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43. Pequenos avanços

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-11-05 21:59:27

Diferente de todas as outras noites, Bara conseguiu descansar muito bem. Tanto que acordou antes mesmo de ser chamada para tomar o café.

Animada com a ideia de que em breve estaria livre daquele lugar, ela pensou em surpreender Kimbe ao se mostrar bem disposta, diferente das outras manhãs.

Ela terminava de arrumar o seu leito quando reconheceu a voz que vinha de fora.

– Me-me-me-mestre!? O que o senhor fazeis aqui?!

“Aquele asqueroso estava me espionando?? Desde quando?” – Pensava Bara consigo não gostando nem um pouco daquilo.

A porta foi aberta com brutalidade, e a expressão raivosa de Dark Yami fez com que Bara desse um passo para trás sem querer.

– Entres logo teu inútil! E entregues de uma vez a comida! – ordenava o perverso quase chutando o pobre Kimbe.

– Se importa de explicar o que o senhor fazia? – perguntou Bara ainda preocupada com o tempo em que estava sendo observada.

– Querias averiguar-me, por mim mesmo, se de fatos estavas a descansar a noite toda ou não. – Bara começou a suar frio (será que ele a vi-ra enquanto falava com Nemuru?) – Mas pareces que tivestes uma noite plena desta vez.

Bara precisou lhe dar as costas para esconder o alívio que lhe escapava junto a um suspiro.

– Realmente essa noite foi diferente das outras. Mas ainda não compreendo o motivo de não se revelar. A não ser que... – Bara começou a cobrir seu busto, encarando o velho com asco no olhar.

– Não sejas tão convencida pirralha... – declarou o mago ao perceber o julgamento dela – Se eu a desejasses neste sentido, já a terias feito minha quando chegastes. O que me faz lembrar... O que tu sabes sobre as Filhas do Luar?

– Além da minha capacidade de melhorar a vitalidade das plantas e de poder encontrar pessoas por meio dos sonhos diante de circunstâncias especiais? Quase nada. Porque pergunta. – declarou ela começando a se servir.

– Estavas a recordar o que eis aprendido com aquelas duas... Que achas... De eu lhe ensinares o que sei sobre tu?

– Acho que me seria mais seguro passar a noite entre as suas criaturas bizarras.

Kimbe teve de morder a língua para não acabar rindo, e Dark Yami, precisou respirar fundo para não avançar nela e deixa-la quase sem força alguma, depois de mais uma afronta.

– Tu que sabes. – ele era áspero – Mas se a ajudas saber, uma Filha só sois realmente poderosa ao manter tua pureza. E sois teu poder o que me interessas, não teu corpo.

Bara acabou o observando de cima abaixo sem saber bem como entender aquelas palavras.

– Termines logo, tuas forças pareceis bem conservada agora. Pegareis o que quero mais cedo e não a vereis mais hoje.

Bara desviou o olhar. Terminou sua refeição o mais lentamente possível e, uma vez acabada, ela estendeu uma das mãos na direção do mago lhe negando totalmente a visão do rosto. Quanto menos contato pudesse ter com aquele homem, era melhor para ela.

Dark Yami que já estava começando a perder a paciência com todo aquele repúdio, tomou a mão da princesa e iniciou o drenar de energia. Como “vingança” pelo comportamento da princesa, ele foi menos gentil no processo. E Bara precisou se conter como nunca para não deixar a dor daquilo se sobressair sobre ela.

Dark Yami havia pego bastante dessa vez. Até Kimbe se impressionou com a aparência de seu mestre! E partiu com a “colheita” feita assim que terminou.

– Estou impressionada, não imaginei que ela fosse conseguir nos enviar tantos mapas assim. – declarava Jõo analisando as cartas.

– Também estou surpreso. Minha filha desenha bem, mas ela nunca foi tão rápida. Dê só uma olhada na quantia de detalhes!

– Com isso iremos conseguir efetuar um ataque mais que definitivo. Mas claro, se tudo continuar do jeito que estamos vendo aqui!

– Tem toda a razão Keberanian. Uma outra coisa que é melhor levarmos em consideração é o período em que eles estão mais ativos. Até os horários de trabalho e descanso deles Bara conseguiu nos fornecer!

– Jõo está certa. Se afaste só um pouquinho amigo. Ainda bem que o truque de Merida deu certo. – declarava Hilfe que estava vendo, ouvindo e falando através de Camau – Devo confessar que esse encantamento é bem mais interessante que um cristal.

– Mas é bom que o meu pássaro possa estar totalmente saudável após sua mística cortar sua conexão com ele. A menos que você possua outra forma de receber as cópias dos mapas que estamos fazendo.

Para que o grupo do norte pudesse ter acesso aos mapas também, todos aqueles que eram bons em desenho tomou um mapa para si e começou a os copiar. Ou seja, vinte pessoas trabalhavam nos mapas entregues por Bara.

