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38. Maldição

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-10-22 20:06:19

Mais nova ferramenta... Bara estava totalmente entusiasmada por descobrir como que cada uma daquelas ferramentas haviam realmente surgido e ainda mais por ter podido criar algo tão especial.

A espada, aparentemente feita de cristal (que devia ser o gelo) devia ter um metro e pouco entre o pomo e a ponta, e era tão leve que ela nem acreditava no qual fácil era erguê-la apesar do tamanho e do esforço que ela tivera para carregar o gelo até o magma.

O pomo tinha o formato e a aparência de uma lua cheia. A guarda, era uma rosa branca semi-aberta com as luas minguante e crescente incrustadas nela, e ramos de folhas fixando a base da lâmina. O punho, longo o bastante para ser segurado com as duas mãos, era da mesma cor da lâmina, azul meio turquesa assim como o gelo extremamente frio e saía de dentro da rosa. A lâmina, de dois gumes e perfeitamente reta, em sua base podia ser totalmente envolvida pelo polegar e o indicador de Bara (sendo que a base original do gelo não podia ser envolvida nem com as duas mãos antes), e a ponta, antes quase da mesma espessura de seu mindinho, agora era mais fina que a ponta de um alfinete. E finalizando, Bara pôde perceber um leve brilho claro emanando de toda a arma lembrando o luar.

Dependendo da forma com que ela segurava a espada, o brilho, branco azulado, tornava-se meio amarelado, lembrando-a da lava de onde o gelo havia se banhado e ganhado forma.

Impressionada com cada detalhe daquela arma, não via a hora de poder descrevê-la em seu guia. Ela só não sabia ao certo como fazer para guarda-la junto dos outros itens depois, pois naturalmente, não caberia de forma alguma no baú especial.

“Apresse-se Filha. Entregue logo a Candra para quem você deseja e continuemos fazendo a nossa parte para acabar com o sofrimento de minhas favorecidas.”

– Queria mesmo saber era o porquê de só poder existir uma Filha do Luar no mundo... – sussurrou Bara se preparando para se encontrar com Nemuru.

“Irei explicar o que faltou enquanto entrega a espada.”

Declarava Selena fazendo com que Bara se apressasse ainda mais.

Já era o quarto descanso do dia no grupo em que Nemuru fazia parte. Terceiro após a fuga do barão. Nemuru se ajeitava para descansar mais uma hora e meia para voltar a caminhar outras quatro. Esperava de coração que essa noite ele conseguisse se encontrar com Bara.

Já era um pouco mais de dez da noite, e se ele não conseguisse encontra-la, a próxima chance só seria depois das quatro da manhã. Mas para o seu alívio, ele não demorou em se ver novamente naquele lago rodeado por floresta.

– Bara? – chamava ele a procurando – Cadê você?

– Estou bem aqui Nemuru. – virou-se ele de volta para uma das direções em que ela não estava ainda, embasbacando-se com a beleza do que ela segurava.

– Acaso... Essa espada linda é o motivo de não termos nos encontrando ontem? – perguntou ele ainda admirando a espada que ela segurava com as duas mãos.

– Sim, é sim. – Bara ria sem jeito – Desculpe por tê-lo feito ficar esperando.

“Mas ainda não está concluída.”

Interrompia-os Selena.

“Pegue a Candra que está em suas mãos e mergulhe-a nas aguas deste lago que lhes servem de solo firme neste mundo de sonhos.”

Bara ajoelhou-se na superfície com Nemuru se afastando um pouco. Nenhum dos dois nunca haviam reparado no fato de estarem sempre caminhando sobre a agua quando dentro daquele lugar. Bara começou a mergulhar suas mãos com a arma, e um pequeno turbilhão se formava ao redor da lâmina. Ela se manteve a segurando o tempo todo. 

“Muito bem. Já pode retira-la da agua.”

Pronunciou Selena depois de alguns minutos. Bara a recolheu quase que imediatamente e os dois ficaram maravilhados ao verem que agora a espada possuía uma bainha, cuja aparência lembrava um sincelo.

