Home / Romance / A bela esposa do Sr. Rowland / Capítulo 2: A Traidora

Share

Capítulo 2: A Traidora

Author: Ogwu kosiso
last update Petsa ng paglalathala: 2026-03-17 22:29:17

O quarto estava silencioso quando Emily voltou a abrir os olhos lentamente. A cabeça latejava-lhe. O corpo doía-lhe.

 

  A luz forte acima dela fez-lhe apertar os olhos. Por um momento, não se lembrou de onde estava — até que tudo lhe voltou à memória. Charles. Julie. As mentiras. O bebé.

  Todos sabem, menos ela, o que significa que até a sua própria família sabe.

  Sentou-se lentamente, com uma dor aguda a percorrer-lhe as costas, mas desta vez não chorou. Os seus olhos estavam secos. O seu coração estava frio.

  Eles traíram-na

 

 

  Eles usaram-na.

 

 

  Daram-lhe drogas.

 

 

 

  Tiraram-lhe o corpo,

 

 

 

  a sua confiança e agora... o seu filho.

 

 

 

  Um bebé que ela carregou durante nove meses. Um bebé para quem ela cantava no escuro. Um bebé que sonhava abraçar. E agora diziam que aquele bebé não era dela?

 

 

 

  Emily ficou no hospital durante horas, deitada naquele quarto frio e silencioso. Ficou a olhar para a parede. Tentou chorar, mas não lhe saíram lágrimas. Sentia o peito apertado, a garganta seca, mas nada saía. O seu coração estava frio agora. Demasiada dor, demasiada traição — tinha-a entorpecido.

 

 

  Todos lhe tinham mentido. O Charles. A Julie. Até a sua própria família.

 

 

  As palavras de Julie continuavam a ecoar na sua mente: «Todos sabem. Tu és a única que não sabia.»

 

Isso foi o que mais doeu. A sua madrasta. A sua meia-irmã. Talvez até o seu pai… Será que todos sabiam? Ela não queria acreditar que o pai soubesse. Ele sempre fora gentil. Mas a dúvida já tinha começado a instalar-se, e isso doía mais do que qualquer outra coisa.

 

 

  Por fim, sem dizer uma palavra a ninguém, vestiu-se, saiu do hospital e entrou num táxi. A viagem para casa foi silenciosa. Olhou pela janela, observando as pessoas a caminhar na rua — a rir, a conversar, a viver vidas normais. Sentia-se como um fantasma ali sentada.

 

 

  Quando o táxi parou em frente à sua casa — a casa que ela pensava ser o seu lugar seguro —, o seu coração afundou-se. Já não parecia um lar. De dentro da casa, ouviu música. Risos. O som de copos a tilintar. Celebração. A voz da sua meia-irmã era alta, cheia de alegria.

 

 

  Depois veio a voz da sua madrasta, a falar animadamente.

 

Emily ficou lá fora, segurando a mala com força. Os seus olhos fixavam-se na porta da frente enquanto os sons de felicidade enchiam os seus ouvidos. Estavam a celebrar.

 

Talvez a sua dor fosse a vitória deles.

 

 

  Enquanto as risadas continuavam dentro de casa, a porta da frente abriu-se lentamente.

 

Emily ficou ali, em silêncio. Os seus olhos estavam calmos, mas o seu coração partia-se por dentro.

 

A sala ficou em silêncio quando a notaram. Ela deu um pequeno passo à frente e perguntou com uma voz suave, mas fria:

 

«O que é que se celebra?»

 

Todos se viraram para olhar para ela. Evelyn, a sua meia-irmã, levantou-se rapidamente e deu um passo na sua direção.

 

 

  «Mana...», disse ela com um sorriso forçado.

 

 

  Mas Emily levantou a mão, impedindo-a. Entrou lentamente, em silêncio — como uma tempestade prestes a rebentar. Os seus olhos percorreram os rostos na sala. As mesmas pessoas que ela tinha amado, ajudado e em quem tinha confiado durante anos.