– Ainda estou incomodada com a ideia de conversa-lhe através de um pássaro. Preferiria mil vezes que você tivesse mandado um mensageiro qualquer a usar esse truque... Singular. – confessava Jõo terminando de copiar o mapa que tomara para si.

– Quer mensageiro melhor que uma ave capaz de se esconder no ambiente e ainda se manter a uma distância segura dos perigos que estão se escondendo nessas montanhas? – argumentava Hilfe – Não minha cara. É fascinante a experiência que estou tendo agora. Sem falar que todos que estão próximos de mim podem ver e ouvir o mesmo que eu.

Jõo apenas concluiu o seu mapa e se preparou para montarem o plano de ataque e resgate. Onde Nemuru estava cada vez mais ansioso em pô-lo em prática para poder voltar a abraçar Bara.

Kimbe não deixou a princesa de imediato. Ele aproveitou que seu mestre deixara o lugar com certa pressa e ajudou Bara a se sentar.

– Acho... Que dessa vez... Ele recupera o tempo perdido... – declarou Bara exausta.

– O mestre já estava se contendo por não conseguir fazê-la agir de forma que o agradasse, e suas insinuações não foram lá muito lisonjeiras.

– Bem que você podia... Ter daquelas frutas que me trouxe... Ontem à tarde...

– Fala destas? – questionava Kimbe mostrando um frasco cheio de bagas que ele escondia em seu manto, já a ajudando a consumi-las sozinha.

– Você é um pequeno anjo, Kimbe. – falou Bara após terminar de comer algumas – Eu realmente não sei como lhe agradecer por toda a sua ajuda.

– Termine de comer primeiro. Tenho que ir porque já fiquei muito mais tempo do que podia. No almoço conversamos sobre o andamento dos mapas.

– Já estão entregues. – ele pasmou – Se quiser pode levar os originais que deixou comigo para evitar de serem encontrados aqui. Ainda me lembro das informações mais importantes.

– No almoço conversamos. – falou ele nervoso – Agora termine de comer e descanse. O mestre já declarou que não retornará hoje e pela cara dele... Duvido que ele se contradiga. Em breve retorno.

– Tudo bem Kimbe. – assentia Bara vendo-o sair enquanto se esforçava para terminar de comer aquelas bolinhas doces.

Bara sentia o seu corpo moído. Nem mesmo nas vezes que ela trabalhara escondida nas fazendas por um dia inteiro chegou a se sentir tão cansada como estava naquele momento.

Cochilou sentada.

E acordou momentos antes de Kimbe retornar com a próxima refeição. Bara ainda não se sentia 100%, por isso se forçou a consumir toda a comida ao invés de dividi-la com Kimbe para não ingerir tudo.

Ela explicou ao Kimbe como que os mapas tinham sido terminados e quando os entregou. Questionou o homenzinho se ele tinha ideia de há quanto tempo que Dark Yami ficou a observando dormir e o quanto que o invocar das criaturas havia avançado depois que ela foi parar lá.

Bara pediu para que Kimbe ficasse atento, pois não sabia quando ou como que Nemuru e os outros iriam aparecer. E Kimbe dava-lhe a palavra de que faria o que pudesse para ajuda-los quando chegassem.

Acabada a conversa, Bara ficou sozinha mais uma vez, mas ela já havia recuperado forças suficientes para perambular em seu quarto. Os mapas foram devolvidos, então a princesa começou a desenhar qualquer coisa até a hora do jantar (se não ganhasse um lanche da tarde mais uma vez).

– Princesinha petulante. – se encaminhava o mago até o local em que estava o cristal de musgravite – Qamar e Jashte me respeitavas mais! Sempre a bancares a valente... Ainda faço-a temer-me como deves. – queixava-se ele consigo mesmo.

Terminado de depositar a grande “colheita” do dia, Dark Yami agora se preparava para invocar um novo espectro, já que de todos, eram os espectros os elementos mais fortes de seu exército. Com cada um valendo por cem homens treinados.

Invocar esse tipo de ser era sempre perigoso, tanto que nenhum de seus lacaios (por exceção dos demais espectros) aceitavam ficar naquele ambiente quando o ritual a ser efetuado era o dos espíritos amaldiçoados.

A invocação de um espectro requeria muita energia, por isso o comum era efetuar-se aquilo com mais de um místico presente. Outro motivo para ele não ter invocado quase nada depois da chegada de Bara.

Ele fez os seus preparativos e, concluído tudo, começou a recitar o sortilégio que lhe daria o que desejava. Já fazia uns dois anos desde a última invocação daquele tipo de ser, então imagine a satisfação que ele sentiu ao ver que o ritual lhe trouxera dois ao invés de um espectro. E ainda restando alguma energia de Bara dentro do Cristal.

Cuidou de obter a servidão eternas daqueles novos seres rápido e, já mais bem humorado, resolveu voltar a procurar os registros que fizera sobre as Filhas do Luar.

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