“Agora sim ela está completa. Essa espada ajudará a pôr fim à maldição lançada sobre as Filhas d Luar.”

– Que maldição?? – os dois perguntaram em uníssono.

“Ouçam bem. Quando Qamar, sua bisavó minha Filha, conseguiu escapar de Dark Yami, ela ficou profundamente melancólica pela perda da irmã. Tornou-se uma nobre no reino em que passou a viver por conta de todo o seu esforço em proteger o povo que sofria com ela, e, quando se viu grávida, temendo o que poderia ocorrer à criança caso esse mago retorna-se, implorou-me um lamentável pedido...”

– Por favor Selene, me atenda! – uma voz feminina percorria o lugar deixando Bara e Nemuru levemente assustados – Quando minha criança nascer, sendo ela uma menina, uma Filha do Luar... Leve-me consigo para junto de minha irmã! E que assim continue até que aquele monstro deixe totalmente de ser uma ameaça para nós, suas Filhas...

Os príncipes ficaram sem reação diante do pedido feito entre lágrimas. Bara agora compreendia o porquê de ter ficado sem a mãe, e Nemuru, ficou tão determinado como nunca a ver sua amada livre de tal destino.

“Já não tenho nada mais a lhes revelar. Este é o motivo de só poder existir UMA Filha do Luar no mundo. Esclareça tudo sobre Candra para o seu eleito e entregue-a a ele.”

Algumas lágrimas escorriam pelo rosto de Bara por conta da revelação, mas ela se pôs firme para fazer o que tinha que fazer.

– Imagino, que a Candra à qual ela tenha se referido, seja esta espada. Estou certo?

– Está certo sim Nemuru... E acredite ou não, até ontem à noite, ela não passava de um monte de gelo.

– Como é?!

Bara contou tudo o que ela tinha feito sob orientação de Selena, o que acontecera durante o dia enquanto o gelo esteve submergido na lava, e tudo o que Selena lhe revelara após recuperar a espada do fogo líquido.

– Sinto-me extremamente honrado por ser aquele quem irá maneja-la. – declarou Nemuru já recebendo Candra em suas mãos e um leve sorriso.

– Espero de coração que ela possa guarda-lo bem e ajuda-lo a encontrar-se comigo mais depressa. – Bara ainda estava um pouco triste pela descoberta feita.

– Não se preocupe minha luz, te alcançarei antes mesmo que perceba. E antes que eu me esqueça, o barão fugiu do grupo hoje.

– Fugiu?! – isso animou um pouco Bara – O que o incentivou?!

– A verdade sobre o quê o aguardaria quando chegássemos. Agora só há mais um para querer se colocar entre nós dois.

– Espero que consiga convencê-lo a desistir também... – Bara lhe acariciava o rosto.

– Tenha a certeza de que tentarei.

– Eu te amo Nemuru...

– E eu te amo mais. Em breve estarei a beijando e abraçando de verdade.

Os dois enrolavam para se despedirem, mas um soldado que chamava Nemuru agilizou a separação deles. Bara voltou a se ver em sua cela e se apresou a chegar na área de temperatura neutra do lugar. Preparando-se para descansar o resto da noite e adormecendo sem muita demora apesar das saudades que tinha de todos.

Assim que Nemuru abriu os olhos, alguns dos soldados se assustaram com o aparecer da espada nas mãos do rapaz.

– Aonde está o Rei? – ele foi logo perguntando ao perceber que nenhum dos nobres que partilhavam da tenda se encontrava lá, e se vestindo às presas.

– Junto com os demais a frente do acampamento. – explicou o soldado que o chamara ainda sem entender de onde surgira aquela espada.

– Muito obrigado. – agradeceu Nemuru já pronto e saindo de encontro à eles.

– Não vejo a hora de ficar de frente com a minha noiva... – alegava lord James, contente por ser o “único” pretendente da princesa.

– Ai chega! Não aquento mais! Jõo, se importa se eu revelar para esse arrogante que ainda existe sim um pretendente no caminho dele? – pedia Keberanian com zero de paciência com aquele rapaz.

