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Eu Cuspo no Seu Pedido de Desculpas
Eu Cuspo no Seu Pedido de Desculpas
Author: Pequena Estrela

Capítulo 1

Author: Pequena Estrela
— Nini, o Osvaldo só devia estar ocupado demais com o trabalho. Quando ele voltar, eu vou conversar direito com ele e vou mandá-lo te pedir desculpa.

A mãe de Osvaldo, Kayra Xavier, falou sem nem olhar para trás, com toda a atenção voltada para as unhas que ela estava fazendo.

Para ela, não importava o quanto eu ficasse magoada ou fizesse escândalo. No fim das contas, eu já carregava o filho de Osvaldo na barriga.

Quanto à existência de Jéssica, eu tinha certeza de que Kayra estava mais era adorando. Jéssica tinha começado a chamar ela de "mãe" muito antes de mim, com toda a intimidade. E eu, a noiva oficial de Osvaldo, que ainda nem tinha subido ao altar, provavelmente não passava de uma barriga de aluguel para eles.

Eu dei um sorriso amargo e me afastei em silêncio.

— Eu já decidi sair do caminho do Osvaldo e da Jéssica.

Kayra não percebeu nem por um segundo que eu tinha saído. Ela também não ouviu nada do que eu tinha acabado de dizer.

— Nini, o Osvaldo é o presidente da empresa, sempre vai ter situação em que ele precisa fazer joguinho de cena com outras mulheres.

— Ele faz tudo isso pensando no futuro de vocês dois, na casa de vocês.

— Você tem que entender o lado dele. Senão, mesmo que não seja a Jéssica, uma hora vai aparecer outra. Se você ficar com raiva toda vez, mais cedo ou mais tarde vai acabar estragando a própria saúde.

— Você agora está grávida. Além do Osvaldo, quem é que ainda vai te querer?

— Tudo isso é experiência de quem já passou por muita coisa.

Kayra continuou falando sozinha, e eu já tinha deixado a mansão fazia tempo.

Eu coloquei a mão de leve sobre a barriga. Por causa do bebê, eles achavam que podiam fazer o que quisessem, como se eu fosse uma marionete nas mãos deles, presa por fios que eles puxavam quando bem entendessem.

Por mais que eu me debatesse, eu não conseguia escapar da palma da mão deles. Só que, agora, eu estava prestes a arrebentar o fio de que eles mais se orgulhavam, aquele fio com que eles controlavam todos os meus movimentos.

Quando eu voltei para casa, eu me joguei na cama. As lágrimas começaram a cair sem barulho, e eu nem soube em que momento peguei no sono.

Entre o sono e a vigília, o Osvaldo voltou. Ele me puxou para os braços dele, pegou um colar e prendeu no meu pescoço.

— Presente de casamento. Você gostou?

Eu baixei os olhos para olhar o colar. Eu tinha que admitir: aquele colar que ele tinha comprado em Paris era, de fato, muito bonito. Se eu não tivesse visto antes exatamente aquele colar no Instagram de Jéssica, eu provavelmente teria ficado muito feliz.

Só que, no Instagram de Jéssica, havia seis colares. E o que Osvaldo tinha me dado era o mais barato, o que ela menos gostava.

Nos comentários que ela trocava com outras pessoas, ela tinha escrito:

[Esse colar de cento e oitenta mil é só o brinde do conjunto de joias "Amantes Azuis". Se o Osvaldo não tivesse pedido para eu ficar com ele, eu já tinha jogado fora faz tempo.]

Sim. O meu colar não passava de um brinde que acompanhava a verdadeira obra-prima: a peça principal, "Amantes Azuis", avaliada em mais de dez milhões.

Eu tirei o colar em silêncio:

— Você ainda lembrou de trazer para mim o brinde da joia que você comprou para a Jéssica. Você foi bem atencioso.

O corpo de Osvaldo ficou levemente tenso atrás de mim, e o tom de voz dele esfriou na hora.

— Eu só estava fazendo joguinho de cena com ela, nada demais. Por que você está sendo tão mesquinha?

Eu respondi com frieza:

— Você não precisava se dar a tanto trabalho. O que você fazia com ela não tinha nada a ver comigo.

Osvaldo começou a ficar irritado:

— A gente já estava quase se casando, e você queria mesmo fazer esse escândalo? No fundo, você não queria mais esse casamento, não era?

Antes de eu engravidar, Osvaldo nunca tinha ousado falar comigo daquele jeito. Mas agora eu ouvia claramente o que estava por trás de cada palavra. Já que eu estava esperando um filho dele, eu que ficasse quieta, obediente. Parecia que, sem ele, ninguém no mundo ia me querer.

Eu senti o peito queimar de raiva. Eu queria jogar toda a verdade na cara dele. Mas a resposta que eu tive foi a porta do quarto batendo com força, o som ecoando pelas paredes.

Na manhã seguinte, quando eu abri os olhos, eu vi que Osvaldo já estava sentado na beira da cama.

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