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Penulis: LuadMel
last update Tanggal publikasi: 2026-11-06 04:00:21

Respirou fundo antes de realmente entrar na boate.

Não era sua intenção aparecer de novo ali, afinal, quando saiu na noite passada, avisou a todas as paredes e espelhos que aquilo não era lugar para si. Mas onde mais poderia trabalhar já que todo mundo a rejeitou, e por quê? Porque ela bonita? pior… pelo menos ali, sua beleza seria usada para alguma coisa, no entanto, uma coisa havia brotando em sua mente.

Eliza tinha razão quando disse que ela era um tesouro. Se corria risco de perder a virgindade com um velho nojento, que ao menos fosse bem pago para isso.

Travou no corredor.

Porque estava pensando assim? Isso não era da sua natureza.

Deu a volta para ir embora.

Parou.

Ela não tinha que dormir com ninguém naquela noite, então…

— Amélia? — A mulher travou, montou um sorriso no rosto e virou encontrando a mãe de Eliza que desfilava pelo corredor com uma taça de champanhe — Não sabia que vinha hoje, Eliza não me disse nada.

— Na verdade vim procurar por ela. Ela está no salão? — A mulher parou em sua frente, olhou-a de cima abaixo e negou.

— Eliza nesse momento está tendo a melhor noite da vida dela, e tem mais, com um homem milionário — Amélia entreabriu os lábios, incrédula, não sabia se sorria, se perguntava mais — Venha comigo. Preciso de alguém para fofocar sobre isso.

Pegou no braço de Amélia a levando para a sala do outro dia. Entrou deixando suas coisas de lado, foi para a cadeira grande atrás da mesa e então riu para a menina que entrava timidamente agarrando as alças de sua bolsa.

— Eu esperei muito por esse momento, e é claro que eu não sabia que logo a minha filha, iria me dar tanto lucro.

— Lucro? — Amélia repetiu a frase chamando atenção da mulher que logo ficou séria.

— Você e qualquer pessoa nesse lugar que sabe que a Eliza é a minha filha, pensa que estou usando ela para conseguir milhões, mas a verdade é que ela por si só, já consegue tudo o que sempre quis. Quando comprei esse lugar, Eliza seria a última garota que achei que fosse atravessar as portas, mas então, ela está indo muito bem.

— Eu não sabia que esse lugar existia, então não posso dizer que está usando sua filha para ter dinheiro. E entendi que você dar liberdade para garotas, não está obrigando e nem forçando ninguém a fazer o que não quer.

— Exatamente por isso que os deuses nos compensaram. — Amélia fechou os olhos para a gargalhada aguda que a outra deu — Uma mulher veio hoje, uma representante de Alexander Haeys, você sabe quem é Alexander Haeys, certo?

Amélia procurou no fundo da sua mente.

— É alguém das empresas Haeys, sei que são donos de petróleos.

— Ah pelo amor de Deus, qualquer garota da sua idade deveria saber quem é Alexander Haeys — Se ajeitou na cadeira convidando Amélia a se sentar em frente, ela o fez — Mas tudo bem, Alexander não aparece na mídia, mas sim, ele é um dos herdeiros das empresas de petróleo do pai.

Amélia riu de canto, algumas pessoas tem sorte que nascer e ter tudo sem precisar se esforçar.

— É um homem muito bonito, rico, lindo, rico, milionário, extremamente fechado, mas rico. Já falei que ele é rico? — Amélia soltou uma risada baixa — Esteve aqui ontem à noite e de repente, mandou alguém pela manhã procurar uma garota a qual ele tinha se encontrando, bonita, branca, cacheada, linda…

Amélia parou o sorriso na mesma hora.

— Mandei minha filha pra ele, porque se ele se agradar dela… ah, eu serei milionária, Eliza logo engravidará, e já aviso, não fará questão de se casar, mas terá uma mesada gorda para o resto da vida, nunca mais precisaremos trabalhar. — Amélia buscava em sua mente uma imagem de Eliza cacheada. Ela nunca foi e nunca esteve com os cabelos enrolados — Uma pena que essa oportunidade não apareceu quando ela ainda era virgem. Se Alexander Haeys comprasse a virgindade de uma mulher linda como minha filha seria por um bilhão de dólares. Ele pagaria mesmo, sabe por quê? — Olhou para Amélia que não sabia o que responder — Porque pessoas virgens são especiais, e nem todo mundo consegue.

Dinheiro.

Virgindade.

Milhões.

Seu irmão.

Ela tinha sua virgindade.

E ele os milhões.

— É, sobre isso, eu acho que preciso contar a você uma decisão que tive… — Amélia corou completamente — Eu so-

— MÃE — As duas olharam para a porta na mesma hora, Eliza atravessou a mesma com lagrimas nos olhos, um dos sapatos nas mãos, seu vestido rasgado, a maquiagem borrada — MÃE.

— Eliza — As duas levantaram — Eliza pelo amor de Deus, o que significa isso? — Aparou a filha que caiu em seus braços, em um choro alto cheio de vergonha, se encolheu no peito da mulher mais velha que não sabia o que fazer — Eliza o que aconteceu? Aquele homem te machucou? O que está fazendo aqui, era para estar na cama com Alexander Haeys.

