LOGINO corpo de Elara ainda está quente contra o meu quando o sol começa a subir de verdade.Eu não dormi direito. Passei a maior parte da noite acordado, ouvindo a respiração dela, sentindo cada pequeno movimento, como se a qualquer momento alguém fosse bater na porta e tentar levá-la embora. A mão continua espalmada na barriga dela, os dedos levemente curvados, possessivos mesmo no cansaço.Ela acorda devagar. Primeiro um suspiro. Depois o corpo tensiona por um segundo, como sempre faz, antes de lembrar onde está. Quando os olhos verdes se abrem e me encontram, há algo diferente ali. Não é só o desejo residual da noite. É peso.— Você ficou acordado de novo — ela murmura.— Fiquei.— Por causa deles.— Por causa de você.Elara desvia o olhar por um momento. Eu seguro o queixo dela e a faço voltar.— Fala o que está pensando.Ela demora. A garganta se move quando engole.— Ontem, quando eu fui com a Maeve para a cozinha… ela me perguntou se eu realmente conseguia imaginar uma vida longe d
O café da manhã termina em silêncio pesado.Maeve recolhe as xícaras com movimentos calmos demais. Luka permanece sentado, os braços cruzados, observando cada vez que minha mão se move em direção a Elara. Eu não disfarço. Mantenho os dedos na coxa dela por baixo da mesa, o polegar desenhando círculos lentos por cima do tecido da calça de moletom. Ela não se afasta. Só aperta um pouco mais a mandíbula.Quando finalmente nos levantamos, Maeve fala sem olhar diretamente para mim:— Vocês dois vão ficar na sala hoje. Sem sumir para o quarto. Sem se trancar. Eu quero vocês à vista.Eu quase respondo algo afiado, mas me contenho. Apenas aceno uma vez, rígido.Levo Elara até o sofá grande da sala de estar. Sento primeiro e a puxo para ficar colada ao meu lado. Meu braço passa por trás das costas dela, a mão terminando no ombro oposto, mantendo-a presa contra mim. Ela demora um segundo, depois cede, o corpo se acomodando no meu. O cheiro do cabelo dela sobe e me acalma de um jeito que eu odei
Eu acordo antes do sol atravessar completamente as cortinas.A luz ainda é fraca, acinzentada, do tipo que não aquece. Elara está deitada de lado, de frente para mim, o rosto relaxado pelo sono profundo. Uma das minhas mãos está espalmada na cintura dela, os dedos levemente cravados na carne macia. A outra está enfiada por baixo do travesseiro, perto demais do lugar onde eu costumo deixar a arma quando o nervosismo aperta demais. O lençol está baixo na cintura dela. Eu consigo ver as marcas que deixei no pescoço, no ombro, na curva do seio. Ontem eu gozei dentro dela de novo. O cheiro de sexo e de posse ainda gruda na pele dos dois.Eu gostaria de poder trancar o mundo do lado de fora e ficar só com isso.Mas o mundo está no quarto de hóspedes.Eu escuto movimento no andar de baixo. Passos leves, cuidadosos. O barulho de uma xícara sendo colocada sobre a bancada de pedra. O chiado baixo da cafeteira. Maeve já está acordada. Provavelmente há algum tempo.Elara se mexe. Um pequeno gemid
A conversa acaba, mas o peso dela não.Maeve se levanta primeiro. O movimento é lento, controlado, como se ela estivesse segurando algo que ameaça explodir. Luka a acompanha com o olhar antes de se erguer também. Eu continuo sentado, a mão de Elara ainda presa na minha. Eu não solto. Não agora. Talvez não nunca.— Eu quero um copo d’água — Maeve diz, a voz mais baixa. — E quero que ela venha comigo até a cozinha.Eu abro a boca para recusar, mas Elara aperta meus dedos antes que eu consiga falar.— Eu vou — ela diz, surpreendendo os três. A voz dela sai rouca, mas firme. — Só… um minuto.Eu viro o rosto para ela. O olhar que trocamos é carregado. Eu não gosto. Cada fibra do meu corpo grita contra a ideia de deixá-la sair do meu campo de visão com a minha mãe. Mas há algo no jeito que Elara me olha — uma decisão silenciosa — que me faz soltar a mão dela devagar.— Cinco minutos — eu aviso, a voz baixa e dura. — Depois eu vou atrás.Maeve não responde. Só acena uma vez e sai na frente.
