共有

Capítulo 2

作者: Sem Humor
Minha avó ficou tão destroçada que não conseguia parar de chorar. Sem dizer uma palavra, reuniu meus tios e foi com eles até nossa casa, pisando forte.

— David! Venha para fora agora mesmo!

— Acha que a família Lloyd ficou sem ninguém? Como ousa tratar minha neta desta forma? Vou espancá-lo até não poder mais!

Diante dos meus dois tios — que pareciam prontos para despedaçar alguém — e da minha avó, que balançava sua bengala em sua direção, meu pai não pronunciou uma única palavra. Apenas conduziu os dois em direção ao santuário.

Minha avó cuidou de minhas feridas com cuidado, enquanto planejava me levar para longe dali. Pouco tempo depois, meus tios voltaram, com expressões sombrias. Sem trocar uma palavra, cada um me desferiu um tapa forte no rosto. Antes que eu pudesse reagir, arrancaram a bengala das mãos de minha avó e a golpearam com força contra minha cabeça.

O sangue escorreu, cobrindo-me os olhos. Segurei a ferida na cabeça, sem compreender o que se passava. Minha avó tentou intervir, mas seu rosto empalideceu ao ouvir algo que meus tios sussurraram. Deixou, então, que um deles me segurasse pelo braço e me obrigasse a ajoelhar.

— Mãe, bata nela com força. Mate-a hoje mesmo. Alguém como ela não merece viver neste mundo. Tenho certeza de que Margaret nos perdoará quando souber.

Minha avó ergueu a bengala.

— Sou uma mulher idosa. Se eu me entregar depois de acabar com você, não há muito o que possam fazer contra mim!

As medalhas militares em seu peito refletiam um brilho vermelho assustador.

Perdi a noção de quanto tempo fui espancada naquele dia. Só sei que, por fim, perdi os sentidos.

Fui despertada de supetão por uma dor lancinante, como se minha pele estivesse sendo rasgada. Ao abrir os olhos, percebi que ainda estava do lado de fora do santuário. Cães vadios mordiam e puxavam minhas feridas abertas. Um pedaço do meu couro cabeludo já havia sido arrancado.

Consegui me pôr de pé, cambaleando, e segui de volta para casa. Não ousei emitir um único som durante todo o caminho; meu pai sempre dizia que não suportava barulho.

Já havia pensado em nunca mais voltar a essa aldeia atrasada. Contudo, sempre que passava mais de três meses fora, meu pai aparecia com minhas duas irmãs adotivas em meu local de trabalho. Ali faziam um escândalo na porta do prédio, acusando-me de abandonar a família.

Pensei em romper todos os laços com ele de uma vez, mas hoje em dia tudo está conectado em todo o país. Bastava que ele registrasse um boletim de ocorrência por desaparecimento para conseguir me encontrar onde quer que eu estivesse.

Isso já havia acontecido quando meu terceiro noivo veio. Na ocasião, chamei a polícia. Mas quando os policiais chegaram, toda a aldeia se colocou ao lado de meu pai e afirmou que eu mentia.

— Ela vive entre livros. Passa o dia todo lendo e acabou perdendo o juízo!

— São três filhas na casa. As outras duas são meninas direitas. Não faz sentido que ele bata apenas nela, não é mesmo?

— Senhor policial, essa menina mente desde pequena e ainda furtava coisas. Não se pode acreditar em uma palavra do que ela diz.

Eu sabia que os moradores defendiam meu pai por causa de sua posição e prestígio. E não havia nada que eu pudesse fazer.

Após aquela vez em que chamei a polícia, ele me manteve trancada em uma caverna nas montanhas, completamente sozinha. Era um antigo abrigo antiaéreo: frio, úmido e sem nada, exceto água. Fiquei ali por uma semana. Quando me soltaram, mal conseguia ficar de pé.

Desta vez, ao chegar em casa, meu pai já dormia. Minha irmã adotiva pediu-me que parasse de criar problemas e fosse uma boa filha. Chegou mesmo a quebrar meu telefone e meu computador, cortando-me do mundo exterior.

