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Capítulo 22 — Entre segredos e aparências

Author: A escritora
last update publish date: 2026-06-22 11:00:39

Os três dias no Nature Paradise Resort haviam sido simplesmente perfeitos.

Longe das reuniões, dos compromissos empresariais e das responsabilidades diárias, Humberto Zanobi pôde dedicar toda a sua atenção à mulher que amava.

Emilyke parecia radiante.

Seu sorriso iluminava cada passeio, cada refeição compartilhada e cada conversa sob o céu estrelado.

Ao retornarem da viagem, porém, ela fez um pedido que o pegou completamente de surpresa.

— Humberto, eu estava pensando em uma coisa.

— Hum?

— Que tal passarmos o resto do dia na mansão?

Por um instante, o silêncio pairou entre eles.

O coração de Zanobi pareceu falhar uma batida.

Emilyke percebeu imediatamente a mudança em sua expressão.

— Está tudo bem? — perguntou ela, franzindo a testa.

— Claro que está.

A resposta veio rápida demais.

Rápida o suficiente para despertar ainda mais sua curiosidade.

Apesar do sorriso que tentou sustentar, seu rosto ruborizou discretamente.

Emilyke observou aquele comportamento estranho por alguns segundos.

Era incomum.

Muito incomum.

Ainda assim, decidiu não insistir.

— Se você não quiser, podemos ir para outro lugar.

— Não. Está tudo bem. Vamos para a mansão.

Ela sorriu, satisfeita.

Sem perceber, Humberto soltou um suspiro discreto.

Desde a partida para o resort, ele não havia recebido nenhuma notícia preocupante.

Maria estava responsável pela administração da casa.

Certamente tudo estaria sob controle.

Ou pelo menos era o que ele esperava.

Durante o trajeto, tentou afastar qualquer preocupação desnecessária.

Quando finalmente os portões da Mansão Zanobi se abriram, seus olhos percorreram rapidamente a propriedade, como se procurasse algo.

Tudo parecia normal.

As flores estavam cuidadas.

Os jardins organizados.

As janelas limpas.

Nenhum sinal de problemas.

Ao entrar na residência, sua surpresa aumentou.

A mansão estava exatamente como ele havia deixado.

Cada móvel em seu lugar.

Cada detalhe perfeitamente organizado.

Nem mesmo os funcionários pareciam tensos.

Maria havia feito um trabalho impecável.

— Está tudo tão bonito — comentou Emilyke enquanto observava o amplo salão principal.

— Sim... está mesmo.

Pela primeira vez desde o pedido da noiva, Humberto relaxou completamente.

A preocupação desapareceu.

Se havia existido algum problema, ele certamente já havia sido resolvido.

Emilyke caminhava pelos cômodos com curiosidade.

Embora estivesse noiva de Humberto há algum tempo, ela nunca passou longos períodos dentro da mansão.

Sempre preferira seus próprios compromissos, sua rotina e sua independência.

Naquele dia, porém, tudo parecia diferente.

Ela queria compartilhar aquele espaço com ele.

Queria conhecer melhor o lugar que fazia parte da história de sua família.

Durante horas, conversaram, caminharam pelos jardins e desfrutaram da tranquilidade do local.

Pela primeira vez em muito tempo, a mansão parecia verdadeiramente acolhedora.

Sem reuniões.

Sem empresários.

Sem discussões sobre contratos.

Apenas os dois.

O tempo passou tão rápido que Humberto sequer percebeu.

Foi apenas quando ouviu o som de um veículo estacionando na entrada principal que voltou à realidade.

— Estávamos esperando alguém? — perguntou Emilyke.

Antes que ele pudesse responder, um funcionário aproximou-se.

— Senhor Zanobi, o doutor acabou de chegar.

Humberto ficou imóvel por um instante.

Então se lembrou.

A última avaliação.

O compromisso que havia praticamente esquecido durante toda a viagem.

Seu semblante tornou-se sério.

Emilyke percebeu imediatamente.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não. É apenas a avaliação final que eu havia agendado antes da viagem.

A última avaliação médica de Constantine.

A jovem havia deixado a mansão durante a sua saída, mas o médico ainda precisava apresentar o relatório final sobre sua recuperação.

Emilyke observou a mudança repentina em sua expressão.

— Tem certeza de que está tudo bem?

