เข้าสู่ระบบO bar respirava magia naquela noite. As luzes douradas dos lustres de cristal
dançavam sobre as paredes de tijolo aparente, enquanto velas em castiçais prateados cintilavam no centro das mesas de madeira, envoltas em toalhas de linho cor de vinho. Arranjos de flores brancas e rosas bordô pendiam discretamente sobre o balcão de mármore, onde garrafas de champanhe reluziam como tesouros. No canto, o velho piano do meu avô aguardava silencioso, como um guardião das memórias que aquelas paredes guardavam. Ele preferiu não vir à festa. Quase não sai mais de casa, exceto pela rotina diária de vir ao bar por pelo menos uma hora antes de abrirmos para tocar seu velho piano. Temos um piano elétrico super moderno em casa, que ele se recusa a tocar. A música suave do violoncelo ecoava pelo ambiente, misturando-se ao burburinho dos convidados. Familiares próximos e amigos sorriam, abraçando Gabriel e Sofia, felicitando-os pelo noivado, cujos rostos brilhavam mais que as estrelas do verão. Eu observava toda a movimentação, de longe, apoiada na coluna de madeira próxima ao piano. Meus dedos tamborilavam contra a madeira, num ritmo nervoso e sem motivo. A festa era um sucesso. Tudo corria muito bem e meu melhor amigo era só sorrisos. “Ele está aqui.” Sussurrei pra mim mesma, olhos fixos em Fred, que conversava com um tio de Sofia perto da estante de vinhos. Eu estive tão ocupada com os afazeres da festa que ainda não havia me dado conta de sua presença. De terno cinza chumbo, ajustado ao corpo, tinha uma lapela de cetim, camisa branca, colete combinando com o paletó e uma gravata cinza texturizada, os cabelos levemente despenteados como sempre, parecia ter saído de um sonho antigo. Cada gesto seu parecia calculado, porém natural, como se a elegância fosse parte de seu DNA. Quando riu de algo que o tio disse, o som rouco e quente me fez segurar a respiração. “Aí está nossa anfitriã!” Gabriel surgiu ao meu lado, o sorriso largo como de uma criança. “Muito obrigado, minha querida amiga, por esta linda noite! Não precisava de tudo isso e nem ter fechado o bar por causa do nosso noivado. Sei que isso deve ter tido o dedo de Fred e peço desculpas por isso. Ele é muito cuidadoso com a segurança de Sofia e agora, com a minha também.” Ele olhou em volta. “Caramba, Ária! Está tudo… perfeito!” Seus olhos estavam brilhantes de emoção. Eu o abracei com força, sentindo o cheiro do seu perfume cítrico, tão familiar. “Você merece mais que isso. O vovô está orgulhoso de você. Ele não veio porque… você sabe.” Ele segurou minhas mãos e apertou de leve. “Fico feliz que você esteja feliz. Te amo muito, meu amigo!” Gabriel segurou meu rosto, seus dedos acariciando minhas bochechas. “Foi aqui que eu aprendi que família não é só sangue. Você e seu avô salvaram minha vida. Você é e sempre será minha família. Eu também te amo.” Os olhos dele piscaram para o piano, onde adolescentes, nós dois desafinávamos enquanto o vovô ria e corrigia nosso dedilhado. Sofia aproximou-se, o vestido champanhe fluindo como seda. “Está tudo perfeito, Ária! Obrigada. Por tudo.” Sua voz suave, mas os olhos perspicazes pousaram em Fred, depois em mim novamente. “Fred está mais animado hoje. Quase humano.” Sorriu, deixando a frase pairar como um convite para uma confissão qualquer. Engoli seco tentando disfarçar meu encantamento por ele. “Ele… parece estar se divertindo.” Comentei com meus olhos pousados nele. “Sim. Ele parece diferente. Não é muito comum ver meu irmão tão sorridente. Ele está sempre tenso e ocupado com seu trabalho e conosco.” Sofia tirou os olhos de seu irmão e olhou para mim por alguns segundos em silêncio, como que se dando tempo para arrumar seus pensamentos. “Mas parece que você o faz sorrir mais que o normal.” Ela sorriu e apertou os olhos. “Cuidado ou vou ficar com ciúmes.” Ela me deu uma piscadinha que fez meu coração dar um salto. Antes que eu pudesse responder, Sofia e Gabriel foram puxados por uma pessoa para fotos. Senti meu coração acelerado. Por que Sofia disse aquilo? Será que eu estou dando muita bandeira? Ou será que ele comentou alguma coisa com ela? Por que estou reagindo assim? Não quero me envolver com ninguém e ele já deixou bem claro que também não quer. Fingi tirar uma mancha inexistente da madeira do piano tentando me acalmar. Quando levantei os olhos, Fred estava diante de mim, segurando duas taças de vinho tinto. “Pra você.” Ele me entregou uma taça, seus dedos roçando levemente os meus. O toque foi