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CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
CEO Fabiano, Você Foi Chutado para Fora do Jogo!
Autor: Pink Whisky

Capítulo 1

Autor: Pink Whisky
Quando Ivone saiu da delegacia, já era madrugada avançada. Do lado de fora, nevava sem parar.

Os poucos pedestres que passavam pela rua olhavam, curiosos, para aquela mulher de rosto marcado por hematomas arroxeados, cabelo emaranhado e passos mancos. Mas Ivone simplesmente ignorava os olhares e os comentários murmurados.

Ela arrastava as pernas pesadas, caminhando devagar, de cabeça baixa, com a expressão vazia, enquanto encarava a tela estilhaçada do celular. Ela tocava, com os dedos cheios de pequenos cortes e sangue seco, a função de discagem, e digitava um número.

Como era de se esperar, assim como na chamada de emergência que ela tinha feito, desesperada, enquanto apanhava, ninguém atendeu.

Um floco de neve grudou nos cílios de Ivone. Ela piscou, e a água gelada derreteu direto dentro dos olhos.

— Heh. — Ivone deixou escapar um sorriso de escárnio.

Ela estava realmente em frangalhos. No instante em que a mão dela perdeu as forças e começou a descer, a chamada finalmente foi atendida no último segundo.

— O que foi?

A voz masculina, grave e levemente rouca, soou fria do outro lado da linha.

A mão que apertava o celular enrijeceu de repente. O rosto de Ivone se contraiu num misto de surpresa e incredulidade:

— Fabiano…

— Sr. Fabiano, a Srta. Maia está procurando o senhor.

Antes que Ivone conseguisse terminar a frase, a voz do assistente de Fabiano, Rui, apareceu do outro lado. Em seguida, Ivone ouviu Fabiano dizer, num tom indiferente:

— Eu vou desligar primeiro.

O que ela ainda teria para dizer morreu de vez, engolido pelo sinal de linha ocupada.

Na esquina deserta, sob um poste altíssimo, a neve caía sem trégua sobre o cabelo de Ivone. O corpo magro dela tremia levemente.

De repente, um casaco ainda quente, com cheiro de rua e de gente, caiu sobre os ombros dela.

Ivone se sobressaltou e ergueu o olhar. Quem tinha chegado era o chefe dela, editor Edson.

Edson a encarou de cima a baixo, com um olhar pesado, carregado de indignação:

— Quem foi o desgraçado que te deixou desse jeito?

O hálito de Ivone saiu em nuvens brancas. Ela balançou a cabeça e respondeu, firme:

— Quando eles me bateram, eu arranquei alguns fios de cabelo deles. Minhas unhas também ficaram cheias de pele deles. Quando a polícia coletar o DNA, logo, logo eles vão descobrir quem foi.

Por um instante, Edson ficou sem reação. Mesmo espancada daquele jeito, Ivone tinha mantido a cabeça fria o suficiente para garantir evidências biológicas dos agressores. Aquela Ivone, pensou ele, justificava bem a admiração que ele sentia por ela.

— A gente vai até o fim com isso, eu te prometo. Mas a essa hora, o melhor é eu te levar pra casa.

Aquele ponto da cidade era péssimo pra conseguir táxi. Ivone forçou um meio sorriso e entrou no carro de Edson.

— Edson, desculpa incomodar.

— Incomodar o quê, Ivone? Você é minha funcionária. Você apanha na rua e eu vou fingir que não é problema meu? E, pra completar, hoje à noite todo mundo saiu pra trabalhar. Só sobrou eu na redação.

Edson girou o volante e continuou, como quem joga conversa fora:

— A ex‑namorada do Fabiano voltou pro país. Dizem que ele foi pessoalmente buscar ela no aeroporto. A equipe inteira correu pra tentar garantir a primeira foto exclusiva.

Os olhos de Ivone, já vermelhos de cansaço e rompidos de sangue, congelaram de repente. A cabeça dela pareceu explodir por dentro. Na mesma hora, ela entendeu: enquanto ela era arrastada para um beco, chutada e esmurrada, ligando para ele em desespero, Fabiano estava do lado de outra mulher.

