:
– Tu deves estar cheia de perguntas, mas comecemos com as minhas. – Bara o encarou de soslaio.
– Assim que Askherone chegaste com tu, lhe conferi a saúde e... encontrei isto!
– Meu amuleto de sonhos! – surpreendeu-se Bara ao ver o amuleto nas mãos do mago.
– Oh! Então sois assim que as Filhas viajam pelos sonhos?!
Questionava ele sorrindo, e Bara, apenas se manteve em silêncio (afinal, ela teria de livrar dele se quisesse tentar contatar Nemuru). Dark Yami re-guardou o amuleto consigo e continuou a falar, com Bara também continuando a refeição.
– Fascinante. Já cheguei a terdes em minhas mãos duas Filhas...
– O que foi que você fez com elas?! – se assustava ela.
– Se me ouvirdes calada, saberás. – Bara apenas abaixou a cabeça tentando engolir a comida – Fois há muito tempo... enquanto me preparavas paras tomar Oilixua. Eram duas irmãs. Sabes, as Filhas do Luar tens uma ENORME força vital. Por isso, estas eram minhas maiores fontes para o crescimento de meu exército.
– Você drenava a vitalidade delas... – comentava Bara – Então imagino que pretenda fazer o mesmo comigo. – terminou ela de dizer o encarando da forma mais fria possível.
– Estais certa. MAS! Diferente do que eu fazias com elas, a manterei nesta sala. Justo. Para uma princesa.
– Qual a diferença entre o tratamento delas e o meu. – um suspiro acabou escapando de Dark Yami.
– Elas trabalhavam. Serviam agua e comida aos meus escravos. E, às vezes, protegiam-nos da chibata. Nem queiras lembrar-me de quantos eu executei por terem as ferido! As Filhas são fontes preciosas.
Bara estava gostando cada vez menos do que ouvia, mas ainda não encontrava a gravidade que fez com que passasse a só existir uma Filha no mundo, como Selena foi interrompida de explicar.
– E onde elas estão agora. – perguntava ela fingindo não saber que era a única.
– Durante minhas batalhas, acabei por tomar-tes força demais de uma delas. Matei-a sem perceber-me. – Bara sentiu o corpo gelar – Jás a segunda, fugiu para um dos reinos que me derrotou. E depois disto, nunca mais soubes de Filha alguma.
“Então foi isso? Selena decidiu que só existiria uma Filha de cada vez porque ele escravizou duas e matou uma? Ou será que tem algo mais?” – questionava-se Bara.
– Sempre soubes que as Filhas possuem muitos dons! Como o de penetrares nos sonhos dos outros, mas nunca tinhas conseguido arrancar isto daquelas irmãs. Tudo o que elas me respondias era: “não podemos fazer isto porque nos falta algo”. Devias ser este amuleto.
Bara assim compreendeu que ele não sabia tudo sobre ela. E também imaginou que ele havia impedido suas antecessoras de ter qualquer contato com o céu noturno. Mas ainda era motivo suficiente para ter sido impedida de conviver com sua mãe?
– E quando a eu estar aqui. Como isso foi possível.
– Só consigo pensar em uma única condição. – falava Mahotsukai à Jõo enquanto seguiam a trilha de luz – O dragão não estava carregando a intenção de sequestrar minha filha, mas sim de alguma outra coisa boa o suficiente para não ser reconhecido como inimigo.
– Que quer dizer com isso? Os dragões não são apenas bestas aladas?
– Não Rainha Jõo. – prosseguia Mahotsukai – Eles vivem da forma que é natural. Se tem fome, caçam. Se sente-se ameaçados, se defendem. E se “apaixonam-se”, “namoram”. Mas... Para eles se meterem na vida humana... É necessário que tenham sido ensinados a conviver com um.
– Conviver? Ser criado por um humano, é isso?
– Exatamente.
– Mas majestade, mesmo que fosse por ordem de outra pessoa, a barreira não deveria segurá-lo mesmo assim? – perguntava um dos jovens que insistiam em ter a mão de Bara.
– Tudo depende da ordem. – explicou o Rei. E ao reparar que alguns pareciam mais confusos que antes, continuou – Se por exemplo, a ordem dada ao dragão seja: “Vá buscar a minha amiga enquanto preparo tudo para a sua chegada”. Acham que a barreira o impediria de fazê-lo?
– Então, o que você está nos dizendo... É que o dragão acreditava fazer algo diferente do que realmente fez? – acompanhava Nemuru o seu raciocínio.
– É isso mesmo rapaz. É isso mesmo...
– Mas... – era Zula – Como foi que ele conseguiu um dragão negro??
– Como deveis imaginares... Minha luta contra os quatro não estavas sendo boa. Se não fosses pelo encanto que eu tinhas usado assim que percebera que perderias a batalha, aquelas espadas teriam-me liquidado.
– Mas isso não explica como encontrou o seu dragão. – Bara aproveitava para obter o máximo de informação possível.
– O encanto me salvastes, mas também me enfraquecestes. Fiquei dias sem poder-tes retomar minha forma! E quando retornei, mal me mantias em pé! Tive a sorte de, enquanto perambulava, encontrar-me com um ninho em plena ausência da mãe. Fostes assim que eu consegui obter Askherone.
– E o que será de mim agora... – se perguntava Bara deixando a bandeja fazia no chão.
– Irás ficar aqui para sempre. – Bara conteve as lágrimas – Serás minha nova fonte no lugar do pirralho de Kyuden, e tenhas a certeza de que não ireis abusarte como fiz com as outras. Serás bem cuidada e amparada. Agora... Se não se importas...
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.