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Capítulo 74

작가: Dona Morena
last update 게시일: 2026-09-21 17:39:46

Mary Anne

Eu acordei cedo no automático. tinha um compromisso inadiável.

Clarke ainda dormia ao meu lado, o braço pesado sobre a minha cintura, a respiração funda. Eu fiquei alguns minutos só olhando o rosto dele antes de me desvencilhar com cuidado para não acordar ele. Não deixei bilhete. Não mandei mensagem. Para mim, não havia necessidade. Eu tinha feito uma promessa a David e pretendia cumpri-la.

Peguei o carro de Lívia, pois eu não havia comprado outro ainda e dirigi até a casa dele.
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    Mary AnneAntes de entrarmos na casinha, Luigi e Lívia apareceram na trilha.Cristal dormia pesada no colo de Clarke, a boca entreaberta, uma mãozinha ainda agarrada na camisa dele. Eu já abria a porta quando a voz de Luigi soou atrás de nós.— Vocês podem, por favor, devolver a nossa filha?Eu me virei na hora, fingindo ofensa.— Nem pensar. Cristal é tanto minha quanto de vocês.Luigi soltou uma gargalhada baixa.— Eu sei. E eu amo isso.Clarke relutou de verdade. Demorou dois segundos a mais do que o necessário antes de passar a menina com cuidado para os braços do pai. Luigi a acomodou contra o peito com a praticidade de quem já fazia aquilo todas as noites.Foi então que ele trocou um olhar com Lívia. Ela sorriu, a mão automaticamente indo para a barriga que ainda de forma carinhosa.— Já que vocês gostam tanto de cuidar da nossa filha — Luigi começou, a voz um pouco rouca —, a gente quer anunciar uma coisa.Lívia completou, os olhos brilhando:— Estamos grávidos de gêmeos.O mun

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    Clarke BellomoUm ano e meio depoisEu acordei com um pezinho pequeno na boca.Demorei alguns segundos para abrir os olhos. A luz da manhã já entrava pela janela sem cortina da casinha. Mary dormia de bruços ao meu lado, o rosto enterrado no travesseiro, o cabelo longo bagunçado, o sono profundo de quem tinha trabalhado demais no dia anterior. Entre nós, enfiada de cabeça para baixo debaixo do cobertor, só os pezinhos de fora como duas bisnaguinhas quentes, estava Cristal.Ela tinha fugido do berço de novo.Segurei a perninha pequenina com cuidado. Os dedinhos se mexeram. Eu sorri contra o pezinho e beijei a sola macia. Mary se mexeu, abriu os olhos verdes ainda turvos de sono e se espreguiçou. Quando tentou se virar para me abraçar, eu a barreí com a mão e apontei para o volume entre nós.Ela olhou, o sorriso aparecendo devagar. Beijou o pezinho da menina e depois me deu um selinho de boca fechada, cheirando a sono e amor.— Ela é uma fugitiva — murmurou.— É verdade, e adora meu ro

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    Mary Anne O estúdio nunca tinha estado tão cheio. Eu estava no meio do salão, o lenço colorido no cabelo, o vestido leve que Magda tinha insistido que eu usasse, e o coração batendo tão forte que eu quase não escutava as conversas ao redor. As paredes estavam cobertas pelas séries das quatro estações. Os cavaletes ocupavam os cantos. Flores silvestres em todo lugar. O cheiro de café fresco e de tinta ainda nova misturava com o perfume das mulheres da família. Eles tinham vindo todos. A família Carmichael inteira e a família Brown. Anthony de camisa social até no interior da Toscana, já resmungando baixinho sobre o calor. Magda de brincos enormes e sorriso largo, comandando abraços. Logan e Samantha, ela já puxando assunto com todo mundo. Benjamin correndo entre as pernas dos adultos. E do meu lado de sangue: minha mãe Damiana, a tia Daiana (as duas já tinham brigado duas vezes antes mesmo de entrar), minha irmã Stefany e a outra Stefany, as primas, as tias mais distantes. Os fu

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    Mary Anne O lenço no cabelo estava torto de tanto eu passar a mão. A camisa xadrez amarrada acima do umbigo deixava a barriga à mostra e a calça jeans folgada escorregava um pouco nos quadris. Eu estava descalça, como quase sempre no estúdio, sentindo o chão de tábuas sob os pés enquanto emoldurava as últimas imagens. Organizei por estação: primavera com verdes claros e flores, verão com luz dura e sombras curtas, outono com dourados e vermelhos, inverno com neblinas e texturas. Algumas já estavam na parede, outras em cavaletes de madeira clara. Flores silvestres em jarros de vidro espalhados pelo espaço. A decoração era chamativa o suficiente para aquecer o ambiente, mas nunca competia com as fotos. Eu queria que as pessoas entrassem e vissem primeiro o trabalho. O casal chegou perto das onze. Ele alto, ela de mãos dadas, os dois um pouco tímidos. Eu limpei as mãos no jeans e fui até a porta sorrindo. — Bom dia. Podem entrar. Fiquem à vontade. Eles caminharam devagar, olha

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    Clarke Bellomo A festa só começou a esvaziar quando o céu já clareava nas bordas. Mary Anne não parou um segundo. Bebeu vinho da propriedade como se fosse suco, dançou com as mulheres da vila, com as crianças, sozinha no meio do gramado quando a música ficava mais alta. Cantou desafinado e sem nenhum pudor. Riu de cabeça jogada para trás. Toda vez que nossos olhares se cruzavam ela me mandava um beijo ou puxava a barra da minha camisa para eu ir até ela. Eu ia. Sempre ia. Luigi e Lívia tinham se retirado mais cedo, cansados da viagem e da emoção. A casa grande agora era deles. A casinha, lá no limite dos vinhedos, esperava a gente. Quando finalmente conseguimos nos despedir, Mary ainda estava eufórica. Caminhava na minha frente pela trilha de terra, o vestido solto balançando, o cabelo agora maior e bagunçado. Eu abri a porta da casinha e deixei ela entrar primeiro. O cheiro de tinta fresca e madeira encerada ainda estava no ar. Ela se virou para mim e fechou a porta com o pé

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    Mary Anne Eu acordei antes do sol com a lista mental já rodando. Festa de boas-vindas. Não uma festa grande de rico, nada de buffet sofisticado. Algo que a vila inteira pudesse sentir. Comida caseira, vinho da propriedade, música que fizesse gente bater o pé, espaço para criança correr e adulto dançar demais. Clarke ainda dormia quando eu fui descalça até a cozinha da casinha e comecei a escrever tudo à mão. Às sete da manhã eu já estava na casa grande da vila abrindo janelas. O cheiro de limpeza ainda pairava. A cama estava feita com os lençóis novos. A despensa cheia. O vaso de lavanda na mesa tinha sido trocado por um maior, com flores do jardim. Eu passei a mão na madeira da mesa de jantar e sorri sozinha. Clarke apareceu uma hora depois, cabelo molhado do banho, trazendo café em dois copos. — Você está com a cara de quem não dormiu. — Dormi muito bem. Só estou eufórica. E muito ansiosa. Ele entregou o café e beijou minha testa. — A vila inteira está eufórica. Ontem

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