Se connecterGeraldo estava prestes a explodir, quando Maia lançou um olhar leve, quase preguiçoso, na direção dele:— Eu estou te avisando, Geraldo. Você tem rabo preso comigo. Se você me irritar de novo, experimente e veja o que acontece.Ela soltou um resmungo frio e disse para a empregada:— Estou com frio. Me leve para dentro.No jardim, enquanto via Maia se afastar pouco a pouco, o olhar de Geraldo foi escurecendo.Depois que Caçador tinha morrido, ele é que devia ter dado um fim em Maia, naquela bastarda.Dentro da casa, a cabeça de Maia parecia abrigar duas vozes sussurrando, uma contra a outra."Fabiano está com a Ivone.""Fabiano jogou você fora."...Doze horas antes.Quando o helicóptero pousou, Ivone finalmente conseguiu ver o contorno inteiro da pequena ilha. Era um lugar bonito a ponto de parecer irreal, como se fosse um pedaço de paraíso perdido.Por um instante, ela ficou sem reação e, ao mesmo tempo, sentiu uma estranha familiaridade.Acabou atribuindo aquela sensação ao fato de j
— Quem é essa pessoa não tem nada a ver com você. — Rui disse essa frase gelada e, assim que terminou, desligou o celular.O céu já tinha escurecido. Passado o Ano-Novo, a agitação de Uíge também tinha se apagado.Nas ruas e vielas, já não havia mais o barulho das pessoas reunidas. Em todo lugar havia só aquele vazio típico de depois de festa.Principalmente naquela casa do condomínio Vila Imperial: o silêncio ali parecia o de um túmulo.Na cabeça de Maia, só ecoavam as poucas frases de Rui. Quanto mais ela pensava, mais tudo se misturava. Demorou um pouco até que ela conseguisse pôr as ideias em ordem.Nos últimos tempos, tudo tinha sido exatamente como ela temia: Fabiano só tinha se aproximado por causa do sangue dela, ou de alguma coisa ligada a esse sangue.Agora que ele tinha encontrado alguém mais adequada do que ela, ela não passava de uma peça descartável.Quando pensou nisso, Maia sentiu como se tivesse perdido toda a sensibilidade. O corpo ficou duro, entorpecido. Ela ficou e
O rosto de Ivone ficou vermelho de vergonha e de ódio. Só podia ser doente aquele homem.Ela virou o rosto de volta, fechou os olhos e repetiu para si mesma, várias vezes, que só ia ter forças se conseguisse dormir direito.Ela não sabia quanto tempo tinha passado. Em algum momento, acabou pegando no sono, meio leve, meio inquieto. Depois, despertou num sobressalto, virou a cabeça e olhou de novo para o homem no sofá em frente. Ele continuava imóvel. Só então ela deixou as pálpebras caírem de novo, pesada.O helicóptero começou a descer devagar. Quando Ivone acordou, o dia já tinha clareado.Ao redor, havia um mar azul intenso. No horizonte, o oceano parecia não ter fim. Dali a pouco, uma pequena ilha surgiu dentro do campo de visão dela. À medida que o helicóptero se aproximava do pouso, os contornos da ilha iam ficando nítidos.No primeiro instante, quando viu a forma da ilha, ela achou que fosse aquele mesmo pedaço de terra abandonado, no mar territorial da Colômbia, onde já tinha e
— Você acha que é o máximo, né? — Ivone engoliu a vontade de soltar um palavrão mais pesado e ironizou. — Além de querer calar a minha boca, por que você não pega logo um canhão e explode ela de uma vez?Ela sabia que Fabiano, daquele jeito meio louco, era capaz de qualquer coisa.Fabiano ouviu o tom exagerado dela e percebeu imediatamente a tentativa de desviar os pensamentos dele. A suposta astúcia que Ivone acreditava esconder tão bem nunca passava despercebida aos olhos dele.O corpo dela estava todo enrolado na manta, o cabelo comprido também, preso ali dentro, deixando à mostra apenas o rosto claro, sem um pingo de maquiagem.O helicóptero cruzava o céu alto de Uíge, e a luz da lua, entrando pelo vidro da janelinha da porta, caía sobre os traços delicados dela, como se houvesse uma névoa fina envolvendo tudo.Havia algo quase irreal naquela imagem, uma beleza suave que despertava uma vontade involuntária de observá-la por mais tempo.Principalmente agora. Com a ironia estampada n
Se não fosse isso, como alguém como o Brother C poderia ter se machucado assim?No entanto, assim que Bendinho terminou de falar, ele viu claramente o canto da boca de Rui se mover, como se fosse um meio sorriso.Bendinho se assustou. Só podia ser jogo de luz. Aquele brutamontes de cara de pedra não tinha como saber sorrir.Rui parou em frente a ele. Era um pouco mais alto, e sua presença exalava uma frieza tranquila e esmagadora.Ao longe, um carro arrancou em alta velocidade. Pelo para-brisa, Bendinho viu um dos seguranças de Maia no banco da frente. Não havia dúvida: Maia estava naquele carro. Ele já se preparava para ir atrás.— Bendinho. — Rui chamou de repente.Bendinho travou por um instante. Aquele brutamontes sem expressão sabia mesmo o nome dele.— Sai da minha frente! O Fabiano levou a Srta. Ivone e ainda quer proteger a Maia? Eu já vou avisando: esse mundo perfeito que vocês imaginam não existe.Diferente da fúria de Bendinho, Rui permanecia indiferente.— A Maia ainda é út
O som da briga no corredor tornava-se cada vez mais intenso.Quando Maia percebeu que havia sido abandonada por Fabiano, a onda de emoção foi tão forte que seus dedos começaram a tremer. Ela precisou agarrar com força os lençóis para forçar o próprio corpo a se manter sob controle.O mais urgente agora era sair dali.Antes, além dos seguranças de Fabiano, ela ainda contava com os próprios homens. Seus seguranças pessoais já a acompanhavam no exterior havia muito tempo.As identidades deles haviam sido completamente limpas e forjadas. Nem mesmo Fabiano havia conseguido rastreá-los.— Traga a cadeira de rodas. — Ela lançou um olhar rápido para a empregada, que estava pálida como papel, quase paralisada de medo.Inútil empregada. Ainda tinha coragem de esconder dela a história dos seguranças.A empregada estremeceu e respondeu, gaguejando:— Sim… Srta. Maia.Ela saiu quase tropeçando para buscar a cadeira de rodas, enquanto Maia pegava o celular e discava para Geraldo:— Estou no hospital