Eu os levo para a sala de estar sem soltar a mão de Elara por um segundo sequer.Meus dedos estão firmes em volta dos dela, quase dolorosos de tão apertados. Eu sinto o tremor fino que percorre o braço dela, mas ela não tenta se afastar. Quando chegamos ao sofá maior, eu a puxo para sentar colada ao meu lado. Minha coxa pressiona a dela. Meu braço passa por trás das costas dela de forma clara, possessiva, quase desafiadora. O corpo dela está rígido, mas ela se deixa ser puxada.Maeve e Luka se sentam no sofá oposto. O espaço entre os dois sofás parece uma fronteira. O ar está pesado demais para o tamanho da sala.Ninguém fala por um tempo longo demais.Eu sinto o olhar de Maeve queimar em mim e depois deslizar para Elara. Ela observa as marcas no pescoço dela, a forma como nossos dedos estão entrelaçados, a proximidade forçada dos nossos corpos. Luka permanece em silêncio, os cotovelos apoiados nos joelhos, o olhar sério e calculista que eu conheço desde criança.Maeve é a primeira a
O relógio marca 19:47.Eu estou de pé na sala de estar, perto da janela que dá para a entrada da mansão. Elara está sentada no sofá atrás de mim, as mãos apertadas uma na outra sobre o colo. O vestido preto que eu escolhi para ela marca o corpo de um jeito discreto, mas as marcas no pescoço ainda aparecem por cima da gola. Eu não pedi para ela esconder. Não quero que esconda.O silêncio entre nós é denso.Eu sinto a presença dela como se fosse uma segunda pele. Cada respiração. Cada pequeno movimento. Desde mais cedo, quando a fodi devagar na cama e depois a lavei com as minhas próprias mãos, algo mudou no ar. Não ficou mais leve. Ficou mais pesado. Mais real.— Você está nervoso — ela diz baixo, a voz rouca.— Estou preparado — corrijo.— É a mesma coisa.Eu me viro e olho para ela. Elara levanta o rosto. Os olhos verdes estão mais calmos do que eu já vi, mas ainda carregam aquele fundo de medo e desafio. Eu caminho até o sofá e me agacho na frente dela, as mãos grandes cobrindo os j
Capítulo 6 — O Jantar BrancoO vestido era branco.Claro que era.Nem marfim, nem pérola, nem qualquer mentira elegante inventada para suavizar a crueldade. Branco. Liso. Escandalosamente simples. O tipo de vestido que parece inocente até tocar a pele errada.— Não vou usar isso — digo, segurando o
Capítulo 5 – Tempestade no ConvésO sol do Caribe bate forte no meu rosto enquanto caminhamos pelo convés principal. O robe de seda preta que Zion me deu mal esconde o que aconteceu nas últimas horas. Meus pulsos ainda estão marcados, vermelhos sob as mangas largas. Cada passo me lembra que estou a
Capítulo 4 – Migalhas de LuxoZion continua deslizando o morango gelado pelo meu mamilo, circulando lentamente, provocando. Elias mantém dois dedos pressionados contra minha entrada encharcada, abrindo-me, mas sem penetrar, apenas sentindo o quanto estou molhada e desesperada.— Diga — repete Elias
Capítulo 3 – A Espera que QueimaO tempo dentro dessa suíte se transforma em algo viscoso e cruel.Minutos se esticam como horas. Não sei mais se passaram trinta minutos ou três horas desde que a porta se fechou com aquele clique definitivo. O relógio digital na mesinha marca 23:47, mas o mar negro







