Teilen

####CAPÍTULO 05

last update Veröffentlichungsdatum: 03.10.2026 00:21:46

ANASTASIYA

Dona Margareth me conduziu até o quarto da pequena Bia e, assim que atravessei a porta, minha atenção se voltou imediatamente para ela.

— Bia estava sentada diante da televisão, assistindo a um desenho animado, mas o que me incomodou não foi simplesmente encontrar uma criança de dois anos diante de uma tela.

— É forma como a criança está, e Bia parece triste, sem motivação para fazer qualquer outra coisa, com os olhos fixos nas imagens coloridas que se movimentavam diante dela e nenhuma curiosidade pelo que acontecia ao seu redor.

— Não vi brinquedos espalhados pelo chão, não vi sinais de uma brincadeira interrompida, tampouco aquela inquietação natural que normalmente se espera de uma menina tão pequena.

— Por alguns segundos, permaneci apenas observando a cena em silêncio, tentando compreender a rotina que encontraria naquela casa antes de interferir nela.

Virei-me para dona Margareth e falei em voz baixa, garantindo que nossa conversa não perturbasse Bia.

— Senhora, ela está acostumada a assistir à televisão sempre?

— Ela não tem brinquedos interativos, alguma coisa que faça com que brinque normalmente, explore, monte, desmonte, use a imaginação?

— Dona Margareth olhou para a menina antes de me responder, demonstrando em sua expressão que aquela cena já era tão habitual que ela própria não a estranhava mais.

— De ter, ela tem muitos brinquedos, senhorita Anastasiya o problema é que todas as outras babás preferiam deixá-la assistindo aos desenhos animados.

Era mais fácil mantê-la quietinha assim, e quando Bia está diante da televisão, dificilmente fica irritada e a irritação pode desencadear as crises alérgicas e de asma, elas acabam se acostumando a deixá-la diante dos desenhos por bastante tempo.

— Facilitava o serviço das babás e também evitavam que ela ficasse contrariada.

— A resposta explicava muita coisa, entendi o receio provocado pelas crises de Bia e não pretendia ignorar uma condição de saúde que ainda precisava conhecer melhor, principalmente porque a própria doutora Beatrice deveria me orientar sobre os cuidados necessários.

— Entretanto, existia uma diferença enorme entre evitar uma irritação desnecessária e retirar de Bia qualquer oportunidade de aprender a lidar, gradualmente, com uma rotina diferente.

— Entendi. A senhora poderia me mostrar onde ficam os brinquedos dela?

— Claro, vem comigo, o quarto de brinquedos fica aqui mesmo, anexado ao quarto dela.

— A doutora Beatrice mandou fazer assim justamente para que Bia tivesse tudo por perto.

Acompanhei dona Margareth até o cômodo ao lado e, quando entrei, fiquei surpresa com a quantidade de brinquedos.

— Havia opções para diferentes tipos de atividades, muitas delas adequadas para estimular uma criança pequena, mas quase tudo parecia estar ali apenas como enfeite.

— Alguns brinquedos tinham uma aparência tão preservada que era difícil imaginar Bia manuseando-os diariamente.

— Aproximei-me das prateleiras, observei algumas caixas e encontrei, entre tantas coisas, uma fazendinha de montar, com pequenos animais, bonecos, cercas e peças que podiam ser encaixadas e organizadas.

— É muito bom o quarto de brinquedos ficar anexado ao dela.

Facilita bastante, principalmente porque podemos apresentar outras atividades sem precisar afastar do ambiente em que já se sente segura.

— Agora, a senhora poderia me apresentar a ela?

Dona Margareth demonstra certa preocupação e olhou na direção do quarto.

— Posso, mas o problema é que ela está no meio do desenho animado, quando está assistindo e alguém tenta interromper, costuma ficar irritada.

— Por causa das crises, as babás evitavam fazer isso. Se eu chegar agora, desligar a televisão ou tentar obrigar a prestar atenção em você, provavelmente ela não vai gostar.

— Mas ela é apenas um bebê de dois anos, nós precisamos começar a mudar essa rotina aos poucos.

— Não estou dizendo que vamos desligar a televisão de repente e provocar uma crise.

Só não quero que a tela seja a única maneira de mantê-la tranquila.

— Televisão, celular e outras telas, quando ocupam todo o tempo da criança, acabam deixando-a inerte, e nós não queremos isso para Bia.

— Eu sei que ela tem problemas alérgicos e asma e que não podemos deixá-la nervosa, por isso precisamos trabalhar com cuidado.