— Ele me expulsou da casa dele — Contou ao ficar de pé — ele me mandou embora como se eu fosse uma qualquer… pior, ele me chamou de puta, disse que não pediu uma puta, pediu a mulher que ele queria — Voltou a chorar alto.

Amélia estava estática, a mais velha mais ainda.

— Eliza, como ele pode te tratar assim? Eu mesma vou até a casa dele exigir respeito, ninguém maltrata a minha filha.

— Mãe, ele me chamou de puta, disse que eu não era nem bonita, ele quer a garota que viu no banheiro… — Amélia arregalou os olhos dando um passo para trás, esbarrou na mesa derramando a taça.

Se assustou quando o vidro foi de encontro ao chão, espalhando o liquido e chamando atenção de Eliza.

— Amélia… o que você está fazendo aqui? — Chorou mais se arrastando até a garota. — Eu estou feliz de te ver aqui minha amiga, por favor, vamos beber?

A garota que viu no banheiro.

— Eu preciso de uma pessoa para chorar, porque aquele homem me rejeitou.

A garota que viu no banheiro.

— Ele disse que meu cabelo era horrível, que meu olhar era cheio de segundas intenções.

A garota que viu no banheiro.

— E pior ainda — Se ergueu olhando diretamente para Amélia, que não conseguia pensar em nada direito. — Disse que meu cabelo era horrível, e que não era cacheado de verdade, ele disse que não ficaria nunca com uma garota forjada.

Amélia abriu os lábios procurando ar.

— Ele disse que sou toda montada e nada natural, mas eu só fiz os lábios… — Chorou mais voltando para o colo de sua mãe — ele me humilhou mamãe, estou me sentindo a pior pessoa do mundo.

— Você não é a pior pessoa do mundo, e eu vou agora mesmo mandar uma mensagem para aquele filho da puta. Homem nenhum humilha meu bebê. — Saiu da sala deixando Eliza ainda mais chateada.

Se jogou no sofá tentando enxugar as lágrimas.

— Dormir com aquele homem seria a salvação da minha vida. E sabe o que aconteceu? Ele me trocou, me descartou, por uma garota de banheiro? O que ele estava fazendo no banheiro das mulheres?

Eliza levantou de uma vez.

— Ou era ela quem estava no lugar errado? Quem é a vadia que seduz homens no banheiro masculino?

Amélia piscou mais vezes.

— A minha mãe vai achar agora mesmo quem seria essa pessoa — Deu as costas a Amélia batendo a porta ao sair.

A garota olhou para todo o espaço diante de si.

Para a taça quebrada.

As peças de roupa que Eliza tinha jogado ali.

O sapato alto que com certeza havia sido caro.

E ela estava linda, e mesmo assim foi rejeitada.

— A garota do banheiro — repetiu em voz alta.

Sua mente fazendo suposições e até mesmo criou imagens.

Sacou o celular da bolsa pesquisando tão rápido quem era Alexander Haeys e seu coração teve um solavanco quando viu pela segunda vez, o homem que lhe tocou.

Alexander Haeys… o homem que estava no mesmo banheiro… aquele com o olhar penetrante, que lhe encarou, que lhe tocou, que fez seus pelos arrepiarem, que estava nos seus pensamentos mais cedo… ele estava atrás da mulher cacheada, que encontrou no banheiro.

— Está atrás de mim?

Queria não ter sorrido, mas foi inevitável.

-

-

Ele estava sorrindo.

Ana nem saberia dizer se isso era bom ou ruim.

O gelo do copo batia nas laterais enquanto ele brincava e sorria.

Sentado do outro lado da sua mesa de madeira, cheio de fúria.

Os olhos vermelhos.

O cabelo bagunçado.

Cacos de vidro pelo chão, e podia ver claramente o filete de sangue que escorria entre seus dedos e o tecido da camisa, se escondendo.

Ana engoliu a seco dando outro passo para dentro do escritório norte, tudo fechado, já passava das oito da noite, o momento exato em que ela reuniu coragem para subir as escadas após o escândalo que aconteceu naquela casa.

Se subisse na mesma hora que a prostituta desceu chorando e prometendo fazer a vida dele um inferno enquanto ele ameaçava lhe dar um tiro, provavelmente o tiro que seria para a loira cacheada, viria diretamente para sua testa — Alexander…

Ele parou.

O gelo parou.

O ar congelou.

Ela mesma não respirou.

Ele virou o rosto encontrando sua secretaria. Ela nem devia estar na sua casa naquele horário. Mas também, não seria ele a reclamar uma vez que precisava mesmo conversar sobre as merdas que a querida vinha fazendo.

— A garota chegou bem na boate, Kaio disse que ela foi chorando o caminho todo, porque você a humilhou.

— Eu quero mais é que ela e você e todo mundo desse lugar, vá se foder — Tomou o último gole batendo o copo da mesa e levantou de uma vez. Ana deu um passo para trás — Eu deixei uma ordem pra você. Uma única coisa eu queria hoje, você só tinha que me trazer a garota.

