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Capítulo 03

Author: S.R.Silva
last update publish date: 2026-06-28 07:41:26

Uma hora e meia depois, estávamos em um camarote. As meninas apontavam para os homens que dançavam, enquanto eu reprovava todos.

— Esse parece um cara que só quer dinheiro. — respondi.

— E aquele? É bem gatinho. — Bia apontou para um rapaz.

Analisei-o por alguns instantes e neguei com a cabeça.

— Esse não tem cara de hétero.

Minhas amigas me encararam e reviraram os olhos.

— E aquele ali, no bar? Ele é bonito, mas, ao mesmo tempo, parece estar analisando as pessoas à sua volta, tentando lê-las.

Observei o homem que Mandy apontou. Ela estava certa. O cara era lindo e extremamente observador.

Tudo o que eu apreciava em um homem.

— Realmente, ele é perfeito. Será que está disponível? — Ju perguntou.

Dei de ombros.

— Não tem cara de quem está comprometido. Mas o que eu quero saber é se ele é um bom jogador.

Minhas amigas e minha secretária me encararam como se eu tivesse enlouquecido.

— Ah, não! — Ju exclamou.

— Não acredito! — Bia completou.

— Meninas, não estou entendendo. — Mandy disse, realmente confusa.

— Sua chefa é uma mestra da jogatina. Você não sabia? O vovô Sanches ensinou tudo para ela. — Bia respondeu.

— Já ouviu falar da Princesa da Trapaça? — foi a vez de Ju perguntar.

— Já ouvi falar, mas muita gente diz que isso é apenas uma lenda.

— Pois você está olhando para a própria Princesa da Trapaça.

O rosto de Mandy assumiu uma expressão de completo choque. Ela olhou para minhas amigas e depois voltou os olhos para mim.

— Chefa! Você é a Princesa da Trapaça?

Sorri de lado.

— É apenas um título que herdei do meu avô. Ele era conhecido como o Rei da Trapaça.

— Quem diria que eu conheceria as lendas da trapaça! — Mandy comentou, ainda surpresa. — Chefa, você é incrível! Formou-se em Negócios aos vinte anos, em Administração aos vinte e três e, com apenas vinte e cinco, já é doutora em Finanças... e tudo isso sem que praticamente ninguém saiba. Eu admiro muito você.

— Nossa, Phii! Ela era a primeira da turma na faculdade de Administração. Algumas meninas morriam de inveja porque, além de linda e muito nova, ainda era extremamente inteligente. — Ju comentou.

— Um pacote completo. — Bia completou.

Revirei os olhos para as minhas amigas.

Eu sempre fui muito inteligente, mas meu pai nunca percebeu isso.

Ele estava ocupado demais bajulando meu primo apenas por ele ser homem e órfão.

Nunca soube de nenhuma das minhas conquistas. Para ele, eu era apenas um fardo por ter engravidado cinco anos atrás.

Minha família paterna jamais prestou atenção em mim, mas bastou aquele único erro para que me transformassem em uma mulher promíscua.

Ao me lembrar do parto difícil e da notícia de que meu filho havia nascido morto, uma lágrima escapou dos meus olhos. Limpei-a rapidamente antes que alguém percebesse.

— Está pensando no Phillipo? — Bia perguntou, olhando para mim com preocupação.

Assenti.

— Nunca vou esquecê-lo. Mesmo tendo nascido natimorto, a dor continua sendo a mesma. É muito difícil para uma mãe.

— Amiga, você seria uma excelente mãe. Mas também era muito nova naquela época. Tente pensar que o céu fez aquilo que julgou ser o melhor.

Respirei fundo e enxuguei as lágrimas.

Ali não era lugar para me deixar dominar pela tristeza.

Balancei a cabeça e pedi mais algumas doses de tequila, enquanto continuava observando discretamente os movimentos do homem no bar.

Depois de quase três horas dançando e bebendo, anunciei que encerraria a noite.

As meninas estranharam.

— Ué... você não ia falar com o cara? — uma delas perguntou.

— Ia. Mas decidi jogar nas mãos do destino. Se eu encontrá-lo amanhã, vou desafiá-lo para uma partida.

Observei-o mais algumas vezes antes de voltar a beber.

Depois descemos para a pista e começamos a dançar. O DJ olhou para o nosso grupo e colocou um ritmo latino.

Na mesma hora, me entreguei completamente à música.

A vida era muito melhor quando eu estava longe do meu pai, que claramente me odiava por eu ser mulher.

E melhor ainda quando também estava longe do meu primo parasita, que só queria colocar as mãos em uma herança que jamais lhe pertenceu.

Soltei um longo suspiro.

Fui até o bar, tomei mais duas doses de tequila e voltei para a pista.

— Olha só... hoje ela está impossível! — Ju comentou, animada, dançando ao meu lado.

— Se j**a na pista, amiga! — Bianca incentivou.

Sorri.

— Isso vocês nem precisam pedir.

Mandy, que estava um pouco mais afastada, aproximou-se de nós e comentou que eu já havia tomado mais de dez doses de tequila.

Revirei os olhos.

— Você virou fiscal de bebida agora?

Minha assistente ficou visivelmente sem graça.

Sorri e toquei de leve em seu braço.

— Relaxa. Vai se divertir também.

Ela assentiu e disse que iria buscar um refrigerante.

Voltei a dançar.

Estava completamente entregue à música quando, de repente, senti dois braços envolverem minha cintura.

Arregalei os olhos e me virei assustada.

— Que porra é essa?

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