Naquele instante, uma fúria indescritível tomou conta de mim. Corri direto ao quarto de meu pai, acordei-o e o encarei:

— Se não quer que eu me case, diga apenas isso! Por que então instiga meus noivos a me deixarem?

— O que fiz eu para merecer tudo isso? Desde pequena, cumpri cada ordem que me deu. Não é o suficiente? O que quer afinal que eu seja ou faça?!

Ele enfureceu-se por ter sido acordado. Pegou um banquinho e atirou-o contra mim. Caí ao chão, sem conseguir me mover. Em seguida, tirou o cinto e o enrolou ao redor de meu pescoço.

— Quero você morta! Morra de uma vez!

Lutei com todas as forças, mas não conseguia me soltar. Apenas, com cuidado, alcancei o telefone reserva que carregava comigo e liguei para a polícia.

Quando os policiais chegaram e me viram deitada no chão, levaram imediatamente meu pai e minhas duas irmãs adotivas sob custódia. No entanto, não importava o que lhes perguntassem: nenhum deles abriu a boca.

この本を無料で読み続ける
コードをスキャンしてアプリをダウンロード

最新チャプター

  • A Vila em Chamas   Capítulo 8

    Era ele o rapaz do vídeo. Fiquei estarrecida. Meu pai dissera que ele havia morrido, não dissera? Como então poderia estar ali, internado?Meu cérebro, lento e pesado, custava a processar aquilo; a sensação me causava tontura e náusea. A presença de Verde, porém, era como uma agulha a perfurar minha mente: mantinha-me desperta e me roubava o apetite.Na calada da noite, esgueirei-me até a ala masculina e o encontrei. Para minha surpresa, ele também estava desperto. Ao me ver, não demonstrou o mínimo espanto.— Finalmente chegou.Fitei-o, sem compreender.— Meu pai disse que você estava morto. Por que está vivo?Verde pediu silêncio com um gesto e me conduziu a uma pequena sala escondida no fim do corredor. Ali, revelou-me algo que me deixou sem fala.A verdade era que, naquela época, eu não havia agredido ninguém. Nada daquilo com o porco acontecera. A gravação havia sido adulterada. Tudo começara quando eu, por acidente, adentrara o santuário e descobrira provas dos crimes de meu pai.

  • A Vila em Chamas   Capítulo 7

    Após um breve silêncio, todos insistiram com meu pai para que me levasse dali imediatamente. Eu me sentia tomada por um desespero sem igual. De volta à aldeia, pretendiam novamente trancar-me no chiqueiro. Não ofereci resistência, mas fiz um único pedido:— Deixem-me ver uma última vez o que se encontra no santuário. Depois disso, façam comigo o que bem entenderem.Alguns trocaram olhares entre si e concordaram.No interior do santuário, antes mergulhado em trevas, as luzes se acenderam, revelando equipamentos modernos de vigilância. Uma câmera apontava diretamente para o meu quarto. Meu pai aproximou-se, ajustou alguns controles e exibiu uma gravação antiga.Nas imagens, eu aparecia dormindo na cama ao lado de um rapaz. Assim que ele adormeceu profundamente, levantei-me sem fazer barulho. Meia hora depois, retornei trazendo um porco que havia capturado. E então… comecei a praticar atos abomináveis com o animal.O rapaz despertou durante a madrugada e, tomado por horror ao que via, pôs

  • A Vila em Chamas   Capítulo 6

    — O que existe nesse santuário de que tanto fala? — Interrompi a sequência de perguntas, apoiando-me com dificuldade na mão ferida para me sentar. — Não há nada ali! Não façam mais perguntas! Tudo o que aconteceu antes foi uma encenação preparada por mim. Pensem que não passo de uma mulher desequilibrada.O policial franziu o cenho.— Fizemos um exame completo enquanto estava inconsciente. À exceção da lesão na cabeça, não há nenhum comprometimento em seu cérebro. Está perfeitamente sã. No entanto, seu corpo apresenta sinais de maus-tratos e espancamentos prolongados. Suspeitamos que tenha sido coagida.Esforcei-me ao máximo, tentando encontrar uma forma de afastar suas suspeitas.— Eu… eu fiz tudo isso de propósito. Odiava meu pai, então fingi ter esses ferimentos. Inventei cada detalhe. Por favor, não investiguem mais nada.Minhas palavras apenas aumentaram a desconfiança dos agentes. Após conversarem entre si, insistiram que meu pai os levasse até o santuário para examiná-lo. Supliq