Edson, alheio ao impacto das próprias palavras, continuou falando sem perceber que o semblante dela tinha ficado cada vez pior.

Ivone abaixou os olhos e encarou as pontas dos dedos manchadas de sangue. Em seguida, ela apertou com força o dorso da própria mão, já em carne viva. Ninguém fazia ideia de que ela era esposa de Fabiano.

Ivone não deixou que Edson a deixasse na porta de casa. Ela pediu para ele parar num condomínio mais próximo e, de lá, chamou um carro de aplicativo até o condomínio Vida Doce.

Quando Ivone finalmente entrou em casa, ela se abaixou no hall de entrada para trocar de sapatos. A empregada, Dulce, ouviu o barulho, veio ver quem era e se assustou ao dar de cara com aquela cena. Ela correu até Ivone.

— Senhora, o que foi que aconteceu? Como é que a senhora ficou desse jeito? — Dulce perguntou, apavorada.

Dulce tentou segurar Ivone pelos braços para ajudá‑la, mas esbarrou sem querer nos machucados. Ivone não reagiu. Ela parecia completamente anestesiada, como se o corpo tivesse desligado. Os olhos dela estavam vazios, sem um mínimo brilho.

— Eu apanhei durante uma reportagem de infiltração, fazendo trabalho de repórter. — Explicou Ivone, num tom leve demais para quem tinha sido espancada.

Ivone comentava tudo como se não fosse grande coisa, mas Dulce ficava com o coração na boca a cada frase que ela dizia.

Ela já sabia, fazia tempo, que trabalhar como repórter em matérias de denúncia social era perigoso, só não tinha imaginado que fosse um tipo de perigo que chegava tão perto da morte.

Naquele momento, Dulce se lembrou de como Paula, avó de Fabiano, tinha insistido para que Ivone largasse aquele emprego. Talvez a Paula não estivesse tão errada assim.

Dulce percebeu que Ivone mantinha o olhar preso no móvel dos sapatos. Dulce não teve coragem de encarar o rosto dela e ficou com a expressão carregada, cheia de coisas que ela não ousava dizer:

— O Sr. Fabiano… ainda não voltou. Disseram que a Maia chegou de volta ao país.

Ivone abaixou a cabeça. Algumas mechas soltas de cabelo cobriram metade do rosto dela. O olhar ficou impossível de decifrar, mas Dulce sentiu que ela estava sofrendo.

— Talvez ele… — Dulce tentou arrumar alguma explicação.

Ivone ergueu a mão e cortou a frase pela metade:

— Eu vou subir pra tomar banho. Leva a caixa de primeiros socorros pro meu quarto.

Quando Dulce viu o jeito trôpego com que Ivone subiu as escadas, ela soltou um suspiro mudo. Mesmo assim, ela fez o que Ivone tinha pedido e foi procurar a caixa de remédios.

Ao passar em frente à suíte principal, Dulce olhou para dentro, só por reflexo. Como ela já imaginava, Ivone não estava ali. Ivone estava no quarto ao lado.

Quem poderia imaginar que, depois de três anos de casamento, Ivone e Fabiano ainda dormiam em quartos separados?

O vapor tomou conta do banheiro. Diante do espelho, Ivone encarou os hematomas enormes e roxos espalhados pelo próprio corpo, tão feios que chegavam a ser assustadores.

Os lábios dela começaram a tremer. Ela agarrou a barra da blusa com os dedos duros e trêmulos e, com um puxão brusco, rasgou o tecido, jogando tudo no lixo.

Parecia que ela tinha esgotado as últimas forças. As pernas falharam, e ela escorregou, caindo sentada no chão frio.

Pouco depois, um choro baixo começou a ecoar de dentro do banheiro. Quando Dulce parou para prestar atenção, do lado de fora, tudo o que ela conseguiu ouvir foi o barulho forte da água caindo.

Depois do banho, Ivone não deixou que Dulce passasse pomada nos machucados. Ela se sentou no sofá, pegou o tubo e espalhou o medicamento de qualquer jeito sobre as áreas roxas, depois se jogou na cama.