— A senhora me apresenta, eu levo alguns brinquedos e tento conquistar a atenção dela sem a obrigar a nada e se ela não quiser fazer hoje, tentaremos novamente em outro momento.

Dona Margareth pareceu considerar minhas palavras e acabou concordando, antes de voltarmos, lembrei-me de outra coisa que percebi quando vi Bia sentada.

— Outra coisa, dona Margareth, estou notando que ela ainda usa fralda, já era ela ter sido desfraldada as outras babás nunca trabalharam com ela para começar a retirar as fraldas?

— Não, nunca trabalharam de verdade, ela me respondeu dona Margareth, desta vez sem hesitação.

— Para elas era mais fácil mantê-la de fralda. Como eu disse, tudo acabou sendo feito da maneira que facilitava o serviço das babás.

— Evitavam contrariar, deixavam os desenhos ligados e também não tentavam criar uma rotina para retirar a fralda.

Assenti devagar, não ia começar um processo de desfralde sem antes conhecer melhor Bia e conversar com a mãe dela, mas aquela informação se juntava às outras e me ajudava a compreender por que uma criança cercada de tantos recursos parecia tão pouco estimulada.

— Entendi, então vamos conhecer essa princesinha primeiro, e depois, conforme eu for conquistando a confiança dela e conhecendo a rotina da casa, vamos trabalhar um dia por vez e as coisas no seu tempo se arruma.

— Escolhi a fazendinha e voltei com dona Margareth para o quarto, Bia continuava no mesmo lugar, completamente concentrada no desenho.

—:Dona Margareth aproximou-se dela e tentou chamar sua atenção com delicadeza.

— Querida, olha quem está aqui, esta é a sua nova babá. Olha só para ela, Bia. Ela vai ser sua nova amiga e vai ficar aqui com você.

Bia sequer desviou os olhos da televisão no início, mas dona Margareth insistiu com a voz carinhosa e, só então, a menina olhou rapidamente em minha direção.

— Foi apenas um relance fugaz antes de voltar a atenção para a tela.

— Não insisti para que olhasse para mim, não pedi que desligassem o aparelho e muito menos tentei tirar o controle de suas mãos; em vez disso, sentei-me ao lado dela no chão e coloquei a fazendinha onde pudesse enxergo.

— Abri a caixa com calma, retirei algumas peças e comecei a examinar como se eu própria estivesse descobrindo aquele brinquedo pela primeira vez.

— Oi, eu sou Anastasiya, você viu esses brinquedos que tem aqui, já brincou com eles?

— Bia finalmente olhou para o que eu tinha nas mãos. Depois de alguns segundos, balançou a cabeça negativamente.

— Nunca? — perguntei, demonstrando surpresa, só estamos nós duas na mesma situação, porque eu também nunca brinquei com esse brinquedo.

Se você nunca brincou e eu também não, o que acha de descobrirmos juntas como funciona?

— Olha só quantas coisas tem aqui: tem bonequinhos, tem bichinhos, tem cerca e um monte de peças.

— É uma fazenda! Nós podemos montar tudo do jeito que quisermos. Você quer brincar comigo e me ajudar a construir essa fazenda?

— A mudança foi pequena, mas perceptível. Bia desviou os olhos da televisão por mais tempo, observou o brinquedo e depois me encarou.

— Não disse nada, apenas balançou a cabeça afirmativamente.

— Sorri para ela, satisfeita por ter conseguido despertar seu interesse sem precisar disputar sua atenção à força.

— Então está combinado, a fazendinha é nossa, mas antes de começarmos, eu preciso saber uma coisa, você já comeu hoje?

Ela tentou responder, pronunciando algumas palavras que não conseguia compreender, prestei atenção, mas não quis fazê-la repetir até se sentir frustrada, por isso me voltei discretamente para dona Margareth.

— Ela ainda não fala direito, é por isso que a televisão não é recomendada, entendeu?

— Não, senhorita Anastasiya, dona Margareth responde sem jeito.

— Ela fala algumas poucas frases, mas muitas palavras ainda não saíram claramente.

Como convivemos com ela todos os dias, às vezes conseguimos entender pelo jeito que fala e pelos gestos, mas nem sempre é fácil compreender o que ela está tentando dizer.

Voltei imediatamente para Bia, sem demonstrar que existia qualquer problema com a maneira como ela se comunicava, pois queria que se sentisse à vontade comigo.

— Então vamos fazer diferente. Você quer comer alguma coisa? Que tal fazermos um lanche antes de brincar?

— Melhor ainda: você quer descer comigo e me ajudar a preparar o nosso lanche?

