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Capítulo 3

Author: Olmo
Sair cedo e voltar tarde virou rotina para Dante.

Durante o dia, eu separava tudo o que pretendia levar comigo. Nossos horários se desencontraram de vez, e quase não nos víamos mais.

Quando finalmente estava terminando de arrumar minhas coisas, meu celular tocou.

Era Dante.

Fiquei alguns segundos olhando o nome dele na tela antes de atender.

— O que foi?

A voz dele continuava fria, quase profissional.

— Minha roupa molhou. Tem um terno preto no lado direito do armário. Leva pra mim.

Não respondi.

Passei a mão distraidamente pelo paletó e senti algo duro dentro do bolso.

Minha respiração falhou.

Do outro lado da linha, Dante soltou uma risada baixa, preguiçosa.

— Achou?

Parei por um instante e enfiei a mão no bolso.

Era um anel.

Fechei os dedos ao redor dele com tanta força que o diamante machucou minha palma.

Minha voz saiu rouca.

— Você...

Dante manteve o mesmo tom calmo, apenas falou um pouco mais alto.

— Gostou?

Meu coração disparou.

Um suor frio cobriu minha mão. Abri os lábios, mas não consegui responder de imediato.

Uma emoção difícil de nomear cresceu dentro de mim.

— Por que você...

Ele me interrompeu.

— Agradece à Lu. A ideia foi dela.

Fez uma breve pausa.

— Ela ficou com pena de você e pediu que eu me desculpasse, pra você me perdoar. Eu também não quis contrariar a boa intenção dela.

Fiquei imóvel.

Era como se alguém despejasse um balde de água gelada sobre mim.

Todo o calor que surgiu segundos antes desapareceu.

Olhei para o anel em minha mão. Minha garganta ardia.

Agarrei a própria roupa com força, respirando cada vez mais rápido.

— Dante, você precisa mesmo me humilhar desse jeito?

Do outro lado, silêncio.

Esperei.

Então ouvi a voz abafada de Dante, seguida por um gemido baixo de Luna.

O tom dele ficou surpreendentemente suave.

— Machuquei você?

Outra pausa.

— Por que fica com medo de mim?

A voz, a respiração, aquele gemido...

Não havia como confundir o que existia entre os dois naquele momento.

Meu corpo inteiro se enrijeceu.

Fechei os olhos com força.

Quase ri de mim mesma.

Depois de tudo, eu ainda consegui criar expectativas sobre ele.

Mas, na minha lembrança, Dante sempre foi um homem de libido baixíssima.

Depois de um longo silêncio, a voz dele voltou a soar do outro lado.

— Já viu o anel. Está feliz agora?

Seu tom continuava indiferente.

— Então para de fazer birra comigo. Você passa dias sem falar comigo, fica me evitando... Helena, continuar assim não vai te trazer nada de bom.

Ele fez uma pausa antes de acrescentar:

— Se você aceitar, daqui pra frente... posso aumentar uma hora no nosso tempo.

Arregalei os olhos, sem acreditar no que ouvi.

— Dante, você está ouvindo o que está falando?

Ele não respondeu.

Quem falou foi Luna.

— Chefe, você não disse que ia usar esse anel só pra acalmar a Helena e depois me dar?

Sua voz saiu manhosa.

— Quando você vai trazer pra mim? Meu nome está gravado nele...

Meu corpo se enrijeceu.

Baixei os olhos para o anel que queimava na minha mão.

Por dentro, duas letras estavam gravadas:

LT.

As iniciais de Luna Tavares.

Um arrepio de repulsa percorreu meu corpo.

Não aguentei mais.

— Dante, você não sente nojo de si mesmo?

A voz dele esfriou imediatamente.

— Helena, eu já tentei te agradar. O que mais você quer?

Então veio o golpe seguinte, ainda mais cruel.

— Agora eu sou nojento? Quando você me implorava pra continuar te comendo por mais tempo, eu não era nojento?

Fiquei paralisada.

Meus lábios se moveram, mas nenhuma palavra saiu.

Logo depois, ouvi Dante voltar a falar com Luna, num tom completamente diferente.

— Pronto. Esse fica com ela por enquanto.

Sua voz era baixa, paciente.

— Na próxima eu compro um maior pra você.

Luna ainda resmungou, insatisfeita.

Dante continuou a mimá-la:

— Se trabalhar direitinho, eu te dou o que você quiser. Tá?

Atirei o anel com toda a força.

As lágrimas finalmente escorreram pelo meu rosto.

— Dante! Como você consegue me tratar assim?

Minha voz se partiu.

— Você ainda lembra do que me prometeu?

No dia do nosso casamento, ele beijou meu rosto e disse:

— Fica tranquila, Helena. Eu vou cuidar de você pelo resto da vida.

Também sorriu ao falar do futuro.

— Um dia a gente vai ter um filho. Se puxar você, vai ser lindo.

Mas agora...

Meu corpo tremia em silêncio.

Só então percebi que Dante já desligou a ligação.

O celular escapou da minha mão e caiu no chão. Até respirar começou a doer.

No instante seguinte, ouvi barulho vindo da sala.

Abri a porta de repente e saí.

Alguns homens penduravam um enorme retrato de casamento na parede.

Quando me viram, sorriram e brincaram, esperando uma caixinha.

— Parabéns! Felicidades aos recém-casados!

— Seu marido gosta mesmo de você, hein? Esse ensaio não saiu barato.

— Ele nem economizou, pediu o pacote completo. Vocês dois formam um casal lindo.

Ergui os olhos.

Minhas pupilas se contraíram.

No retrato, o noivo era Dante.

Mas a mulher de vestido branco ao lado dele...

não era eu.

Meus lábios se curvaram num sorriso frio.

— É. Com a amante, ele nunca economiza.

Os homens congelaram.

O sorriso desapareceu de seus rostos, e eles começaram a pedir desculpas em voz baixa.

Peguei o celular do chão e liguei novamente para Dante.

Assim que ele atendeu, falei:

— As fotos chegaram aqui em casa.

Minha voz estava estranhamente calma.

— Dante, você precisa mesmo me humilhar desse jeito?

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