Humberto forçou um sorriso.

— Claro. É apenas um assunto pendente.

Mas por dentro, não estava tão tranquilo.

Até aquele momento, Emilyke não fazia ideia de que uma jovem desconhecida havia passado dias hospedada em sua mansão.

O que contribuiu para um segredo desse tamanho para um casal que iria compartilhar a vida futuramente?

Talvez não fosse algo tão grave.

Talvez, porque jamais encontrara uma oportunidade adequada para explicar toda a situação.

E agora, com o médico entrando pela porta principal, aquele segredo parecia prestes a vir à tona.

Enquanto o doutor atravessava o hall de entrada, Humberto teve a estranha sensação de que sua tarde tranquila estava chegando ao fim.

Algumas verdades possuem o péssimo hábito de aparecer justamente quando menos esperamos.

Assim que o médico entrou na mansão, seu olhar percorreu discretamente o ambiente.

Emilyke estava sentada ao lado de Humberto, conversando tranquilamente.

O doutor compreendeu a situação imediatamente.

Afinal, durante as últimas semanas, ele acompanhara de perto tudo o que acontecera naquela casa.

Por esse motivo, manteve a postura profissional.

— Senhor Zanobi, gostaria de conversar com o senhor em particular, se possível.

Emilyke não pareceu se importar.

Na verdade, abriu um sorriso aliviado.

— Ótimo. Isso significa que vocês terão uma conversa longa e cheia de termos médicos que eu não vou entender.

Os dois homens sorriram.

— Talvez — respondeu o médico.

Ela aproximou-se de Humberto e depositou um beijo delicado em seu rosto.

— Vou para casa descansar um pouco. Nos vemos amanhã.

— Tenha uma boa noite.

— Você também.

Após despedir-se, Emilyke deixou a mansão.

Somente quando a porta principal se fechou foi que Humberto pareceu recuperar o fôlego.

O médico percebeu imediatamente.

— Aconteceu alguma coisa?

Humberto passou a mão pelos cabelos e soltou um longo suspiro.

— Por muito pouco não tivemos um problema enorme hoje.

O doutor franziu a testa.

— Como assim?

— Constantine foi embora antes da nossa chegada. Se Emilyke tivesse encontrado ela, os tios dela, a enfermeira e todas aquelas pessoas hospedadas aqui... eu nem imagino a confusão que isso causaria.

O médico permaneceu em silêncio por alguns segundos.

De fato, aquela situação teria sido difícil de explicar.

— Entendo sua preocupação.

— Eu não fiz nada de errado. Mas explicar tudo aquilo seria um pesadelo.

— Concordo.

Pela primeira vez, Humberto demonstrou uma inquietação genuína.

— E a avaliação? Você conseguiu falar com ela?

O semblante do médico mudou discretamente.

Uma sombra de decepção atravessou seu olhar.

— Não.

A resposta veio mais baixa do que o habitual.

— Eu esperava encontrá-la aqui.

Humberto percebeu algo diferente em sua voz.

— A recuperação dela não estava indo bem?

— Pelo contrário.

O médico abriu a pasta que carregava consigo.

— A recuperação foi excelente. Melhor do que eu imaginava.

Então fechou a pasta novamente.

— Mas eu gostaria de ter conversado com ela pessoalmente pela última vez.

Por alguns instantes, o silêncio tomou conta do escritório.

Era uma reação estranha.

Mais emotiva do que normalmente se esperaria de um médico.

Constantine havia chegado à mansão assustada, desconfiada e carregando o peso de muitas dificuldades.

Mesmo assim, em pouco tempo conquistara o respeito de todos ao seu redor.

Inclusive o dele.

— Ela é uma jovem extraordinária — admitiu o doutor.

Humberto permaneceu em silêncio.

Porque, no fundo, concordava.

O médico então ergueu os olhos.

— Você sabe para onde ela foi?

— Não exatamente.

— Uma pena.

Aquela resposta escapou antes mesmo que pudesse controlá-la.

Por um breve instante, o doutor pareceu tão desapontado quanto alguém que se despede de uma pessoa importante sem ter a oportunidade de dizer adeus.

E, embora não entendesse completamente o motivo, Humberto teve a sensação de que aquela não seria a última vez que o nome de Constantine surgiria em uma conversa dentro da Mansão Zanobi.

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