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Capítulo 5

Author: Luana
last update publish date: 2026-09-22 04:19:50

Finalmente, a faxina tinha acabado.

Eu estava acabada.

Meu corpo inteiro parecia ter sido atropelado por um caminhão.

Minha mãe guardava as coisas enquanto eu ficava parada perto da porta, esperando a hora de ir embora.

— Graças a Deus — murmurei.

— Você está reclamando desde que chegou — minha mãe respondeu.

— Porque eu tenho amor à minha vida.

— E o que você fez hoje?

— Trabalhei.

Ela riu.

— Trabalhou?

— Muito.

Foi quando ouvi uma voz atrás de mim.

— Já vai embora?

Virei.

Gabriel estava descendo as escadas.

— Já.

— Nem vai se despedir?

— Eu estava justamente pensando em fugir sem falar com você.

Ele colocou a mão no peito.

— Nossa. Que consideração.

— Você sobrevive.

Minha mãe olhou para nós dois e sorriu discretamente.

— Gabriel, obrigada por ajudar a sua mãe hoje.

— Não fiz nada, dona Maria.

— Exatamente — respondi.

Ele olhou para mim.

— Você é muito chata.

— E você é um babaca.

— Vou sentir saudade.

— Não vai, não.

— Vou.

— Problema seu.

Ele começou a rir.

— Tchau, Penélope.

— Tchau, Gabriel.

Dei dois passos e voltei.

— E aprende a fumar direito.

Ele arregalou os olhos.

— Você ainda vai falar disso?

— Vou.

Minha mãe me puxou pelo braço.

— Vamos, Penélope.

Saí rindo.

No caminho para casa, minha mãe foi falando sem parar.

— Você se comportou?

— Me comportei.

— Não arrumou confusão?

— Não.

— Não ficou respondendo para o Gabriel?

Parei de andar por um segundo.

— Como a senhora sabe?

Ela me olhou de lado.

— Eu sou sua mãe.

— Isso não responde nada.

— Eu ouvi vocês rindo.

— E daí?

— Nada.

Ela sorriu.

— Só estou dizendo.

— Mãe...

— O quê?

— Não começa.

Ela riu.

— Tá bom.

Continuamos andando pelo morro.

Quando chegamos perto de casa, avistei Luciana parada na porta.

Ela estava com os braços cruzados.

Assim que me viu, abriu um sorriso.

— Finalmente!

Eu parei na frente dela.

— Que é, moleque? Tá me esperando?

— Tava.

— Vai procurar um macho pra você ficar atrás de mim.

Ela colocou a mão na cintura.

— Olha ela!

Minha mãe entrou em casa rindo.

— Vocês duas não têm jeito.

Luciana esperou minha mãe entrar e veio para perto.

— Tenho uma coisa pra te contar.

— Lá vem.

— É sério.

— Fala.

Ela olhou para os lados.

— É sobre o Tiago.

Cruzei os braços.

— O que tem aquele maluco?

— Eu soube de uma coisa.

— Fala logo.

— Quando o Tiago escolhe uma mulher do morro...

— Hum?

— Dizem que ela vira mulher dele.

Fiquei olhando para ela.

— Como assim?

— Mulher dele. Esposa.

— Tá de sacanagem.

— Não.

— E a mulher é obrigada?

Luciana deu de ombros.

— É o que estão falando.

Soltei uma gargalhada.

— Ah, pelo amor de Deus!

— Não ri!

— Luciana, você acha mesmo que alguém vai me pegar pelo braço e dizer: "Pronto, Penélope, agora você vai casar"?

— Eu não sei.

— Pois pode esquecer.

— Mulher...

— Eu não pertenço a homem nenhum.

— Eu sei.

— Se algum maluco tentar mandar na minha vida, eu mando ele tomar no cu.

Luciana começou a rir.

— Eu sabia que você ia falar isso.

— E outra coisa...

— O quê?

— Eu nem gostei daquele cara.

Ela levantou uma sobrancelha.

— Não gostou?

— Não.

— Você ficou olhando pra ele.

— Porque ele estava olhando pra mim.

— Ele mandou te chamar.

— E eu fui porque me obrigaram.

— Você ficou conversando com ele.

— Porque ele queria saber meu nome.

— E você ficou toda...

— Toda o quê?

— Nada.

— Fala.

— Nada.

— Luciana.

Ela começou a rir.

— Você ficou mexida.

— Mexida é a cabeça do caralho!

Foi nesse momento que ouvimos alguém chamando.

— Penélope?

Olhei para o outro lado da rua.

Um rapaz estava parado com um enorme buquê de flores nas mãos.

— É você?

— Sou.

Ele se aproximou.

— Isso é para você.

Olhei para as flores.

Depois para ele.

— De quem?

— Do Tiago.

Meu rosto mudou imediatamente.

— Do Tiago?

— Sim.

Luciana abriu a boca.

— Mulher...

Peguei o buquê.

— Como é que esse putão foi saber o meu endereço?

O rapaz deu de ombros.

— Não sei. Só mandou entregar.

Olhei para as flores.

Eram bonitas.

Bonitas pra caramba.

Mas eu estava mais irritada do que impressionada.

— Onde ele está?

— Não sei.

Olhei para Luciana.

— Você sabe.

Ela arregalou os olhos.

— Sei.

— Então vamos.

— Agora?

— Agora.