rápido, mas suficiente para fazer meu pulso formigar. “Obrigada.” Minha voz saiu mais áspera do que o normal. Ele inclinou a cabeça, me observando. Ele não quer nenhum relacionamento, mas tudo que ele faz é extremamente sedutor. Resta saber se esse flerte constante, esse ato contínuo de sedução é mesmo pra mim ou ele é assim com todas as mulheres. Não o conheço tempo suficiente para responder essa questão e não posso perguntar isso pra Sofia, que já parece desconfiar de alguma coisa. “Gabriel me contou que você reformou o bar sozinha. Mantendo a alma do lugar, mas modernizando. Impressionante.” Isso significa que ele e Gabriel conversam sobre mim. O que mais ele conseguiu descobrir nessa conversa? “Meu avô sempre diz que mudanças são importantes, mas que essências precisam ser conservadas.” Meus olhos fugiram para o piano. Fred seguiu meu olhar. “Ele estava tocando aqui naquele dia… Gabriel me disse que você também toca. Que vocês aprenderam juntos.” Ri, envergonhada. “Mal. Meus dedos são mais hábeis com copos do que com as teclas de piano. O Gabriel toca melhor que eu.” “Duvido.” Ele deu um gole no vinho, seus olhos fixos nos meus. “Tenho certeza que você é boa em tudo que faz.” O violoncelo parou, e por um segundo, apenas o tilintar de taças e risos preencheram o ar. Mas os olhos dele continuaram fixos em mim e o mundo pareceu desacelerar. Um silêncio pairou sobre nós e todos desapareceram. Por um momento éramos só ele e eu. “Fred!” Uma voz nos trouxe de volta a realidade e ele piscou, recuando. “Precisamos de você para o brinde! Ária, você também!” Gritou Miguel, o irmão de Gabriel, acenando para nós. Fred assentiu para Miguel, em seguida virando-se para mim. “Vamos!” Ele estendeu a mão pra mim, e por alguns segundos eu simplesmente não podia me mover. A festa seguiu em risos, brindes e histórias embaraçosas de Gabriel e Sofia. Quando o último convidado partiu. Desabei na cadeira, os pés doloridos. Eu os libertei dos sapatos cruéis de saltos altos e respirei fundo aliviada. A equipe recolhia copos, louças e enfeites. O silêncio começava a se instalar. Caminhei até o piano e comecei a dedilhar uma de minhas músicas preferidas, The Way You Look Tonight, de Jerome Kern. Uma das músicas que meu avô me ensinou a gostar. Me peguei cantarolando a letra baixinho enquanto executava a melodia no piano. Quando terminei a música, alguns garçons aplaudiram. Já fazia algum tempo que não tocava. Fechei o piano e já ia me levantar quando uma música começou a tocar, vinda do celular de alguém. Nothing Else Matters. “Última dança?” Era Fred, de mangas arregaçadas, sem o paletó, os três primeiros botões da camisa desabotoados. Estendia a mão, vulnerável, como se estivesse com medo de ser rejeitado. Olhei pra mão dele, depois para seus olhos. “Eu não danço.” “É só me acompanhar.” A mão continuava esticada, me aguardando. Ele sorriu sem reservas e eu me derreti por dentro. Nossas mãos se encontraram e ele me puxou pra junto do seu corpo. “Finalmente.” Uma voz ecoou na minha cabeça.Acordei antes do despertador tocar. Seis da manhã e eu já estava de olhos bemabertos, olhando para o teto do quarto. Sem Ária ao meu lado, foi bem difícil pegar no sono.Ela dormiu na casa de Sofia, dizendo que a noiva precisava manter um certo mistério. Eunão queria mistério Eu queria ao meu lado sempre. Cinco meses haviam se passado desdeque ela aceitou se casar comigo. Compramos uma casa no mesmo bairro que Sofia eGabriel, logo minha sobrinha nasceria e eu queria estar presente. Cinco longos meses entreobras, decoração, brigas bobas sobre coisas como a cor das paredes da sala ereconciliações ainda mais doces. Cinco meses construindo nosso lar, tijolo por tijolo, sonhopor sonho.E hoje era o dia. O grande dia do resto de nossas vidas.Me levantei e fui até a janela. O jardim já estava perfeitamente arrumado. Migueltrabalhava na cozinha com seus auxiliares preparando tudo. Clarice, dona Mercedes eSônia estavam cuidando dos últimos detalhes da decoração. As flores brancas e l
