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Capítulo 3

작가: Pink Whisky
Filho…

Uma dor aguda, cortante, tomou conta do corpo inteiro de Ivone, como se alguém tivesse enfiado um punhal direto no coração dela.

Numa noite, Fabiano tinha chegado bêbado em casa e, por engano, tinha entrado no quarto de Ivone. Ela nunca esqueceu que, no momento em que ele chegou ao clímax, ele encostou a boca no ouvido dela e chamou ela de "Ivi".

Naquela mesma noite, Ivone engravidou do filho de Fabiano. Depois da descoberta, a relação entre eles dois ganhou uma espécie de delicadeza estranha. Ele continuava passando várias noites fora, mas mandou um nutricionista cuidar exclusivamente das refeições dela, três vezes ao dia.

Ivone achou que aquele seria o começo da felicidade. Mas, no inverno seguinte, com oito meses de gestação, o coração do bebê parou de bater de repente. O feto morreu dentro dela, e tudo o que restou foi a indução do parto.

Com medo de que Ivone desmoronasse, a equipe médica se recusou a deixar que ela visse o bebê. Ivone não teve a chance de se despedir direito, nem de segurar a mãozinha dele pela única vez que seria possível.

Por um bom tempo, ninguém ousou pronunciar a palavra "filho" na frente de Ivone. Aquilo se tornou um território proibido no coração dela. Agora, ao ouvir o assunto ser trazido de volta, Ivone sentiu como se tivesse sido jogada dentro de um poço de gelo.

O som leve de passos ecoou pela escada. Uma empregada subia do andar de baixo.

— Oi, senhora. — A moça cumprimentou.

Ivone voltou a si, enxugou discretamente o vermelho nos olhos, ajeitou a bandeja com a vitamina de banana nas mãos e entrou no quarto.

A conversa lá dentro cessou de imediato. Assim que viu Ivone, Paula franziu a testa, com uma dor visível no olhar. Se Paula soubesse que Ivone estava subindo, ela não teria tocado no assunto do filho.

Paula virou a cabeça na direção de Fabiano, esperando que ele, por iniciativa própria, fosse até a esposa e ficasse ao lado dela. Mas Fabiano continuou ali, duro como um bloco de gelo. Ele lançou um olhar breve, distante, para Ivone e, logo depois, saiu do quarto.

Só quando Paula finalmente adormeceu, Ivone mediu de novo a temperatura da avó. Depois de confirmar que a febre tinha cedido, ela deixou o quarto.

Naquela noite, Paula tinha ordenado que Ivone e Fabiano dormissem na Mansão Grande Venice. Ela ainda tinha mandado o mordomo acompanhar pessoalmente Ivone até o pequeno prédio onde ficava o antigo quarto de lua‑de‑mel do casal.

O "quarto de lua‑de‑mel" era, na verdade, uma construção separada dentro do terreno da mansão, reservada exclusivamente para os dois.

Ivone não fazia ideia de onde Fabiano tinha ido. Desde que ele saiu do quarto de Paula, ele não tinha dado mais sinal de vida.

Fabiano nunca tinha sido um homem de obedecer às ordens. Agora que ele já tinha assumido o controle de tudo, ele não precisava mais seguir a vontade de nenhum Moraes. Era bem possível que ele já tivesse ido embora sem olhar para trás.

Quando Ivone chegou à porta do quarto, ela lançou um olhar de lado para o mordomo, que tirava o celular do bolso. Ela não pôde deixar de suspirar.

— Tio Raul, o senhor devia ir descansar. Já tá tarde. — Disse ela.

— Senhora, não posso. Dona Paula pediu que eu tirasse uma foto, pra provar que você entrou no quarto. — Respondeu Raul, sem rodeios.

No passado, Raul chamava Ivone de "senhorita". Depois que ela se casou com Fabiano, mesmo sem Fabiano ter reconhecido de fato o papel de esposa, Paula tinha decretado que toda a família Moraes devia tratá‑la como Sra. Moraes ou Dona Ivone.

Ficava claro que Paula não confiava em absolutamente nada.

Ivone não sabia mais o que dizer. Ela ficou ali, parada na porta, com uma expressão quase de rendição, enquanto Raul tirava duas fotos dela com o celular.

Depois de conferir as imagens, Raul assentiu, satisfeito.

— Agora sim, posso voltar tranquilo. Desejo uma boa noite pra senhora. — Disse ele, antes de se afastar pelo corredor.

Quando Ivone viu as costas do mordomo sumindo na direção da escada, ela soltou o ar devagar. Ainda bem que Fabiano não estava ali. Assim, ela poderia dormir sozinha.

Ela fechou a porta com a mão esquerda e, assim que o trinco encaixou, se apoiou na madeira, curvando o corpo enquanto pressionava a perna direita, que tremia de dor.

Ela quase não tinha conseguido continuar fingindo normalidade. Na noite anterior, um dos homens que a agrediram tinha acertado a perna direita dela com três chutes. Três. Cada um com força suficiente para quebrar osso. Se tivessem dado mais dois, a perna certamente não teria aguentado. Quando a polícia pegasse aqueles desgraçados, ela faria questão de que alguém acabasse com eles.

De repente, a voz de Fabiano cortou a escuridão:

— Quer que eu vá aí e te leve no colo?

A frase ecoou no quarto mal iluminado, inesperada e fria.

