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Capítulo 3

Author: Árvore Florida
Infelizmente, eu não tinha escolha. Uma imensa força de atração me arrastou para perto dele.

Diante dele havia um cachorro espumando pela boca.

— Por que vocês a forçaram a ir à minha festa? Ela ficou com tanta raiva que matou o meu cachorrinho! — Jessica caiu nos braços da nossa mãe, chorando copiosamente.

— A culpa é minha, minha querida, não chore mais. — A mãe a consolou, com o coração partido.

— Quando eu encontrar aquela filha ingrata, juro que vou bater nela com a minha bengala até matá-la! — O pai estava tão furioso que quase desmaiou.

Ao ver a cena, Otávio sacou o celular indignado e me ligou, mas tudo o que pôde ouvir do outro lado foi a mensagem gelada da operadora.

Recusando-se a desistir, ele ligou várias vezes seguidas, mas continuava sem qualquer resposta.

— Ela com certeza fugiu de medo! Não atende as nossas ligações de jeito nenhum!

Os meus pais disseram, furiosos.

Otávio prometeu a eles que me encontraria sem falta e me faria pagar pelos meus crimes!

— Mas, Otávio, você não estava ocupado com aquele caso de assassinato? — De repente, Jessica olhou para ele.

— Eu tenho vários colegas capacitados que podem ajudar a lidar com isso. Hoje eu preciso encontrar a Yolanda de qualquer jeito! — Otávio paralisou por um segundo, lembrando-se daquele pobre cadáver sem cabeça, mas por fim respondeu.

— Fique tranquila, eu prometo que vou resolver isso para você. — Ele afagou gentilmente os cabelos de Jessica.

— Otávio, quando a encontrarmos, por que você não se divorcia dela de uma vez e se casa com a Jessica? Uma mulher perversa como a Yolanda não merece você de jeito nenhum! — Os meus pais concordaram.

Virei o rosto para olhar para Otávio, tentando decifrar alguma resposta em seu rosto.

No entanto, ele não respondeu às palavras dos pais, e sim sepultou o cãozinho em silêncio.

Após terminar ali, ele correu apressadamente para o escritório de advocacia onde eu trabalhava.

— Senhor Machado, eu estava prestes a lhe ligar. A Yolanda não apareceu no trabalho nestes últimos dois dias e não atende o telefone. O julgamento é amanhã, e todos estão desesperados. Aconteceu alguma coisa com ela?

— O que poderia ter acontecido? Hoje de manhã mesmo ela estava ocupada envenenando o cachorro da Jessica. — Otávio soltou uma risada sarcástica.

Depois de deixar o hospital, ele procurou vários amigos íntimos meus, mas todos disseram não ter me visto.

— Otávio, será que você não pode parar de tratar a Yolanda tão mal? Vocês estão casados há poucos anos, e ela vem me procurar chorando várias vezes por mês. — Um dos meus melhores amigos até mesmo o repreendeu.

— É o que ela merece. Se ela não tivesse sido tão implacável naquele processo, a família do réu não teria ficado com tanto ódio a ponto de invadir a minha casa e esfaquear os meus pais até a morte! Eu já fiz muito ao cumprir a promessa de me casar com ela! — Otávio respondeu impaciente.

— Você vai se arrepender disso mais cedo ou mais tarde! — O amigo virou as costas furioso e gritou na direção dele.

Escondida em um canto, meus olhos se encheram de lágrimas ao ver a fúria e o choro contido do meu amigo.

Se não fosse pelo apoio constante deles todos esses anos, eu nunca teria suportado tudo isso por tanto tempo.

Voltei a olhar para o homem parado no meio da rua, perdido.

"Otávio, você não precisa me procurar mais. Eu já estou no lugar que você melhor conhece."

"Naquela fria mesa de autópsia."

O celular dele tocou de repente, era uma ligação do laboratório.

— Más notícias, Doutor Machado! Nós conseguimos extrair o DNA da vítima, o senhor precisa voltar e ver os resultados agora mesmo! — O tom de Vitor era urgente.

— Já disse que deixei esse caso nas mãos de vocês. Tenho outras coisas para resolver, entreguem o relatório para a polícia vocês mesmos. — Otávio olhou para o relógio e falou com impaciência.

Ele não esperou por uma resposta de Vitor e desligou a ligação abruptamente.

Otávio voltou para casa, revirando gavetas e armários até encontrar uma pulseira.

As minhas pupilas se contraíram. Aquilo foi o presente que ele me deu em nosso primeiro encontro.

Por puro instinto, atirei-me em direção a ele.

Mas, no segundo seguinte, Otávio despedaçou a pulseira com força, os fragmentos atravessando as palmas das minhas mãos.

Não... Não!

Olhei para Otávio com profunda mágoa, mas a sua expressão sequer mudou. Ele tirou uma foto calmamente e enviou para o meu celular.

[Yolanda, se você não voltar para confessar, eu vou destruir tudo o que é seu.]

[A cada trinta minutos, eu vou destruir uma coisa. Esta pulseira é apenas o começo.]

Fiquei parada, sentindo como se a minha alma estivesse prestes a ser completamente drenada.

"Otávio! Eu já estou morta! Como você quer que eu apareça!"

Gritei para ele, avançando para golpear o seu peito, mas ele não podia me ouvir nem me sentir.

E assim, assisti impotente enquanto ele rasgava o meu vestido favorito, pisoteava as flores que eu havia cultivado com todo o cuidado ao longo dos anos, até que caminhou lentamente até a nossa gatinha que dormia no canto.

"Não... Não faça isso! Por favor! Otávio, essa é a nossa gatinha de rua que resgatamos juntos. Você não a amava mais do que tudo?!"

Otávio ergueu a gata pela pele do pescoço e lançou sua última ameaça no chat.

[Yolanda, se você não me responder em dez segundos, vou acabar com ela.]

Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois...

Um.

— Yolanda, até que enfim você resolveu aparecer. — Bem naquele momento, a porta foi arrombada com um chute, e Otávio ergueu os cantos dos lábios em um sorriso presunçoso.

Porém, ao se virar, Vitor o derrubou no chão com um soco estrondoso, atirando o laudo de DNA na cara dele.

— Otávio, por que você é tão frio?! Você sabia que aquele cadáver decapitado e espancado até a morte era a sua esposa?!

— É a Yolanda!
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