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Capítulo 2

作者: Noemi
Mais uma vez: Saiba o seu lugar.

Essa frase era como um feitiço: saía da boca de Alzira, passava para a de Benedita e nunca mais me largava.

Perdi as forças, abaixei a cabeça e não quis continuar uma discussão inútil.

Olhei para as linhas confusas na palma da minha mão e me lembrei de quando, na infância, alguém leu minha sorte e disse que eu tinha nascido com pouco destino, com laços de sangue frágeis.

Eu era pequena demais para entender aquilo, mas Alzira sorriu e comentou:

— A Luana realmente não tem sorte.

A primeira metade da minha vida foi exatamente como ele disse, mas eu nunca acreditei em destino.

Depois me casei com Pedro, tive o Daniel, e achei ainda mais impossível ser alguém sem sorte.

Só hoje eu entendi que muitas coisas simplesmente não podem ser forçadas.

As lágrimas se acumularam nos meus olhos, e eu me segurei com todas as forças para não deixar que caíssem.

Respirei fundo e, em seguida, abri um sorriso:

— Já que vocês têm tanto medo de eu disputar a herança, então eu rompo relações com a família Lima!

Por um instante, Pedro e Benedita ficaram paralisados, olhando para mim em choque.

A única diferente foi Heloísa, cujos olhos explodiram de alegria.

— O que você disse? — Benedita foi a primeira a reagir.

A voz dela ficou estridente:

— Romper relações? Repete isso!

Heloísa imediatamente se agarrou ao braço dela e falou apressada:

— Mãe, não fica brava. Ela com certeza já pensava nisso há muito tempo. Mesmo sendo só uma filha adotiva, nunca tratamos ela mal, sempre demos tudo do bom e do melhor, e ela não demonstra o menor afeto. Uma verdadeira ingrata!

O coração já vacilante de Benedita foi completamente convencido por Heloísa.

O olhar dela para mim se transformou em decepção:

— Tudo bem, rompemos então! Só não venha se arrepender!

Sorri amargamente.

Com uma família dessas, do que eu teria de me arrepender?

Pedro, que estava ao lado em silêncio, de repente falou.

A voz ficou mais suave, com um tom conciliador:

— Luana, não seja tão impulsiva. A Benedita também está de cabeça quente. Família não vira inimiga assim, pra que levar as palavras a esse ponto?

Soltei uma risada fria:

— Agora você quer bancar o bonzinho? Como se não tivesse acabado de me humilhar.

O rosto de Pedro ficou imediatamente sombrio.

Tomado pela vergonha e pela raiva, ele retrucou:

— Você realmente não sabe reconhecer o que é bom! Estou tentando te aconselhar, e é essa a sua atitude?

— Papai, tia, não briguem. — A voz de Daniel soou.

Ele puxou a manga de Pedro e perguntou, erguendo o rosto:

— Então, daqui pra frente a tia não vai mais morar com a gente? Eu vou poder ficar sempre só com o papai e a mamãe?

Pedro não respondeu, apenas me lançou um olhar profundo.

Heloísa beijou a testa de Daniel e disse com doçura:

— Claro que sim. Daqui pra frente seremos só nós três, nunca mais vai ter gente de fora!

Depois disso, ainda me lançou um olhar provocador.

Olhei para a alegria estampada no rosto de Daniel, e uma dor amarga subiu do fundo do meu coração.

Esse era o filho que eu protegera com a própria vida!

Ao ver que eu não tinha a menor intenção de recuar, o semblante de Pedro ficou ainda mais carregado.

Ele falou friamente:

— Pelo visto, você realmente precisa refletir bem. Nesses próximos dias, não volte pra casa e também não veja o menino. Quando entender tudo direito, aí sim você pode voltar!

Soltei uma risada de desprezo:

— Engraçado... não foi você mesmo que acabou de dizer que eu sou a tia dele?

O rosto de Pedro ficou vermelho na hora, todas as palavras engasgaram na garganta.

No fim, ele só conseguiu me lançar um olhar feroz e saiu do quarto.

No silêncio que tomou o ambiente, vi um doce ao lado do travesseiro.

Devia ter sido colocado ali por Pedro enquanto eu estava inconsciente.

Então ele ainda se lembrava de que eu gostava de doce quando ficava triste.

Talvez por ter sofrido demais no passado, eu sempre gostei muito de coisas doces, nunca enjoava.

O papel do doce fez um leve ruído entre meus dedos, trazendo à tona lembranças antigas.

Crescer em um ambiente carente de afeto me fez sentir que receber amor era algo extremamente difícil; eu sequer sabia como amar alguém.

Por isso, quando Pedro começou a me cortejar, no início eu fiquei apavorada.

Mas ele foi paciente, aos poucos usando o calor dele para desfazer minhas defesas e tocar meu coração.

Ele deu noventa e nove passos em minha direção, fez eu acreditar que realmente existia alguém neste mundo capaz de me amar e me deu coragem para dar o último passo.

Eu achava que aquele passo me levaria à felicidade.

Até o dia em que fui reconhecida e levada de volta à Mansão dos Lima.
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