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Capítulo 2

作者: Gregory Ellington
Olivia

Ryan virou a cabeça num movimento brusco, os olhos arregalados de choque. Por um instante, o tempo se suspendeu. Meus pulmões se recusaram a funcionar, e o quarto pareceu inclinar para o lado.

— Liv... — Ryan gaguejou, ainda dentro de Sophia. — Não é...

— O que parece? — Completei, com uma calma que não combinava com o terremoto abrindo rachaduras dentro de mim. — Porque parece muito que você tá transando com a minha amiga no aniversário dela enquanto eu espero lá embaixo por uma bebida que nunca vai chegar.

Sophia virou o rosto e sustentou meu olhar sem a menor sombra de vergonha. Nem se deu ao trabalho de ajeitar o vestido. Apenas apoiou os cotovelos na penteadeira e soltou um suspiro, como se eu interrompesse uma reunião de negócios.

— Ah, Olivia. — A voz dela veio embebida em desprezo. — Você achou mesmo que um homem como Ryan ia se satisfazer só com você?

Ryan finalmente se afastou dela, atrapalhado, tentando puxar a calça de volta.

— Amor, por favor, isso é só... só uma coisa. Não significa nada.

— Uma coisa? — Repeti, sentindo o calor subir pelo meu rosto. — Há quanto tempo essa "coisa" acontece?

Antes que algum dos dois respondesse, ouvi passos atrás de mim.

— Liv? Você achou... — A voz de Emilia morreu quando ela parou ao meu lado e viu a cena. — Puta que pariu.

O rosto de Ryan perdeu o resto da cor.

— Não é o que...

— Se você disser "não é o que parece" mais uma vez, eu juro por Deus que te castro com as minhas próprias mãos. — Emilia disparou, passando o braço pelos meus ombros como uma barreira.

Sophia se endireitou e, só então, ajeitou o vestido com movimentos lentos, quase preguiçosos. Jogou o cabelo para trás e ainda teve a ousadia de sorrir de canto.

— Ryan e eu temos um acordo. É só sexo. Um sexo ótimo, mas ainda assim só sexo.

— Um acordo? — Ri, e o som saiu quebradiço, estranho até para mim. — E quando exatamente vocês pretendiam me incluir nesse acordo? Antes ou depois de me passarem clamídia?

— Não faz drama. — Ryan ajeitou a camisa por dentro da calça. — A gente se cuidou.

— Ah, se cuidou! Então tá tudo ótimo! — Ergui as mãos, tomada por uma raiva tão quente que quase doía. — Você transou com a minha amiga pelas minhas costas com todo o cuidado do mundo. Quanta consideração!

Sophia se encostou na penteadeira e cruzou os braços.

— Somos todos adultos aqui. Monogamia é tão... limitada, não acha?

Emilia deu um passo à frente.

— A única coisa limitada aqui é a sua bússola moral, sua vadia traíra.

— Olha como fala. — Sophia estreitou os olhos.

— Ou o quê? Vai dormir com o meu namorado também? Entra na fila. — Emilia se virou para Ryan. — E você. Esse lixo de homem. Dois anos? Dois anos da vida dela jogados fora com você?

Ryan finalmente conseguiu fechar o cinto.

— Liv, amor, por favor. A gente pode conversar. Foi só físico. Isso não muda o que eu sinto por você.

— Você sente tanta coisa por mim que comprou este vestido. — Apontei para a minha roupa. — Pra eu ficar lá embaixo fazendo pose pros seus amigos enquanto você estava aqui em cima com o pau enfiado na Sophia?

— O vestido ficou incrível em você. — Ele arriscou, sem força nenhuma.

Encarei Ryan, sem acreditar.

— É isso mesmo que você vai usar agora? Elogio de moda?

— Eu só estou dizendo...

— Não. Eu cansei de ouvir o que você "só está dizendo". — Me virei para sair, mas voltei no mesmo instante. — Dois anos, Ryan. Dois anos ajustando minha vida em função de você, acreditando em cada palavra que saía da sua boca. Alguma coisa disso foi real?

Ele deu um passo na minha direção.

— Claro que foi real. Eu te amo, Liv.

— Me poupe. — Cuspi as palavras. — Se isso é o seu jeito de amar, eu não quero chegar nem perto.

Sophia soltou um suspiro teatral.

— Dá pra acabar logo com isso? Tenho convidados lá embaixo.

— Agora tem uma a menos. — Me virei para a porta. — Aproveita seu presente de aniversário. Vocês dois se merecem.

Emilia lançou um último olhar venenoso para os dois antes de me seguir para fora. Marchamos pelo corredor, e minhas pernas me carregavam por pura teimosia, mesmo com a sensação de que podiam ceder a qualquer segundo.

