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Capítulo 3

Author: Gregory Ellington
Olivia

Minha mão latejava depois de bater na cabeça daquele homem, mas o golpe não bastou. Emilia soltou um gemido baixo quando ele puxou seu cabelo com mais força, obrigando a cabeça dela a se inclinar para trás num ângulo impossível.

— Solta ela, seu merda! — Rosnei, com o medo e a fúria se chocando dentro do peito.

— Ou o quê? — Ele riu, o hálito pesado de uísque. — Vai me bater com a bolsinha de novo?

Os outros homens do carro desceram também, os movimentos lentos, predatórios, enquanto nos cercavam. O motorista, com o dente de ouro brilhando sob a luz fraca da rua, avançou na minha direção.

— Qual é, gata, a gente só quer se divertir. — Os olhos dele não saíam do meu peito. — Você se vestiu pra chamar atenção. A gente só tá te dando o que você quer.

— O que eu quero é que você solte minha amiga e volte pra qualquer esgoto de onde saiu. — Cuspi, recuando até sentir o tronco de uma árvore contra minhas costas.

— Olha só, essa também tem uma boca e tanto. — O outro, mais baixo, mas largo de ombros, usava um boné de beisebol. — Gosto assim. Fica mais divertido quando elas lutam um pouco.

O motorista tentou me tocar, os dedos roçando meu braço. Afastei a mão dele com um tapa.

— Não encosta em mim!

— Se fazendo de difícil? — Ele chegou mais perto, me prendendo contra a árvore. — Que gracinha.

Emilia ainda se debatia contra a mão do homem da tatuagem tribal.

— Liv, corre! Só corre!

— Eu não vou te deixar. — Olhei ao redor em desespero, procurando qualquer coisa que pudesse servir de arma.

O motorista colou o corpo no meu, uma das mãos apoiada no tronco ao lado da minha cabeça.

— Sua amiga não vai a lugar nenhum. E você também não. — A outra mão dele desceu na direção do meu peito. — Vamos ver se esses peitos são tão bons quanto parecem.

Ergui o joelho com força, mirando entre as pernas dele, mas ele se esquivou no último segundo. Meu joelho acertou apenas a coxa.

— Vadia arisca! — Ele agarrou meu pulso e apertou até eu prender o ar de dor.

De repente, faróis rasgaram a cena quando outro carro freou ao nosso lado. O motor silenciou, e a porta do motorista se abriu.

— Algum problema aqui? — Uma voz grave cortou a noite.

Uma figura alta saiu das sombras e entrou no alcance distante de um poste. Ombros largos, presença imponente, um terno que parecia caro demais para aquela rua. Ele se movia com uma calma perigosa, uma confiança silenciosa que fazia o ar ao redor obedecer.

— Cuida da sua vida, cara. — Dente de Ouro rosnou, mas percebi que a pressão no meu pulso diminuiu.

O recém-chegado se aproximou, e meu fôlego falhou.

Mesmo naquela luz baixa, reconheci Alexander Carter no mesmo instante. O chefe do chefe do meu chefe. O CEO do Grupo Carter, onde eu trabalhava havia oito meses como executiva júnior de marketing.

— Pelo que ouvi, as senhoritas pediram para ser deixadas em paz. — A voz dele saiu baixa, calma, mas afiada como aço. — Eu sugiro que obedeçam.

Dente de Ouro abriu um sorriso torto.

— E o que você vai fazer? Somos quatro contra um.

Alexander nem piscou.

— Verdade. Mas eu já chamei a polícia, e eles estão a caminho. Tenho certeza de que vão se interessar por quatro homens bêbados agredindo duas mulheres no meio da rua.

O homem da tatuagem tribal finalmente soltou o cabelo de Emilia e a empurrou para a frente.

— Tanto faz, cara. Essas vadias não valem essa dor de cabeça.

Emilia cambaleou na minha direção, e eu a segurei, puxando seu corpo para perto do meu.

— Você tá bem? — Sussurrei.

Ela assentiu, massageando o couro cabeludo.

— Aquele desgraçado quase arrancou meu cabelo.

Dente de Ouro deu um passo na direção de Carter, inflando o peito.

— Você acha que é o quê? Algum tipo de herói? Um riquinho com carro caro?

Alexander apenas o encarou, sem recuar um centímetro.

