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Capítulo 5

Author: Gregory Ellington
Alexander

Estacionei o carro na entrada circular da propriedade dos meus pais e fiquei alguns segundos em silêncio, me preparando para a inevitável coreografia familiar dos Carter.

O jantar de domingo na mansão Carter era uma tradição tão antiga quanto os carvalhos que ladeavam a propriedade. Eu o temia e, de algum modo, também esperava por ele.

A mansão se erguia como um monumento ao dinheiro antigo, com fachadas de pedra e jardins impecáveis que pareciam anunciar ao mundo: nossa fortuna atravessa gerações.

Meu celular vibrou com um e-mail do trabalho, mas o ignorei. O trabalho podia esperar. Obrigações familiares, não, especialmente quando meu avô Harold estava envolvido.

Ajeitei a gravata e entrei. Martha, nossa governanta de longa data, me recebeu com um sorriso caloroso.

— Sr. Alexander, todos estão esperando na sala de estar. Seu avô chegou cedo.

Isso nunca era bom sinal. Quando meu avô chegava cedo, significava que ele trazia um plano.

— Victoria já chegou? — Perguntei, entregando o casaco a Martha.

— Sim, senhor. Com o marido. Eles chegaram há cerca de uma hora.

Perfeito.

Minha prima Victoria e seu marido banqueiro de investimentos, Thomas. O casal poderoso que nunca deixava ninguém esquecer o quanto a vida deles era impecável.

A sala de estar murmurava em conversas baixas, que morreram assim que entrei. Minha mãe se levantou, elegante como sempre, com o colar de pérolas e um vestido sob medida.

— Alexander, querido. Já estávamos começando a nos preocupar.

Beijei seu rosto.

— O trânsito estava péssimo. Desculpa o atraso.

Meu pai fez um aceno da poltrona, com um copo de uísque na mão.

— Filho.

Esse era meu pai. Um homem de poucas palavras, a menos que o assunto fosse negócios ou golfe.

Victoria estava sentada no sofá antigo, com o braço do marido jogado sobre seus ombros daquele jeito possessivo que sempre me irritava. Minha irmã, Valentina, também estava ali, rolando a tela do celular.

Mas era meu avô Harold quem dominava a sala a partir da cadeira de rodas. Aos setenta e oito anos, ele perdeu parte da mobilidade, mas não perdeu um fio de lucidez, nem o faro afiado para negócios.

— Alexander. — Ele disparou. — Sente-se. Precisamos conversar.

Sentei-me diante dele.

— Bom ver você também, vovô.

— Não venha bancar o esperto comigo, garoto. Estou esperando.

Victoria sorriu de canto.

— Alguns de nós conseguem chegar na hora, querido primo.

Eu a ignorei.

— Do que se trata? Achei que fosse só um jantar.

Meu avô Harold fez um gesto impaciente com a mão.

— O jantar pode esperar. Isso é sobre o futuro do Grupo Carter.

A sala inteira caiu em silêncio.

Quando meu avô falava sobre o futuro da empresa, todos prestavam atenção. Ele transformou o Grupo Carter de um pequeno negócio familiar em um império corporativo e, aos setenta e oito anos, ainda mantinha o controle majoritário.

— Estou atualizando meu testamento. — Anunciou.

Minha mãe soltou um suspiro assustado. Meu pai colocou o copo de uísque sobre a mesa.

— Ah, relaxem. Ainda não estou morrendo. — Meu avô cortou. — Só estou colocando meus assuntos em ordem. E tomei algumas decisões sobre as ações da empresa.

Inclinei o corpo para a frente. Como CEO, eu possuía uma participação importante na empresa, mas as ações de controle do meu avô decidiriam, no fim das contas, quem realmente comandaria o Grupo Carter.

— Alexander. — Ele fixou em mim aquele olhar duro como aço. — Você se saiu bem como CEO. Os lucros subiram. O conselho está satisfeito. Mas falta uma coisa.

— Falta? — Franzi a testa. — Nosso último trimestre foi o melhor dos últimos cinco anos.

— Não estou falando de negócios. — Ele bateu a bengala no chão. — Estou falando de família. Estabilidade. Legado.

O marido de Victoria tossiu com discrição. O sorriso dela se abriu um pouco mais.

— O que exatamente você quer dizer, vovô?

Harold Carter inclinou o corpo para a frente na cadeira de rodas.

— Quero dizer que, para herdar minhas ações de controle no Grupo Carter, você precisa se casar dentro de seis meses.

A sala explodiu em reações. Minha mãe soltou outro suspiro assustado. Meu pai de fato largou o copo. Valentina ergueu os olhos do celular. Victoria caiu numa risada encantada.

— Casar? — Encarei meu avô. — Você não pode estar falando sério.

— Estou falando muito sério. — A expressão dele não mudou. — O Grupo Carter sempre foi uma empresa familiar. Família significa estabilidade. Compromisso.

— Eu tenho compromisso com a empresa.