 

 

  «Vocês todos sabem?», perguntou Emily, com a voz calma, demasiado calma. Eles pareciam confusos, ou fingiam estar.

 

 

  «Vocês todos sabem?», perguntou ela novamente, um pouco mais alto desta vez.

 

 

  «Sabemos o quê, querida?», perguntou a sua madrasta, a Sra. Carter.

 

 

  «O que estás a dizer, mana?», acrescentou Evelyn, com a voz a fingir ser doce. Os olhos de Emily ardiam de dor. Respirou fundo e falou com clareza, a voz já não suave.

 

«Não vou repetir-me outra vez. Vocês sabem todos que a Julie e o Charles são amantes — e que a criança que dei à luz nem sequer é minha?»

 

 

  A sala ficou em silêncio total. Ninguém falou. Ninguém negou. Aquele silêncio disse-lhe tudo o que precisava de saber.

 

Então, o pai dela finalmente disse: «Acalma-te, Emily», com a voz monótona, sem qualquer preocupação. Emily olhou fixamente para ele.

 

«Então, vocês todos sabiam...», sussurrou ela, com a dor a quebrar-lhe a voz.

 

 

  De repente, gritou: “VOCÊS TODOS SABIAM!” Agarrou no vaso de flores ao seu lado e atirou-o com força para o chão — este estilhaçou-se em pedaços. Todos se encolheram.

 

Emily começou a atirar coisas — um candeeiro, um copo, tudo o que conseguisse agarrar — enquanto gritava:

 

“Vocês todos me traíram!”

 

 

  “Porquê?!”

 

 

“Pensava que eram a minha família!”

 

 

“O que é que eu fiz para merecer isto?”

 

 

“Trabalhei até à exaustão por todos vocês!”

 

 

“Dei-vos tudo! Obedeci a cada palavra!”

 

 

  “E é isto que recebo?” Ela virou-se para o pai, a respirar ofegante, com os olhos vermelhos e arregalados.

 

“Responde-me!”

 

Ele finalmente falou, não com culpa, mas com amargura. “Culpa a tua mãe falecida”, disse ele friamente.

 

 

  «Ela deixou todas as ações da empresa em teu nome. Eu era o marido dela, mas ela ignorou-me — deu tudo a ti.»

 

Emily ficou paralisada. Os olhos encheram-se-lhe de lágrimas.

 

«E isso é motivo suficiente para destruíres a tua própria filha?», perguntou ela, com a voz trémula.

 

 

  O pai dela aproximou-se, com um olhar severo. «És tal e qual como ela. Teimosa. Recusaste-te a entregar-me as ações. Por isso, sim, precisávamos que o Charles se aproximasse de ti.»

 

Emily olhou para eles — a madrasta a desviar o olhar, a Evelyn com a sua expressão falsa e o pai, cheio de ódio. Nenhum deles negou. Nenhum deles se importava. Ela riu-se. Um riso frio e amargo que não parecia nada com ela.

 

 

 

  «Está bem», disse ela, enxugando as lágrimas. «Agora que me tiraram tudo... não me resta nada.» Olhou cada um deles nos olhos.

 

 

 

  «A partir de hoje, já não somos família.» «Não tenho mais nada a ver com nenhum de vocês.»

 

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • A bela esposa do Sr. Rowland   252

