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Claire sabia como deixar qualquer casamento mais bonito usando apenas sua câmera.
Bastava encontrar a melhor luz, o melhor ângulo, ajustar as configurações e apertar o botão de fotografar. E pronto. O resultado era uma imagem inesquecível para o casal feliz se emocionar toda vez que quisesse relembrar o grande dia. Isso se o casamento não terminasse em divórcio. Claro.
A fotógrafa escolhia exatamente o que guardar com uma intuição certeira.
Podia ser a mão trêmula segurando o buquê, o sorriso emocionado antes da cerimônia, o choro de emoção da mãe da noiva, ou o pai fingindo que não queria chorar também. Eram pequenos momentos que passavam despercebidos para a maioria dos convidados, mas não escapavam das lentes.
Ela abaixou a câmera para observar o salão.
Aquele era um dos casamentos mais sofisticados que já tinha fotografado em quatro anos de carreira.
O castelo ficava nos arredores de Londres e era cercado por jardins dignos de revistas de paisagismo, árvores antigas e uma quantidade absurda de flores brancas, cor-de-rosa e vermelhas. Tudo havia sido planejado para transmitir bom gosto e sofisticação. E não poderia ser diferente, considerando os nomes de peso da lista de convidados. Claire já tinha visto pelo menos três atores famosos e uma cantora. Precisou se segurar para não pedir autógrafos.
Gostaria de poder dizer que estava mais deslumbrada do que cansada, mas seria mentira. A recepção já se alongava por algumas horas, sua boca estava seca e seus pés começavam a doer. Se pudesse, teria parado de fotografar naquele exato momento.
No entanto, ainda tinha esperança de conseguir mais alguns cliques perfeitos.
— Claire!
Ela virou o rosto ao ouvir alguém chamar seu nome.
Leonard Walker caminhava em sua direção, segurando uma taça de champanhe e sorrindo de orelha a orelha.
— Você ainda está ocupada? — perguntou.
— Tá falando sério?
Ela olhou para a câmera.
Ele soltou uma risada antes de dizer:
— Não acha que já é hora de encerrar? Você está trabalhando há seis horas direto.
— Ainda não fotografei tudo que queria.
— Você já fotografou cada mesa pelo menos três vezes.
Foi a vez dela de rir.
— Você tem um ponto — disse.
— E você é incansável.
— Tenho que pagar minhas contas.
— Relaxa um pouco. — Ele estendeu a taça de champanhe.
— Depois. Prometo. — Sorriu.
Leonard assentiu e apontou com a cabeça para a pista de dança.
— Quando puder, tire algumas fotos do meu irmão. É um dos padrinhos. Terno preto, gravata vermelha.
— Pode deixar comigo.
Claire olhou na direção indicada.
Havia muita gente na pista de dança, incluindo meia dúzia de homens de terno preto e gravata vermelha.
— Qual deles é seu irmão mesmo?
Mas Leonard já tinha se afastado.
Ela soltou um suspiro frustrado e voltou a erguer a câmera.
E lá estava ele.
Percebeu quem era pela semelhança física com Leonard — o rosto e o corpo eram praticamente iguais. Mas não foi só isso. Ela simplesmente… soube. Algo dentro dela despertou naquele momento.
Como se pudesse prever que aquele homem seria importante.
Ele estava ao lado das portas francesas que levavam ao jardim. Havia uma taça de uísque quase vazia em sua mão. O cabelo castanho parecia um pouco desalinhado, mas não de um jeito desleixado. Era charmoso. Como se ele tivesse passado os dedos pelos fios depois de alguns minutos na pista de dança.
Ele não estava sorrindo nem conversando. Parecia ter esquecido o uísque. Apenas observava as pessoas.
Até que o olhar dele encontrou o de Claire.
Ela baixou a câmera.
Ele não parou de encarar.
O coração dela deu um salto, totalmente contra sua vontade. Era só o que faltava. Um homem gostoso para distraí-la do trabalho. Balançou a cabeça em negação antes de se forçar a desviar os olhos.
Sem realmente pensar no que estava fazendo, apontou a câmera para um grupo de pessoas que dançavam juntas. Mal ajustou o enquadramento. Apenas clicou. A foto provavelmente tinha ficado péssima, mas ela não estava se importando. O coração ainda batia forte pelo desconhecido do outro lado do salão.
Sem querer, voltou a encará-lo. Foi como se um ímã tivesse atraído o olhar.
Agora ele sorria para alguém no meio da multidão.
Claire mordeu o lábio inferior, subitamente arrependida de não ter aceitado o champanhe de Leonard. Porque, depois de ter visto aquele homem, sabia que não conseguiria parar de pensar nele.
Pelo menos, até descobrir quem ele era.