— Mas eu trouxe.

— NÃO ERA AQUELA — Gritou tão alto que Ana teve certeza que o trovão lá fora não se comparava com a tempestade que iria cair ali. — Me trouxe uma vadia mal vestida.

— Disse para trazer a garota branca com os olhos verdes, loira e cacheada, eu exigir exatamente isso e te trouxe aqui. — Alexander ajeitou o corpo, deu a volta na mesa arrumando sua camisa, desfilou pela sala tocando em algumas coisas até parar diante da janela — Essa não lhe agradou?

— Olhe bem para o que você mesma disse — Riu baixo — Olhos verdes… cacheada. — Ana estreitou os olhos — A vadia que subiu as escadas tinha olhos azuis, os cachos eram falsos, o perfume barato, o olhar de interesseira e o sorriso de quem estava preparada para engravidar de mim na primeira oportunidade. Mulheres como aquela, sempre, sempre fazem isso.

— Alexander essas mulheres com quem você dorme, estão realmente apenas esperando esse momento incrível, para nunca mais ter que trabalhar na vida — Foi clara — Quando falei com a dona, eu pedi exatamente com as mesmas palavras, e tudo bem, está certo, eu não reparei e nem olhei pra garota.

— Ruiva. — Ana soltou as mãos.

— O que? Não entendi.

— A garota era ruiva — Avisou devagar.

— Você não disse isso. Não disse que a garota era ruiva, apenas era…

— Ela é ruiva — A cortou devagar, sua voz saiu mansa, como se percebesse que havia deixado oculto uma informação que definiria totalmente a garota que dormiu consigo em seus sonhos na noite passada — Ruiva, uma linda ruiva, seus pelos são ruivos, até mesmo os cílios, sua pele é sedosa, branca, macia, leve, ela é delicada, não se entrega fácil, não se aproxima, não toca, ela sorrir, mas não muito, os lábios dela são carnudos e grandes, seu olhar de quem tem medo, mas está pronta para se defender… — Ana inclinou sua cabeça para o lado, incrédula — tudo, tudo aquilo que a VAGABUNDA QUE SAIU DAQUI NÃO ERA — Voltou a gritar e a secretaria se afastou — Você tem exatamente vinte e quatro horas pra achar essa mulher.

Caminhou até a secretaria que tentou fugir, mas foi encurralada quando caiu no sofá quase que imediatamente — Amanhã, nesse mesmo horário, eu a quero aqui. Ou nunca mais aparece na minha frente. O teu emprego, depende da chegada daquela ruiva na minha cama.

— Alexander…

— Não quero desculpas, ou além de demitida eu vou mandar picarem você inteira. — Deixou sua ameaça nos olhos, no coração e na alma de Ana que só voltou a respirar quando escutou a porta do quarto lá do sul bater com força.

Ela precisou de mais um tempo até colocar o pé no chão, de mais um para sair do escritório e foi parando aos poucos até a cozinha no andar debaixo, onde todos os empregados estavam alinhados como se soubessem que viria uma onda de demissões e explosões do grande Alexander Haeys.

— Eu sinto muito pela garota — Kaio foi o primeiro a se pronunciar — Eu busquei a que estava arrumada na frente, e quando ela entrou disse “me leve até Alexander Haeys, ele mandou vir me buscar” — Imitou a garota fazendo outros rirem.

— Estava com ele na boate naquele dia, podia ter me dito que não era aquela.

— Mas eu não entrei. Eu sou apenas o motorista, Paulo que deveria ter falado.

Jogou para o chefe da segurança que riu de canto antes de erguer a cabeça — Eu juro que ainda vou te matar Kaio — Virou para Ana — Eu não vi a garota de hoje chegar. Teria avisado.

— Pelo menos poderia ter me dito que ela era ruiva, ruiva, ruiva, isso é uma coisa tão importante. Alguém sabe quantas ruivas tem no mundo?

— Apenas 30% da população possuem os cabelos ruiv-

— CALA A BOCA MENINO — O pedido foi unissom.

Ana…

Paulo…

Kaio…

Julho…

Direcionados ao garoto mais novo da casa.

— Sailo, você só fala quando alguém pedir sua opinião, o que no caso, ninguém pediu aqui — Paulo bradou fazendo o garoto se recolher — Tudo bem que ele não disse que ela era ruiva, mas ela era bonita?

— Eu tirei uma foto — Sailo cortou a próxima fala de Ana, chamando atenção.

— Porque você anda tirando fotos das visitantes dessa casa? — Paulo perguntou calmo, mas já perdendo a paciência.

— A garota era bonita. E vai que ela pudesse cometer um crime contra o Sr. Haeys. — Paulo quase avança no garoto se não fosse Kaio — Tipo, se alguma coisa acontecer, alguém se lembra do rosto dela?

Todos se entreolharam, pararam pra pensar.

— Me dar o telefone — Paulo exigiu e todo orgulhoso, Sailo entregou. Olhou para a imagem — Céus, essa com toda certeza não é a garota ruiva do banheiro masculino.

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