    “Prometo que você nunca ficará em desvantagem.”As palavras surgiram de repente na mente de Emily em uma tarde quente de verão, enquanto ela arrumava o quarto do filho. Ela parou, caminhou rapidamente até a estante e pegou um livro que estava intocado havia muito tempo.Ela abriu uma página e lá estava.Sua letra.A mesma promessa que havia escrito anos atrás, depois de uma noite feliz com Denovon.Sete anos.Sete anos haviam passado num piscar de olhos.O filho deles havia crescido.Dimitri Rowland, agora com mais de cinco anos, era uma versão menor e perfeita do pai. Emily mal conseguia acreditar no quanto sua vida havia se tornado feliz. Da manhã à noite, todos os dias eram repletos de felicidade. Ela não poderia ser mais grata.— Mamãe.Uma vozinha a tirou de seus pensamentos. Emily olhou para baixo e viu Dimitri tocando delicadamente sua mão.Ela havia ficado tão perdida em suas lembranças que nem percebeu quando ele entrou no quarto atrás dela.— Mamãe? — Dimitri chamou novament

  • A bela esposa do Sr. Rowland   251

    Emily estava deitada na cama do hospital, com os olhos fixos no filho minúsculo que dormia no berço ao lado dela. Já fazia quatro dias desde que dera à luz, mas tudo ainda parecia irreal. Ela continuava olhando para ele, com medo de que, se piscasse por muito tempo, ele pudesse desaparecer.Eles ainda estavam no hospital e permaneceriam lá por mais alguns dias, pois Denovon insistira nisso antes que recebessem alta.— Senhora, tem alguém aqui para vê-la — disse Deborah suavemente.Emily piscou, finalmente saindo de seus pensamentos profundos. Ela nem sequer tinha ouvido a porta se abrir.Deborah finalmente havia voltado ao trabalho depois de três meses de recuperação dos ferimentos.— Quem é? — perguntou Emily baixinho, mantendo a voz baixa para não acordar o bebê. Ela se perguntou quem poderia ser, pois todos os que eram próximos a ela já haviam feito uma visita.Deborah não teve a chance de responder. A porta se abriu novamente, e alguém entrou.— Sou eu.Os olhos de Emily se arrega

  • A bela esposa do Sr. Rowland   250

    (No dia seguinte)Os cílios de Emily tremularam lentamente, como se estivessem pesados demais para se erguer. Seus lábios se entreabriram, e ela soltou uma respiração fraca e trêmula antes que seus olhos finalmente se abrissem — cansados, turvos, mas vivos.— Você acordou — disse Denovon, aliviado, inclinando-se rapidamente para a frente. Ele estivera observando-a por horas, esperando exatamente por aquele momento.Emily piscou fracamente, confusa, enquanto tentava se concentrar no que estava ao seu redor. Sua garganta estava seca, e sua voz mal podia ser ouvida.— Onde... onde está meu bebê? — sussurrou ela.No momento em que as palavras saíram de sua boca, seu coração começou a disparar. Sua mão tremeu ao se mover em direção à barriga — agora menor, já não estava inchada. O medo percorreu seu corpo. Memórias que ela nunca quis reviver voltaram a percorrer sua espinha. O medo de perder um bebê novamente. O medo da dor.Sua respiração ficou superficial.— Calma, meu amor — disse Denov

  • A bela esposa do Sr. Rowland   249

    Denovon nunca havia se sentido tão impotente em toda a sua vida.Ele andava de um lado para o outro em frente à porta da sala de parto, com as mãos cerradas com força e o coração batendo tão rápido que parecia socar seu peito. Cada gemido suave e cada som fraco vindo de dentro da sala faziam todo o seu corpo ficar tenso de medo.— Por que está demorando tanto? — murmurou baixinho pela décima vez. — É realmente tão difícil dar à luz?Ele havia sido retirado da sala de parto mais cedo porque ficava gritando com a parteira, exigindo que ela fizesse alguma coisa para aliviar a dor de Emily. Sabia que não estava ajudando, mas ouvir os gritos dela o havia destruído. Ver a mulher que amava sofrer sem poder fazer nada para impedir aquilo o despedaçava por dentro.— Pare de andar de um lado para o outro, Den — disse Sophia, já irritada. Ela cruzou os braços e apoiou a cabeça na parede. — Você está me deixando tonta.Mais cedo, Sophia havia ligado várias vezes para Emily, mas ela não atendeu. P