Quando as portas do elevador do hotel se abriram, Alexander saiu primeiro. Não disse nada. Apenas olhou para Claire como se quisesse se certificar de que tudo estava bem. Ela respondeu com um passo à frente e um sorriso discreto, mas verdadeiro. Aquilo pareceu bastar, ao menos por enquanto.Caminharam sem pressa pelo corredor silencioso até chegarem à última porta à direita.Alexander tirou o cartão do bolso da calça e o encostou no sensor, o que fez um sinal sonoro ecoar.A porta se abriu lentamente.— Você está bem? — perguntou ele.— Estou.Não era mentira, mas talvez não fosse toda a verdade.O coração de Claire batia com tanta força que ela ficou com medo de Alexander conseguir ouvir. As mãos estavam trêmulas e ligeiramente suadas. As borboletas no estômago mais pareciam águias. E, mesmo com todo o nervosismo, ela não queria recuar.Já tinha ficado com alguns homens antes, mas nunca havia deixado as coisas irem longe demais. Até aquela madrugada, ainda não tinha se sentido prepar
A conversa continuou por meia hora, passando por assuntos como o clima, música e vida pessoal. Claire descobriu que Alexander detestava a neve, mas adorava o frio do inverno. Ele também compartilhou que era filho único, que bebia café demais e que, na infância, teve um dálmata chamado Elvis. Ela disse que tinha o hábito de limpar a casa quando precisava refletir sobre questões delicadas, que adorava ouvir Taylor Swift e que gostava do verão.Quando se deram conta, os funcionários já começavam a se organizar para fechar o bar.E Claire percebeu que já não conseguia mais prestar atenção em tudo que Alexander falava. Não estava entediada. O problema era que cada palavra aumentava sua vontade de ficar perto dele, e não apenas para conversar.Ela terminou o drinque e colocou a taça sobre a mesa.Por causa do álcool, sentia-se ligeiramente mais alegre do que no início da noite. Às vezes, quando mexia a cabeça, percebia uma leve tontura, mas continuava consciente de tudo que fazia.Abriu um
O bar estava praticamente vazio àquela hora da madrugada. Havia somente duas mesas ocupadas e nenhuma música ambiente. As pessoas conversavam em tom baixo. Os funcionários pareciam cansados. Provavelmente, faltava pouco tempo para o estabelecimento fechar. Mas Claire preferiu não pensar naquilo.Tinha outras coisas em mente.Ela escolheu uma mesa próxima à janela com vista para a rua quase deserta, enquanto Alexander se dirigiu ao balcão para pedir os drinques.A sensação de estar ali era esquisita. Claire já tinha saído com alguns homens antes, mas geralmente os conhecia por aplicativos de encontros. Quase nunca tinha coragem de começar a flertar com alguém pessoalmente. Costumava ser tímida demais para isso. No entanto, tudo parecia ter mudado naquela noite. Talvez finalmente estivesse se tornando uma mulher tão corajosa e decidida quanto as que admirava.Alexander voltou trazendo um copo de uísque e uma taça cheia de uma bebida cor-de-rosa.— Espero que goste — disse ao se sentar,
Era quase uma hora da manhã quando a última música terminou.A banda se despediu e começou a guardar os instrumentos, enquanto os convidados batiam palmas e conversavam em pequenos grupos, alguns visivelmente cansados, outros ainda sentiam os efeitos do álcool. A maioria sorria. Os noivos haviam sumido pouco depois da meia-noite, e ninguém fazia ideia de onde estavam.A festa tinha sido um grande sucesso.Claire desligou a câmera e sorriu. Estava aliviada com o fim da noite, porém feliz pelo dever cumprido. Talvez tivesse tirado algumas das melhores fotos de sua carreira naquelas oito horas de cerimônia e festa. Ainda precisaria fazer as edições no computador, mas a parte mais difícil do trabalho já tinha passado.Sentia-se exausta.Tudo que queria era um banho morno, sua cama e, no mínimo, umas dez horas de sono profundo. No entanto, algo a prendia ali. Ou melhor: alguém. A ideia de ir embora sem antes conversar com Alexander era quase insuportável. Precisava falar com ele mais uma v
Com a câmera pendurada no pescoço e as duas mãos segurando uma taça de champanhe, Claire sorria para o homem que pensava se chamar Alexander. Apesar de se sentir tímida, não queria desviar o olhar. Poderia passar a noite inteira mergulhada naqueles olhos azuis.E nem sequer se cansaria.Estavam sentados em uma mesa no canto do salão, longe da agitação dos convidados.— Então você costuma chamar fotógrafas desconhecidas para beber?— Não tenho esse hábito — respondeu, bebericando o uísque sem quebrar o contato visual.— Você não me diria se tivesse.— Essa é a impressão que causo?Claire balançou a cabeça em negativa, tentando não sorrir muito.— Não — disse ela.— Que bom. Quase fiquei ofendido.Ela riu.E sentiu o rosto esquentar ao perceber que ele estava contendo o riso.— Você parece muito sério para alguém que está em uma festa.— Sou assim. Você não gosta?— Ainda preciso pensar sobre isso.— Você é um pouco indecisa, não é?Claire franziu o cenho.— Por que acha isso?— Você nã
George observou Claire ajustar as configurações da câmera e apontar a lente para ele.A música estava tão alta que o som do clique foi quase imperceptível. — Você me fotografou? — Franziu o cenho, apesar de achar a situação divertida.— Não — falou com certa urgência na voz.— Eu vi.— Foi sem querer.— Não sabia que era possível fotografar alguém sem querer.Por um instante, George manteve a expressão séria, como se realmente estivesse chateado. No entanto, ao perceber que Claire não tinha entendido a brincadeira, relaxou os ombros e sorriu.— Está tudo bem. Eu deixo você me fotografar.— Na verdade, eu estava fotografando as pessoas atrás de você — disse em tom de brincadeira.— Claro. E eu simplesmente apareci no meio da foto.— Foi exatamente isso que aconteceu.— Uma grande coincidência. — George voltou a sorrir. — Posso ver?Claire pareceu hesitar antes de mostrar a tela da câmera.Na fotografia, ele aparecia quase de perfil, o rosto mais sério do que imaginava. Os olhos azuis