— Os olhinhos de Bia brilharam de uma maneira que eu ainda não tinha visto desde que entrei naquele quarto.

— Ela concordou com entusiasmo, e percebi que a possibilidade de participar parecia interesse muito mais do que simplesmente receber alguma coisa pronta.

— Então vamos, a fazendinha vai ficar nos esperando e, depois do lanche, nós voltamos para montar tudo bem?

— Dona Margareth nos acompanhou até a cozinha, e assim que chegamos, cumprimentei a cozinheira e pedi licença antes de mexer em qualquer coisa, afinal, aquela é a área de trabalho dela e eu tinha acabado de chegar.

— Depois de receber sua autorização, aproximei Bia da geladeira e abri a porta para mostrar as opções, deixando que ela observasse enquanto eu apontava para cada fruta.

— O que você gosta? Olha só, tem morango, uva, maçã e outras frutas e um monte de frutinhas gostosas.

— O que você acha de fazermos uma saladinha de frutas para você comer com um pouco de iogurte natural e mel, você já comeu assim?

— Bia balançou a cabeça negativamente, nunca Bia?

— Então hoje vamos experimentar, mas você vai lavar as mãos e as frutas combinado?

Não vale ficar só olhando, entendeu Bia?Procurei um banquinho firme e o posicionei diante da pia, certificando-me de que estava seguro antes de colocar Bia sobre ele, permanecendo ao seu lado para que não corresse o risco de cair.

— Primeiro, nós duas vamos lavar muito bem as nossas mãozinhas. Depois você fica aqui no banquinho enquanto eu pego as frutas na geladeira, o iogurte e o mel.

E vamos preparar tudo juntas, e depois de lavarmos as mãos, olhei para dona Margareth.

— Onde fica a velhinha que ela usa para o lanche?

— Fica naquele armário, senhorita Anastasiya, indicou dona Margareth. — Na segunda prateleira estão as vasilhas dela, e as colherinhas ficam na gaveta logo abaixo. Tudo o que é de uso da Bia fica separado para facilitar na hora das refeições.

Lies dieses Buch weiterhin kostenlos
Code scannen, um die App herunterzuladen

Aktuellstes Kapitel

  • MARTIN O MAGNATA E A ILUSÃO QUE QUASE O DESTRUIU    ####CAPÍTULO 146

    Compreendo perfeitamente sua preocupação, porque também conheço a maneira como Irina reage quando acredita que está perdendo alguma vantagem. Entretanto, não pretendo esconder a existência dos gêmeos, tampouco continuar sacrificando minha felicidade para evitar que minha esposa fique contrariada. Já tomei a decisão de me divorciar antes mesmo de reencontrar Anastáziya, e não permitirei que Irina utilize nossa história como justificativa para prolongar um casamento que não possui mais condições de continuar.— Não vou permitir que Irina determine meu futuro novamente, Beatriz. Ela terá a cobertura, conforme já organizei com Stuart, mas não continuará utilizando meu dinheiro e nosso filho para manter uma vida de excessos. Petro ficará protegido, e Máximo e Martin receberão meu reconhecimento e os mesmos direitos que o irmão. Quanto a Anastáziya, não pretendo escondê-la nem negar aquilo que sinto por ela. Minha irmã parece perceber que existe alguma coisa além do reencontro e da descobe

  • MARTIN O MAGNATA E A ILUSÃO QUE QUASE O DESTRUIU    ####CAPÍTULO 145

    Entretanto, antes de encerrarmos a ligação, existe outra notícia que preciso compartilhar com Beatriz, e sei que provocará uma surpresa ainda maior do que o anúncio do divórcio. Minha irmã conhece os sentimentos que sempre nutri por Anastáziya, sabe quanto sofri depois de sua partida e foi justamente a pessoa que recebeu as revelações sobre Irina e Katrina. Durante quatro anos, não tivemos notícias concretas da mulher que amei, porque ela decidiu manter distância para que eu pudesse assumir minhas responsabilidades com Petro. Agora descubro que não apenas a reencontrei, mas que também sou pai de dois meninos cuja existência desconhecia completamente.— Beatriz, preciso contar outra coisa. Durante minha viagem a Syracuse, encontrei Anastáziya. Do outro lado da linha, minha irmã demora alguns segundos para responder, como se não tivesse compreendido corretamente o que acabo de dizer. — Você encontrou Anastáziya? Martin, está falando sério? Depois de todos esses anos, finalmente conse