  • A bela esposa do Sr. Rowland   248

    Cinco meses depois…O sol já havia se posto, pintando o céu com um suave brilho alaranjado.— O tempo está agradável... Estou com vontade de dar uma caminhada — disse Emily, sentada na varanda e respirando o ar fresco da noite.Ela não ia à empresa havia algum tempo. Sua barriga estava pesada, e faltavam apenas duas semanas para dar à luz. Denovon insistira para que ela parasse de trabalhar e guardasse suas forças para o bebê.— Então vamos dar uma caminhada. Isso também vai ajudar você a relaxar — disse Denovon gentilmente, levantando-se para ajudá-la a ficar de pé. Ele acabara de voltar do escritório, tendo saído mais cedo porque Emily estava descansando.— Vou pegar um casaco para você — acrescentou, indo até o guarda-roupa e trazendo um para ela. Enquanto a ajudava a vesti-lo, sorriu.— Obrigada, amor — disse Emily docemente, com os olhos brilhando de gratidão. Denovon vinha mimando-a ainda mais desde que ela engravidara, mas, mesmo antes disso, ele sempre cuidara muito bem dela.

  • A bela esposa do Sr. Rowland   247

    A recepção do casamento estava acontecendo. Leo e Vivienne estavam ocupados cumprimentando os convidados.O avô Gregory estava sentado a uma das mesas com Richard e Sophia, aproveitando um momento de descanso. Ele tomava sua bebida com uma expressão pensativa, observando o casal recém-casado, mas havia um leve sorriso em seu rosto. Ele estava realmente feliz por Leo.Nunca imaginou que Leo se casaria tão cedo, considerando o quanto ele sempre relutava quando conversavam sobre casamento. Mas agora ele estava casado antes de Zayne.Ao pensar em Zayne, a expressão do avô Gregory ficou feia. Ele se lembrou de que Zayne estava namorando sua Amelia.Já não estava na hora de eles se casarem? Ele se perguntou.Naquele momento, viu Amelia se aproximando deles. Ele suspirou enquanto esperava que ela chegasse mais perto.— Estou tão cansada — disse Amelia em uma voz baixa e cansada ao se sentar com eles.— Como você pode estar cansada se não fez nada? — perguntou Sophia, indiferente, sem se impo

  • A bela esposa do Sr. Rowland   Capítulo 3: Um Novo Começo

    Dito isto, virou-se e subiu as escadas. As pernas pesavam-lhe, mas estava decidida. Entrou no seu quarto — o mesmo quarto onde chorara, sonhara e trabalhara arduamente. Sem perder tempo, pegou numa mala e começou a fazer as malas. Apenas a roupa de que precisava, os seus documentos e o pouco din

  • A bela esposa do Sr. Rowland   Capítulo 1: A Verdade Desconhecida

    Bip... bip... bip... Os olhos de Emily Carter abriram-se lentamente ao som de um bip constante. Ela olhou para o teto branco e liso. Estava num hospital. A sua mão desceu até à barriga. Parecia lisa — já não havia barriga de grávida. Lembrou-se de ter dado à luz há pouco. O seu coração come

  • A bela esposa do Sr. Rowland   Capítulo 5: A cena

    A viagem de carro decorreu em silêncio. Emily e Denovon estavam sentados no banco de trás, ambos a olhar pela janela enquanto o motorista fazia curvas suaves pelas ruas da cidade. Não havia qualquer constrangimento — apenas silêncio, daquele tipo que não precisava de ser preenchido com palavras.

  • A bela esposa do Sr. Rowland   Capítulo 4: O Encontro às Cegas

    Quando Emily entrou no restaurante, ouvia-se ao fundo o som suave de música clássica. Os seus olhos percorreram o local e foi então que o viu. Um homem alto estava de pé junto à grande janela, com uma mão no bolso e a outra a segurar um telefone junto ao ouvido. Vestia um fato escuro que lhe ass

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status