Assim que fechou os olhos, as imagens da agressão voltaram à cabeça dela como um filme, junto com a risada cruel daqueles homens. Os ossos dela pareciam doer por dentro.

Ivone se virou de lado, abriu a gaveta do criado‑mudo e tateou até o fundo, até os dedos encontrarem um frasco de comprimidos. Ela abriu a tampa, derrubou um deles na palma da mão e jogou o comprimido direto na boca, engolindo seco, sem nem beber água.

Com a ajuda do calmante para dormir, Ivone apagou rápido.

Mas, mesmo dormindo, ela continuou com as sobrancelhas franzidas. O suor começou a brotar na testa, e os dedos que agarravam a ponta do lençol ficaram brancos de tanta força, tremendo sem parar.

— Me ajuda… — Murmurou ela.

Afundada no pesadelo, Ivone ficou com o rosto completamente lívido. O corpo magro dela não parava de tremer, e as lágrimas escapavam pelos cantos dos olhos fechados. O quarto escuro, amplo e vazio não devolveu nenhuma resposta.

Ivone só acordou no fim da tarde do dia seguinte. Os hematomas no rosto já tinham desbotado bastante, mas o resto do corpo ainda doía. Quando ela tentou se levantar, quase caiu no chão.

Na noite anterior, ainda bem que alguns desconhecidos de bom coração tinham passado por ali e começado a gritar que iam chamar a polícia. Só assim aqueles homens interromperam as agressões e não foram além. Se não fosse por isso, Ivone tinha certeza de que já estaria no céu, reencontrando os pais.

Edson tinha dado alguns dias de folga para ela, para que ela pudesse descansar em casa.

Ao descer as escadas e passar pela porta da suíte principal, Ivone parou na entrada e lançou um olhar rápido para dentro. A porta estava aberta, igual à noite anterior. Ela não precisou de muito para concluir que Fabiano não tinha voltado pra casa.

Dulce tinha preparado um omelete. Ivone se sentou no sofá, começou a massagear de leve o próprio rosto para desinchar e, ao mesmo tempo, desbloqueou o celular para olhar as notícias.

Não era à toa que chamavam Fabiano de chefe da família Moraes. A manchete, publicada na noite anterior, ainda estava no topo e bombando.

Na foto, a silhueta do homem aparecia alta e firme, recortada contra a noite, como uma árvore enorme fincada na escuridão. Mesmo sendo só uma imagem de costas, alguém vendo não tinha como ignorar a força da presença que ele transmitia. Na cadeira de rodas que ele empurrava, a mulher deixava à mostra apenas a parte de cima das costas.

Maia Dias.

Ivone fechou a notícia em silêncio, mas, no movimento seguinte, acabou pressionando sem querer uma área inchada do rosto. A região machucada reagiu com um espasmo leve, e ela franziu a testa. Os olhos começaram a arder, ficando cada vez mais vermelhos.

"Ivone, você é patética. Três anos… será que você ainda não entendeu o que tem dentro do coração do Fabiano?" Ela falou consigo mesma, por dentro.

Em seguida, Ivone se levantou, voltou ao quarto para trocar de roupa e depois foi até o escritório de Fabiano, querendo pegar dois livros para tentar distrair a cabeça.

O escritório de Fabiano estava impecavelmente organizado, sem nenhum adorno desnecessário, totalmente diferente do escritório dela, abarrotado de blind boxes e de todo tipo de brinquedo.

A gaveta da escrivaninha tinha ficado entreaberta. Uma das janelas do escritório estava meio aberta, e o vento que entrava fazia os papéis dentro da gaveta farfalharem sem parar.

De repente, uma folha se soltou e voou para o chão.

Ivone foi até lá e se abaixou para pegar o papel. Ela já ia colocar a folha de volta, mas, no instante em que enxergou com clareza o que estava guardado dentro da gaveta, o olhar dela ficou totalmente paralisado.

Bem diante dos olhos dela, estava um acordo de divórcio.
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