— Eu tô com você. — Emilia sussurrou, ainda com o braço ao redor de mim enquanto descíamos as escadas.

A festa continuava lá embaixo, alheia ao desastre que acabava de explodir no andar de cima. A música agora parecia alta demais. As risadas, ásperas demais.

Abrimos caminho pela multidão até a porta da frente. Alguém chamou meu nome, mas continuei andando, os olhos presos na saída.

O ar frio da noite bateu no meu rosto quando saímos, e só então percebi que eu tremia.

Chegamos à calçada quando ouvi a porta se abrir atrás de nós. Me recusei a olhar para trás.

— Olivia! — Ryan gritou. — Espera!

Emilia se virou e se colocou entre nós como um escudo.

— Volta pra sua aniversariante, babaca.

— Isso é entre mim e a Liv. — Ele insistiu, mas não deu um passo para nos alcançar.

— Não existe mais "eu e Liv". — Gritei de volta, sem parar de andar. — Acabou.

A resposta dele se perdeu quando dobramos a esquina, e os sons da festa foram ficando para trás.

Assim que saímos do campo de visão de quem estava na casa, minha firmeza desabou. Parei no meio da calçada, o ar entrando aos solavancos pelos meus pulmões.

— Eu não acredito... eu não... — Levei a mão à boca.

— Eu sei, meu bem. Eu sei. — Emilia me puxou para um abraço. — Coloca tudo pra fora.

— Dois anos. — Sussurrei contra o ombro dela. — Dois anos da porra da minha vida.

Ela acariciou meu cabelo.

— Sinto muito, Liv.

Me afastei e enxuguei os olhos com raiva.

— Você sabia? Sobre eles?

Emilia hesitou.

— Não com certeza. Mas eu desconfiava.

— O quê? Por que você não me disse nada?

Ela suspirou e tirou o celular da bolsa.

— Eu vi os dois no Barton's Café mês passado. Eles disseram que se encontraram por acaso, mas parecia... estranho. O jeito como se sentavam, o jeito como ele tocou o braço dela. Eu não quis falar nada sem prova. Não quis te machucar se eu estivesse errada.

— Bom, agora temos prova. — Minha voz saiu amarga.

— Vou chamar um carro pra gente. — Emilia tocou a tela do celular. — Meu carro não tá aqui. Jake me trouxe pra festa.

Cruzei os braços sobre o corpo para me proteger do frio e, de repente, senti com uma clareza cruel o quanto eu estava exposta naquele vestido escolhido por Ryan.

— Nenhum carro disponível. Vamos andando um pouco. Eu continuo tentando e vou ligar pro Jake. Talvez ele consiga buscar a gente.

— Por mim, tudo bem. — Eu só queria me afastar o máximo possível da casa de Sophia. — Agora eu iria a pé até o México se isso significasse nunca mais ver Ryan.

Seguimos pela calçada, meus saltos marcando o concreto com batidas secas. O bairro era luxuoso, cheio de casas amplas recuadas da rua, mas a via em si mergulhava numa iluminação pobre, quase descuidada.

O ronco de um motor interrompeu Emilia quando um conversível reduziu a velocidade ao nosso lado. Quatro homens se espremiam lá dentro, e o cheiro de álcool veio até nós antes mesmo das vozes. O motorista se inclinou, os olhos passeando pelo meu corpo antes de parar no meu peito.

— Ei, gatinhas, querem carona? — Ele abriu um sorriso, revelando um dente de ouro. — Tem bastante espaço no nosso colo.

Os amigos explodiram em risadas. O do banco do passageiro ergueu uma garrafa.

— A gente tá comemorando! Não querem comemorar com a gente?

— Vão se foder. — Emilia disparou, me puxando para mais perto.

— Uau, nervosinha! — O motorista desligou o motor. — Gosto das nervosinhas.

Um deles, pescoço grosso e tatuagem tribal, saltou pela porta do carro. Veio cambaleando na nossa direção e apontou para Emilia.

— Você tem uma boca e tanto, loirinha. Quero ver o que mais ela sabe fazer.

Antes que eu conseguisse reagir, ele avançou e agarrou Emilia pelos cabelos, puxando a cabeça dela para trás. Ela gritou, arranhando o braço dele.

— Solta ela! — Gritei, e qualquer traço da executiva de marketing que eu tentava ser desapareceu quando a raiva pura tomou conta de mim.

Balancei a bolsa com força e acertei a têmpora dele.

Ele cambaleou, mas não soltou o cabelo de Emilia.

— Sua amiga gosta de brincar bruto, é? — Ele me encarou com um sorriso nojento, os olhos presos no meu peito. — Belos peitos. Aposto que pulam bonito.

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