INICIAR SESIÓN"Nunca se esqueça de que você é apenas um objeto que comprei." Essas foram as palavras do meu marido no dia do nosso casamento, momentos antes de me deixar abandonada à própria sorte. Diego Martins comprou a minha ruína. Ele usou a falência da minha família para me forçar a aceitar um contrato de casamento e me transformou em sua prisioneira de luxo. Ele só esqueceu de um detalhe: eu não quebro fácil. Se queria uma esposa submissa para a sua vingança, escolheu a mulher errada. Diego queria apenas o que era seu por direito. Para ele, a única chance de justiça era se casar com a filha do inimigo — o homem que, no passado, destruiu sua família. Mas Ana Figueira não é a peça indefesa que ele imaginava. Em um jogo perigoso repleto de segredos e mentiras, Diego descobrirá que a linha entre o ódio e a paixão é tênue, e precisará superar os traumas do passado se quiser reconquistar a mulher que se tornou o amor da sua vida.
Ver más"Ana"
— Aqui está o seu pagamento.
Diego terminou de digitar no celular. Um segundo depois, senti o aparelho vibrar na palma da minha mão. Não precisava olhar para saber que era a notificação do valor depositado na minha nova conta.
— Não espere nada além do que está no contrato — a voz de Diego era fria, o desprezo evidente. — Você não terá nada de mim além do dinheiro. Nunca vou te beijar, abraçar ou tocar de qualquer forma. Não teremos nenhum tipo de intimidade. Nunca se esqueça de que você é apenas um objeto que comprei, só porque fui obrigado. O valor cairá na sua conta todos os meses, conforme o acordado.
Ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. Senti o cheiro do perfume caro, uma fragrância amadeirada com um toque cítrico. O cheiro do beco sem saida que eu tinha entrado. Diego olhou no fundo dos meus olhos, talvez buscando encontrar um sinal de quebra, uma lágrima, um tremor.
— Acabamos por aqui. Tenho que levar minha família para casa — ele disse, com um sorriso de escárnio. — Não tem espaço para você no meu carro.
— E como eu vou para sua casa? — perguntei. Eu já sabia a resposta, mas queria ouvir a crueldade saindo da boca dele.
— Se vira. Não é problema meu.
Ele deu as costas e saiu da sala. Sustentei o olhar até a porta se fechar. Respirei fundo, controlando meus batimentos cardíacos, e me olhei no espelho. A maquiagem estava perfeita, o vestido, as joias... tudo escolhido por ele para me exibir como um troféu de caça. Diego queria mostrar ao mundo que tinha comprado Ana Figueira.
Senti o nó na garganta, a ardência familiar das lágrimas. Não. Engoli o choro. Eu não daria esse prazer a ele. Saber que ele não tinha intenção de me tocar em nenhum momento era um alívio. O medo de “cumprir obrigações conjugais” era o que mais me assombrava. Se ele jurava distância, seria muito mais fácil para mim.
Saí da sala com o queixo erguido. A cerimônia tinha sido um circo, com convidados fingindo que não sabiam da farsa. Agora, o salão de festas estava vazio. Diego garantiu que todos fossem embora antes de me deixar ali, sozinha, sob o olhar de pena dos funcionários que desmontavam a festa.
Olhei para a saída. Eu poderia pedir um táxi, ou tentar uma carona, mas a raiva me deu uma ideia melhor. Peguei a última garrafa de champanhe aberta em uma mesa e saí porta afora.
Diego tinha escolhido um lugar perto da casa dele, mas, ainda assim, eram alguns quilômetros. Decidi que iria andando.
Tirei a sandália e a joguei em um canto. Descalça era mais confortável. O vestido de renda arrastava no chão, e, a cada passo, ficava mais encardido. A cada quilômetro, eu me desfazia daquela personagem. Desmanchei o penteado, joguei as joias caríssimas no mato — que ficassem para sempre lá — e ignorei as buzinas dos carros que passavam.
Uma hora depois, vi o portão da casa. A casa que eu nunca tinha visto, mas que a partir daquele momento era a minha nova residência. Não tinha ideia do que me esperava detrás daqueles muros. O portão se abriu automaticamente. Alguém estava vigiando pelas câmeras. Joguei a garrafa vazia em um canto do jardim e caminhei até a entrada principal.
A casa de Diego era uma mansão moderna de dois andares, toda de vidro e concreto. Uma estilo que lembrava uma clínica médica, fria sem personalidade. Todas as janelas estavam escuras. Nenhuma luz acesa. Ou não tinha ninguém, ou todo mundo já tinha ido dormir.
Tentei a maçaneta da porta principal. Trancada. Tentei a lateral. Trancada.
Ele realmente achou que eu dormiria ao relento, vestida de noiva, esperando pela boa vontade dele no dia seguinte?
Diego só esqueceu de ler as letras miúdas sobre quem eu era antes de precisar do dinheiro dele.
Eu tinha vindo preparada. Escondi, em um canto, uma bolsinha com algumas coisas, caso precisasse.
Levantei o vestido. Na perna esquerda, eu tinha uma bolsinha presa com algumas ferramentas. Tirei meu kit e fui até a porta da cozinha, a mais fácil de arrombar. Em menos de dois minutos, ouvi o estalo doce da fechadura cedendo.