— Acho que sou alguém que não gosta de ver duas mulheres sendo assediadas por idiotas bêbados. Agora vocês podem ir embora sozinhos ou esperar a polícia. A escolha é de vocês.

Por um instante tenso, achei que Dente de Ouro fosse socá-lo.

Em vez disso, ele cuspiu no chão, perto dos sapatos impecáveis de Alexander.

— Vamos embora. — Resmungou para os amigos. — Essas putas não valem uma noite na cadeia.

Eles se enfiaram de volta no conversível, e o motor rugiu na noite. Dente de Ouro acelerou com agressividade antes de arrancar, fazendo os pneus gritarem contra o asfalto.

Alexander se virou para nós.

— Vocês duas estão bem?

De perto, ele parecia ainda mais intimidador do que nos eventos da empresa. Alto, traços afiados, olhos cinzentos que atravessavam qualquer defesa. Tinha o tipo de rosto feito para capas de revistas de negócios, onde, aliás, aparecia com frequência. Mesmo àquela hora, o cabelo escuro permanecia perfeitamente alinhado, sem um fio fora do lugar.

— Estamos bem. — Consegui responder, de repente consciente da minha aparência: cabelo bagunçado, maquiagem provavelmente borrada pelo choro de mais cedo, e aquele vestido absurdo que agora parecia um erro terrível. — Obrigada por parar.

— Precisam de uma carona? — Ele perguntou, e os olhos desceram por uma fração de segundo até meu peito antes de voltarem ao meu rosto.

— Nosso carro cancelou. — Emilia respondeu, ainda massageando a cabeça. — E meu namorado não atende o telefone.

Alexander indicou o carro dele, elegante e preto, brilhando sob a luz fraca da rua.

— Posso levar vocês para casa.

Hesitei.

Aquele era Alexander Carter, o homem que assinava meus pagamentos e cujo nome brilhava no prédio onde eu trabalhava. Conhecido por negociações impiedosas e uma frieza quase lendária. A última coisa de que eu precisava era que ele percebesse que eu era uma funcionária dele, ainda mais naquele estado.

— Isso é muito gentil da sua parte. — Escolhi as palavras com cuidado. — Mas não queremos incomodar.

— Não é incômodo. — Ele respondeu. — Prefiro não deixar vocês aqui fora depois do que aconteceu.

Emilia me olhou com as sobrancelhas erguidas, dizendo em silêncio: Você ficou louca? Carona de graça num carro desses com um homem lindo e rico? Aceita logo.

— Se tiver certeza de que não vai dar trabalho. — Cedi, ainda desconfiada.

— Nenhum. — Ele abriu a porta de trás. — Por favor.

O interior do carro era todo de couro preto e superfícies polidas, com aquele brilho discreto de coisa cara. Cheirava a colônia masculina e carro novo, uma mistura forte o bastante para me deixar tonta, ou talvez fosse apenas a adrenalina indo embora de uma vez.

— Sou Alexander Carter. — Ele se apresentou ao entrar atrás do volante.

— Olivia. — Respondi, omitindo meu sobrenome de propósito. — E esta é Emilia.

— Prazer em conhecer as duas, apesar das circunstâncias. — Ele ligou o motor, que despertou num ronronar baixo. — Para onde levo vocês?

Emilia passou o endereço dela primeiro. Depois, dei o meu.

— Noite difícil? — Ele perguntou quando o carro deixou o meio-fio.

Emilia soltou uma risada seca.

— Pode-se dizer que sim. A gente estava numa festa de aniversário, e Liv pegou o namorado comendo a aniversariante.

— Emilia! — Rosnei, mortificada.

Os olhos de Alexander buscaram os meus pelo retrovisor.

— Entendo. Sinto muito.

— Tudo bem. — Murmurei, querendo desaparecer dentro do banco de couro.

— Não tá tudo bem. — Emilia insistiu. — Ryan é um canalha traidor que merecia ver o próprio pau cair.

Um sorriso quase imperceptível tocou o canto da boca de Alexander.

— Imagino que Ryan seja o ex-namorado?

— Desde alguns minutos atrás, sim. — Confirmei, sem entender por que diabos eu discutia minha vida amorosa com o CEO da minha empresa.

— Bom, se vale de alguma coisa. — Ele voltou a encontrar meus olhos pelo espelho, só por um instante. — Ele parece um idiota.

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