Senhor Marcelo Granda, Infelizmente, ainda não tivemos a oportunidade de nos conhecermos. Contudo, esta carta vem de um lugar de gratidão. Também de uma verdade que preciso compartilhar com respeito e clareza. Primeiro, quero agradecer pelo que fez quando fui sequestrada. Soube que sua coragem foi um farol quando mais precisei, e isso, nunca será esquecido. Sobre a descoberta de que o senhor é meu pai biológico, devo esclarecer que essa foi parte de mim preenchida apenas por perguntas silenciosas. Sempre imaginei que um dia entenderia de onde vim e devo confessar que me surpreendi com a resposta e com a maneira como essa informação chegou. Talvez o destino seja como uma criança brincalhona. A vida me deu um pai de outra forma, meu avô assumiu esse papel tão importante para qualquer pessoa. O velho Gaspar foi o único pai que conheci e assim permanecerá. Foi ele quem me ensinou os primeiros passos, quem cuidou de mim nos momentos mais difíceis, quem celebrou minha conquistas. Foi e
Finalmente, chegou o grande dia! Eu sabia que Sofia se casaria na Serra, no resort dos pais de Gabriel. Fiquei muito nervosa durante o caminho, mas ali era um lugar muito especial, quase mágico. Nada parecido com o terror que eu havia vivenciado. O resort era de tirar o fôlego, no meio das montanhas verdejantes com vista para os vales cobertos pela mata atlântica. A arquitetura, rústica - chique, combinava perfeitamente com a natureza exuberante ao redor, criando um ambiente ao mesmo tempo, sofisticado e acolhedor. A cerimônia foi marcada para o final da tarde, quando o sol dourado da serra criava aquela luz mágica que os fotógrafos tanto adoram. Os organizadores haviam transformado o jardim principal em uma verdadeira catedral ao ar livre. Arcos de flores brancas e rosas, lírios e samambaias criavam um corredor natural que conduzia até o altar sob uma pérgola coberta por hortênsias e luzes de led delicadas. Mais de duzentos convidados ocupavam as cadeiras de madeira clara
Ária estava recostada no meu peito, parecia tranquila depois de um dia tão longo e difícil. Eu estava exausto, precisando desesperadamente de uma noite de sono. Foi quando ela me disse que sabia que eu escondia alguma coisa e que por isso, ainda não se sentia segura. Mesmo achando que ela também precisava descansar, que não precisava de mais nenhum tipo de emoção, não tive outra saída. Talvez não existisse mesmo um momento certo para revelar esse tipo de coisa. “Ária…” Comecei, minha voz tensa. “Preciso te contar uma coisa. Essa informação me foi dada no momento do seu sequestro.” Senti seu corpo enrijecer contra o meu. “O que foi? Eu sabia. Fala, Fred!” Ela se afastou um pouco para me olhar de frente. Passei os dedos pelos cabelos dela. “Durante o sequestro… o pedido de resgate não foi feito só pra mim. Sua mãe pediu resgate para o seu pai, também.” O silêncio que se seguiu foi tão profundo que eu podia ouvir meu próprio coração batendo. Ela me encarou por longos segundos
Acordei com uma sensação estranha, como se estivesse flutuando entre sonho e realidade. Havia uma dor surda na minha testa e minha boca estava seca como lixa. Por um momento não sabia onde estava. As paredes brancas, o quarto claro, vozes ao longe… tudo parecia irreal. Uma mulher me tocou por algum motivo. O pânico me atingiu como uma onda. Por um segundo voltei aquele quarto sujo, as cordas, a voz de Thiago nos meus ouvidos. Tentei me sentar rapidamente, mas meu corpo não reagiu como eu esperava. “Calma, calma!” A mulher sussurrou, colocando uma das mãos no centro do meu peito e a outra no meu ombro me mantendo no lugar. “Você está segura. Está no hospital. Olha em volta. Acabou. Acabou.” Ela colocou um pouco de água no copo e me ofereceu. Aceitei ainda assustada. “Beba devagar. Sou a enfermeira Sandra.” Ela continuou verificando o soro que gotejava no meu braço. “O médico te deu um tranquilizante, então talvez você esteja um pouco desnorteada. Mas isso passa logo.” Foi e
O helicóptero cortava a madrugada com um ruído ensurdecedor que reverberava emmeu peito. Através dos fones de ouvido, ouvia as coordenações finais entre as equipes,Polícia Federal, Civil Militar e minha própria equipe de segurança. Uma força tarefa incrívelque trabalhou intensamente sem parar até encontrar a minha mulher, que ao que tudoindicava estava em um sítio abandonado deplorável em uma zona rural na Serra do Rio deJaneiro.“Cinco minutos para o LZ” Anunciou o piloto através do interfone. O plano era pousara uns dez quilômetros de distância e completar o percurso de carro. Não podíamos arriscarque eles percebessem o barulho dos helicópteros. Olhei pela janela, as montanhas daregião serrana se estendiam abaixo de nós como um mar verde ondulado, pontilhado porclareiras e pequenas propriedades rurais. O dia começava a despontar. Era necessáriocorrer para aproveitar a pouca luz. Ao meu lado, Marcos conferia o equipamento pelaterceira vez. Coletes, armas, rádios, armas. Mi







