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Capítulo 4

作者: Gregory Ellington
Olivia

O carro mergulhou em silêncio enquanto atravessávamos Los Angeles, e as luzes da cidade se desfaziam em manchas douradas pelas janelas. Observei o perfil de Alexander, a mandíbula firme, o nariz reto, e me peguei tentando entender por que ele parou para nos ajudar. No Grupo Carter, tudo o que diziam sobre ele apontava para um homem frio, distante, obcecado por resultados.

Chegamos primeiro ao prédio de Emilia. Alexander encostou o carro junto ao meio-fio, e o motor continuou ronronando baixo quando ele colocou o câmbio em ponto morto.

— Cheguei. — Emilia anunciou, pegando a bolsa. Ela se inclinou para me abraçar e aproveitou o instante para sussurrar no meu ouvido: — Puta merda, Liv. Ele é gostoso pra caralho. Se ele quiser te comer até você esquecer o próprio nome hoje à noite, pelo amor de Deus, deixa. O melhor jeito de superar Ryan é ficar por baixo do CEO. E, cacete, essas mãos parecem saber muito bem o que fazem.

Me afastei e lancei para ela um olhar mortal, capaz de derreter aço.

— O quê? — Ela articulou sem som, com uma inocência falsa, antes de se virar para Alexander. — Obrigada pela carona, cavaleiro de Armani brilhante. Você salvou a nossa noite.

— Não foi incômodo. — Ele respondeu com educação.

Emilia abriu a porta, mas parou para me lançar um último olhar cheio de intenção.

— Me liga amanhã com TODOS os detalhes. — Ela mexeu as sobrancelhas de um jeito nada discreto.

— Tchau, Emilia. — Falei com firmeza, sentindo o rosto queimar.

Ela me mandou um beijo e bateu a porta, seguindo para o prédio com um balanço extra nos quadris, sem dúvida para o benefício de Alexander.

Quando o carro arrancou, afundei mais no banco de couro, mortificada.

— Desculpa por ela. Emilia não tem filtro nenhum.

Os olhos de Alexander encontraram os meus pelo retrovisor.

— Não precisa se desculpar. Ela parece uma boa amiga.

— A melhor. — Admiti. — Mesmo quando me dá vontade de esganar ela.

O canto da boca dele se ergueu de leve, quase um sorriso, mas ainda não.

— Normalmente, essas são as melhores.

O silêncio voltou enquanto ele guiava pelas ruas de Los Angeles. As luzes da cidade corriam pelas janelas, formando um caleidoscópio que combinava demais com a confusão dentro da minha cabeça. Peguei Alexander me olhando pelo retrovisor algumas vezes, mas a expressão dele não entregava nada.

— Vire à esquerda no próximo sinal. — Orientei quando chegamos perto do meu bairro.

Ele assentiu e fez a curva com suavidade.

— Chegamos. — Anunciou, parando diante do meu prédio.

Não era luxuoso para os padrões de Los Angeles, mas era limpo e ficava numa região decente. Com meu salário de executiva júnior, eu mal conseguia bancar aquele lugar.

Alexander desligou o motor e, para minha surpresa, saiu do carro para abrir minha porta. Estendeu a mão para me ajudar. Quando a aceitei, senti sua pele quente, firme, e o contato mandou um choque inesperado pelo meu braço.

— Obrigada de novo. — Falei, soltando a mão dele com relutância. — Por tudo esta noite.

Alexander me observou por um instante, os olhos cinzentos intensos demais sob a luz fraca da rua.

— Espero que consiga seguir em frente depois do que aconteceu hoje. Seu namorado, ou melhor, seu ex-namorado, claramente não soube valorizar o que tinha.

A gentileza inesperada na voz dele apertou minha garganta.

— Vou ficar bem. — Consegui dizer.

— Tenho certeza de que vai. — Ele concordou. — Uma mulher como você não fica solteira por muito tempo, a menos que queira.

Não soube o que responder. Alexander Carter, CEO do Grupo Carter, estava flertando comigo? Não. Ridículo. Ele só era educado.

— Boa noite, Olivia. — Ele recuou em direção ao carro.

— Boa noite, Alexander. E obrigada pela carona.

Ele assentiu uma vez e voltou para o carro. Fiquei olhando enquanto ele se afastava, as lanternas vermelhas desaparecendo na esquina, antes de me virar e entrar no prédio.

