ログインDaniel não respondeu. Seu silêncio bastou.A primeira coisa que deveria fazer era procurar Ayla. Ela esperaria por ele, não importava em que estado voltasse. Só a notícia de que Daniel estava vivo já bastaria para deixá-la em paz.Mas, daquela vez, ele quebraria a promessa de voltar.— Você não confia no amor de vocês? Sacrificou tanto por ela. Se Ayla desistisse só porque você...— Confio. Mas não quero destruir o que houve de mais bonito entre nós. — Daniel travou a mandíbula.Sua voz saiu baixa, quase sem força, mas cada palavra veio banhada em sangue.Até Matheus, sempre tão distante de qualquer sentimento, sentiu os olhos arderem.— Talvez ela sinta muito a sua falta... Talvez, para Ayla, saber que você está vivo já seja o bastante.— O tempo cicatriza qualquer dor. Ela é forte. Se um ano não bastar, serão dois, três... Um dia, vai passar. Mas, se ficar ao lado de um inválido, vai sofrer pelo resto da vida.A lucidez de Daniel chegava a ser cruel.Ele sabia que Ayla sofreria mil v
Ayla e o bebê não precisavam carregar um fardo como ele.Daniel também não suportava o homem em que se transformou.Pensou que, depois de escapar da morte, finalmente poderia voltar para junto dela...Daniel fechou os olhos de repente. Tentou se agarrar à razão, mas as lágrimas romperam seu controle e escorreram pelos cantos de seus olhos.Sua respiração ficou curta e desordenada. O peito subia e descia com violência, e ele lutava para conter cada movimento.Nada, porém, mudaria a realidade.As mãos não tinham força. As pernas não sentiam coisa alguma.Agora era um inválido. Um inválido com os dias contados.— Daniel, não se entregue desse jeito!Aquela cena também atingiu Matheus.Fazia anos que os dois não se encontravam, mas ele conhecia o orgulho de Daniel. Aquele nunca foi um homem que se deixava vencer facilmente pelas dificuldades.Daniel não respondeu.Apenas mordeu o canto da boca com tanta força que, em poucos instantes, o sangue começou a surgir.A enfermeira correu até a ca
O médico explicou que a dificuldade para falar era esperada. Daniel ainda apresentava inflamação, a garganta estava congestionada e seu organismo permanecia extremamente debilitado. Depois de vários dias sem se alimentar, não tinha energia nem para sustentar a própria voz.— Meu... companheiro...Daniel ainda queria dizer muitas coisas.O médico pediu que descansasse, mas ele ignorou o aviso e insistiu em falar com Matheus.Lembrou que Sandro estava com ele no fim.Sandro também se feriu. Quando a consciência de Daniel começou a falhar, foi aquela voz que permaneceu junto ao seu ouvido, pedindo que resistisse.Matheus ficou surpreso e lançou um olhar ao assistente.Quando sua equipe encontrou Daniel, ninguém mencionou outra pessoa por perto.O assistente também não sabia de nada. A missão recebeu uma única ordem: localizar Daniel. Mesmo que alguém estivesse ao lado dele, sem instruções para levar essa pessoa, a equipe não faria isso.Matheus ainda reforçou várias vezes que a operação p
Mafalda soube de tudo o que aconteceu com Ayla por meio de Nuno.Nunca foi boa com palavras e não sabia consolar ninguém. Mesmo assim, enviou uma mensagem para Ayla. A resposta demorou e veio em poucas palavras.Mafalda sabia que ela não estava bem. À distância, aquele foi o único carinho que conseguiu oferecer.— E você e Nuno? Como estão? — Rebeca assentiu, mas logo se lembrou de outra coisa.Ela viu os comentários que circulavam na internet. Depois que Nuno rompeu com a família Fonseca, nenhuma empresa se atreveu a contratar o antigo herdeiro.Havia até quem apostasse que seu casamento não duraria três meses.Felipe parecia decidido a fechar todas as portas para o filho. Talvez a situação só melhorasse se alguém com influência suficiente interferisse no conflito.E só havia uma pessoa capaz disso: Ayla.Mas, assim que voltou a Astério, Ayla mergulhou de corpo e alma nos assuntos do Grupo Cardoso. Todos, num acordo silencioso, evitaram tocar no problema de Nuno.— Estamos bem. Ele...
— O que foi? Ficou sem resposta? — Rebeca aproveitou o silêncio para atacar de novo, certa de que Bruno finalmente esgotou suas mentiras.Bruno curvou os lábios. A tentativa de sorriso apertou as lágrimas nos cantos de seus olhos.Ao virar o rosto, ele as enxugou depressa com a ponta dos dedos.— O que mais quer que eu diga? Expliquei tudo o que podia. Se você não acredita, não há mais nada a dizer...Por um instante, Rebeca jurou ter visto Bruno chorar.Ela respirou fundo, agarrou a bolsa e saiu da sala privativa.Assim que deixou o bar, chamou um táxi e entrou às pressas. A urgência denunciava o medo de que Bruno surgisse atrás dela a qualquer momento.Só quando o carro percorreu uma boa distância, Rebeca baixou o vidro. O vento noturno bateu em seu rosto e, pouco a pouco, acalmou a inquietação que ainda ardia em seu peito.Ela esperou tanto por aquele momento.Finalmente viu Bruno atormentado, obrigado a baixar a cabeça.A satisfação, porém, durou pouco. Quando percebeu, já desapare
Bruno nunca se dignava a dar explicações a ninguém.Naquele momento, porém, queria arrancar o coração do próprio peito e colocar diante de Rebeca para que ela enxergasse tudo.Era essa a conta que a vida finalmente cobrava por todos os sentimentos que Bruno tratou como brinquedo?Agora que, pela primeira vez, falava sério, seu coração também merecia ser esmagado?— Rebeca, escute com atenção. O homem que Mia amava não era eu!— Durante três anos, eu ajudei Mia financeiramente. Trocamos muitas cartas, e eu sabia que ela era uma garota incrível. Quando nos conhecemos, porém, ela já estava doente. Passei muito tempo tentando convencer Mia a não desistir, mas... não consegui salvar ela.— Admito que disse coisas duras. Falei que ela era fraca, que não tinha força para reagir! Nunca entendi por que uma mulher podia jogar a própria vida fora por causa de amor. Meu maior arrependimento é que Mia era uma das poucas pessoas que considerei amiga de verdade, e mesmo assim não dei a ela o cuidado