— Mas não com nada nem ninguém além dela. — Meu avô balançou a cabeça. — Você tem trinta e três anos, Alexander. Seus relacionamentos duram menos que alguns dos nossos relatórios trimestrais.

Victoria não conseguiu se conter.

— Isso é impagável. Alexander vai se casar? Ele não consegue manter uma namorada por mais de três meses.

— Obrigado pela observação brilhante, Victoria. — Forcei um sorriso. — É sempre um prazer contar com seu apoio.

Meu tio Richard, pai de Victoria, riu baixo no canto da sala.

— O garoto tem um histórico, isso ninguém pode negar.

— Um histórico? — Meu pai colocou o copo sobre a mesa com força além do necessário. — No ano passado, escolhemos uma mulher perfeitamente adequada para ele. O noivado saiu no Times, pelo amor de Deus. E o que aconteceu, Alexander?

Afrouxei um pouco a gravata.

— Pai...

— Ele cancelou tudo duas semanas antes do casamento. — Meu pai continuou, falando para a sala como se eu nem estivesse ali. — A fusão quase desmoronou por causa disso.

Tia Patricia soltou um suspiro teatral.

— Penelope Langford? Uma moça tão encantadora, de uma família excelente. Que desperdício.

— Ela não era a pessoa certa para mim. — Respondi com firmeza.

Valentina finalmente ergueu os olhos do celular.

— Ele não gostava dela. Disse que ela lembrava uma planilha corporativa: tecnicamente perfeita, mas insuportavelmente sem graça.

— Obrigado por compartilhar isso, Val. — Murmurei.

Minha irmã deu de ombros e voltou ao celular.

— Só estou dizendo a verdade.

Meu avô Harold bateu a bengala outra vez.

— Chega! As condições são simples. Alexander se casa dentro de seis meses, ou Victoria recebe minha participação de controle na empresa.

Victoria quase derrubou o champanhe de tanta empolgação.

— Sério, vovô? Você me daria o controle?

O marido dela, Thomas, endireitou a postura, com cifrões quase brilhando nos olhos.

— Eu não construí esta empresa durante quarenta anos para vê-la ser desmontada pela firma de investimentos do seu marido. — Meu avô disparou contra Victoria. — Mas, pelo menos, você entende o que é compromisso.

Levantei-me e comecei a andar de um lado para o outro sobre o tapete persa.

— Isso é absurdo. Você está reduzindo o futuro da nossa empresa familiar ao fato de eu me casar ou não? Em que século estamos?

— No século em que escolhas têm consequências. — Respondeu meu avô. — Victoria pode ser insuportável...

— Ei! — Victoria protestou.

— ...mas é estável. Casada. Comprometida.

O sorriso debochado voltou ao rosto dela.

— Aceite, Alexander. Você não conseguiria se comprometer com uma mulher nem se sua vida dependesse disso. Agora sua carreira depende, e todos nós sabemos como isso vai terminar.

Alguma coisa se rompeu dentro de mim. Tolerei as farpas de Victoria por anos, mas aquilo era diferente. Era o trabalho da minha vida em jogo.

— Quer saber, Victoria? Você está errada.

— Estou? — Ela girou o champanhe na taça. — Me diga um relacionamento seu que durou mais que um relatório trimestral.

Meu primo Matthew, que observava o espetáculo em silêncio, soltou um assobio baixo.

— Essa foi certeira, Alex.

Endireitei os ombros.

— Eu vou fazer isso. Vou me casar dentro de seis meses.

A sala caiu em silêncio outra vez.

— Com quem? — Meu pai perguntou, cético.

— Vou resolver isso.

Victoria explodiu em gargalhadas.

— Ah, isso é bom demais! Alexander Carter, CEO e solteiro cobiçado, desesperado atrás de uma esposa. Quer que a gente coloque um anúncio nos classificados?

O marido dela entrou na brincadeira.

— Talvez devêssemos entrevistar candidatas. Montar uma lista final.

— Não preciso de ajuda para encontrar alguém. — Falei entre os dentes.

Tia Elizabeth, que tricotava em silêncio num canto, ergueu os olhos.

— E aquela diretora de relações públicas da sua empresa? Jennifer alguma coisa?

— Ela é casada, mãe. — Victoria avisou.

— Ah. Bem, e a sua assistente?

— Não vou me casar com minha assistente, tia Elizabeth.

Meu avô Harold ergueu a mão, exigindo silêncio.

— As condições estão definidas. Seis meses a partir de hoje.

Tio Richard levantou o copo.

— Ao casamento iminente de Alexander! Que ele encontre uma noiva antes que Victoria ocupe o escritório dele.

Victoria brindou com o pai.

— Já estou pensando onde vou colocar minha nova mesa.

Travei o maxilar.

— Aproveite essa fantasia enquanto pode, prima. Eu não vou perder a empresa.

— Seis meses, Alexander. — Meu avô me lembrou. — O relógio começa agora.

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