LOGIN– Princesa. Princesa acorde! Trouxe o seu desjejum. Acaso não dormiu a noite?
– Hummm... Kimbe? Já amanheceu?...
Como Dark Yami não tinha conseguido perceber que Bara estava conseguindo engana-lo por enquanto, ele não quis vê-la cedo como nos outros dias. Por isso, na manhã do terceiro dia, era Kimbe quem lhe entregava o café da manhã.
– Sim, já amanheceu. E não me parece que você usou a noite para dormir... – ajudava-a Kimbe a sentar-se.
– Não vou lhe mentir. Eu real... – ela bocejava – ...mente... Não dormi praticamente nada da noite.
– É melhor que você coma tudo hoje, para que o mestre não perceba. E o que foi que te manteve desperta?
– Só lhe conto se jurar segredo! – falou ela meio traquina.
Enquanto comia, ela contou-lhe todo o seu trabalho noturno. Impressionando o homenzinho e só agora percebendo as coisas fora do comum que haviam acontecido em todo aquele processo.
– Céus!! Não é à toa que está cansada! O que fez da escama antes de dormir finalmente?
– Eu... – ela parava para refletir – Acho... Que a deixei cair do lado de fora quando finalmente terminei de cortar aquele gelo. – recordara ela, olhando para fora.
– Hum. Tudo bem. Assim que eu tiver chance irei dar uma olhada lá fora. Não seria nada bom se o mestre desconfiasse de qualquer coisa que fosse. Ele virá vê-la um pouco depois do almoço. É melhor que você descanse o máximo que conseguir para que ele consiga extrair só um pouquinho mais hoje.
– Preferiria que ele não conseguisse nem metade do que me tomou ontem. – declarou Bara concluindo a refeição.
– Entendo bem o que você quer dizer, mas, se ficar fraca demais, como que conseguirá fugir?
Bara chateou-se. Kimbe tinha toda a razão! Bara precisava achar algum outro meio de limitar a quantia que Dark Yami lhe drenava, sem se enfraquecer.
– Não sei o que fazer Kimbe. Não posso permitir que aquele monstro avance em seus planos com a minha ajuda, e também não posso arriscar minha saúde pois, como você mesmo me disse, isso me impediria de ter condições de conseguir escapar daqui.
– Se houvesse uma forma de esconder uma parte da sua energia do mestre... Isso a ajudaria a manter uma reserva só para vossa alteza quando o momento chegasse...
– Essa até que não seria uma má ideia! – sorria Bara – Não tem com você investigar essa possibilidade?
– Posso tentar. Mas não posso ser pego negligenciando minhas tarefas, ou o mestre poderá querer acabar comigo.
– Aquele malévolo... Tudo bem em eu ver suas costas agora Kimbe? – pediu Bara tentando mudar o assunto.
– Sim... Tudo bem sim... – consentiu Kimbe, sorrindo um pouco tímido.
O poder de Bara era realmente impressionante. Com duas seções, metade das feridas de Kimbe já haviam sarado. O que significa que, com essa e mais uma, as costas de Kimbe estariam totalmente curadas.
– Me diga Kimbe,... – Bara ainda deslizava os dedos sobre cada cicatriz – ...as poções e remédios que você está usando são bem eficazes?
– Elas não carregam metade do efeito que a senhorita tem me feito. Mas estou fingindo ainda mancar ou sentir arder para que ninguém desconfie de que está me ajudando.
– Isso é bom. Tremo só de imaginar que aquela coisa pense que você poderia ser a razão de minha fraqueza.
– Não é a única a pensar isso, mas... O que exatamente será feito daquele gelo?
– Também gostaria de saber. Mesmo que Selena tenha me tido que terminaria tudo, não tenho ideia do quê ela possa estar planejando. Ainda estou tentando entender as coisas que eu fiz!
– Melhor eu ir agora. – falava Kimbe já se afastando para re-vestir o seu manto – Tenho muitos deveres hoje. Incluindo uma pesquisa e o recuperar de um artefato. – Bara riu – Descanse princesa. Em breve voltarei com o almoço.
– Obrigada Kimbe. Mas bem que eu gostaria de ter alguma distração aqui dentro.
– Verei o que posso fazer caso não descubra algo primeiro. – declarou Kimbe pegando a bandeja e rindo.