– Estou tão incomodada quanto você. Se você não tivesse me pedido isso, eu mesma o faria! – respondeu Jõo.

– Do que é que suas majestades estão falando? – questionava James confuso.

– Estamos falando de uma pessoa que conseguiu chegar na frente de todos aqueles que ficaram interessados em ter Bara como esposa. – explicava Keberanian – E mais! Que até já possui o coração da princesa! Por isso que ela recusou você e os outros sem pensar duas vezes.

– E quem seria este cara. Está entre nós por acaso? – inquiria James com indiferença.

– Agora estou. – respondia Nemuru por trás de James, surpreendendo o lord e fazendo os Reis rirem disfarçadamente dele. – Bara contatou-me e me entregou um pequeno presente. – terminou ele de falar já apresentando a espada.

– Onde foi que ela conseguiu isso!? – fascinava-se Mahotsukai – Nem preciso pegá-la para saber que é uma espada mística poderosa!

– Foi ela mesma que a criou na noite passada. Com a ajuda de Selena.

– Do que é que você está falando plebeu? E que historia é essa de você ser meu rival pela mão da princesa?

Nemuru, com toda a calma do mundo, revelou quem ele era de verdade e repassou para todos sobre o nascimento da espada. Deixando James com queijo beirando o chão de tão espantado pelas origens de Nemuru, que era um nobre muito acima dele.

– Não há dúvidas de que essa espada nos será bastante útil. – falou Jõo examinando a espada ainda nas mãos de seu filho – Não sei quanto às suas propriedades místicas, mas como arma em si... Candra é uma espada magnifica.

– E ela irá dar fim ao Dark Yami assim que estiver a frente dele. – declarava Nemuru recolocando a espada na bainha.

– Não se afobe meu jovem. Mesmo se não pudermos dar fim absoluto àquele homem quando o encontrarmos, poderemos reencontra-lo depois de libertarmos minha filha.

– Eu não teria tanta certeza majestade.

– O que quer dizer meu filho? – Jõo perguntava por todos que estavam igualmente intrigados.

– Me diga majestade, o senhor já parou para pensar na razão de sua esposa, mãe de Bara, ter morrido durante o nascimento dela?

– Bem... Mahina realmente teve dificuldades naquele dia, mas eu não vi nada de anormal nisso. – respondeu o Rei ainda sem entender.

– E se eu lhe dizer que a morte dela teve tudo a ver com o mal que estamos à caminho de enfrentar?

– Do que você está sabendo rapaz?... – pedia Keberanian tão preocupada quanto os outros.

Nemuru começou a explicar. Contou sobre a “maldição” que pairava sobre Bara e como ela surgiu. Mahotsukai parecia transtornado, com rios correndo de seus olhos.

– Então era isso... – o Rei recordava do passado – Foi por isso que Mahina começou a agir daquele jeito depois que lhe revelei que ela carregava uma menina no ventre!... – as Rainhas lhe davam apoio enquanto ele se sentava na neve – Depois... Depois que eu lhe revelei isso, ela... Ela começou a se comportar como... Como se o seu tempo estivesse perto do fim!

– Eu, imagino majestade. Sinto muito por revelar isso. – se lamentava Nemuru.

– Ela sempre ficava me dizendo do que gostaria caso deixa-se esse mundo. O que era para eu fazer ou deixar de fazer. Ela sabia que morreria na chegada de nossa princesinha!

– Acalme-se Mahotsukai. – era Jõo – Não há nada que possamos fazer em relação ao passado, mas temos como prevenir o futuro. Deixe para chorar essa tristeza depois que tivermos salvado plenamente sua filha.

– Tem razão. – Mahotsukai esfregava o rosto para secar as lágrimas – Tem a mais absoluta razão. Aquele demônio não vai escapar duas vezes. Ele não vai tirar minha filha de mim como fez com Mahina. – ele se levantava do chão – Mostre o caminho príncipe Nemuru. Poremos em prova o poder da Espada Candra.

– Com todo o prazer majestade. – respondeu Nemuru já assumindo a dianteira do exército com a espada em mãos.

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