  • MARTIN O MAGNATA E A ILUSÃO QUE QUASE O DESTRUIU    ####CAPÍTULO 144

    MARTINEstou no escritório há bastante tempo, analisando alguns documentos e colocando em ordem os assuntos da holding que ficaram pendentes durante minha viagem a Syracuse. Não vejo Irina quando retorno a Nova York, tampouco quando ela chega em casa, porque já estou dormindo. Não considero necessário procurá-la, principalmente porque nossa situação está suficientemente esclarecida desde o dia em que comuniquei minha decisão de me divorciar. Durante os dias em que permaneço fora, ela continua frequentando festas e chegando à cobertura tarde da noite, exatamente como faz habitualmente, sem demonstrar qualquer preocupação com o filho que deixei sob meus cuidados. Agora Petros está com Anastáziya e os irmãos, recebendo o carinho e a atenção que merece, enquanto preparo as providências necessárias para que nunca mais precise conviver com a indiferença da própria mãe. Não pretendo transformar a separação em uma discussão interminável, porque já passei quatro anos tentando estabelecer uma

  • MARTIN O MAGNATA E A ILUSÃO QUE QUASE O DESTRUIU    ####CAPÍTULO 143

    Quando chegamos ao estacionamento externo, acompanho os três até o carro e começo a acomodá-los nos assentos apropriados. Martin deixou a cadeirinha de Petros justamente para que eu pudesse transportá-lo com segurança, por isso verifico sua instalação e me certifico de que está corretamente ajustada antes de acomodar o menino. Também confiro os dispositivos de segurança utilizados por Máximo e pelo pequeno Martin, porque não costumo sair de casa sem verificar se todos estão devidamente protegidos. Petros observa os irmãos se acomodarem e parece satisfeito por ocupar seu próprio lugar, mantendo a mochilinha próxima dos objetos que levaremos para a escola. Depois de conferir os cintos e organizar os pertences, sento-me ao volante e inicio o trajeto, acompanhada pelas vozes animadas das três crianças. Máximo conta ao irmão sobre os brinquedos que existem na escola, enquanto meu pequeno Martin fala sobre os colegas e sobre as atividades que costumam realizar durante a manhã. Petros escuta

  • MARTIN O MAGNATA E A ILUSÃO QUE QUASE O DESTRUIU    ####CAPÍTULO 142

    ANASTÁZIYANo outro dia, acordo cedo, como faço habitualmente, mas hoje minha rotina tem uma diferença muito especial: em vez de dois meninos, tenho três crianças para preparar antes de sair para a escola. Levanto-me com cuidado, organizo minha higiene pessoal e sigo até a cozinha, onde começo a preparar o café da manhã, procurando separar tudo de que precisaremos para não nos atrasarmos. Durante quatro anos, acostumei-me a cuidar de Máximo e do pequeno Martin, organizando suas roupas, preparando as refeições e conferindo as mochilas antes de sairmos de casa. Agora tenho Petros comigo, e isso exige alguns cuidados adicionais, principalmente porque ainda estou aprendendo suas preferências e a maneira como reage às mudanças na rotina. Não considero sua presença um problema, pelo contrário, sinto uma alegria profunda ao saber que o menino está conosco e que começa a desenvolver uma relação de carinho com os irmãos. Entretanto, compreendo que preciso respeitar suas particularidades e ofer

  • MARTIN O MAGNATA E A ILUSÃO QUE QUASE O DESTRUIU    ####CAPÍTULO 141

    Quando chega a hora do jantar, volto para a cozinha e preparo uma refeição simples, procurando considerar as preferências de todos. Martin permanece conosco, acompanhando as crianças enquanto organizo a mesa, e novamente experimento a sensação de estar vivendo uma cena que tantas vezes imaginei durante os anos de separação. Não se trata de uma ocasião sofisticada nem de uma comemoração especial, mas de uma refeição compartilhada por pessoas que estão começando a descobrir como poderão conviver. Sirvo os pratos, ajudo Petros conforme suas necessidades e procuro permitir que os meninos participem com autonomia das pequenas tarefas que já conseguem realizar. Martin observa tudo com atenção e conversa com os filhos durante o jantar, demonstrando satisfação quando eles lhe contam detalhes das atividades escolares e das brincadeiras que costumam inventar em casa. A alegria de Máximo e do pequeno Martin é evidente, principalmente porque podem dirigir-se ao pai sem receio, utilizando uma pala

Weitere Kapitel
Entdecke und lies gute Romane kostenlos
Kostenloser Zugriff auf zahlreiche Romane in der GoodNovel-App. Lade deine Lieblingsbücher herunter und lies jederzeit und überall.
Bücher in der App kostenlos lesen
CODE SCANNEN, UM IN DER APP ZU LESEN
DMCA.com Protection Status