Entrei na casa escura e silenciosa. Encontrei minhas malas jogadas como lixo perto da área de serviço. Arrastei-as para um quartinho de empregada que encontrei ao lado da cozinha. Eu estava exausta, imunda e com o ódio borbulhando no peito. Peguei uma tesoura nas minhas malas e, com prazer, retalhei aquele vestido até que ele não passasse de trapos brancos no chão.
Tomei um banho frio, vesti uma camisola de seda branca e me deitei no colchão sem lençol que havia ali. Dormi o sono dos justos.
Acordei com o sol batendo no rosto. Me levantei, preparei um café forte, o cheiro invadiu a casa, e me sentei à cabeceira da luxuosa mesa de jantar. Por dentro, a casa era tão sem personalidade quanto por fora móveis caros e genéricos, em tons exageradamente brancos.
Diego foi o primeiro a aparecer. Desceu as escadas já vestido de terno e gravata, pronto para iniciar um novo dia. Quando me viu sentada à mesa, calma, com a xícara na mão e um sorriso de canto de boca, ele estancou, a expressão surpresa estampada no rosto.
Olhei bem nos olhos dele e disse:
— Acho que você vai precisar trocar a fechadura.
"Ana"Durante dias não saí do hospital. Maya trazia comida que eu mal conseguia engolir, roupas limpas que eu trocava no banheiro minúsculo, e eu trabalhava com o notebook no colo, dividida entre alunos e o medo constante. Mal consegui perceber o movimento ao meu redor, eu não saía do lugar; minha alma havia estacionado naquela UTI.Elena mantinha a mãe e Susanna longe. Por mais olhares venenosos, resmungos e comentários hostis que as duas fizessem, elas nunca mais falaram comigo diretamnte, e eu não também não fazia questão. Minha cabeça estava em total suspensão. Percebia algumas coisas estranhas à minha volta — sussurros abafados no corredor, olhares desviados às pressas — só que a exaustão era tanta que eu não conseguia me concentrar direito para juntar as peças.Diego melhorou aos poucos e quando finalmente ficou fora de perigo, respirei aliviada, ele sobreviveria e isso era o mais importante no momento. Depois de tantos dias vendo aquele monitor cardíaco, tentando manter o otim
"Ana"Um dia de cada vez.Esse era o meu mantra, o que me impedia de afundar. Todo santo dia eu me levantava, me forçava a ficar de pé e, aos poucos, tentava dar forma àquela casa. Voltei a dar aulas de inglês, conquistei novos alunos, forcei uma rotina de sobrevivência. Mas a dor e a saudade de Caleb estavam comigo em cada passo, um buraco dentro do meu peito que alguns dias eu achava que jamais fecharia. A ausência dele era dura dificil. Por vezes, eu me pegava em prantos no meio da tarde, paralisada ao lembrar, que eu não podia mais pegar o telefone e ligar para o meu irmão. Maya fazia o que podia: ligava todos os dias, chegou a dormir lá uma noite. Mas ela tinha a vida dela. Por mais que me olhasse com medo de me ver sozinha, eu me recusava a ser esse peso na vida de alguém.Eu sabia me virar. Tinha sido assim a vida inteira.Ser solitária talvez fosse meu destino, quem sabe? Mas, no meio desse turbulento recomeço, fui pega de surpresa por uma saudade que eu jamais imaginei senti
"Diego"Minha mãe não negava. Apenas chorava, enquanto Elena dizia absurdos que não faziam o menor sentido.Minha cabeça girou, trazendo lembranças daquele dia terrível em que tudo mudou. A fúria do meu pai, o desespero — no que até aquele momento eu acreditava ser apenas o choque ao ver um homem que julgava amigo e confiável dar uma rasteira, roubar tudo: o nome, o dinheiro do meu pai.Eu era apenas uma criança, não entendia quase nada, mas, quando bati na porta do escritório e não escutei a voz do meu pai, sabia que tinha alguma coisa errada. Lembro-me de esmurrar a porta gritando, e do silêncio do outro lado. Tudo era confuso, revivi esse momento durante anos, sempre sonhava esmurrando aquela porta no silêncio, a porta se abrindo e meu pai sem vida.Minha mãe não estava em casa.Ali, olhando para ela, que chorava sem parar, essa lembrança me atingiu com força. Ela não estava em casa.Eu corri para a casa do vizinho, que arrombou a porta do escritório. Depois disso, não lembro direi
"Elena"Minha mãe recuou um passo com a minha pergunta. Não havia mais dúvida alguma. Aquele silêncio covarde e a expressão de raiva dizia tudo.Senti o chão sumir sob meus pés e o mundo inteiro rodar. Todas as peças se encaixavam da pior forma possível. Eu era meia-irmã de Ana... que agora era minha cunhada.— Como você pôde? — perguntei, chocada, a voz falhando pelo nó na garganta. — Como teve coragem de fazer isso?— Não ouse falar nada para o Diego! — ela sussurrou de volta, a voz esganiçada e o rosto pálido de puro pavor. Ela olhou para os lados desesperada, provavelmente com medo de que as paredes tivessem ouvidos. — Você não entende nada! Não sabe como as coisas aconteceram!Anos e anos da minha vida. Por décadas, assisti a essa mulher alimentar o ódio e o rancor de Diego, alimentando uma sede de vingança por uma tragédia que todos acreditavam ter sido causada unicamente pela ganância do tal do Omar. Quando, na verdade, ela mesma tinha um caso com o homem que destruiu a nossa






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