  • A Vila em Chamas   Capítulo 5

    Não conseguia acreditar no que via e esfreguei os olhos com força. Mesmo assim, aquelas coisas continuavam ali, nítidas. Os punhos de meu pai e de meu avô desceram sobre mim novamente. Desta vez, não me esquivei. Apenas deixei que me batessem.— Bata até me matar. Realmente não mereço viver, nem ser amada por ninguém.Fechei os olhos na desesperança. O que me atingia começou com punhos, mas logo virou todos os tipos de objetos e ferramentas.— Devia ter morrido há muito tempo. Por que ainda está viva?— Deveria se matar logo. Iria poupar-nos da vergonha.“É verdade, devia me matar”, pensei. Assim, não atrapalharia mais ninguém. Com esse pensamento, me levantei devagar do chão.— Vou me matar. Só deixem-me ir.Eles me olharam com desconfiança.— Não está tentando usar isso como desculpa para fugir, é? Vou te dizer: não pense em nada disso. Toda a aldeia está cheia de nossos informantes. Será pega e trazida de volta, não importa para onde vá.Meu pai completou:— Isso mesmo. E assim que

  • A Vila em Chamas   Capítulo 4

    Assim que terminei de cuidar de minhas feridas, meu avô, Dan Miller — que há muito tempo havia rompido todos os laços com meu pai —, apareceu de repente. Ele foi direto ao meu quarto e, ao ver meu corpo coberto de hematomas, virou-se e desferiu um tapa forte no rosto de meu pai.— Como pode tratar seu próprio sangue desta forma? Ainda é um ser humano? Se não me explicar tudo com clareza hoje, jamais o perdoarei!Meu pai tentou falar, mas eu não ousei deixar que meu avô ouvisse uma única palavra. Segurei depressa a mão dele e supliquei:— Vovô, sei que faz isso por meu bem, mas me prometa que não irá ao santuário, está bem?— Não se preocupe, não irei lá. — Ele apertou minha mão com carinho. — Que santuário? Não me importo com isso de forma alguma. O que me importa é saber se minha neta foi ferida.Meu avô soltou um suspiro, e lágrimas rolaram por seu rosto já enrugado pela idade.— A culpa é minha. Não o eduquei como deveria. Criei um filho que é um verdadeiro monstro. Não tema: am

  • A Vila em Chamas   Capítulo 3

    — É um costume de nossa aldeia. Ele concordou em levar as pessoas até o santuário para prestar homenagens. O que acontece depois disso está fora de nosso controle.— Tudo está nas mãos do destino.Minha melhor amiga, que havia vindo junto com a polícia, viu meus ferimentos e tomou-se de indignação. Lançou-se sobre meu pai e agarrou-o pela gola.— Ela é sua própria filha! Como pode ser tão cruel! Não dizia que os costumes de sua terra são atrasados? Não espera que ela acenda uma vela em sua memória quando partir? Se a espancar até a morte agora, ninguém sequer cuidará de seu enterro quando estiver velho! Se não quer essa filha, então não a traga de volta vez após vez apenas para tratá-la como lixo. O senhor é um homem sem coração!Assim como eu, ela não conseguia compreender por que meu pai desejava minha morte e, ao mesmo tempo, não me deixava partir.Os policiais insistiam para que ele desse uma explicação. Meu pai soltou uma risada fria.— Se querem saber o motivo, acompanhem-me até

続きを読む
無料で面白い小説を探して読んでみましょう
GoodNovel アプリで人気小説に無料で!お好きな本をダウンロードして、いつでもどこでも読みましょう!
アプリで無料で本を読む
コードをスキャンしてアプリで読む
DMCA.com Protection Status