A subida de elevador até meu apartamento no quarto andar pareceu não ter fim. As chaves tilintavam nas minhas mãos trêmulas quando destranquei a porta e entrei na sala escura. Acendi a luz, joguei a bolsa sobre o balcão e tirei os saltos com os pés.

O silêncio do apartamento caiu sobre mim como um peso.

Poucas horas antes, eu me arrumava para o que deveria ser uma noite comum ao lado do meu namorado. Agora, tudo parecia outro mundo.

Arranquei o vestido preto de coquetel do corpo e o joguei no lixo. Nunca mais eu vestiria alguma coisa só porque um homem disse que ficava bem em mim.

No banheiro, esfreguei a maquiagem do rosto até apagar qualquer resto daquela noite. A mulher no espelho parecia exausta, os olhos vermelhos, mas estranhamente claros.

Vesti uma camiseta larga e me deixei cair na cama, encarando o teto. O celular vibrou sobre o criado-mudo. Provavelmente Ryan, finalmente entendendo o que perdeu.

Ignorei.

Por que ele fez aquilo? Dois anos juntos, e jogou tudo fora por Sophia? Ele dormia com ela desde quando? Os sinais estavam ali: as noites longas no trabalho, as viagens de negócios repentinas, o celular sempre virado para baixo quando eu estava por perto.

Eu confiei nele por inteiro. Que idiota eu fui.

O celular vibrou de novo. Dessa vez, olhei.

Emilia.

[Chegou bem? O Sr. CEO deu em cima de você? Por favor, diz que sim.]

Respondi:

[Sim, cheguei. Não, ele não deu. Vai dormir.]

A resposta veio na hora:

[Sem graça! Mas falando sério, você tá bem?]

[Vou ficar.]

E, quando escrevi aquilo, percebi que era verdade.

Joguei o celular no criado-mudo e voltei a encarar o teto, com a cabeça correndo apesar do cansaço. Dormir parecia impossível. Toda vez que eu fechava os olhos, via Ryan se movendo contra Sophia, o sorriso arrogante dela, as desculpas patéticas dele.

— Merda. — Sussurrei para o quarto vazio. — Dois anos jogados no lixo.

Rolei para o lado e enterrei o rosto no travesseiro. Dois anos de feriados, encontros de família, piadas que só nós entendíamos, tudo manchado agora. Mesmo assim, outra imagem insistia em invadir meus pensamentos: os olhos cinzentos e penetrantes de Alexander Carter pelo retrovisor.

Alexander Carter.

Meu CEO.

O homem que me conheceu justo quando eu parecia um desastre completo.

— Ele provavelmente nem vai lembrar de mim amanhã. — Murmurei, me virando de barriga para cima outra vez. — Por que lembraria? Ele é Alexander Carter, porra.

O teto não me ofereceu resposta nenhuma.

Eu trabalhava no Grupo Carter havia oito meses e nunca falei com ele uma única vez. Só o vi atravessar o saguão com passos firmes, discursar em reuniões gerais, aparecer no site da empresa e nos relatórios anuais. Sempre distante. Sempre inalcançável.

E agora ele me viu no meu pior estado, com o coração em pedaços e um vestido vulgar demais.

— Bela primeira impressão, Olivia. Muito profissional.

Soltei uma risada seca diante do meu próprio sarcasmo.

Como se Alexander Carter fosse ligar a mulher descabelada que ele resgatou naquela rua a Olivia Morgan, uma executiva júnior de marketing. Nossos mundos não se cruzavam. Ele existia no andar da diretoria, cercado por paredes de vidro e vistas panorâmicas de Los Angeles. Eu ficava quinze andares abaixo, presa ao meu cubículo, criando campanhas para produtos que eu mal podia comprar.

Puxei as cobertas sobre a cabeça, tentando obrigar o sono a vir. Mas minha mente preferiu me torturar com a imagem de encontrar Alexander no elevador da empresa.

Será que ele me reconheceria?

Será que eu teria coragem de lhe agradecer outra vez?

Será que aqueles olhos cinzentos me atravessariam de novo, enxergando além da postura profissional, até a mulher que ele salvou naquela noite?

— Até parece. — Murmurei contra o travesseiro. — Ele deve resgatar mulheres de babacas todo fim de semana. Vai ver é hobby de rico.

Mas e se ele lembrasse?

E se nossos caminhos se cruzassem no refeitório da empresa ou no meio de uma apresentação?

O que eu diria?

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