Kimbe se foi e Bara acabou encarando o córrego de fogo em que deidara aquele enorme pedaço de gelo, tentando imaginar, qual teria sido o propósito de tudo aquilo. Adormecendo sentada contra a parede.
Enquanto isso, em um “pequeno” acampamento de repouso ainda bem próximo aos pés do monte frio e tempestivo, Nemuru estava inquieto.
Em momento algum ele ouvira Selena lhe mandando dormir, e ficou imaginando um milhão de motivos para poder tentar se explicar.
Ela estaria cansada demais para tentar encontra-lo? Dark Yami lhe teria negado o luar? Ele a teria levado para algum outro lugar? Ela estava ocupada com alguma coisa? Será que ela não estaria conseguindo dormir? Selena estaria bloqueando o encontro por algum motivo?
Eram tantas as possíveis razões do que poderia ter acontecido que Nemuru só havia descansado de corpo. Porque de mente... Esse estava um pouco difícil.
Camao (envolto por um escudo especial contra o vento excessivo e o frio) retornava após ter deixado a mensagem com o segundo grupo que penetrava os montes pelo norte. Aquele era o sinal para que retomassem a caminhada.
O montar e desfazer do acampamento era fácil. As tendas usadas por eles eram erguidas com magia, e bastavam oito homens (quatro para removerem as hastes dos cantos que mantinham as laterais em pé e mais quatro para dobrar o tecido que guardava até vinte pessoas do vento frio) para desfazerem tudo.
A comida era consumida enquanto andavam, sendo as tendas reservadas apenas para o repouso. O erguer de todo o acampamento gastava, se muito, cinco minutos. E o desfazer e reorganizar de todos, de 10 à 15 minutos.
Não se tinha muita certeza de quanto tempo levariam para alcançarem o centro daquelas montanhas, onde as hastes que erguiam os abrigos eram utilizadas para conferirem a segurança do caminho nevado (eles já haviam evitado três buracos até aquele momento).
– Preocupado rapaz? – o barão questionava Nemuru, acompanhado de Lord James.
– E você não está Victor? Toda essa neve e vento não é nada se formos comparar com o quê nos aguarda. – respondia o príncipe.
– Entendo bem onde está querendo chegar meu caro. – falava James – Só pelo número de gente que nos acompanha, não será apenas um dragão o quê enfrentaremos.
– Ele pode ser visto é como um amigo chato por todos nós, comparado à horda de seres que estamos a caminho de encontrar.
– Do que você está sabendo? – perguntava Victor preocupado.
Nemuru, que não achava justo que aqueles dois fossem os únicos que não estavam plenamente conscientes de tudo o que os aguardavam, começou a lhes explicar detalhadamente atrás de quem eles estavam indo. Inclusive sobre o quê que eles enfrentariam.
Lord James ainda se mantinha firme no objetivo de resgatar Bara, mas o barão Victor, após terminar de ouvir toda a empreitada que lhe aguardava, começou a esmorecer. Tanto que, na primeira parada que fizeram após receber toda aquela informação, abandonou o grupo enquanto todos dormiam.
Dentro de seu gabinete, Dark Yami refletia sobre o seu exército. Precisaria de pelo menos mais dez drenagens iguais à primeira que fizera em Bara, para recuperar o tempo perdido, e para começar a acelerar o desenvolvimento dele. Mas para isso a princesa tinha de ter pleno descanso e estar muito bem assistida.
– Vou assisti-la enquanto comes, e examinares depois. – decidia ele se erguendo da cadeira que ocupava.
Tomou o caminho até a cela de Bara, e chegou até sua porta junto de Kimbe.
– Me-mestre! – se surpreendia o pequeno – O que fazes já aqui? Não iria ver a princesa mais tarde?
– Sim eu ias, mas tenho de fazer algumas averiguações nela. – disse ele já abrindo a porta – Mas hora vejas... Nossa hóspede estais a dormir...
Os dois se aproximaram de Bara em silêncio. Observando-a um pouco, Bara acabou chamando por Nemuru enquanto dormia.
– Parece... Que ela está sonhando. – comentou Kimbe apoiando a bandeja no chão.
– És verdade. Não serias desagradável se fostes acordada agora? – dizia Dark Yami já se divertindo com o espanto dela.
– Tens certeza senhor? Isso não afetaria o recuperar dela?
– Não estais na hora da refeição? – Kimbe só assentiu – Então não a afetarás. – e foi logo tocando no ombro de Bara – Acordes. Abre-te os olhos donzela.