— Você vai fazer o quê?

— Perguntar pra ele como ele descobriu onde eu moro.

Luciana começou a sorrir.

— Isso vai dar merda.

— Provavelmente.

Pouco tempo depois, chegamos ao lugar onde Tiago estava.

Dois homens estavam na entrada.

Quando me aproximei, um deles levantou a mão.

— Não pode entrar.

— Eu preciso falar com o Tiago.

— Ele está ocupado.

— Ótimo. Quando ele desocupar, fala que eu tô aqui.

O homem ficou sério.

— Penélope, é melhor você ir embora.

— Não.

Luciana ficou atrás de mim.

— Penélope...

— Fica quieta.

Bati na porta.

Nada.

Bati novamente.

— Tiago!

Os homens se olharam.

— Senhora...

— Abre essa porra!

Lá dentro, Tiago estava sentado conversando com algumas pessoas.

Ele ouviu o barulho.

— Quem está fazendo essa confusão?

Um dos homens entrou.

— É a Penélope.

Tiago levantou os olhos.

Um sorriso apareceu no canto da boca.

— Deixa ela entrar.

A porta abriu.

Entrei carregando o buquê.

E parei.

Tiago estava sentado no sofá.

Ao lado dele estavam duas mulheres bonitas.

Olhei para as duas.

Depois para ele.

Depois para as flores.

— Ah, então é aqui.

Tiago levantou uma sobrancelha.

— O que aconteceu?

Joguei o buquê sobre a mesa.

— O que é que você foi mandar flor pra mim?

Ele sorriu.

— Gostou?

— Não muda de assunto.

— Você não gostou?

— Gostei das flores.

Ele sorriu.

— Então...

— Mas não gostei de você mandar.

As duas mulheres olharam uma para a outra.

Eu cruzei os braços.

— Você tá achando pouco essas mulheres que você tem?

Tiago olhou para as duas.

Depois para mim.

— Como?

— Quer mais uma, é?

Ele começou a rir.

— Penélope...

— Quantas mulheres você quer pra ficar satisfeito?

As duas mulheres começaram a rir baixinho.

Tiago passou a mão pelo rosto, claramente se divertindo.

— Você veio aqui por causa das flores?

— Vim.

— Só por isso?

— E pra perguntar como você descobriu onde eu moro.

— Eu perguntei.

— Pra quem?

— Pessoas.

— Que pessoas?

— Pessoas do morro.

— Eu vou descobrir quem foi.

Ele riu.

— Está brava?

— Não.

— Parece.

— Eu estou indignada.

— É diferente?

— Muito.

Tiago levantou do sofá.

— Você realmente não tem medo de mim.

— Já falei que não.

Ele caminhou alguns passos na minha direção.

— E veio até aqui sozinha?

— Não.

Olhei para trás.

Luciana estava praticamente escondida perto da porta.

— Trouxe ela.

Tiago olhou para Luciana.

— Ela está com medo.

Luciana apontou para mim.

— Eu? Não. É ela que é maluca.

— Traidora — murmurei.

Tiago riu.

— Você veio devolver as flores?

— Não.

— Então por que trouxe?

Olhei para o buquê.

— Porque eu não queria ficar com uma coisa sua.

Ele sorriu.

— Mas agora você está aqui.

— Estou.

— E está com raiva.

— Estou.

— Por quê?

— Porque você não pode simplesmente mandar flores pra minha casa.

— Posso.

— Não pode.

— Acabei de fazer.

— E eu acabei de reclamar.

Ele riu novamente.

— Você é engraçada.

— Eu não vim aqui pra te fazer rir.

— Mas conseguiu.

Fiquei encarando ele.

— Você gosta de provocar, né?

— Talvez.

— Eu também.

— Eu percebi.

Peguei o buquê novamente.

— Fica com suas flores.

Estendi para ele.

Ele não pegou.

— Pode levar.

— Não quero.

— Então j**a fora.

— Não vou jogar.

— Então faz o que quiser.

Coloquei o buquê de volta sobre a mesa.

— Pronto.

Dei meia-volta.

— Penélope.

Parei.

— O quê?

— Você ficou bonita com raiva.

Virei lentamente.

— Você está pedindo pra apanhar.

Ele sorriu.

— Talvez.

— Idiota.

— Até mais, Penélope Charmosa.

Saí batendo a porta.

Luciana veio logo atrás.

Assim que chegamos na rua, ela começou a rir.

— Não ri.

— Você ficou com ciúme!

— Ciúme de quê?

— Das duas mulheres.

— Eu? Ciúme?

— Ficou sim.

— Eu só achei ridículo ele mandar flores enquanto estava cercado de mulher.

— Sei.

— Para de me olhar assim.

— Assim como?

— Com essa cara de quem sabe alguma coisa.

Ela gargalhou.

— Você está ferrada.

— Por quê?

— Porque o Tiago achou você interessante.

Revirei os olhos.

— Problema dele.

Comecei a andar de volta para casa.

Mas, por mais que eu tentasse ignorar...

As palavras da Luciana ficaram martelando na minha cabeça.

E, pela primeira vez, eu comecei a pensar que talvez aquele homem realmente estivesse interessado em mim.

Só que uma coisa era certa:

se Tiago achava que eu seria mais uma mulher obedecendo às vontades dele...

Ele ainda não tinha conhecido a verdadeira Penélope Charmosa.

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