Ivone levou um susto. Ela tinha acabado de entrar e ainda não tinha acendido a luz. Ela virou o rosto na direção de onde a voz tinha vindo e, aos poucos, a silhueta dele foi se definindo. As lentes dos óculos refletiram a luz por um segundo.

Fabiano estava recostado à lateral da janela aberta, com um cigarro entre os dedos. Ivone o encarou, com uma mistura confusa de surpresa e cansaço.

Então ele não tinha ido embora. Ele tinha voltado antes dela e estava ali o tempo todo. Aquilo só podia significar que, naquela noite, os dois dividiriam o mesmo quarto.

Em outro momento, Ivone teria sentido o coração disparar, o rosto quente, cheia de pequenas expectativas. Mas, agora, a imagem do acordo de divórcio na gaveta e a certeza de que Maia tinha voltado ao país apagavam qualquer ilusão.

Ivone não se deu ao trabalho de acender a luz. Ela engoliu a dor que latejava na perna direita e começou a caminhar, devagar, até o sofá. Se fosse preciso, ela se ajeitaria ali mesmo por uma noite. Amanhã seria outro dia.

Mas, antes que ela conseguisse chegar ao sofá, uma mão a puxou com força. O corpo dela perdeu o equilíbrio e foi lançado para frente, caindo direto contra um peito largo e quente que a envolveu por completo.

No exato momento em que Ivone tentou se soltar, a mão que apertava a cintura dela se fechou com força. O beijo quente e úmido que o homem deixou na região da orelha arrancou um arrepio instintivo do corpo dela. Desde o Natal do ano anterior, aquela tinha sido a primeira vez que Fabiano voltava a tocá‑la.

Em questão de segundos, o mundo de Ivone girou. Ela se viu prensada contra o sofá, completamente envolvida pelo calor da respiração dele.

Os beijos profundos e demorados deixaram Ivone sem qualquer defesa possível.

— A vovó falou que a gente devia ter um filho. — Disse ele.

As palavras caíram sobre Ivone como um balde de água gelada. Ela lembrou, de imediato, do acordo de divórcio dentro da gaveta do escritório e da conversa que tinha escutado de Paula. Ela virou o rosto, fugindo dos lábios dele, e encarou aqueles olhos capazes de enfeitiçar qualquer um.

A garganta de Ivone pareceu se encher de agulhas:

— Você quer um filho… ou quer o que a avó prometeu pra você em troca desse filho?

Fabiano segurou os dois pulsos dela e os prendeu acima da cabeça. Com a outra mão, ele tirou os óculos. Sem a barreira das lentes, os olhos dele ficaram frios e cortantes como os de um predador. Ali estava o verdadeiro Fabiano.

— Que diferença faz? Quando você bateu o pé dizendo que queria casar comigo, você já devia saber como seria. — Respondeu ele.

O rosto de Ivone perdeu a cor.

— Não é, Sra. Moraes? Ou devo chamar de Ivi? — Ele completou.

O tom era carregado de uma falsa intimidade, mas o que atravessou Ivone foi pura dor. Um apelido sem nenhum traço de afeto, só de ironia, para ela soava como uma sentença.

Fabiano sabia exatamente onde atingir para machucá‑la. Ele soltou um riso baixo, inclinou o corpo e a dominou com facilidade.

Quando Fabiano arrancou a blusa dela, o corpo de Ivone se encolheu com violência. O cérebro reagiu antes da razão, jogando de volta as imagens da noite anterior, dos golpes, dos chutes, das mãos arrancando o tecido da roupa dela…

Se não fosse pelos desconhecidos que apareceram gritando e ameaçando chamar a polícia, ela sabia muito bem até onde a coisa teria ido.

Naquele momento, ela já nem conseguia distinguir direito se o homem por cima dela era Fabiano ou um dos agressores da noite passada.

— Não! — Gritou ela.

Como uma leoa acuada, Ivone avançou e cravou os dentes no pescoço de Fabiano.

Na penumbra do cômodo, ele soltou um gemido rouco.

— Então você cresceu mesmo, hein? Teve coragem de me morder? — Murmurou ele.

Uma mão grande agarrou o queixo de Ivone. Com a outra, Fabiano arrancou a própria gravata, pronto para amarrar os pulsos dela e conter a resistência.

O toque estridente de um toque de celular cortou o ar de repente. A tela iluminou o ambiente com um brilho azulado e recortou, em sombra, as duas figuras no sofá.

O aparelho, largado sobre a mesa, vibrou e virou alguns graus, o suficiente para que o visor ficasse totalmente visível para Ivone.

[Maia]

Era Maia ligando.

A distração de Fabiano durou apenas um segundo, mas foi o bastante. Ivone se esgueirou debaixo dele, se afastou como pôde e, com as mãos trêmulas, puxou de volta a roupa aberta, cobrindo às pressas os hematomas enormes e arroxeados que marcavam o corpo todo.

Ela arrastou a perna direita dolorida até o canto do sofá e se encolheu ali.

A luz do abajur ao lado do sofá acendeu de repente. A gravata pendia frouxa na gola de Fabiano, e dois botões da camisa tinham sido arrancados. O pomo de Adão dele subiu e desceu, denunciando o esforço para recuperar o controle.

O celular continuava tocando sem parar.

O rosto de Ivone estava lívido, o que deixava o vermelho dos olhos ainda mais gritante. Ela lançou um olhar cortante na direção dele e disse, com um sorriso que não chegava nos olhos:

— Sr. Fabiano, você não vai atender a ligação da sua ex‑namorada?
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