– Humm... Só mais um pouquinho pai...
Um riso acabou escapado do perverso que já imaginava a expressão de pavor que receberia finalmente dela.
– Ora, ora... Não bastais sonhar com o pirralho e estais a pensar no teu pai também?
Nisso Bara abriu os olhos bruscamente. E reagindo sem querer ao ver quem de fato lhe despertava.
– Que faz aqui. E que hora é essa. – inquiria Bara com a maior indiferença que podia lhe dar após aquele susto.
– Hum-hum-hum-hum! Sois hora do almoço. Decidi ver-te mais cedo, pois quero confirmares a saúde. Kimbe! Sirvas a nossa convidada!
Kimbe obedeceu, e depois de ajeitada, Bara recebeu a bandeja evitando ao máximo olhar para Kimbe.
– Se importa se eu comer sozinha. – pediu Bara começando a comer.
– Terás de perdoar-nos, mas ficaremos. Como havias tido, quero examinar-te. Por isso ficarei até que tenhas comido o último grão, e que eu tenhas conferido cada centímetro de teu corpo. Assim como o havias feito assim que chegastes aqui.
Bara sentiu todo o seu corpo tremer (o que não escapou dos olhos do mago, para o seu prazer), e continuou com a sua refeição sem pronunciar uma única palavra.
Acabada a comida, Bara não teve outra escolha a não ser permitir que o mago lhe examinasse minuciosamente. Tendo ele acabado, e não conseguido encontrar nenhum sinal de moléstia na princesa, efetuou a drenagem sem nem mesmo avisá-la.
Bara não gostou nem um pouco daquilo. Ainda mais com ele conseguindo lhe tomar quase a mesma quantia da primeira vez.
– Ajude-as teu inútil, pareces que a princesa precisavas apenas de repouso mesmo. Até amanhã, my laid. – despediu-se o mago que partia satisfeito com a sua “colheita”.
Kimbe aguardou o afastar de seu amo para conversar.
– Sei que é uma pergunta tola, mas vossa alteza está bem?
– Dentro do possível Kimbe... – respondeu Bara com a voz meio fraca, aceitando a ajuda dele plenamente.
– Consegui confirmar o lado de fora e encontrei a escama, quer que eu a guarde ou prefere deixa-la dentro de seu colchão?
– Guarde-a consigo Kimbe. Talvez lhe seja mais útil do que a mim. – se ajeitava Bara.
– Irei retornar mais tarde com o jantar e a agua de seu banho. Não se esforce muito alteza. Ao menos não enquanto busco uma forma de preserva-lhe as forças.
– Obrigada Kimbe. – agradecia Bara com lágrimas.
Kimbe deixou Bara e só retornou na hora em que disse. Ajudou Bara no que podia já que ela ainda estava um pouco sem forças, e a deixou novamente assim que tudo estava concluído.
Apesar de ainda cansada, Bara não queria adormecer. Enrolou-se nos cobertores e se sentou próxima da janela. Voltando a observar o magma. Ela nem percebeu quando começou a ser banhada pela lua.
“Vamos recolher o fruto de nosso trabalho?!”
“Selena!” – surpreendeu-se Bara.
“Retire suas cobertas, e recolha o que farei emergir sobre a lava. E fique tranquila, pois o que vai sair não irá queima-la.”
Bara obedeceu ansiosa para descobrir o que resultou todo aquele esforço dela. Ela teve de aguardar alguns momentos, e ficou maravilhada ao ver o que parecia ser uma espada de cristal aparecer.
Aproximou-se com cuidado por causa da lava e para o aumento do seu admirar, a lava tornou-se rocha fria ao redor da espada, podendo pegá-la sem qualquer perigo.
“Ouça com atenção minha Filha. Esta, é a Espada Candra. Uma espada que só poderá ser manuseada por alguém de coração puro ou alma nobre, em quem você confie de todo o coração...”
A imagem de Nemuru e de seu pai vieram à mente de Bara, mas Nemuru carregava a presença mais forte.
“Entregue-a para quem o seu coração deseja, e ela o protegerá de todos os males. O que pertencer às sombras, será purificado. A natureza colérica, será apaziguada. E todo desafio mortal, será simplificado. A Espada Candra, é a mais nova ferramenta que concedo às minhas Filhas.”
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.