Se connecterFernando também apresentou uma certidão de óbito de Bryan emitida no exterior.Segundo ele, a família Soares nunca tinha anunciado a morte porque Bryan havia sido levado pelo tio materno para receber tratamento fora do país ainda bebê e praticamente não mantinha contato com os parentes. Por isso, ninguém considerou necessário divulgar um obituário.Quanto ao casamento de Eduardo com Mariana depois do divórcio de Daniela e ao mistério envolvendo a origem de Glória, Fernando publicou uma explicação ainda mais longa, detalhada e comovente:[Tudo começou na época em que Eduardo e eu disputávamos a posição de herdeiro do Grupo Soares.Eduardo e Mariana já namoravam naquela época, mas ninguém da família acreditava que ele pudesse vencer a disputa. Imagino que muita gente dos círculos sociais da Cidade dos Ventos já tenha ouvido falar dessa história.Desde pequenos, meu pai sempre ignorou Eduardo e demonstrou preferência por mim. Eu era jovem, abusava desse favoritismo e vivia provocando E
A declaração de Samuel foi tão inesperada que Daniela não soube como reagir.Ele já parecia prever aquela reação e sorriu.— Não precisa responder agora. Sei que isso pegou você de surpresa. Posso esperar até que tenha tempo para pensar com calma.Daniela apertou os lábios.Ela percebia a sinceridade dele, mas, até aquele momento, jamais havia imaginado que Samuel pudesse gostar dela.Com tranquilidade, perguntou:— Você disse que, desde Lara até Daniela, a mulher que sempre quis fui eu. Mas já pensou que a identidade de Lara talvez tenha influenciado a forma como enxerga tudo isso? Talvez o que sinta por mim seja admiração, não amor.Samuel abriu um sorriso amargo.— Aos seus olhos, sou tão idiota assim? Acha mesmo que não sei distinguir admiração de amor?Daniela franziu a testa, sem entender.— Daniela, você não deveria pensar dessa forma. O que aquele casamento com Eduardo fez com você para abalar tanto sua confiança?Ela ficou surpresa.Era a primeira vez que alguém dizia que ela
Dentro do quarto de hóspedes, Daniela fechou a porta e os olhos, tentando controlar a agitação que dominava seu coração.Quando tornou a abrir os olhos, já havia recuperado a calma.Ela caminhou até a cama.— Ainda está passando mal?Samuel estava em péssimo estado.O rosto continuava pálido, e as marcas da reação alérgica ainda cobriam parte de sua pele.Ele tossiu de leve. A voz permanecia rouca.— Estou bem melhor.Daniela apertou os lábios, tomada pela culpa.Caso não tivesse deixado Eduardo preparar o caldo na noite anterior, aquele acidente absurdo nunca teria acontecido.E, mesmo depois de causar toda aquela confusão, ele ainda agia de maneira arrogante e presunçosa. Só de pensar nisso, Daniela sentia uma irritação ainda maior.Ela entendia perfeitamente o motivo.Não passava de possessividade.Daniela acreditava que, depois de tudo o que Eduardo havia vivido, ele teria mudado ao menos um pouco.Mas continuava exatamente igual.Ela sentou ao lado da cama e olhou para Samuel.—
Três horas depois, Mariana saiu do escritório.Já tinha tomado banho e trocado de roupa.As secretárias do departamento acompanharam sua passagem com olhares discretos.Mariana ignorou a curiosidade delas e continuou andando até deixar o setor.Nádia, a chefe das secretárias, correu atrás dela e acompanhou Mariana até o elevador.— Tenha uma boa tarde, Sra. Mariana.Mariana respondeu apenas com um leve gesto de cabeça.As portas do elevador fecharam devagar.Nádia soltou um suspiro de alívio e voltou para o departamento.Assim que sentou, uma das funcionárias chegou mais perto.— A Sra. Mariana trocou de roupa. Nádia, será que ela e o Sr. Eduardo estavam fazendo alguma coisa lá dentro?Nádia virou o rosto e encarou ela.Tábata tinha começado a trabalhar no mês anterior e conseguido a vaga por indicação de alguém do conselho administrativo.Como funcionária antiga do Grupo Soares, Nádia já estava acostumada com aquele tipo de contratação.Geralmente, eram jovens de famílias ricas, mimad
Mariana ficou observando Bryan à sua frente.O sorriso continuava igual ao que guardava nas lembranças. A aparência também não tinha mudado muito.Mas agora, não importava o que ele fizesse, sempre havia algo agressivo escondido no fundo de seus olhos.Quando alguém contrariava suas regras ou entrava em seu caminho, aquela agressividade logo virava uma ameaça de morte.Ele ainda era Bryan, mas já não era mais o homem de antes.Mariana baixou os olhos para a gravata dele e falou com doçura, em um tom quase adulador:— É claro que entendo. Tudo o que você faz é pensando no nosso futuro.Ela estendeu a mão e ajeitou a gravata dele. Os dedos deslizaram pela lapela do terno e ficaram ali por um instante.— Só que a Cidade dos Ventos não é como os lugares onde você agia no exterior. É melhor resolvermos tudo com discrição e evitarmos mortes.Mariana manteve a expressão delicada. Enquanto falava, passou de leve a ponta dos dedos pelo nariz dele.Na época em que os dois estavam apaixonados,
De repente, Glória correu até Mariana e abraçou a cintura dela.Mariana baixou os olhos para a menina e perguntou com carinho:— O que foi?Glória franziu a testa.— Tem alguém chorando.Mariana ficou surpresa. Não esperava que Glória também tivesse ouvido.Sentia que havia alguma coisa errada, mas não queria assustar Glória.— Acho que você ouviu errado. Deve estar cansada. Vamos entrar para descansar um pouco?Glória ergueu a mão e apontou para a casa de madeira.— O som veio dali.Mariana não imaginava que a audição dela fosse tão aguçada.Seu instinto dizia que alguma coisa estava acontecendo naquela casa.Ela pegou Glória no colo.— Você deve ter confundido. Vamos entrar para assistir a um desenho.Ao perceber que Mariana não acreditava nela, Glória não insistiu.Mariana levou ela de volta para dentro e colocou um desenho animado na televisão.Com a atenção voltada para a tela, Glória logo esqueceu o que tinha acontecido.Depois do almoço, Mariana levou Glória para o quarto e colo
Nos três dias em que Eduardo não voltou para casa, Daniela também não ficou parada.Ela começou a separar tudo o que lhe pertencia. Tudo o que era seu foi cuidadosamente embalado, e ela chamou uma empresa de mudanças para levar as caixas embora.Viviane, ao ver aquela movimentação, percebeu que des
Se fosse antes, Daniela já teria corrido até ele para exigir explicações.Mas agora não.Ela tinha visto com os próprios olhos, na Villa do Lago, como Eduardo mimava Agatha e Diego.Sabia que Eduardo havia mudado.Mesmo que tivessem outro filho, nada entre eles voltaria a ser como antes.Ela não que
Agatha vestia um elegante traje profissional de alta-costura. Sua figura era esguia, e os longos cabelos castanhos ondulados caíam sobre os ombros. Caminhava com passos firmes e tranquilos, levemente inclinada enquanto dava instruções à assistente que vinha logo atrás.Ela realmente tinha agora o
— Papai, você ouviu o que eu disse? — Diego balançou a mão de Eduardo. — Eu quero bolo de chocolate!Eduardo desviou o olhar de Daniela e baixou a cabeça para encarar o menino.A voz saiu grave:— Você acabou de melhorar da febre. Ainda não pode comer.Diego ficou um pouco desapontado. Fez bico, mas







